Onde pára a limpeza em Santa Marinha?
08-04-2009 18:20
Mas, (VIRGULA) a realidade é que, mesmo no chão ao lado dos ditos contentores existe uma autêntica lixeira com tudo o que é detritos. Desde camisolas, panos, restos de comida, enfim,(VIRGULA) nada bom para o bem-estar de uma freguesia que, por certo, quer ser amiga do ambiente.
Pede-se aos responsáveis pela limpeza da Vila de Santa Marinha, (VIRGULA) que vejam esta situação.
Num jornal local.
Numa pequena frase 3 virgulas a mais.
Mas o pior é a mensagem.
Então se os contentores estão lá e há gente que coloca o lixo fora deles, que culpa disso têm os homens da limpeza da Câmara Municipal?
O jornal chama a atenção de quem trabalha em vez de chamar a atenção de quem suja.
Maravilhoso!
Isto é o que se chama "inverter o ónus da prova", no dizer do nosso PM!...
Já no "lead" da mesma notícia se podia ler:
Onde pára a limpeza em Santa Marinha?
08.04.2009 18:20
É verdade! Esta é a realidade que se vive em Santa Marinha.
Numa das ruas desta freguesia, bem perto do Dr. Afonso Costa, (???) existem, e bem, (????) contentores de reciclagem, (VIRGULA) para a (????) sensibilizar a população para a questão dos graves problemas que afectam o meio ambiente.
Ora bem:
Mais 2 linhas e 5 erros.
1 - "Perto do Afonso Costa", talvez se pretendesse dizer: da estátua do dr Afonso Costa que não é, de todo, a mesma coisa que a pessoa.
Mas essa falta de rigor ainda é o menos.
2 - O jornalista emite declaradamente opinião ao dizer que é bem que existam contentores. Ninguém lhe encomendou o sermão e este abuso de dupla personalidade de quem relata e emite opinião simultaneamente é algo deontologicamente reprovável em jornalismo.
Ou bem que relata ou bem que comenta. Fazer as duas coisas de uma penada nem ao Dr Martelo se permite!
3 - uma vírgula a mais
4 - a preposição (artigo?) a não faz sentido.
5 - será que os contentores foram ali colocados para sensibilizar a população para os problemas ambientais ou terá sido simplesmente para recolher o lixo?
Onde chega o pedantismo...
Nitidamente o jornalista a escrever mais do que deve e a inventar mais do que relata. Está mal.
O que levará o director do Sol a evitar a palavra MENTIU - jornalisticamente e factualmente correcta - contornando-a com a ridícula expressão «Faltou à verdade»?
Coisa feia!
De quem tem medo o director do Sol?
Que vergonha e que subserviência chocante a de José António Saraiva!
Longe vão os bons tempo do jornalismo digno desse nome do Expresso.
É preciso saber viver com todos... não é, Arquitecto?

Se houver alguma classe, em Portugal, mais incompetente que a política, ela é, seguramente, a dos jornalistas.
O caso aberrante de um fórum TSF ter sido feito hoje à pressa a partir de uma informação errada é mais uma prova de que andamos aqui a brincar aos cow-boys neste jardim à beira mar plantado.
Informar, investigar, questionar, promover o contraditório ou seja: tentar ir buscar o outro lado de cada história são actos formais do jornalismo em qualquer parte do mundo civilizado.
Menos em Portugal.
Aqui, o jornalista (a esmagadora maioria) publicita o que o poder instituído os manda fazer.
E não se pense que é um fenómeno socialista, este do controle dos orgãos de informação, reduzindo jornais respeitáveis a publicações panfletárias do governo. Não!
Tem sido assim com todos os últimos governos, à excepção do de Santana Lopes.
Esse, teve a informação toda contra ele.
Mas tirando essa excepção, a regra tem-se confirmado.
Quem estiver no poder tem o jornalismo de propaganda à disposição.
E isso não se consegue apenas com as míriades de assessores de imprensa de que cada ministro se rodeia. Claro que cada um deles tem amigos colocados em vários jornais e o tráfico de influências também passa por aí, mas não só. O fenómeno toca mais fundo na sociedade portuguesa.
É que, à rigorosa semelhança do que se passa em Seia relativamente à CMS, muitos jornais em Portugal auto-assumem uma postura pró-situacionista relativamente ao governo em exercício, sem que ninguém lhes encomende o sermão.
Começam logo a cantar loas a quem acabou de ser empossado, vá-se lá saber porquê.
E isso é o que mais me preocupa.
Porque lamber botas, com um objectivo específico, num dos países onde a corrupção é considerada absolutamente normal pela população, isso não me espanta nada.
Mas lambê-las sem que ninguém lhes ofereça nada em troca nem ganhando, directamente, nada com isso, espanta-me e muito.
Este caso de hoje é um exemplo de sinal contrário.
A TSF faz-se eco de uma notícia falsa.
Que «em Portugal já tinha morrido mais gente nas estradas até hoje, do que no ano passado inteiro».
Mal ouvi esta calinada, logo de manhã, deitei as mãos à cabeça!
Basta ir seguindo a evolução dos números mensais que têm sido publicados pela GNR, para se perceber que nada disso podia ser verdade. A não ser que em Agosto tivessem morrido 300 pessoas. "Só" morreram 76...
Esse era o trabalho do jornalista.
Que sistematicamente o não faz.
Ninguém, na redacção da TSF, descobriu esta calinada.
A LUSA teve um lapso normal, porque lidar com números é missão impossível para os jornalistas, sabemo-lo bem.
Nas rádios e na televisão, na mesma notícia não são capazes de repetir o mesmo número duas vezes sem que o erro cometido seja de uma enormidade absurda (ex: «5.000 milhões de euros foi quanto o estado arrecadou de impostos».... e logo a seguir: «o estado consegue assim arrecadar 5 milhões de euros...»
Isso é o pão nosso de cada dia.
Ora este lapso da Lusa que confundiu (naturalmente) "o ano passado" com o "período homólogo" do ano passado, parece que toda a imprensa distraída o copiou.
Espírito crítico? Zero!
Confirmação de dados? Zero!
Vai daí, hoje temos o espectáculo de vários jornais virem com esta notícia falsa e rocambolesca.
E o forum TSF acabou por se esvaziar, com um aflitivo Carlos Magno a meter os pés pelas mãos e a tentar minimar o prejuízo....
Com uma classe jornalística com esta qualidade, como é que a mais miserável classe política da europa não há perpetuar-se no poder?
E em Londres, numa passadeira da Abbey Road, em frente aos estúdios com o mesmo nome, 4 músicos preparavam-se para tirar as últimas fotografias em conjunto para a capa do último álbum que gravariam juntos (Let it be já tinha sido gravado, embora fosse colocado à venda depois deste).
Qualquer coisa de tocante, pelo menos para mim.
Cliquem na imagem ou aqui e apreciem todas as fotos.
São a História registada.
Momentos absolutamente mágicos para os músicos da minha geração...
“Existe uma canalha que frequenta as rádios, televisões e jornais que não respeita nada nem ninguém”. A afirmação foi disparada contra os jornalistas que pretendem “liquidar aqueles que incomodam”, por Emídio Rangel, ex-director da RTP e da SIC, no lançamento do livro de Carrilho, ontem, no teatro D. Maria II.
Há cerca de 2 anos inseri vários textos sobre o que denominei «o miserável jornalismo televisivo».
Criei, até, uma categoria neste blog dedicada a isso.
Porque é um fenómeno que tem atacado cirurgicamente a sociedade portuguesa sempre que tal se mostra necessário e com uma eficácia terrível.
O sistema, ou processo, é sempre o mesmo:
Subitamente, sem se perceber porquê, um jornal começa a ridicularizar um personagem público e, passadas apenas algumas horas, ergue-se um coro nacional em todas as rádios e televisões no mesmo sentido, que se fixa dia e noite, numa maré alastrante que pode durar semanas inteiras.
Esta acção concertada visa arruinar a carreira e as legítimas pretensões de quem se propõe atingir alguma posição de relevo público-institucional.
O primeiro mártir deste tipo de campanhas jornalísticas - este «polvo jornalístico», como lhe chama agora Manuel Carrilho - não foi ele.
Foi Santana Lopes.
No auge dessa campanha, a toda a hora se produziam "notícias" negativas sobre SL, cujo objectivo era nitidamente o de o ridicularizar ao máximo aos olhos do povão que nada sabe de coisa nenhuma e, portanto, vai acreditando no que o cartel de jornalistas comprados pelos interesses instalados vomitam, enquanto recebem à baboseira.
Se fazia a sesta, se ia à discoteca, se estava a passear no jardim com a família, tudo foi pretexto para a guerra diária e generalizada que os média lhe moveram, numa tentativa descarada de lhe assassinarem a imagem, à custa de uma mega-acção global sem precedentes neste país.
O jornalismo do regime, à força da repetição diária em todos os telejornais, acabou por cilindrá-lo. O homem não podia fazer fosse o que fosse. Não podia aparecer nem ficar recatado. Não podia estar acordado nem a dormir. Só estaria bem se estivesse morto.
E porque é que isto aconteceu?
Porque Santana Lopes ousou incomodar, como ninguém antes dele, a Alta Finança - a qual obrigou, por exemplo, a começar a pagar impostos.
Esse «obviamente pagarão!» foi o seu epitáfio político.
Nunca mais o grande capital o deixará levantar cabeça.
Tornou-se o alvo a abater para todo o sempre.
E teve aqui o seu início a campanha "jornalistica" generalizada mais sabuja que eu vi, em 45 anos de idade, destinada a liquidar um Homem.
Campanha essa que não terminou com a sua derrota eleitoral. Longe disso!
Continuará para sempre, enquanto os todo-poderosos do dinheiro desconfiarem que ele, se mandasse, os obrigaria a pagar ainda mais impostos.
Ainda hoje ele não pode fazer nada, nem sequer ir às compras, que saltam logo matilhas de maledicentes escrevinhadores do regime a denunciá-lo por estar vivo.
Foi com Santana Lopes que começou a indignidade e nasceu o polvo.
Carrilho é, apenas e nitidamente, a segunda vítima.
Mas não sofreu menos por isso.
O padrão da molusca ignomínia jornaleira repetiu-se, agora em sinal contrário.
Carrilho era demasiado perigoso em Lisboa. Tem ideias que «colidem directamente com quem quer continuar a fazer mal à Cidade».
Tem uma visão para uma Lisboa moderna que choca frontalmente com os grandes interesses instalados. Com os grandes construtores. Com os grandes projectos de betão.
Carrilho queria ordenar e organizar a cidade reavivando o seu centros históricos, recolocando as pessoas e o pulsar da Vida no lugar dos escritórios e dos arranha céus desertificantes.
Carrilho queria uma Lisboa para os lisboetas. Para que os residentes e visitantes pudessem usufruir de uma Qualidade de Vida bastante mais elevada.
Carrilho queria uma Lisboa viva. Com mais espaços verdes, com centros de debate e de discussão social. Com mais locais de troca de Culturas e Conhecimento.
Isto colide frontalmente com a Lisboa do betão. Dos condomínios fechados de luxo de Telheiras ou da Lapa, dos andares de 250 mil contos com porteiros e segurança interna.
Isto colide com os interesses da Alta Finança.
Vai daí, foi o segundo alvo a abater.
Nada disto é novo.
O que é pioneira é a coragem da sua denúncia em livro, porque Santana Lopes já anteriormente tinha acusado a imprensa mercenária exactamente do mesmo nas eleições legislativas.
Onde até uma forte gripe e uma súbita doença incomodativa que o obrigou a uma intervenção cirúrgica a meio da campanha - Santana chegou a discursar com 40 graus de febre - se fez confundir com «cinzentismo» e «falta de convicção»!
Há meses escrevi a Carrilho, solidarizando-me com a sua luta e comparando-o a Santana Lopes. Não nos ideais, mas nas convicções.
Agradeceu, embora não se identificando com a analogia, obviamente.
Agora, os recentes assassinatos "jornalísticos" colocaram-nos no mesmo "saco".
Utilizando os mesmos processos, fizeram deles dois alvos a abater.
A História provou, uma vez mais, que eu não estava muito longe da verdade.

Durante a noite foram assaltadas duas residências em Carragosela. Trata-se de duas moradias que não são habitadas diariamente, sendo apenas frequentadas esporadicamente pelos proprietários. A GNR chegou ao local cerca das 9:15h e por lá se mantem ainda.
Alguns populares notaram uma movimentação estranha por volta das 2 da manhã, inclusivé dois automóveis desconhecidos a rondar as casas.
Um deles chegou mesmo a «gritar para afugentar os ladrões», segundo afirmou à nossa reportagem.
Terá sido o grito que pôs cobro à criminosa acção? Não se sabe. A verdade é que duas grandes vivendas foram assaltadas, uma praticamente em frente da outra e, tudo leva a crer, de seguida. Na primeira casa, cujo interior foi completamente remexido, o caseiro notou para já a falta de uma motoserra, uma bicicleta de montanha e mais alguns objectos e utensílios, da arrecadação.
Da segunda não foi possível apurar o que foi furtado, porque, ao certo, ninguém sabia.

«Embora esteja tudo virado do avesso ninguém lá mora e portanto não se pode, para já, apurar o que lá falta. Só quando vierem os proprietários, eles poderão dizer», comentou um elemento da Junta de Freguesia, no local.
A população acorreu às imediações da zona num misto de curiosidade e incredulidade pelo que acontecera. E logo numa zona central da aldeia, em frente à Junta de Freguesia, na rua principal. É a primeira vez que são assaltadas simultaneamente 2 residencias em Carragosela e, segundo o povo «não assaltaram mais casas porque não quiseram, porque há mais casas desabitadas por aqui».
É o problema da desertificação e da toxicodependencia que começa a atingir fortemente as nossas aldeias, onde cada vez menos se está seguro.
«O problema é que as pessoas herdam as coisas, mas têm as suas vidas em Lisboa e noutras cidades e ninguém vem para aqui morar. Isto acaba por ficar ao abandono. E os drogados sabem disso tudo», ouvia-se dizer a populares.
A GNR vedou o acesso às casas e aguarda-se a chegada da peritagem policial.
Actualizaremos a informação logo que haja mais elementos.
Um homem não identificado, para os Américas, pode ser qualquer pessoa por mais mediática que seja. Sabemos que cultura geral não é exactamente o forte dos donos do mundo. Desde o célebre «cumplimentos al governo de Madrid» de Ronald Reagan ao «mapa do mundo segundo os américanos» que está algures num destes 1000 posts - e que agora não tenho tempo de procurar - é sabido que aquela gente não é muito dada às coisas do conhecimento.
Mas esta é de mestre!
E melhor ainda, o requinte de malvadez do jornalista português que não consegue escrever unidentified sem dar dois erros na mesma palavra. Nem copiando do artigo acima!
Não há dúvida que melhor que a ignorância jornalística americana só a ignorância jornalística portuguesa.
Nisso, ganhamos-lhes à légua!
Qual é a sucateira, qual é ela, que se encontra mesmo no coração de Seia?
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Não é uma sucata.
É o parque da GNR, repleto de carcaças podres às quais a Justiça que temos não consegue dar destino.
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Que bela imagem de um Portugal desenvolvido.
Que rico contributo para a nossa saloia auto-estima!
E que distinta "herança" para uma Corporação cuja única culpa foi o fazer cumprir a Lei.
Por já não haver espaço dentro do parque, onde apodrecem dezenas de viaturas, há já "charutos" colocados cá fora num claro e grave atentado ambiental. Baterias e óleos a derramar, numa contaminação permanente do ambiente.
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Quem paga esta multa?
A GNR, que cumpriu com o seu dever, ou o Tribunal, que não cumpre com o seu?
António José Ferreira Nolasco, em grande entrevista exclusiva ao jornal Porta da Estrela, explica como foi substituído e porquê. Fala do Centro de Saúde e da dança das cadeiras. Das polémicas e queixas que envolveram alguns funcionários. Da falta de médicos. Das filas desde as 4 da manhã para se obter uma consulta. Do aumento de produtividade. Da gestão de unidades de Saúde e das reticências sobre a eficácia de gestores hospitalares que não têm formação clínica. Por último deixa a porta aberta a futuros convites... no futuro.
O médico que vinha ocupando, nos últimos anos, o lugar de director do Centro de Saúde de Seia foi substituído no dia 11 de Maio, tal como aconteceu a outros directores por esse distrito fora. Acontece que a forma de que se revestiram estas substituições não tem sido pacífica, havendo até casos de alguns ex-directores que deram conferências de imprensa para denunciar algumas situações que estarão por detrás destas demissões, nomeadamente a forma impessoal como algumas delas lhes foram comunicadas.
Não foi o caso de Ferreira Nolasco, que acedeu a dar uma longa entrevista ao PE sobre o ponto da situação no Centro de Saúde. Depois de a ler, o leitor ficará sem perceber porque foi o médico substituído. E a razão, afinal, não pode ser mais simples: a dança das cadeiras.
(clique abaixo para ler a entrevista na íntegra)
PE: Dr. Nolasco: muitos directores de Centros de Saúde foram ultimamente substituídos (demitidos) de forma estranha. Alguns deles queixaram-se à comunicação social que foram os funcionários administrativos que lhes deram a ler o fax da sua própria demissão. Foi o que se passou consigo?
AN: Não. Nós já estávamos à espera há uma série de meses desta substituição porque desde o dia 9 de Janeiro que entrou em funcionamento a nova regulamentação dos Centros de Saúde que inviabiliza, só por si, as direcções tal como se encontram neste momento – um director e 2 vogais. Ainda não saiu a regulamentação da classificação dos CS (Centros de Saúde). O nosso ficará equiparado ao nível 2 ou classe B. As novas direcções serão nomeadas dependendo disso, porque tem a ver com a nomeação igualmente de coordenadores para as áreas da medicina, enfermagem, administrativos, etc. Portanto, estávamos perfeitamente informados que, até novas ordens do ministério, continuaríamos em funções. Quando chegasse a altura proceder-se-ia à substituição das direcções. No dia 11 de Maio a Dra. Emília – coordenadora da Sub-Região de Saúde da Guarda – ligou-me informando que iria entrar em funções o novo director, que seria o Dr. Costa Neto, mas que queria ter uma reunião com o corpo clínico para expôr isso mesmo. Ao que se diz, esta terá sido uma excepção porque, no nosso caso, foi a coordenadora que quis ter uma reunião connosco para explicar a situação e não houve, portanto, qualquer tipo de demissão por fax ou telefone. Sublinho que a Dra. Emília fez questão em reunir pessoalmente connosco para elogiar o trabalho levado a efeito por esta direcção e pedir a continuação da melhor colaboração dos funcionários para com o novo director.
PE: Seia foi, então, um caso especial?
AN: Ao que ouço, sim. Até porque, modéstia aparte, tenho que dizer que o Centro de Saúde estava, durante a direcção anterior, muito mal cotado na “bolsa” dos CSs da região da Guarda e neste momento o que a coordenadora veio fazer foi precisamente reconhecer o mérito desta equipa de profissionais que conseguiu colocar este CS como uma das referências ao nível da sub-região de saúde. Estamos muito bem posicionados em termos de objectivos e de produtividade. A coordenadora veio pessoalmente sublinhar este aspecto, dizendo que esperava desta equipa de profissionais a mesma colaboração relativamente ao novo director. Ao que sabemos este foi o único CS que teve este tratamento personalizado.
PE: Assim sendo, mal se compreende esta substituição. Em equipa que ganha não se costuma mexer...
AN: A coordenadora de alguma forma deixou transparecer a sua incomodidade relativamente à decisão desta substituição em particular.
PE: Porque não teve fundamentos técnicos?
AN: Isso não teve, de certeza absoluta. Nós sabíamos, em reuniões de directores, que estariam a ser feitos esforços e démarches no sentido de se produzirem substituições, porque estas coisas mudam conforme os governos e as cores...
PE: Esta substituição terá tido alguma coisa a ver com queixas de alguns funcionários ou utentes do CS? O PE teve conhecimento de, pelo menos, uma queixa formal de um funcionário a par de outras de alguns utentes...
AN: Não. Essa queixa segue os seus trâmites legais, na Inspecção Geral de Saúde, mas nenhuma dessas situações tem algo a ver com isto. Nem a própria coordenadora tinha conhecimento dessas situações porque ainda não houve despacho ou decisão sobre as mesmas. Tem-no agora porque eu lhe comuniquei.
PE: Mas não havia um certo mal estar entre alguns profissionais do CS?
AN: Quando se ocupa um cargo destes, as pessoas têm que assumir determinados métodos. Quando tomei posse, havia muitos problemas em quase todos os sectores profissionais, quer médicos, quer administrativos, e alguns deles bastante graves. A proposta que me fizeram foi a de tentar pacificar esses conflitos, o que foi conseguido. Neste momento, a nível do sector médico – que é um sector complicadíssimo porque há muitas tendências, muitas sensibilidades, muitos interesses pessoais em jogo - o ambiente está perfeitamente pacificado. Há e sempre houve um bom ambiente no sector da enfermagem, e há um bom ambiente a nível do sector administrativo.
Confirmo que há dois ou três casos pontuais de funcionários administrativos que criam, digamos assim, problemas com o seu superior hierárquico. Isto foi sempre uma questão entre o superior hierárquico e dois ou três funcionários.
PE: E esse conflito permanente não terá afectado o funcionamento e a imagem do CS?
AN: De maneira nenhuma. Trata-se de funcionários administrativos cujas funções não se reflectem directamente na qualidade do serviço de saúde prestado ao utente.
PE: Mas o facto de os utentes muitas vezes irem para o CS às 4 da manhã para conseguirem uma consulta não terá a ver com a falta de organização provocada por esse mal-estar entre os funcionários?
AN: Não. O facto de as pessoas irem às 4 e 5 da manhã para o Posto Médico para tentar ter uma consulta prende-se com a acessibilidade às consultas, com a parte médica e com as marcações. Não tem nada a ver com a parte administrativa. Os administrativos limitam-se a cumprir o seu papel e até, muitas vezes, solucionam muitas situações. A culpa aí, se ela existe – e já se resolveram muitos problemas nessa área com algumas medidas que esta direcção tomou – não tem nada a ver com problemas entre administrativos e a sua superior hierárquica.
PE: Nem isso influiu na mudança da direcção...
AN: Não. De maneira nenhuma. Reafirmo que esta substituição estava prevista deste o dia 9 de Janeiro e não se fez antes apenas porque não havia definição sobre a classificação do CS nem definições precisas quanto às funções do novo director. E neste momento ainda não há. Sabe-se que tem que ser um médico e que não pode exercer determinadas funções clínicas. Já se permite que faça clínica, mas não pode ter contratos particulares com hospitais, avenças com consultórios, etc. Enquanto não se definiram estes pontos para clarificar qual era a situação a propor a um director, houve protelação no tempo. Logicamente que também apareceram resultados desde Outubro a esta parte que foram francamente animadores, com a implementação de novos métodos e aumento do índice de produtividade que, aliado à falta de definição das novas regras, originaram o arrastamento da situação. Mas a verdade é que desde o dia 9 de Janeiro que nós estamos demitidos.
PE: Sai, portanto, sem nenhuma espécie de azedume com a sub-região de saúde.
AN: Exactamente. Posso até dizer, a título de exemplo, que a coordenadora me convidou pessoalmente a apresentar um trabalho sobre o Centro de Saúde de Seia antes e agora, dadas as melhorias de produtividade e de imagem que hoje em dia sustenta, nas Jornadas de Saúde a terem lugar em Junho na Guarda, o que me apraz registar, e farei com todo o gosto. É a prova inequívoca do reconhecimento da coordenadora pelo nosso trabalho em Seia. Na mesma ocasião fui informado que o projecto de obras dos baixos do CS está bem encaminhado. Portanto continuo a ter as melhores relações com toda a gente.
PE: E a partir de agora quais vão ser as suas funções no CS?
AN: As de médico, como até aqui. Sou chefe de serviços de clínica geral. Continuo a exercer em Loriga, Alvôco, agora também vou à Vide, e no Centro de Saúde onde ainda tenho um dia de consultas. Um dos meus objectivos é conseguir que cada utente tenha um médico. No CS tínhamos programado atingir esse objectivo em Junho.
Enquanto fui director exerci o melhor que pude, não agradando a todos, como é evidente, mas sinto-me orgulhoso porque se fizeram coisas bonitas. Agora vou ser, simplesmente, médico.
PE: Mas está disponível para aceitar um convite no futuro?
AN: Não sei. Para já quero descansar. Este cargo que agora deixo, apesar de ter estado rodeado de colaboradores que tudo fizeram para ajudar a resolver situações, foi muito desgastante. Prejudiquei a minha vida familiar e pessoal porque não deixei as minhas consultas. Continuei a trabalhar como médico para substituir colegas em ausências prolongadas, para não sobrecarregar os outros colegas e ajudar a minorar o problema da falta de clínicos. Não tinha que o fazer. Tinha redução de horário para poder gerir o CS, mas nunca o usei. Alguma coisa tinha que ficar para trás: foi a vida pessoal.
PE: Acha que um director de um Centro de Saúde deve obrigatoriamente ser médico?
AN: No Centro de Saúde de Seia, que é médio/pequeno, entendo que sim. Não justifica um gestor porque não há centros de receitas. Só de custos.
PE: E em relação ao Hospital?
AN: O Hospital de Seia já mexe com muito dinheiro. Nas duas reuniões que tive com o concelho de administração do HS apercebi-me que presidente do Conselho de Administração se rodeou de profissionais de cada área. Ele não interfere na sensibilidade clínica e tem na gestão um profissional do ofício.
PE: Como é que comenta os artigos sobre Saúde que o Dr José Luis Vaz, o administrador do Hospital, que é advogado, escreve no nosso jornal?
AN: Estamos em democracia, o Dr Luis Vaz pode escrever o que quiser. A opinião que tenho é que o Hospital ganhou visibilidade e notoriedade durante a gestão anterior. As pessoas na direcção anterior projectaram o Hospital para a população que, agora, sente necessidade de um hospital novo. É a discussão do momento. O Dr Luis Vaz, quero crer, assumiu as funções de Administrador e sente que tem possibilidades de escrever sobre o Hospital e sobre Saúde. O facto de ser advogado pode até dar-lhe alguma formação sobre a componente legal. Dos artigos que tenho lido ele foca umas vezes a problemática do Hospital e, outras, pensamentos sobre o sistema de Saúde em Portugal. Não tenho lido que tenha dissertado sobre casos clínicos. Sobre isso ele manifestamente não poderia falar, sequer. Alguns artigos não são tão descabidos assim, e de qualquer forma ele pode falar do que quiser. Vejo é que tem a sensibilidade de não abordar questões clínicas.
PE: Vê, no seu futuro próximo, disponibilidade para aceitar um cargo destes - administrador hospitalar – se para tal fosse convidado?
AN: É muito complicado. Se os CS já são difíceis de gerir, praticamente sem centros de receitas, um hospital é muito mais difícil. Tem que ser alguém que tenha plena noção de gestão e de Saúde também. Porque a medicina não é uma ciência exacta, como a matemática, e há muitas questões que só alguém ligado à Saúde poderá discernir e, às vezes, resolver. E um gestor profissional não tem essa sensibilidade.
PE: Então não estaria, de momento, disponível para um desafio desses?
AN: Neste momento não. É uma questão para depois se ver, mas neste momento, não. Agora pretendo ser médico. Isso me basta.
Despedimo-nos de António Nolasco com a nítida sensação que estivemos a falar com um homem inteligente, muito lúcido, extraordinariamente acessível, e com a plena consciência do dever cumprido.
Atentemos no seguinte texto da LUSA.
Apesar de pequeno nele se podem encontrar os erros mais comuns praticados pelos escrevinhadores de jornalismo que pululam pelos gabinetes dos jornais.
Fátima Felgueiras acusada de 28 crimes pelo Ministério Público
O Ministério Público concluiu a acusação contra a presidente da Câmara de Felgueiras, Fátima Felgueiras, imputando- lhe 28 crimes, disse quinta-feira à agência Lusa fonte judicial.
Evitava-se a repetição Felgueiras. Devia omitir-se o nome da presidente porque seria referenciado logo a seguir.
Fátima Felgueiras (cá está outra vez) é acusada de 11 crimes de corrupção passiva para acto ilícito, cinco de participação económica em negócio, quatro de abuso de poder, três de prevaricação, três de peculato e dois de peculato de uso.
Primeiro são 11 (numeral) e depois são cinco, quatro, três e dois, por extenso. Porquê? Ninguém sabe.
O processo envolve 16 arguidos, entre os quais se contam os dois denunciantes do caso: Horácio Costa e Joaquim Freitas.
Outra vez: 16 e dois
Envolve ainda, além de Fátima Felgueiras, Júlio Faria, ex- presidente da Câmara, Vítor Borges, presidente do conselho da administração da Resin - Resíduos Industriais SA, Carlos Marinho, director financeiro da mesma empresa, Barbieri Cardoso, director de departamento da Câmara de Felgueiras e Gabriel Ferreira de Almeida, quadro da RESIN.
Pensávamos que tinha terminado a lista dos arguidos.
Qual quê!
Os restantes arguidos são: António Pereira Carvalho, presidente em exercício da Câmara, António Bragança da Cunha, professor, Anastácio Macedo, Guilherme Almeida, Joaquim Pinto, José Manuel Silva, Carlos Teixeira e Maria Augusta Neves, estes últimos todos industriais.
Estes últimos todos...? Não há nada como o bom gosto.
Agência LUSA
Do Hospital de Seia, enviam-no para o de Coimbra com suspeitas de pneumonia ou enfarte de miocárdio.
Do Hospital de Coimbra devolvem-no para o de Seia muito pior de saúde do que lá chegou e sem nenhuma razão aparente. Os sintomas tinham-se agravado sobremaneira, entretanto.
Do Hospital de Seia enviam-no para o da Guarda porque cá não há Pneumologia
Do Hospital da Guarda enviam-no novamente para o de Coimbra, sem sequer entrar na Pneumologia e sem conhecimento dos familiares.
Do Hospital de Coimbra enviam-no... para a morgue.
E tudo isto sem um único tratamento, a não ser... soro!
Fica aqui o relato dos últimos 5 dias de vida do meu Pai que, acredito, possam servir a alguém que passe pelo mesmo.
Quanto mais não seja para evitar que o Serviço Nacional de Saúde mate por absoluta negligência um seu ente querido, tal como fez com o meu.

Sexta - feira, 19 (dia do Pai) - o meu pai sente-se subitamente mal com problemas intestinais.
Nada que justificasse uma ida ao hospital, pensou ele.
E foi para a cama mais cedo.
Sábado, 20 de Março - O meu irmão leva o meu pai e a minha mãe ao Hospital de Seia, já que entretanto tinham-lhe surgido umas dores gástricas a nível do esófago.
Cada vez que engolia eram dores insuportáveis que mal o deixavam respirar.
Foi medicado e fui buscá-los ao Hospital de Seia por volta das 7 da tarde. Entrou no carro pelo seu pé.
Fomos à Farmácia aviar a receita e levei-os a casa.
A noite passou-a mal.
As dores não desapareciam e agora surgia a dúvida se não seria também uma infecção na traqueia, já que até a inspiração do ar lhe causava pena.
Decidiu não ir novamente ao Hospital porque a medicação «ainda não teria tempo de começar a fazer efeito».
Combinou-se que iria no dia seguinte, segunda-feira, se não melhorasse entretanto.
O certo é que nessa mesma noite, por volta das 00:30h teve que se chamar uma ambulância, porque o meu pai já não podia com dores.
No Hospital ficou a soro.
Fez análises de manhã, em que lhe diagnosticaram vestígios de enfarte de miocárdio e uma pneumonia.
Enviaram-no para os Hospitais da Universidade de Coimbra - a única coisa que foi bem feita em todo este processo.
Esse favor devemos à Dra Margarida Ascensão e aqui lhe deixo os meus (e os dele, que muito insistiu em vida para que lhos desse) profundos agradecimentos.
Segunda-feira, 22 - O meu pai chega a Coimbra cerca do meio dia. Eu, que só tomo conhecimento dessa transferência e do seu preocupante diagnóstico por volta dessa hora, sigo de imediato para lá com a minha mãe.
Estivemos nas Urgências desde as 14:30h repetidamente perguntando pelo seu estado de saúde até às 17:00h.
Primeiro disseram-nos "que estava bem disposto" mas em observação.
Que perguntássemos passadas 2 horas, outra vez. O que fizemos.
Aí, a informação já foi outra: que o seu estado era muito preocupante e apresentava um quadro grave de provável pneumonia ou enfarte de miocárdio, o que já sabíamos desde Seia.
Que ia ficar internado de certeza. Claro que já o suspeitávamos, dado o diagnóstico de Seia.
Perguntámos se era preciso ir buscar a roupa que estava no carro e a enfermeira disse que não.
Que «ele não se podia levantar», que estava «prostrado» e que «não acreditava que pudesse levantar-se nem sequer para ir á casa de banho.»
Fiquei preocupadíssimo e pedi para mo deixarem ver nem que fossem só 5 minutos.
Que não, «nas Urgências não se podem ver doentes».
Mas após a minha insistência e quando lhe dissemos que «somos de Seia - a 100 Kms de distância - e que assim sendo iríamos embora, porque não estavamos ali a fazer nada», lá condescendou a deixar-me ir «dar-lhe uma palavrinha de não mais que 5 minutos e sair de imediato».
Assim fiz.
Entrei e depois de mais um tempo de espera, lá encontro o meu pai deitado numa maca num corredor, ao pé de tantos outros.
A receber soro. Como em Seia.
Ficou radiante por me ver e disse-me logo:
« - João: isto aqui é um matadouro!»
«Ninguém quer saber dos doentes. Olha que estou há horas a pedir uma pinga de água para molhar os lábios e ainda não ma deram. Já não sinto os lábios nem a boca de ressequidos que estão.»
Dirigi-me a um auxiliar que foi muito amável (tive sorte) e me arranjou um copo de água "choca", segundo o meu pai.
Assim que a bebeu, rejeitou-a logo. Não conseguia manter nada no estômago. Nem sequer água pura.
Enquanto era acometido dos vómitos chamei por um médico ou alguém num grupo de 7 ou 8 pessoas entre médicos e enfermeiros que estavam a cerca de 6 metros em amena cavaqueira e de costas para nós.
Um deles virou-se, viu o meu pai aflito e perguntou:
- Está a vomitar?
Respondi: está sim. Está aflito. Não podem ajudar?
«Está bem» disse e voltou novamente as costas, continuando a conversa com os colegas.
Eu nem queria acreditar naquilo!
Mas como entretanto ele ficou melhor, parando com os vómitos, controlei-me e decidi chamar um outro médico para lhe dizer que o doente já não comia nada desde sexta-feira (há 4 dias) e que devia ter algum problema gástrico.
Transmiti isso a um médico jovem que entretanto se aproximou da maca.
Disse-me que o meu pai ia ser visto, mais tarde, por um especialista que devia estar a chegar.
Passadas 3 horas apareceu um médico ainda mais jovem que lhe perguntou o que tinha.
O meu pai começou a explicar tudo, com grande esforço, porque já mal conseguia falar, mas o médico interrompeu-o passados 10 segundos de explicações e, olhando apenas para os papéis que tinha nas mãos, lhe disse, no tom mais seco que já ouvi a alguém:
- olhe, isto é assim: Eu devia fazer-lhe uma endoscopia, mas como o sr tem aqui suspeitas de enfarte de miocárdio não lha posso fazer. Virou as costas e foi-se embora.
Fiquei a olhar para o meu pai e ele para mim, atónitos.
E agora?
Ao que o primeiro médico jovem me respondeu que «em princípio iam mandá-lo de volta para Seia».
«- Mas sem poder comer nada? perguntei.
Então não vêem o que é que ele tem, que o impede de engolir nem que seja uma gota de água»?
Não obtive resposta.
O médico encolheu os ombros e foi-se embora.
Passado mais uma hora, uma profissional de bata larga, aberta e esvoaçante de cor verde (não sei se seria médica) jovem e divertidíssima, que esteve sempre a rir-se e às gargalhadas com os colegas, dirigiu-se ao telefone e perguntou se havia alguma ambulância para Seia.
Eram 19 horas. Não sei o que lhe responderam, mas ela, gargalhando sempre, gritou:
- Que sorte! E depois de mais de cerca de 5 minutos de conversa de circunstância sobre saídas à noite e marcações de jantares com a pessoa do outro lado, desligou o telefone, sempre a rir.
Estava visivelmente satisfeita.
Ainda bem, - pensei eu. É sinal que as coisas lhe estão a correr bem.
Passou-se uma hora.
Eu perguntei de novo a um médico que passava se iam mesmo enviá-lo para Seia, porque o meu pai já tinha muita dificuldade em respirar e dizia que lhe doía tudo.
Disse-me para esperar.
Às 20 horas e 15 minutos, a médica das gargalhadas, sempre sorrindo, telefonou outra vez.
«Ainda está aí a ambulância para Seia»?
Ficou mais séria. Percebeu-se nitidamente que já não.
- Mas eu tinha-a pedido... balbuciou, agora sem rir.
Acabou a conversa e escreveu num papel aos pés da maca do meu pai:
«Transporte para Hospital de Seia pedido às 20 horas».
Continuei à espera, ao pé dele, e cerca das 21 horas comecei a passar-me da cabeça e tirei várias fotografias, com o telemóvel, ao papel e ao estado em que o meu pai estava.
Praticamente já não falava.
Aproxima-se de mim um médico e convida-me a sair, «para evitar confusão». Não havia qualquer confusão.
Em toda a tarde do dia 22 não tinha entrado nenhum doente em estado grave, pelo que o mais grave seria mesmo o meu pai.
Mas acatei a ordem e saí, informando que ficava à espera do doente nas urgências.
Mal tinha chegado lá fora ouço chamar ao microfone «os acompanhantes de João Tilly dos Santos».
Voltei para dentro a correr.
Ao chegar lá, novamente, aproxima-se de mim um médico que se identificou como sendo o chefe da equipa e me disse que «lhe tinham dito que eu andara a tirar fotografias ao banco, o que era muito desagradável.»
Eu respondi que tirei fotografias ao meu pai, apenas, e mostrei uma delas.
Perguntei se o meu pai sempre ia para Seia ao que ele respondeu que não sabia (!), e perguntou-me a mim se o cardiologista lhe tinha dado alta (!!!).
Fiquei embasbacado e respondi que não sabia mas que «era o que estavam a dizer (a médica das gargalhadas ao telefone)».
Disse, então, que devia ir para Seia, devia, mas nitidamente sem saber do que estava a falar (por não conhecer absolutamente nada do quadro clínico do doente).
Vim-me embora e fiquei à espera dele, cá fora.
Isto eram 21:10h.
Para abreviar a história, informo que a ambulância partiu do Hospital com o meu pai dentro às 01:10h da manhã.
E o mais grave é que a ambulância que o trouxe, estava estacionada à porta do Hospital há, pelo menos, 4 horas.
Seguimos a ambulância até Seia, onde chegámos cerca das 2:15h da manhã.
O meu pai estava no pior estado em que o vi na minha vida e apenas arranjou força para me dizer: «foi a pior viagem da minha vida. Não aguento outra».
Mal sabia ele que iria ainda fazer mais duas.
Entrou para dentro do hospital de Seia e duas enfermeiras disseram à minha mãe que o não podia acompanhar a partir daí e que tinha que se ir embora.
Fomos.
Estávamos arrasados fisica e psicológicamente (como estaria o meu pai...)

Terça- feira, 23 de Março
O meu pai é enviado para a Guarda às 5 da tarde com o pretexto de Seia não ter Pneumologia.
Lá foi.
Eu ainda me meti no carro para o acompanhar, mas como a minha mãe foi com ele na ambulância, combinei com a minha filha ir vê-lo na tarde do dia seguinte - quarta-feira, que eu tinha a tarde livre, escusava de faltar às aulas. Ela concordou.
Mal sabíamos nós que não mais o veríamos vivo.
À saída, o meu pai ainda teve a lucidez de se despedir (definitivamente) dela e da mãe, dizendo claramente: «para a Guarda não quero ir, porque eu vou morrer lá.»
Quarta-feira 2 de Março.
Estive desde as 9 da manhã ininterruptamente (de 5 em 5 minutos) a tentar ligar para o hospital da Guarda.
Primeiro para a Pneumologia - consegui ligação às 10:30h da manhã e de lá disseram-me que ainda não tinha dado entrada.
Devia estar ainda nas urgências.
Liguei para o geral. Informaram-me que não podiam ligar para as Urgências, que tentasse as Relações Públicas.
Consegui ligação às 11:45h sensivelmente.
Informei que tinha estado toda a a manhã a tentar ligar e que por favor me desse a informação pretendida agora que tinha conseguido, para não me voltar a acontecer o mesmo.
Respondeu-me uma senhora muito simpática a dizer que ia ver, e que depois me ligava sem falta nenhuma, para o que lhe dei o meu número, agradecendo muito o obséquio.
Não mais me ligou.
Às 12:30h, hora a que saí das aulas, tinha à minha espera a minha filha e a mãe, que me deram a pior notícia do mundo.
Tal com o ele tinha previsto, tinha efectivamente morrido... mas em Coimbra!?
Meti-me no carro como um autómato e saí para Coimbra e durante a viagem, em telefonemas múltiplos tentei perceber o que se tinha passado.
Só em Coimbra, em conversa com a médica (brasileira) que lhe prestou a última assistência, percebi.
Tinham-no enviado do hospital da Guarda para o hospital de Coimbra, onde chegou cerca das 3 da manhã. Sem passarem cartão aos familiares.
A médica não soube explicar o que ele tinha, porque não descobriu qualquer relatório médico na recepção e apenas me disse que quando ela entrou, às 10 horas, recebeu o doente vindo da cirurgia (!), mas onde nada lhe tinha sido feito (!!).
Estava já em estado crítico e às 10:30h teve a primeira paragem cardíaca.
Foi reanimado 3 vezes, até que o coração deixou de bater às 11 horas.
Causa da morte: DESCONHECIDA.
Portanto:
Não se sabe porque foi enviado para Coimbra de madrtugada sem o conhecimento dos familiares.
Não se sabe o que lhe fizeram na Guarda - presume-se que nada pois nem chegou a entrar na especialidade para a qual foi enviado.
Não se sabe o que lhe fizeram em Coimbra até às 10 da manhã - durante as horas em que supostamente terá estado na cirurgia. Presume-se que nada, tal como durante todo o dia 22, pois nada consta do seu relatório médico.
Sendo certo que não existem relatórios de medidas tomadas em nenhuma circunstância em Coimbra até às 10 da manhã, sou forçado a concluir que subsiste durante 3 dias seguidos negligência grave, a somar à negligência dos transportes sucessivos a que foi submetido um doente em estado de debilidade extrema.
É claro que não é o soro que cura um doente que vem diagnosticado com possibilidade de pneumonia - à qual não foi tratado - ou enfarte de miocárdio - ao qual também não foi tratado.
Nada lhe fizeram. A não ser deixá-lo entendido numa maca num corredor dos HUC a definhar visivelmente.
E a mim, questionarem-me por ter tirado fotografias.
Se usassem a mesma diligência para tratar os doentes, o meu pai estaria vivo.
Na participação que fizemos no DIAP eu e o meu irmão "exigimos" a realização da autópsia, corroborando o pedido da médica que ficou extremamente chocada quando lhe dissemos que o doente tinha saído dali, daquele mesmo serviço, meras 27 horas antes.
Não sabia! Não tinha qualquer registo nesse sentido!
E que, depois disso, o doente já tinha feito mais de 320 quilómetros e corrido mais 2 hospitais até chegar novamente ao ponto de partida, numa dança macabra entre hospitais que terá ajudado bastante ao trágico desfecho.
O Ministério Público acedeu e a autópsia foi realizada no dia 25 às 11 da manhã.
Aguardam-se as conclusões para se saber aquilo que nenhum médico quis saber, pelo menos em Coimbra: De que padecia aquele doente?
Assim se acaba uma vida, inglória e desnecessáriamente, por um acumular de negligências, quando bastava um pouco de cuidado de apenas um médico ou enfermeiro para que tivessem tido o bom senso de não enviarem o doente, naquele estado, muito mais debilitado do que entrou, com dores muito mais agravadas e sem poder ingerir nem sequer uma gota de água, de volta para Seia.
Por muito que paguem esta negligência, nada fará ressuscitar o meu pai.
Escrevo o que aconteceu para alertar quem ler esta triste história para o estado a que chegaram os Hospitais em Portugal.
Para terminar, o pior: toda a gente conhecida que eu lá tinha, no Hospital, me perguntou: mas porque é que tu não me deste um toque? Eu acompanhava o teu pai e a coisa de certeza que não acabava assim...
Isto é que dói.
Descobrir que a medicina, no Serviço Nacional de Saúde, só funciona minimamente quando há "conhecimentos" e "amizades" entre o corpo clínico.
Acesa polémica está a envolver o concurso recente para o preenchimento de 2 lugares na Câmara Municipal de Seia, na área do Desporto.
Embora ninguém o assuma frontalmente (infelizmente uma das características de Seia) a verdade é que por cá poucos são os que acreditam que o concurso tivesse decorrido de forma imparcial. Tudo porque, em princípios de Janeiro, circularam na net mensagens que informavam dos vencedores antecipados do concurso. Ora tais mensagens mostraram ter sido absolutamente proféticas, já que o resultado final foi exactamente o previsto.
Se tudo pode não passar de uma grande coincidência (versão oficial), não é menos verdade que, estatisticamente, a probabilidade de se acertar no vencedor era de 2,5%, enquanto que a de se acertar no primeiro e no segundo, pela ordem exacta, era da ordem de 0.06% (similar à de acertar, à primeira tentativa, num número de entre 1560 diferentes). Ou seja: só mesmo uma gigantesca coincidência poderia fazer coincidir o seu conteúdo com a realidade verificada dos factos.
Era, portanto, indispensável que a Câmara explicasse exactamente o que se tinha passado, até porque concorreram licenciados dos mais variados pontos do País.
Embora nada a isso o obrigasse, o Presidente do Júri acedeu a transmitir-nos a sua conclusão que não podia ter sido mais simples: «tudo correu dentro da maior normalidade e a prova é que não houve uma única reclamação».
Instado a desenvolver algo mais sobre o assunto - para que este se pudesse tornar o mais transparente possível - confirmou que o «Presidente do Júri originalmente nomeado pediu escusa do cargo pelo facto de um familiar seu se constituir concorrente, o que é perfeitamente normal e até obrigatório em democracia», e acrescentou: «apresentaram-se a concurso cerca de 40 candidatos, embora oriundos de Seia fossem apenas 3 ou 4. Os concursos constaram de prova escrita e entrevista. À prova escrita todos os concorrentes, excepto um, obtiveram nota positiva. A cada um foi atribuída a sua classificação, evidentemente. Seguiu-se uma entrevista a que todos, excepto aquele, se submeteram e a classificação final foi determinada pelo o somatório destas 2 notas.
Sobre a publicação dos resultados, disse: «As classificações e respectiva lista graduada estiveram expostas durante o prazo estipulado e os candidatos foram individual e formalmente notificados, por carta registada, das respectivas conclusões».
Sobre eventuais recursos, esclareceu: «Correu o prazo previsto para reclamações e, no seu decurso, nenhuma deu entrada nos serviços competentes, pelo que as listas foram promulgadas e tornaram-se oficiais».
Questionado sobre a autoria dos concursos - outro aspecto muito focado nas mensagens - o presidente referiu que se tratou de «entidade exterior à Câmara, como sempre se faz em todos os concursos».
Sobre a espantosa coincidência entre o preconizado nas mensagens e o resultado que se veio a verificar, a versão oficial é essa mesmo: pura coincidência. Exemplificou que, em anterior concurso, funcionários que até já exerciam funções para as quais concorriam não conseguiram entrar para os quadros. Rematou, concluindo, que «muito se estranha que circulem por aí essas mensagens anónimas na net, quando, na prática, ninguém recorre das decisões tornadas publicas».
E mais não disse.
Nem era preciso.
Dezenas de cidadãos burlados estão na lista negra do Banco de Portugal, todos com o crédito cortado há anos, alguns deles já com bens penhorados, e apenas porque entregaram os seus documentos nas mãos erradas.
Segundo a Polícia Judiciária, trata-se de uma rede que opera a nível nacional. Segundo os lesados, apenas a “esperteza” de uma gerente de um stand que já nem sequer existe, na zona Industrial. A verdade parece estar no meio. Até porque para além deste stand há outros particulares, na nossa cidade, acusados da mesma prática.
Atendendo a que os casos que nos chegaram estão todos a aguardar os trâmites legais optamos por não publicitar os nomes dos lesados, embora só alguns o tenham solicitado.
O stand em causa tinha por denominação Sousa Car e estava situado em plena zona industrial no local onde hoje se encontra uma oficina de pneus. Convém dizê-lo claramente, para se evitarem confusões com outras empresas que têm nome similar e que, no decurso da nossa investigação, foram também referenciadas por confusão.
A burla
As operações foram todas realizadas basicamente do mesmo modo.
A gerente desse estabelecimento é acusada de usar os documentos que os clientes lhe entregavam para fazer simulação de crédito – Bilhete de Identidade, cartão de contribuinte e um comprovativo de morada (factura da água ou da electricidade) – para outros fins. Com eles, e falsificando as assinaturas, comprava bens variados, justava obras e até os usava para servirem de fiadores de outras operações de crédito.
Tudo isto sem os clientes saberem. E todos continuaram descansados até começarem a cair nas suas contas as prestações dos bens “por si adquiridos”. Nessa altura as pessoas dirigiram-se, naturalmente apreensivas, ao seu banco, que acabou por informá-las do que se estava a passar. Os lesados foram de imediato pedir satisfações a quem realizou as operações sem seu conhecimento, e aqui é que as coisas se complicam mais....
1 - Comprei um Subaru sem o saber
João Cabral (nome fictício) só deu conta que tinha um carro novo quando começou a receber multas por estacionamento indevido. Convicto que se tratava de um erro dirigiu-se à GNR que lhe confirmou o pior: aquele carro estava mesmo em seu nome. O pior é que faltava pagar o crédito que foi feito, sem ninguém disso ter conhecimento, para a sua compra. As prestações não estavam a ser pagas – e não o foram, obviamente – e agora este cidadão já teve ameaças de penhora dos bens, às quais teve que responder em Tribunal, provando que se tratava de um abuso do seu nome. De qualquer maneira está prejudicado em mais de 40 contos e continua com o nome na lista negra do Banco de Portugal, «não podendo ter acesso sequer a um desses plano de pagamentos sem juros na Moviflor». O julgamento não está marcado ainda e o caso arrasta-se há 3 anos.
2 – Fui fiadora de obras numa casa que não conheço
Elisabete Ferreira (nome fictício) deslocou-se ao Stand SousaCar para ver de um carro para a filha. Depois de se ter agradado de um informou a gerente que ia tratar do crédito, ao que esta respondeu que não era preciso. Eles tratavam de tudo. Elisabete deu-lhe os documentos pretendidos juntamente com a fotocópia de um cheque em branco. Passados uns dias a gerente informou-a que tinham que ir a Viseu, perto do Palácio do Gelo, tratar do resto da papelada. Ela assim fez, mas ao chegar ao local combinado foi recebida por uma outra senhora que «começou a dizer que faltavam uns papéis». Elisabete não gostou do que ouviu porque já tinha entregue tudo à gerente do stand e ao voltar a Seia desfez o negócio. Pediu os documentos de volta e foi informada que já tinham sido rasgados por lapso. Passado um ano começou a detectar descontos que estavam a ser feitos à sua conta bancária. Dirigiu-se ao seu banco e «ao princípio não me souberam dizer o que era, mas depois de uns dias lá me disseram». Tratava-se de um crédito, de que Elisabete constava como fiadora, de umas obras numa casa, por sinal pertença de familiares da gerente do Stand. Como as prestações não estavam a ser pagas, o banco foi sobre a conta da Elisabete, que, por se recusar a pagar, tem neste momento o nome na lista negra do Banco de Portugal. O caso está em Tribunal desde 99 e o julgamento ainda não tem data marcada.
3- Comprei móveis numa loja em Tábua sem nunca lá ter ido
Ana Maria (nome fictício) comprou um carro para a irmã no mesmo stand e qual não é o seu espanto quando recebe uma carta do Tribunal informando-a que lhe vão penhorar os bens, já que o crédito que tinha feito para pagar os móveis que tinha comprado em Tábua, não estava a ser pago. Deslocou-se a Tábua à referida casa comercial e falou com o gerente que lhe deu toda a razão, porque «nunca tinha visto a Ana Maria na vida», nem ela nunca estivera naquela loja, e hoje é inclusivamente sua testemunha no processo que entregou no Tribunal contra a gerente do Stand. A verdade é que isto se passou há 4 anos e, até hoje, Ana Maria está impossibilitada, como os lesados anteriores, de contrair qualquer empréstimo.
Muitos mais casos de burla existem e não só originados pelo referido Stand. Outros particulares que também faziam créditos avulso são já alvo de processos similares.
A Polícia Judiciária confirma tratar-se de uma rede nacional e que este processo tem mais de 600 páginas. Os lesados de Seia, no entanto, estão convictos que a maioria dos casos que conhecem se confinam ao stand SousaCar com ligações a um outro stand de Celorico – Stand Sacadura – cujo gerente (na época 98 e 99) se encontra em parte incerta.
É portanto aconselhável o uso de toda a cautela ao entregarem-se fotocópias de documentos para a mão de desconhecidos.
Nunca se sabe como poderão ser usados no futuro. Em todos os casos relatados, as pessoas estão lesadas em montantes variados, e vivem como cidadãos sem pleno direito (sem acesso a crédito bancário) e sem que disso tivessem tido culpa alguma. Presume-se que, da forma como as coisas andam na Justiça portuguesa, até tudo se resolver legalmente mais alguns anos passarão. Quem os indemnizará por este grande transtorno nas suas vidas? Quem pretendia comprar casa, carro ou qualquer outro bem recorrendo à banca e já está há anos impossibilitado de o fazer, vai esperar até quando?
Sobre a peça relativamente ao recrudescimento da droga em Seia, publicada pelo Porta da Estrela nesta semana, há que esclarecer o seguinte:
O alegado dono de um dos bares nomeados - apenas por referência geográfica - decidiu escrever um comunicado interno (!) em que tenta desmentir que tenha falado à nossa reportagem. Não desmente formalmente (não poderia) mas tenta dizer que não terá dado autorização para que a história fosse publicada.
Embora eu tenha a prorrogativa de proteger as minhas fontes, já que uma delas decidiu agora revelar-se e mentir descaradamente, provavelmente por receio de enfrentar os clientes a quem denunciou e agora finge salvaguardar, deixo de imediato de a proteger e passo a esclarecer:
As fontes de informação são de facto mais do que uma, mas que a principal foi o próprio David Rodrigues, que me pediu (não só a mim) durante 2 dias seguidos que fizéssemos a reportagem sobre o escândalo dos drogados que se amontoavam nos corredores e lhe prejudicavam o ambiente do bar.Fazia sentido. Já o pai sempre se queixou do mesmo e por isso arranjou graves problemas com a GNR. E eu, enquanto morador no edifício Europa, sei bem o que se passa ali há meses, novamente.
O meu trabalho, a partir daí, foi puramente jornalístico: Informei-me das queixas. Das horas, dos carros, das pessoas envolvidas. Confirmei todas as informações junto de outras fontes que igualmente se predispuseram a contar tudo. Algumas delas fizeram-no à sua frente.
Claro que o miúdo, quando viu as proporções do impacto causado pela notícia, não terá tido a coragem de confessar o que fez à mãe nem à irmã.
Mas não se pense que eu sou leviano. Nunca escreveria nada com esta gravidade se não estivesse absolutamente coberto por provas testemunhais.
O David disse até muito mais do que eu escrevi e disse-o durante largos minutos em 2 bares durante 3 entrevistas - e não uma - à frente de 4 (quatro) testemunhas adultas idóneas, todas elas prontas a testemunhar quando for preciso. Há, inclusivé, excertos gravados e fotos tiradas com seu pleno consentimento, a sorrir para a câmera!
Porque tenta livrar-se de responsabilidades, agora? É um miúdo, nada mais do que isso, dizem-me.
Se se tivesse mantido calmo e calado em vez de se ter deixado tomar pelo pânico e começar a mentir descaradamente, eu nunca revelaria ter sido ele o principal responsável por esta reportagem. Até ele vir falar comigo nunca eu pensei em escrever nada sobre esse assunto. Isto tem que ser BEM ESCLARECIDO.
Não vou desatar a atribuir-lhe adjectivos desprestigiantes, apesar desta sua atitude. Mas não pensasse ele que podia fazer uma baixeza destas e ficar impune! Isso nunca!
As tentativas de culpabilizar o repórter por publicar as suas próprias afirmações, pretendendo desviar culpas para outrem não pegam.
Arrependeu-se? Eu até compreendo.
Mas agora já não vai a tempo. Tivesse ele dito que se tinha arrependido antes do jornal entrar na gráfica e nós ainda poderíamos tentar resolver o problema desenrascando a coisa de outra maneira.
Agora: chamar a reportagem, durante 2 dias seguidos, e só depois de ver o artigo publicado é que cai em si?
É tarde. Há que assumir os actos praticados até porque FOI ELE MESMO, REPITO, QUEM CHAMOU A NOSSA REPORTAGEM e levantou o assunto!!!
Não fui eu quem foi ter com ele.
Será apenas por receio da família que ele agora tenta negar que me deu autorização para publicar o texto?
Talvez se explique isso na próxima edição se ele persistir nesta sua mentira... e mais tarde nas instâncias judiciais.
Um miúdo de 17 anos, embora, não pode afirmar coisas da maior gravidade, provocando consequências a terceiros e desdizê-las logo em seguida. Tem que aprender a ser responsável e mais vale tarde do que nunca.
Até porque a história naturalmente começou a envolver terceiros e outros bares, o que nunca teria acontecido se o David Rodrigues não tivesse despoletado esta história.
Atenção que a história é totalmente verdadeira! Senão, nunca a teríamos publicado. Não confundir a veracidade da história com a consistência do denunciante...
A este propósito cabe-me fazer uma precisão: quando no texto se diz: «os tóxico-dependentes que se aglomeram ... à entrada dos bares “Etc&Sal” e “Preto e Branco”, no Edifício Europa, não se deveria ter incluído o ETC & Sal, dado que de facto eles aglomeram-se sim, nas entradas do Edifício Europa mas não à do referido Bar.O Dono confidenciou-nos «não permitir nunca que eles permanecessem ali à porta».
As nossas desculpas por esta ligeira imprecisão de linguagem que penso, de qualquer modo, não ser grave.
De qualquer modo, percebemos agora que os contornos desta história são muito mais gravosos do que pensávamos ao princípio e compreende cumplicidades entre toxicodependentes e alguns empresários da noite.
Não posso nem quero adiantar mais, neste momento.
Mas atitudes inqualificáveis destas não podem passar em claro, sob pena de se lançar a dúvida sobre a credibilidade dum jornal que tem 25 anos de vida e para o qual nos orgulhamos sobremaneira de escrever.
Não é por mim, porque toda a gente a esta hora já sabe que foi ele a principal fonte de informação e causadora da reportagem.
Mas também não pode mentir descaradamente agora "para livrar a água do capote" desviando a atenção daquilo que efectivamente fez.
Chamou-nos, contou-nos a história com todos os pormenores, pediu-nos para escrevermos sobre ela... agora, que assuma e que aguente tal como nós, que, por sua causa, também demos a cara, correndo os mesmos riscos (ou até mais) que ele.

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Depois do desmoronamento da véspera de Natal impunha-se a demolição do resto do edifício.
Foi o que se fez, ontem durante toda a manhã.
As imagens documentam o momento do colapso do 2º edifício.
Subsistem dúvidas - mesmo do próprio construtor - sobre a problemática das correntes não determinadas no subsolo, provocadas pelo aumento do lençol freático na bacia.
As duas principais causas deste seu aumento são «o estancamento das águas na futura variante de Seia que passa em terrenos anexos à Escola» e «o muro de sustentação de terras por ela mandado construir, que foi convenientemente tapado, em 24 horas, para que se não visse a água estagnada nas suas fundações», segundo o construtor.
Vamos lá a ver o que acontece.
Desenvolvimentos no Porta da Estrela do dia 20

A rede inclui pais de família e crianças de 12 anos.
Quando chega? De onde vem? Quem a tráz? Quem a consome? Onde se fazem as entregas? Descobrimos tudo. E começamos a explicar
«A droga está aí. À nossa porta e à luz do dia. Com mais força do que nunca»
Esta é a queixa unânime dos responsáveis dos bares que foram contactados pela nossa reportagem, nos últimos dias. Os proprietários de dois deles, no edifício Europa, são peremptórios em afirmar que «isto ainda está pior do que no tempo dos ciganos».
Recuemos uns meses atrás:
Depois de várias diligências efectuadas no decurso de 2003 pelo NIC (Núcleo de Investigação Criminal) da GNR de Gouveia, subitamente a clientela tóxico-dependente que permanecia diariamente na «grade» em frente ao Edifício Europa, constituída maioritariamente por indivíduos de etnia cigana, desapareceu por completo.

Os comerciantes respiraram de alívio, mas o descanso foi pouco. Apenas alguns meses volvidos, as suas queixas sobem novamente de intensidade. Acusam abertamente alguns elementos da mesma etnia de agora estarem por detrás do negócio, fornecendo os tóxico-dependentes que se aglomeram à espera dos “carregamentos” tardes e noites inteiras à entrada dos bares ETC&SAL e PRETO&BRANCO, no Edifício Europa e PALMEIRAS, em Crestelo. Mas não se pense que é só à porta destes bares que os infelizes jovens esperam pelos fornecedores. A diferença é que estes proprietários o declaram abertamente, enquanto que, segundo eles, «muitos têm receio de falar».Tal é a sua indignação que os responsáveis não se furtam a dar a cara já que, segundo dizem, «a GNR, mesmo quando solicitada, não faz nada para evitar esta situação».
Quando chega a droga a Seia e de onde provém?
A nossa reportagem apurou que os “carregamentos” – como lhe chamam os moradores do edifício e os proprietários dos bares – chegam geralmente às terças e às sextas-feiras. Vários foram os carros referenciados, mas unanimemente se refere um furgão IVECO de uma cor pouco usual, conduzido por indivíduos de etnia cigana, que alegadamente deixam a carrinha inclusivamente mal estacionada, com os piscas e portas abertas em frente à grade, enquanto os seus ocupantes fazem calmamente a distribuição pelos presentes. O pior é que, de seguida, alguns jovens mais impacientes chegam a entrar nos bares dirigindo-se de imediato para a casa de banho, onde permanecem durante largos minutos. Desconfiado deste procedimento o proprietário de um deles seguiu um dos "clientes" apressados conseguindo apanhá-lo em flagrante na posse de vários saquinhos de pó branco. Mostramos aqui 2 deles.

David Rodrigues, gerente comercial, refere que já chegou a chamar por 2 vezes no mesmo dia a GNR para que viessem verificar os alegados “descarregamentos”, e que «depois o que aconteceu foi que o carro da patrulha passou ao largo, do outro lado da estrada, em vez de virem aqui ao “mercado da distribuição”»
Ora um dos mercados continua a ser exactamente no canto da Sapataria que existe no edifício Europa. Há um outro veículo de cor avermelhada que é referenciado como «um dos que a tráz de Viseu há anos e que continua a fazê-lo na boa», segundo declaram os comerciantes.
Não é só de Viseu, porém, que a droga que se comercializa abertamente em Seia provém. A nossa reportagem tem informação segura de que Coimbra é outra das mais importantes origens do produto que é livremente vendido às nossas crianças e adolescentes.
Quem a vende?
Para além das claras alusões aos indivíduos da etnia referenciada, existe como que uma pequena rede de redistribuição, de que fazem parte tanto crianças de 12 anos, como chefes de família em Seia. «Há várias crianças de tenra idade que apresentam aqui ao balcão autênticos maços de notas de muitas centenas de euros. Umas vezes de propósito e outras por descuido, mas tanto dinheiro não pode ser dado pelos pais», afirma-nos o empregado de um bar no edifício Europa. Esta informação foi corroborado por outro funcionário do bar concorrente, no mesmo edifício».

«Há crianças que andam na rua o dia inteiro. Uma delas sai de casa de manhã, porque a mãe, prostituta, precisa de trabalhar lá. Chegam-se as 5 e as 6 da tarde e a criança continua na rua. Alimenta-se de bolos e de batatas fritas o dia inteiro». Esta é uma das crianças que estará, neste momento, a ser já aliciada para se juntar à rede, segundo conseguimos apurar. «Se já não vende, vai começar a vender... com as companhias com que anda...» é a opinião dos empregados dos bares do edifício, onde a criança passa tardes inteiras na loja dos jogos.
Para além desta estão perfeitamente referenciadas mais duas crianças de cerca de 13 anos, que não escondem, pelo menos de forma minimamente hábil, a sua actividade.
Onde são feitas as entregas?
Os locais de entrega mais comuns são o edifício Europa, às terças feiras, cerca das 20 horas da noite, no canto da Sapataria e no recanto da Óptica.
Os proprietários dos referidos estabelecimentos confirmaram-nos que as provas estão lá diariamente porque de manhã têm que varrer e limpar tudo. E aí encontram «restos de produto queimado e pratas tanto no chão como nos parapeitos das montras». A grade da óptica tem sofrido, igualmente, por mais que uma vez, com as arremetidas dos jovens enquanto ressacam à espera do fornecedor.

Também no fundo das escadas do bar Palmeiras, em Crestelo se juntam muitos jovens, horas a fio, faça chuva ou sol. Foram ameaçados formalmente pelo gerente desse estabelecimento que «se continuassem a consumir droga nas escadas os fazia contá-las todas por aí abaixo». Depois deste convincente aviso, passaram os jovens a concentrar-se no fundo das mesmas, encostados ao prédio. Curiosamente a escassos metros do quartel da GNR.
S. Romão, ultimamente, é também bastante referenciado, pelas nossas fontes, como sendo um centro de grande consumo e tráfico de estupefacientes. Tal facto não estará directamente ligado com a nova vida nocturna que entretanto ganhou bastante notoriedade naquela vila, granjeando de imediato apoiantes e detractores, como se pode comprovar no nosso fórum. Isto porque, também ali, a droga é distribuida à tarde ou ao princípio da noite, pelo que é dificil estabelecer alguma relação directa entre o sucesso que alguns bares têm ali tido ultimamente, permanecendo abertos até altas horas, e esta questão.
E a GNR?«Não actua, se formos nós a chamá-la» – queixa-se David Rodrigues, o proprietário do bar Preto &Branco.
Explica:
«Ontem, por exemplo, por duas vezes a chamámos e não apareceu ninguém sequer. Hoje, a minha irmã teve que dizer, ao telefone, que era uma moradora do edifício Europa, e que estava um grupo de tóxico-dependentes a consumir e a transaccionar droga no corredor de acesso, para eles cá virem. Apareceram em 5 minutos».
PE: Mas porque chamam a GNR? Os tóxico-dependentes portam-se mal? Incomodam-vos de alguma forma?
DR: É que eles colocam-se no corredor em magote à espera do fornecimento, tardes inteiras e entretanto vão consumindo alguma que ainda tenham. E quem quiser passar, para entrar no bar, muitas vezes tem que lhes pedir passagem. Outras vezes as pessoas olham para aquele espectáculo e pura e simplesmente dão meia volta e vão-se embora. Não estão para se meter no meio deles».
«Não é que eles entrem aqui dentro e provoquem confusão, mas a sua presença em tão elevado numero nos corredores dá-nos cabo do negócio.
Já Victor Nunes, proprietário do ETC&SAL não é exactamente da mesma opinião.
«A GNR actua, sim, mas é se vir um carro estacionado aqui defronte. Multa-o imediatamente. De resto, nada mais se vê».
A indignação de comerciantes e moradores tem subido de tom, ultimamente, e neste momento é raro o dia em que a GNR não receba chamadas a alertar as Forças da Ordem para o que se está a passar, novamente, em frente ao Edifício Europa.
Porque razão a GNR não vem fiscalizar nem revistar os delinquentes, é que nenhum dos moradores nem dos comerciantes compreende.

"Não temos quaisquer responsabilidades no que aconteceu"
O engenheiro responsável-técnico pela construção do edifício que ruiu garante à nossa reportagem estar totalmente isento de culpas e aponta as causas do desmoronamento que, segundo ele, foram já corroboradas por vários técnicos que se deslocaram à obra.
"A culpa é do muro que está a ser construído nos terrenos da Escola Secundária". Esta afirmação surpreendente e textual de António Nunes abre o pormenorizado esclarecimento que teve a gentileza de prestar à nossa reportagem e que será brevemente publicado na íntegra aqui no PE Online.
"Contra a Natureza nada pode ser feito".
"Somos responsáveis pela contrução de mais de 50% dos edifícios em Seia".
"Não somos nenhuns principiantes; a gente sabe o que está a fazer."
António Nunes, o engenheiro responsável pela construção do edificio que desmoronou na véspera de Natal, em Seia, quer deixar bem vincadas estas ideias de força para início de conversa.
Explica-nos o que sucedeu:

"A causa do desmoronamento foi o levantamento do nível do lençol freático, que se deveu à construção de um muro nos terrenos da Escola Secundária, do outro lado da estrada.
Esse muro obstruiu o natural escoamento das águas subterrâneas, que por esse motivo se acumularam a montante (fundações do edifício que desabou), provocando correntes não identificadas que determinaram o abatimento dos pilares centrais e o imediato arrastamento da estrutura".
Em entrevista alargada e excusiva ao PE Online, A. Nunes tece outras considerações e dispara acusações contra "alguns colegas que fazem as coisas de qualquer maneira"...
Fala da estabilidade dos edifícios contíguos, de indemnizações que poderia (mas não quer) exigir, e garante que só quer que as pessoas não o "crucifiquem".
Fique atento.