junho 23, 2007

Carta Aberta ao Presidente da Junta de Sta Marinha

Ex.mo Sr Presidente da Junta de Freguesia de Sta Marinha:


Caro Pedro Marques:

Inexplicavelmente e sem que nada o fizesse prever, ontem, na AM, elegeste-me para vítima de um típica tentativa de assassínio de carácter.

Colocando um chorrilho de mentiras e falsidades na minha boca, tentaste lançar o odioso dos teus colegas, presidentes das juntas de freguesia, sobre a minha pessoa.

Felizmente muitos já me conhecem, porque já tiveram oportunidade de verificar o meu empenho no desenvolvimento do Concelho em várias ocasiões em que, por um motivo ou outro, os visito, nas suas freguesias, durante eventos de índole turística ou cultural, como ainda na semana passada aconteceu em Loriga, Cabeça, Vide e Sandomil.
Mas outros ainda não me viram trabalhar em prol do Concelho e podem ser induzidos em erro pelas tuas palavras de ontem.

Eu trabalho e esforço-me para Bem do nosso Concelho, independentemente da cor política da Junta ou da Câmara Municipal. Se fosse por aí, estava quieto.
Tento promover o nosso Concelho por todo o nosso país nas mais diversas formas: desde os AudioVisuais até aos passeios turísticos pelas freguesias.
Estou a trabalhar na implementação de um projecto de Eco-Turismo, Turismo Cultural e Turismo em Áreas Protegidas para o nosso Concelho que passa, justamente, pelas Freguesias da Serra e pelas do Vale.
Preciso das Freguesias para promover o nosso Concelho:

S. Romão, Valezim, Loriga, Alvoco, Teixeira, Cabeça, Vide, na Serra.
Sandomil, Vila Cova, Torrozelo, Santa Marinha, Paranhos, Girabolhos e Urtigueira (Mondego), no Vale.
Sabugueiro, Lagoa, Pistas e Torre e as belezas naturais, na Serra "conhecida".

Está praticamente concluído o DVD de Loriga. A esse se seguirão os restantes.

Eu, sendo da "oposição", como vocês dizem, não sou da oposição à nossa Terra.
Tento fazer o mais que posso pelo nosso Concelho - até aqui sem ganhar um tostão.
De futuro estou a criar uma empresa que se dedicará a estas tipologias de turismo e, aí sim, espero pelo menos tirar para as despesas.

Acusaste-me de ter dito, num jantar qualquer, que os presidentes das juntas só estão na AM para receber as senhas de presença.
Eu, embora apanhado de surpresa, não podia deixar de repudiar e desmentir energicamente essas afirmações me atribuis, com base num baixo e miserável "diz-que-disse", porque tu não estavas presente.
Está instituída a bufaria em Portugal, não há dúvida!
Mas neste caso ela é completamente falsa.

Isto tudo vem a propósito de uma Carta Educativa que eu denunciei estar errada de uma ponta à outra. E provei-o no meu blog

Mas isso é política.
Apenas.
Não é nada de pessoal contra ninguém. Nem sequer contra quem a elaborou.
Limitei-me a manifestar a minha opinião sobre a Carta Educativa na AM, no Conselho Municipal da Educação e nesse jantar no qual eu nem sequer participei. Só cheguei no fim.

Com base em bufos, no "diz-que-disse" e em "mexericos" cobardes, acusas-me de ter insultado os meus colegas da AM e isso é redondamente falso.
E, se a mentira não é crime, a difamação é-o concerteza.

Não consegui ouvir bem parte da tua intervenção por isso vou solicitar a gravação áudio das tuas acusações e a sua transcrição em acta e, se houver matéria para tal - e penso claramente que há - vais ter que provar aquilo de que me acusaste nas Instâncias competentes.

Porque o que aconteceu foi que eu, a propósito da Carta Educativa, queixei-me efectivamente de que muitos elementos da AM (principalmente Presidentes de Juntas de Freguesia) são pouco interventivos.
Num assunto que os toca directamente: o fecho das Escolas.
Lamento que os Presidentes das Juntas - e não só! - estejam ali, muitas vezes, a fazer figura de corpo presente. Porque não usam da palavra. Apenas votam sem participarem na discussão dos assuntos.

Parece (e é a minha profunda convicção!) que estão ali por "obrigação".

Mas isso é apenas a minha opinião.
E é uma evidência para quem vai a uma AM, e que aparece reflectida em todas as actas.
Daí até dizer que estão ali só para ganhar senhas de presença... vai uma distância infinita!

Ninguém pode pôr palavras na minha boca, nem subverter a intenção das minhas palavras. Mas, ao contrário do Presidente da Câmara, que ainda ontem disse que ele «era o único dono da interpretação das suas palavras», eu sei bem que sou eu quem fala, mas são os outros que interpretam o que eu digo.
E admito que as pessoas confundam ou percebam mal, aqui ou além, algo que eu tenha dito.
Já me tem acontecido ser mal interpretado. Muitas vezes, até.
Mas se não perceberam ou se acham que não perceberam alguma passagem, as pessoas devem pedir explicações, antes de caluniar.

Outra coisa é aproveitar algo que se diz, para se lhe dar a volta e apresentá-lo com sentido contrário.
Isso já é malvadez.

Aguardo um pedido de desculpas e uma explicação formal sobre o teu discurso de ontem “baseado” em bufaria, boatos e falsidades.

Sempre a considerar-te,

João Tilly.

Publicado por JoaoTilly em 09:35 AM | Comentários (0)

A minha intervenção na Assembleia Municipal de 22/06/2007

1 – Ensino:
Decorreram esta semana os Exames de Matemática e de Língua Portuguesa do 3º ciclo. Mais uma vez se verificou o facilitismo costumeiro no de Língua Portuguesa e as dificuldades acentuadas a Matemática.
No programa Prós e Prós em que a interpelei, a ministra garantiu que a filosofia dos exames de matemática, este ano, iria ser revista.
Mas, na véspera do exame, a ministra não resistiu a vir pata as televisões anunciar que os resultados a matemática do 6º ano foram os piores de sempre!
A isto se chama: Sentido de oportunidade!
Estou a falar de uma “ministra” que já nem sequer aparece no Conselho de Ministros. No seu lugar senta-se, invariavelmente, Valter Lemos, o secretário que manda na ministra.
Enretanto, a incompetência científica do ME, a nível da elaboração dos exames, mantém-se firme e hirta: Depois da bronca agora declarada inconstitucional dos exames de Química do ano passado, este ano já se detectaram erros crassos pelo menos no exame de História. Trocaram os dragões pelos tigres da Malásia! Os dragões estão definitivamente fora de moda.
Para quem tão mal diz dos professores normais, o Ministério dá, como sempre, o pior dos exemplos.

2 – A batota da OTA
Tudo se vem a saber: o 1º ministro negociou com a Alta Finança o estudo sobre Alcochete na condição de que nem sequer se falasse na Portela+1.
O governo desmentiu isto, mas como se provou em directo nas tvs: desmentiu mentindo, como é, aliás, seu apanágio.
Um primeiro ministro que passa a vida a mentir, desde que tomou posse, sobre os impostos, a saúde, as scut, as suas próprias habilitações (só em Africa!), e agora neste caso da Ota,
que persegue e manda perseguir quem diz a verdade sobre ele… como diria Sarcozy na crise de Paris o ano passado: nós não estamos perante pessoas. Estamos perante outra coisa! E o povo Francês deu-lhe razão, já por duas vezes.
A História dá sempre razão, a prazo, a quem a tem.

3 – Turismo e especulação financeira
Em Portugal o Turismo gerou 6640 mil milhões de euros, em 2006, experimentando um aumento de 7,3% só num ano. Qual é a indústria que se lhe pode comparar (tirando a banca e a especulação financeira que não paga um euro de impostos ao Estado?).
O PIB está a crescer 1, poucos por cento e o governo acha que esse número raquítico, que nos separa da Europa a cada dia que passa, é já uma oitava maravilha! Que se dirá de uma indústria que produz 7 vezes mais e que em Seia continua a ser ignorada por total falta de incentivos?
Joe Berardo: Tem milhões, diz-se… mas como os arranjou? Na Bolsa, diz ele, e em especulação financeiras.
Pode ter sido nestes ou noutros negócios.
Mas que riqueza produz ele, e que contribuições paga neste país? Quanto paga ele de impostos para as finanças e segurança social?
Zero. As transacções bolsistas estão livres de impostos em Portugal. Berardo pode ganhar um milhão por dia que não paga nada de impostos. Ao contrário de quem aufere o ordenado mínimo, que tem que os pagar!
O Belmiro, ao menos, emprega dezenas de milhares de pessoas. E contribui, com os seus impostos e com os dos seus milhares de funcionários, para o progresso do pais. E o Berardo?
Aquela colecção única de arte moderna, quanto lhe custou? Onde a adquiriu? E a quem? O Estado alugou-lha por 10 anos para o CCB por uma fortuna colossal…
E impostos? Nem sequer desse dinheiro que o Estado lhe deu ele paga impostos, segundo os tablóides, alegando o supremo Interesse Público!
Entretanto o fisco aperta o cerco ao desgraçado da oficina ou da carpintaria que teve que atrasar a entrega de meia dúzia de euros do IVA para poder pagar aos seus funcionários ou para poder sustentar a própria família.
Que ignomínia, meus senhores! Que máquina fiscal esta que espreme e esmaga os pobres e não belisca os magnatas nem sequer num euro que seja! Em vez de pagar quem pode, suga-se até ao tutano quem já nada tem nem se pode defender.
Eu sinto Vergonha desta classe política interesseira e corrupta, que se governa à custa deste regime injusto e atroz que se perpetua ao longo dos anos, banqueteando-se de Expos 98s, de Euros 2004s, de Otas e de TGVs, e dos respectivos túneis ao fundo dos quais não há meio de se ver finalmente a luz…
Portugal não precisa de Joes Berardos, como não precisa de projectos megalómanos que se revelam absolutamente inúteis e que hipotecam gerações inteiras como os 10 estádios de futebol do Euro.
Portugal não precisa destes judeus da Alta Finança – como ele próprio se intitula – verdadeiros mentecaptos a prometem injectar dinheiro, ganho sabe-se lá onde e por que meios, em clubes de futebol.
Isto é demasiado terceiro mundista; e, de facto, só num país terceiro mundista uma televisão paga com os nossos impostos se pode lembrar de entrevistar e endeusar um mero especulador bolsista, e ainda por cima intelectualmente lerdo, detentor de um vocabulário infantil, usando uma linguagem balbuciante, que envergonharia um aluno do 2º ciclo porque nem sequer se consegue fazer entender, como este tal de Joe Berardo.
Portugal precisa de quem contribua para a riqueza do país.
Como o Turismo faz de forma limpa, contributiva e não poluente.

4 – Dificuldades acrescidas para a Vida e apoio desmedido à morte
Ouvimos hoje mesmo Correia de Campos, o Ministro da doença, o que fecha Maternidades e Urgências para abrir salas de chuto e clínicas de aborto, afirmar que as mulheres que decidirem fazer aborto nem sequer pagarão taxas moderadoras.
Mas quem se dirigir a uma urgência com um ataque cardíaco, uma doença súbita ou vítima de um acidente de trabalho com traumatismo, continua a pagá-las. Às taxas moderadoras.
Isto, se fosse em França ou num qualquer país civilizado, dava sublevação popular e tumulto de imediato. Mas aqui, o desgraçado povo português encolhe os ombros, resignado à sua sorte. Ou, como dizem os chutos e pontapés: resignado à P…. da sua Vida!
As Taxas moderadoras «servem para moderar o afluxo às urgências» defendia, de inicio, o infame ministro. Agora já foi forçado a confessar a verdade: «são para subsidiar o SNS».
Mas nem de uma forma nem de outra elas deixam de ser um atentado à inteligência do cidadão.
Modera-se um fluxo quando parte desse fluxo pode optar por um outro serviço com tempo e ponderação. O Paciente pode ir a uma consulta regular e vai à urgência? Então Paga. Está certo.
Mas quem está a ser vítima de um ataque, doença súbita, traumatismo, acidente, tem que ir às urgências, se chegar a tempo! Não há opção. Não pode optar por uma consulta regular. É uma questão de vida ou de morte!
Quem decide abortar tem opção: pode fazê-lo nos hospitais (os poucos que o fizerem) ou nas muitas clínicas privadas que o farão a peso de ouro.
Este é um caso de morte programada. Friamente. Não há urgência. Não pode haver urgência em matar. Só em salvar Vidas!
Este governo, com Correia de Campos, subsidia quem mata, enquanto penaliza quem dá à Luz!
Este país é já hoje um autêntico lar gigante de 3ª idade, cada vez mais envelhecido, com menos população activa que produza riqueza para as reformas dos milhões e milhões de idosos que já temos. E que aumentam todos os dias relativamente aos jovens, em proporção.
O Parlamento Europeu aprovou anteontem por unanimidade uma directiva, que enviou aos Estados membros, que vai no sentido de que os jovens estudantes com compromissos familiares assumidos possam ser ajudados pelos respectivos governos.
Mas o governo português faz exactamente ao contrário.
Em vez de subsidiar quem quer ter filhos, apoia quem os quer liquidar antes de nascerem.
É mais barato para o Estado, a curto prazo, que uma criança, ao longo da sua vida estudantil, fica cara.
Mas as crianças são o futuro da Nação e são elas que trabalharão quando nós já não pudermos.
Será que este ministro deste inacreditável governo nem sequer isto vê?
É só criar condições para que as clínicas privadas possam ganhar milhões à conta do Estado a fazerem abortos a torto e a direito já que os hospitais não os farão (como aliás sempre se soube), e mais nada?
Que governo é este que subsidia a morte em vez de proteger a Vida?

5 – Desistência do Uso de regalias
Srs deputados: este País, com este governo, chegou a um ponto tal de repressão e intimidação sobre os portugueses, que já nem os cidadãos têm coragem de usar aquilo que são os seus direitos constitucionais, com medo de retaliações e das inevitáveis consequências.
As mulheres portuguesas, soube-se ontem, renunciam à regalia do trabalho parcial que a Lei lhes confere enquanto amamentam. Apenas 17% das portuguesas usam esse direito, enquanto a média europeia é 75%.
O medo está instalado. Da Lei, faz-se tábua rasa, porque o ordenado ao fim do mês fala mais alto. Há filhos, casa e carro para sustentar. Há que nos submetermos a tudo, tal qual no tempo do fascismo.
Antes, quem falasse era preso. Hoje, quem usar os seus direitos é perseguido, despedido e processado.
Estamos ou não estamos a viver sob o jugo de um regime intimidatório e autoritário tal como o antigamente denominado regime fascista?
Há que reagir contra este governo despótico que alimenta este estado pró-fascista. Fascismo, meus caros, nunca mais!

6 – Local
Aeródromo: Como eu sempre disse, está perdido.
Não há, não vai haver, os meios pesados já cá não estão, e para o ano temos o aeródromo da Covilhã.
O aeródromo de Seia, apesar das milhentas promessas do sr Presidente de que se ia construir a torre de controlo e os meios necessários, foi como a pista de ski, que era a maior da Europa. Era tão grande que não se consegue ver. O aeródromo foi um sonho lindo – mais um – que “voou” por inépcia de quem tinha a obrigação de tratar da sua homologação.

A estrada da Arrifana: há dois anos esteve mais de um ano em macadam. Agora há meses que está outra vez. Faz-se o saneamento necessário e nunca mais nada se repara. O alcatrão do lado não intervencionado já se deteriorou por causa da infiltração de água do lado intervencionado e agora é preciso alcatrão a toda a largura da estrada. Isto não é derretar alcatrão: é derreter dinheiro. A menos que nada se faça até às próximas eleições. Só faltam 2 anos.
O Bairro da Fisel: Aquilo são as obras de santa Ingrácia. Os moradores estão há 2 anos impedidos de entrar em casa de forma normal por causa da lama quando chove e da poeira quando não chove. Aquilo será para acabar também só nas próximas eleições sr presidente? É que já só faltam 2 anos…

Júlio Santos:
O caso Júlio Santos deve-nos fazer pensar a todos nós, autarcas e cidadãos que se preocupam com o bem estar da nossa terra. Um autarca vizinho condenado por corrupção, branqueamento de capitais e peculato. A 5 anos e 10 meses de prisão efectiva.
Mas Júlio Santos não é mais que um bode expiatório da Justiça que temos. O elo mais fraco.
Fácil de abater porque não tem uma grande câmara nem um grande Partido por detrás.
O caso Felgueiras, com a ex-socialista Fátima, Cascais com o ex-comunista Judas, Oeiras e Gondomar com os ex-sociais democratas Isaltino e Valentim, Marco de Canavezes, com o ex-centrista Ferreira Torres, são exemplos bem mais graves.
Nenhum está preso.
Mas mais: não há corruptos sem corruptores, que eu saiba. E ambos são criminosos. Aqui, estranhamente, quase só se fala no corrupto. Nunca no corruptor. E não há branqueamento de capitais se não houver capitais para branquear. Quem lhe entregou os capitais? Os tais 2 cheques no total de 250 mil euros de que afinal agora aparece apenas um? Quem lhos entregou para ele branquear? E cadê o outro?
Os jornais trazem bem escarrapachado o nome do construtor. Que constrói para muitas câmaras. Para a de Seia, durante décadas, para a de Viseu, de Coimbra, do Porto, para outras de norte a sul do país.
Queixa-se o corruptor, nos jornais de ontem, que pagou ao Júlio Santos com medo de não receber, porque os pagamentos estavam atrasados.
Pergunto: será que esse construtor sempre recebeu a tempo e horas de todas as outras câmaras para as quais fez obra?
De certeza absoluta que, conhecendo o poder local a nível de todo o país, não terá havido uma só – repito – uma só autarquia que não tenha atrasado o pagamento de alguma obra…
Então? Se acreditássemos na história do corruptor, o que teríamos que concluir, forçosamente, relativamente às outras câmaras municipais para as quais trabalha ou trabalhou?
É claro que não podemos acreditar no corruptor senão ele teria tentado corromper todas as outras câmaras. E disso não há notícia.
O maior pecado de Júlio Santos foi o de ter sido um presidente de uma câmara pequena com um pequeno partido por trás.
Por isso, e apenas por isso, irá preso.
Quem o corrompeu – um grande e poderoso - nem incomodado será.
É a Justiça em Portugal, em 2007.

João Tilly

Publicado por JoaoTilly em 02:27 AM | Comentários (0)

abril 29, 2007

Apesar de desaconselhado pelo Ministério... o Jardim de Infância de Travancinha fecha na mesma!




















Como se vê, não há qualquer razão para que o jardim (nem a escola EB1) de Travancinha fechem. Com Sta Eulália, completam 17 crianças.
Com Sameice, 27.
As 11 crianças de tenra idade do jardim de Infância de Travancinha mais as 6 de Sta Eulália e as 10 de Sameice vão deslocar-se de autocarro para Arrifana diariamente num trajecto de uma hora para cada lado (para as de Travancinha) e pouco menos para as de Sta Eulália, o que é simplesmente estúpido, inconcebível e desaconselhado inclusivamente pelo próprio Ministério da Educação, como se prova no extracto do documento abaixo. O limite máximo em transporte para as crianças do Jardim de Infância é 20 minutos. Estas crianças vão suportar 2 vezes uma hora!
Aqui está mais uma prova dos erros crassos e das conclusões erradas da carta educativa.







Publicado por JoaoTilly em 06:43 PM | Comentários (0) | TrackBack

abril 27, 2007

O fecho das Escolas do Agrupamento Abranches Ferrão


















Aqui está a proposta aprovada pela Assembleia Municipal do fecho do Jardim de Infância de Travancinha, da escola de Travancinha (uma escola modelo), da escola de Sameice, da de Sta Eulália e da de Vodra.
E a transferência de todas estas crianças para a escola sede - Arrifana - para a misturada geral.
Notar que as crianças de Travancinha (incluindo as do Jardim de Infância) e de Sta Eulália passarão 2 horas por dia em autocarros para se deslocarem para a Arrifana e de regresso a casa.














E aqui está uma Escola - a de Sameice - que está a ser reparada... para nunca mais abrir.
As crianças de Sta Eulália, as de Travancinha e as de Sameice, porque não se deslocam para a Escola de Travancinha, por exemplo? Que tem tudo o que é preciso e está ali pertinho?














A Escola de Sta Eulália é considerada apta para continuar a sê-lo porque tem ali ao lado um pavilhão gimnodesportivo da junta.
Mas, mesmo assim, não resiste.




























A Escola de Sta Marinha não tem condições para recolher quaisquer alunos. A Escola e JI do Eirô têm incomparavelmente melhores condições. Mas vai ser esse o fluxo: as crianças saem do melhor para irem para o pior!
























Como se pode ver, NÃO HÁ QUAISQUER RAZÕES PARA SE FECHAR SAMEICE, TRAVANCINHA E STA EULÁLIA.
Muito menos para trazer as crianças para Seia.
Se a Escola de Travancinha tem tudo o que é preciso e Sta Eulália é ali ao pé, podem as crianças destas 3 localidades (incluindo Sameice) frequentar Travancinha. São 3 kms de Sta Eulália e 5 de Sameice. 5 minutos ou 10 de transporte é muito diferente de 2 horas, acrescidos dos riscos para a segurança das crianças deixadas à solta na escola sede da Arrifana que não proporciona - repito - qualquer tipo de controle sobre os alunos durante os intervalos e tempos livres.

Publicado por JoaoTilly em 07:34 AM | Comentários (0) | TrackBack

abril 25, 2007

A minha intervenção na Assembleia Municipal em 25/04/2007

Ex.ma
Assembleia Municipal de Seia,
Minhas Senhoras e meus Senhores
Queridas Crianças e Jovens aqui presentes:



O Partido Social Democrata vem, neste dia de Alegria, saudar e comemorar o nascimento da Democracia directa e plural Portuguesa!

Estamos aqui, todos juntos, para relembrar Abril de 74.

E, nessa lembrança, valorizar a Democracia renascida na Terra que nos viu nascer e que acolhe as nossas vidas, anseios, projectos, avanços e retrocessos de que, em suma, as nossas existências se compõem.

Abril nasceu da vontade, da revolta, da inteligência, da impossibilidade da continuação da sustentação da ignomínia, da censura, da força bruta, da mentira!
Do apodrecimento natural de uma sociedade sobrevivente à 2ª guerra mundial embora a ela poupada por quem, apesar disso, a não poupou à fome, ao atraso e ao descrédito internacionais, ostracismo de que a frase «orgulhosamente sós» é ex-libriis, ainda hoje, em qualquer parte do mundo lusófono.

Alijada em si própria, uma organização repressiva e autista que já não possuía bases sociais de sustentação muitos anos antes de Salazar ter caído de uma cadeira sem costas no forte de Oeiras em 6 de Setembro de 1968 - precisou esse mesmo estado repressivo e moribundo de mais 5 anos e meio, ainda, para que uma nova oportunidade de Liberdade e Democracia se conseguisse emancipar por via de uma revolta militar que, se realizada na América latina se denominaria apenas de Golpe de Estado, mas que, felizmente, dado o apoio popular espontâneo que lhe sucedeu, o Mundo civilizado acabou por reconhecer como “Revolução Democrática” – ao contrário do que havia sucedido poucos meses antes em Santiago do Chile, a 11 de Setembro de 73. Aí, forças homónimas às que mantinham, em Portugal, Marcelo Caetano no poder, conseguiram organizar-se e destituir o libertário Salvador Allende que acabou por ser vilmente chacinado às suas mãos.
Nixon, na altura o todo-poderoso Senhor do Mundo, demitir-se-ia em 9 de Agosto de 74, na sequência de um escândalo de espionagem interna denominado Watergate.
Mas Frank Carlucci – o seu braço direito e protegido de Rumsfeld - continuou a ser o director máximo da CIA.
Nunca saberemos quem seria o seu concorrente, o responsável máximo da KGB, em Portugal.
Nem da Mossad Israelita, que 2 anos antes de Abril, fez a primeira incursão anti-terrorista de que há memória, em resposta à indignidade do que aconteceu nos jogos olímpicos de Munique.

Para se perceber o que se passou em Portugal, naquela época, têm que se ter em consideração todos estes acontecimentos contemporâneos e muitos mais.

1974 - É neste contexto, em plena guerra fria, que está prestes a terminar a guerra do Vietname com pesadíssimas baixas para os EUA.
Frank Carlucci seria destacado para embaixador dos Estados Unidos em Portugal. Cargo que exerceu de 74 a 77.
Estava há pouco tempo instalado na sua embaixada quando se desenvolveu a revolta militar que provocou a Revolução dos cravos na madrugada do 25 de Abril.
Acordam, hoje, muitos Historiadores, na tese de que o seu trabalho terá sido o de mitigar a revolta armada para que de Portugal se não fizesse uma nova Cuba. Outros defendem que os EU pretendiam transformar Portugal num segundo Chile.
Nem uma coisa nem outra aconteceu.
Nem sempre quem tem mais força ganha.
Que o digam os soldados portugueses que há 13 anos morriam inutilmente por terras de África, defendendo o primeiro e último império mundial: o português.

Terão feito, os EUA, o mesmo que os nossos vizinhos, quase 600 anos depois de Aljubarrota:
«Se não os consegues vencer pela força, há que tentar vencê-los pela inteligência».

Acontece, de facto, que ao país com o segundo maior índice de analfabetismo da Europa, é eminentemente mais fácil conquistá-lo pela alienação do que pela força.

Srs Deputados, minhas senhoras e meus senhores, crianças e jovens:

O que hoje parece ser inquestionável, amanhã será mentira!
Que o diga Maximilien Marie Isidore Robespierre, que acabou sem cabeça na mesma guilhotina que mandou construir a Joseph Ignace Guillot para resolver o problema a Luís XVI, guilhotinado em 21 de janeiro de 1793 e à Rainha Consorte Maria Antonieta, 6 meses depois.

Robespierre terá sido o último a ficar sem cabeça na máquina que mandou construir para utilizar no povo que discordasse dele.
Falo-vos de Robespierre em França, que morreu apenas 40 anos após o terramoto e Tsunami de Lisboa, que Pombal mandou reconstruir, logo a seguir.
Para além de fazer tão bem a uma Lisboa destruída, Pombal foi também um ditador e um perseguidor de «conspiradores». Que o digam os Távoras….

Para se perceber o presente, tem que se entender o passado.
Nenhum acontecimento histórico tem uma só leitura. Nenhum facto uma só interpretação ou consequência.

Abril será sempre uma referência de Liberdade, de Livre Arbítrio, de restituição da Dignidade perdida por um povo milenar – o primeiro e último Império do Mundo Civilizado que ainda hoje – 900 anos depois, se chama pelo mesmo nome – Portugal!

Para que consigamos, todos juntos, entender a profundidade da data que hoje celebramos, é fundamental fazer um esforço Patriótico de recordar a História do Portugal antigo e Moderno. Só assim se poderão entender os fenómenos sociais que se sucederam ao longo dos tempos.

O Partido social democrata, esta congregação de vontades e ideais que é um Partido Político - não irá aproveitar este momento de Alegria para fazer publicidade a si próprio.

Pugnamos pelo Concelho de Seia e por ele somente.

Mas é imperioso que denunciemos que 33 anos após Abril, Portugal não pode continuar a manter os índices civilizacionais que o envergonham perante o mundo desenvolvido.
E que também não é com meras operações de cosmética, arranjando números para Europeu ver, que o país mais antigo da Europa em termos da manutenção do seu território ganhará credibilidade para se poder afirmar, hoje, junto dos seus pares.

Naquela madrugada, os Capitães de Abril, fosse por golpe de Estado ou Revolução, abriram as portas para uma Democracia que esteve, logo a seguir, mortalmente ameaçada.

Eanes repôs a Verdade da História, estabilizando uma sociedade em que, à semelhança do que tinha acontecido 60 anos antes, ninguém se entendia.
Fizeram-no Presidente.
A Democracia orgânica começou, titubeante, a funcionar num país dela arredio.
Mas os maiores problemas das populações não ficaram resolvidos.
Nem então, nem agora.

Seia, desde 76, desde o início do poder local democrático, conheceu apenas uma única sensibilidade político-partidária.
O concelho nunca quis ser gerido pela filosofia que preside à esmagadora maioria dos países desenvolvidos por essa Europa fora.
Mas era importante que o tivesse querido, mesmo que transitoriamente, como a alternância democrática prescreve e aconselha.
Quanto mais não seja porque assim não pode assacar a outrem quaisquer responsabilidades pelas eventuais dificuldades que o Concelho atravessa.
Durante um único mandato de 4 anos um candidato que vestiu as nossas roupagens governou Seia. Mas a filosofia da sua governação – todos o sabemos – era a mesma pela qual sempre se tinha pautado. A mesma.

Cá está a prova de que uma mera operação de cosmética não aporta mais-valia para um concelho, para uma região, para um país.

Para se ter êxito na prossecução de quaisquer reformas políticas é preciso ser-se sério, transparente e inteligente.
Não basta mostrar-se, apenas, decidido, e fazer orelhas moucas aos protestos das populações e olhos cegos à evidência que a todos choca.

É necessário que se saiba o que se está a fazer, o que se está a ganhar para o nosso concelho e - fatalmente ao escolher - do que se abdica, também.

Mais do que cantar repetidamente loas à madrugada de Abril, há que tentar perceber o que se ganhou e o mais que se poderia ter ganho na sequência das alterações político-sociais que Abril nos trouxe.

E o que vemos hoje, 33 anos volvidos, é que se ganhámos muito em Democracia e Liberdade, outro tanto não o podemos dizer relativamente ao progresso e ao desenvolvimento do nosso concelho.
Seia tem perdido, efectivamente, sucessivas oportunidades para o seu desenvolvimento, desde 74.
Porque nunca teve uma visão estratégica sustentada para o seu futuro a médio prazo.
Durante estas últimas 3 décadas, Seia foi-se simplesmente acomodando aos fluxos populacionais migratórios que nela entraram e saíram, em consequência dos ajustes sociais de uma economia baseada em grandes indústrias que, uma após outra, acabaram por soçobrar às mãos de uma economia globalizadora que não perdoa insipiências nem amadorismos.

Mas, à medida que as grandes empresas fechavam, não houve a visão estratégica de procurar, para as populações, alternativa.

Tudo se deixou acontecer, naturalmente.
Não se procurou inverter o fluxo de abandono das sedes de freguesia, criando condições ou expectativas para quem as não tinha.
E não teve.
Por isso nos abandonou.
Em dez anos apenas, Seia desertificou-se a um ritmo alucinante.
Temos, hoje, 10 mil pessoas a menos, pessoas válidas, activas, que gerariam riqueza, em comparação com o que tínhamos na década passada.

A continuar a desertificação do concelho a este ritmo, em breve os problemas da saúde, do ensino e do pleno emprego estarão resolvidos.
Mas da pior forma.

Estudos credíveis e recentes apontam para um período de 20 a 30 anos até que o interior se desertifique completamente.

A História e as gerações vindouras não nos perdoarão se deixarmos morrer um concelho que recebeu o seu foral das mãos de D. Teresa, em 1136, muito antes de Portugal ser Portugal.

Temos, provavelmente, em nossas mãos, a última oportunidade para estancar a desertificação e encarar o nosso futuro a curto prazo.

Não temos muito tempo.
Mas temos que ter, por isso, muita força e determinação.

Possuímos, felizmente, uma situação estratégica que nos traz uma vantagem enorme relativamente a outros concelhos limítrofes: a Serra da Estrela.
Desde Marques da Silva que a nossa Serra da Estrela nos dá riqueza.
Nos dá energia.

É a hora, no entanto, de começarmos a aproveitar uma riqueza bem maior que ela nos tem querido dar e nós temos recusado receber.

O Turismo é a principal Indústria em todo o mundo e a mais florescente, crescendo à razão de 5% ao ano.

No nosso Concelho há condições naturais para dele tirarmos partido a todos os níveis: Turismo Histórico, Eco-turismo, Turismo Aventura, Turismo de repouso e contemplação, Turismo em Àreas Protegidas.

Mas teimamos em fechar os olhos à Serra. Teimamos em não aceitar o que ela tem, todos os dias, para nos oferecer.
Porque ela oferece-nos calma, tranquilidade, cultura, História, repouso e, ainda por cima, muita riqueza.

A Serra da Estrela quer ajudar Seia.
Basta olhar para ela todos os dias de manhã.
Um tesouro imenso de beleza, de harmonia, e de riqueza à espera de quem tenha a visão para abrir o cofre e dele se apoderar.

Não o fizemos ainda.
Outros, sim.
Do outro lado da serra.
Outros já nos mostraram que é possível.
Que muito do desenvolvimento que auferem daí advém.
Que muita da riqueza que ostentam a ela – à Serra da Estrela – a devem.

E nós continuamos parados no tempo.

Urge uma visão estratégica lúcida para o Concelho.
Urge que se faça qualquer coisa a mais do que gerir simplesmente o dia a dia, cada um deles mais triste, cinzento e vazio que o anterior.
Urge que estanquemos a desertificação galopante.
Urge um grito de «basta» contra o que nos está a acontecer.

Continuar de braços caídos, continuar resignados à nossa sorte é o pior que podemos fazer.
A nossa Sorte é o que dela fizermos.
E se outros já não foram a tempo de estancar a sangria populacional nas suas Terras, nós acreditamos que ainda vamos a tempo de o conseguir na nossa.

É preciso um novo 25 de Abril. Uma nova revolução para o nosso oncelho!
Não de Liberdade porque essa, felizmente, e apesar de todas as tentativas para a sua limitação, ainda a temos.
Mas de visão estratégica, de empreendedorismo, de labor, de crer que é possível inverter este estado de coisas.

É preciso, pelo menos, tentar!

Os nossos filhos, que, tal como os nossos pais, já hoje voltam a ter que percorrer dezenas de quilómetros para frequentar a Escola, nunca nos perdoarão se o não fizermos.


Viva o 25 de Abril!
Viva Seia!
Viva Portugal!

Publicado por JoaoTilly em 06:55 PM | Comentários (0) | TrackBack

abril 24, 2007

O fecho generalizado de escolas e a movimentação das crianças para outras piores que a AM, sem ler o documento, aprovou ontem

Vamos lá então começar a apreciar aquilo que os deputados da AM ontem fizeram:

Agrupamento de Escolas Abranches Ferrão:

Fechará o jardim do Eirô - com condições espectaculares, sala de reuniões, refeitório, espaço polivalente - um dos melhores jardins de infância do concelho, que até 2005 foi frequentado por 12 alunos em média.
Vai tudo para o JI de Santa Marinha que não tem refeitório nem espaço polivalente nem recreio coberto, nem espaço organizado para permitir o desenvolvimento de jogos, segundo a famigerada Carta.
E precisa urgentemente de obras, pelo menos, no exterior.

Fecharão ainda: a Escola e Jardim de Travancinha, Escola de Sameice, Escola de Sta Eulália e Escola de Vodra.
Virá tudo para a Escola base na Arrifana - as criancinhas do Jardim de Travancinha e tudo!!!!
Não sei para onde!
Nem fazer o quê!
Provavelmente para serem literalmente atropeladas pelos gandulos que aceleram nos corredores à força toda, em altos berros, sem nunca ninguém lhes dizer nada...
Dá-me ideia que alguém ainda se vai arrepender muito por ter cedido a estas manobras puramente economicistas, porque muita criança se vai ferir com esta brincadeira!
Mas depois não se queixem:
Eu estou aqui a avisar, HOJE!
Filho meu de tenra idade nunca na vida viria para aqui, por uma simples questão de segurança.

Adiante:
A escola de Travancinha, diz a carta, «está equipada com tudo o que é preciso para desenvolver as práticas lectivas, actividades de enriquecimento curricular e actividades de apoio à familia, estando dotada de refeitório e contiguamente de um pequeno pavilhão desportivo adequado ao desenvolvimento de práticas físicas e desportivas».
Mais diz: «A situação desta escola deve ser acompanhada...dada a distância e o tempo de deslocação dos alunos que é de 12,5 kms» (x 2) - tirando os do Casal, que ainda estão a distância superior.
É preciso dizer que os meus alunos do Casal de Travancinha se levantam às 6:30 da manhã para estarem na escola às 8:30h.É a isto que vão obrigar, a partir de agora, as crianças de 3 anos de idade.

Portanto, só no meu Agrupamento, e em apenas 2 anos, fecham 10 escolas, 10!

As distâncias percorridas por estas crianças serão agora:
Travancinha - 25 kms, e 2 horas transporte diário.
Casal de Travancinha: 29 kms, 2:15 horas de transporte diário.
Sameice: 18 kms, 1 hora de transporte diário.
Santa Eulália: 22 kms 1:30 horas de transporte diário.
Vodra: 6 kms. Meia hora de transporte diário.

(Continua)

Publicado por JoaoTilly em 01:00 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 28, 2007

A minha intervenção na Assembleia Municipal de 27/02/2007
Seia e o Turismo

Permitam-me que desenvolva um pouco da minha visão sobre o modelo de turismo local e regional que deve ser adoptado pela CM e pelas autoridades regionais. É no fundo, o modelo que é seguido em todos os países civilizados e que se baseia em 3 pressupostos fundamentais:

1 – O Turismo é, hoje, a maior indústria num número cada vez maior de paises e, segundo os últimos indicadores, é já a maior indústria a nivel mundial, ultrapassando a música, o petróleo e supostamente até a droga, se bem que neste universo não haja estatísticas fidedignas mas apenas presunções..
2 – O Turismo é uma industria inócua, praticamente não poluente, totalmente reciclável e de renovacão permanente.
3 - O Turismo traz riqueza às regiões e populações autóctones e traz benefícios a nível do enriquecimento intelectual e psicossomático a quem o pratica.
Neste sentido,
Não posso deixar de felicitar o sr presidente da Câmara por ter elegido (finalmente!) o turismo como uma prioridade e mesmo até um desígnio para o nosso concelho!
Bem vindo ao clube, e vale mais tarde que nunca.

Apenas ano e meio depois de uma campanha em que se defendia que o Turismo tinha que ser uma actividade como qualquer outra, e depois de se ter banido o objectivo 18 das grandes Opções do Plano, finalmente se entende que o Turismo será a principal - para não dizer a única - actividade que nos resta num futuro próximo.

Mas não digamos isto de forma resignada, ou triste, porque
O turismo é só a maior indústria do mundo!
Os nossos vizinhos Espanha e a Franca têm, já hoje, no turismo a sua principal fonte de receitas, por exemplo, ultrapassando em larga medida as que o bem conhecido “pomar da Europa” traz a “nuestros hermanos” e as que a mega-indústria automóvel traz a França apesar de ser uma das maiores a nível mundial.
Nós, em Portugal, não teremos condições para ombrear com uma coisa nem com outra.
Mas Turismo podemos ter.

Portanto não encolhamos os ombros numa atitude triste e resignada… porque não nos calhou o resto do tacho, meus senhores: calhou-nos a parte de leão.

Parte de Leão essa que nós temos vindo a desprezar, é certo. E, tal como acontece no reino animal, o que uns desprezam os outros aproveitam e assim Seia, que sistematicamente tem abdicado da sua parte de leão no que ao turismo diz respeito, deixa naturalmente espaço para aqueles a quem depois denominamos de “os maus da fita”, os aproveitadores, que vêm do outro lado da serra, simplesmente banquetear-se com o que nós deixamos à beira do prato.
Não os podemos levar a mal. De facto eles não nos roubam nada. Somos nós que desprezamos o verdadeiro bife da alcatra e o néctar do Dão regional e os substituímos alarvemente pela sandes de torresmo e pelo penalte verde.

O Turismo e a riqueza são de quem os procura e de quem os sabe aproveitar, meus senhores!

Muito se tem perdido para a Covilhã e, meus senhores, o mérito não é só dos Costa Pais!
Há muito demérito e muito laxismo dos organismos oficiais do lado de cá da serra e também – há que o dizer claramente – da fraca iniciativa privada da nossa encosta.

Mas é claro: não adianta chorar sobre o leite derramado.
Não se pode mudar o passado. Há que olhar em frente e construir um novo futuro.
E vale muito mais começar agora, embora tarde, do que nunca, a trabalhar nesse sentido.
Como todas as indústrias o Turismo necessita de infra-estruturas e condições específicas para que possa singrar e fortalecer-se.

Madrid e Barcelona têm, neste momento, tantos visitantes como residentes. São milhões de pessoas por dia e se cada uma deixar lá 100 euros, são centenas de milhões de euros por dia que ficam em Madrid e em Barcelona, a mais do que aqueles que ficariam, sem o Turismo.

E Quantas industrias poluidoras seriam necessárias para trazer este mesmo «income» a estas cidades?

O turismo não polui, não se deslocaliza, não fecha as portas para ir para países de mão de obra barata como a Polónia, a Roménia ou Portugal, segundo o ministro Pinho. Cuja inteligência é apenas comparável ao nome que lhe calhou em sorte.

O turismo duplica, triplica, multiplica a riqueza de uma região.

Se ordenado e regrado, os seus produtos são inesgotáveis.
Não é preciso comprá-lo para o voltar a vender.
Os Cântaros estão no mesmo sitio há 20 milhões de anos.
As ribeiras e os cursos de água também.
Todos os dias lá estão.
Os bosques, tal como os conhecemos, há centenas.
Mas antes havia outros.
Que serão substituídos por outros ainda, amanhã

A indústria do turismo é totalmente auto-reciclável e os clientes facilmente se fidelizam ao maravilhoso produto que tivemos a sorte de nos vir parar às mãos.
Uma bênção de beleza e recursos infinitos, geradora de Paz e de riqueza, com que a Mãe Natureza nos presenteou e que nós temos vindo a desperdiçar e a malbaratar a cada ano que passa.

Tudo o que Seia tem que fazer é arranjar forma de partilhar essa bênção de forma ordenada com quem nos visita, para que se minimizem os males que a sua divulgação fatalmente acarreta.

Ao contrário de alguns puristas que defendem que a serra tem que ser preservada da civilização para que se mantenha impoluta e intocável através dos tempos, eu não partilho dessa visão fundamentalista.
De nada nos serve a beleza que não é vista, a música que não é ouvida, a maciez que não se toca.

A Humanidade deve ter acesso a todas as maravilhas naturais. Cabe aos autóctones – nós – preservar esses Bens a fim de os podermos transmitir às gerações vindouras.

Mas não basta proteger a Serra. A Encosta Nordeste (a nossa parte da Serra) tem que ser também divulgada, para que o turista sinta o seu apelo e a necessidade de a vir conhecer ao vivo.

Aqui se enquadrarão as campanhas publicitárias, de que a participação da CM na BTL foi recente exemplo.

Louva-se o esforço.
Louva-se acima de tudo o profissionalismo da Ana Fernandes que, ali sozinha, fazia das tripas coração para dar resposta a todas as solicitações.

Mas tem que se mudar a imagem e a oferta.
A nossa participação em feiras de turismo tem que ser mais profissional. Este ano, a imagem de Seia já foi mostrada num plasma. É o mínimo que se exige.
Mas é preciso apostar mais na oferta diversificada. Na divulgação do turismo rural, regional, dos percursos pedestres. O CISE tem, nisso, uma palavra a dizer.
Os folhetos que foram entregues na BTL são, de facto, espectaculares e devem ter custado uma fortuna.
Não se pode é criticar alguém por não fazer e depois criticá-lo na mesma quando tenta fazer.
Há que ajudar quem quer fazer.
Muito bem. É por ai.

Mas também não se pode ficar apenas à espera de mais um ano e mais uma BTL com o mesmo stand do costume.
É preciso inventar, mudar a imagem do stand e da oferta disponível – a informação turística deve ser global e não se ficar por uma ou duas casas de turismo rural.
Há mais de 20 no concelho. Que é feito das outras?
Há várias marcas de queijo para além da Matias.
A Casa Matias deve estar representada, claro, mas que é feito das outras?
A imagem do Stand tem que ser apelativa, cheia de imagens do concelho e da serra e não apenas um expositor já algo danificado feito de simples vinyl de corte com o logotipo da cidade. Isso tem muito pouca informação

É preciso ao longo do ano chamar a atenção do visitante potencial para a beleza da serra de verão, altura em que ela esta deserta.
É necessário criar programas atractivos,
Percursos entre freguesias / aldeias de xisto aldeias de granito.
O nosso concelho tem para mostrar o xisto e o granito, enquanto a serra da Lousã, a do Açor e outras só tem uma coisa: ou xisto ou granito.
Nós temos as duas porque a serra do Açor entronca na Estrela em Loriga.
Loriga é o paradigma da maravilha da serra.
Loriga é granito / Fontão ja é xisto.
Cabeça e Casal do Rei são xisto. Teixeira é xisto. Alvôco tem os dois.

E depois o Alva agreste do Sabugueiro e a acalmia de Vila Cova e a magnificência de Sandomil…
É preciso que a iniciativa privada invista.
Mas não há iniciativa privada.
Com o apoio da Câmara e das juntas de freguesia era possível criar percursos inter freguesias. Percursos que liguem S. Romão, Valezim, Sazes, Corgas e Sandomil
S Romao, Valezim, Loriga, Alvôco
S Romao, Valezim, Cabeca, Casal do Rei, Vide
S Romao, Valezim, Vide, Teixeira, Alvôco, Loriga, Seia
Sabugueiro, Lagoa, Torre
Sabugueiro, Lagoa, Loriga
Torre, Lagoa, Loriga
Etc etc etc

É preciso promover a imagem de Seia na Torre – que se encontra completamente descaracterizada, cheia de produtos estranhos: tigres brancos do Tibete, Pandas da China e Coalas da Austrália misturados com N. Sras de Fátima…

Na serra: e apenas à beira da estrada: há que divulgar por exemplo a Fonte dos Perús, as Candeeiras, as lagoas de Loriga. É tudo concelho de Seia.

Mas depois a falta de apoio técnico: os milhares de excursionistas que enchem os degraus da lagoa comprida com os farnéis. E as toneladas de lixo que lá ficam a cada fim de semana.

Muito há a fazer pelo turismo na serra.
E pelo ordenamento desse turismo. Promove-lo é urgente. O turismo selvagem que hoje temos tem que ser reordenado.
À beira da lagoa e preciso construir apoios ao turismo excursionista.
Casas de banho, Self services, lojas de informação turística e regional, comércio de qualidade.
Se é queijo que o turista procura, muito bem venda-se queijo, mas não o da Beira Baixa!
Nem casacos da Maia, nem camisolas do Alentejo!
Nem Sra de Fátima com os emblemas dos 3 maiores clubes de futebol.
Há que ordenar. Há que proibir o lixo cultural e o lixo orgânico.
Regras tem que ser estabelecidas.
O tão atacado parque natural ainda e o único organismo que luta pela preservação da qualidade ambiental da serra.
Não tenhamos duvidas: se não existisse o Parque, a esta hora a serra seria uma lixeira gigante.
Alguém disso duvida?

Mas o parque não pode fazer tudo sozinho.
Não há patrulhas a vigiar a serra quando e mais necessário: aos fins de semana de inverno. Também não há apoio ao viajante.
É turismo selvagem apenas o que temos na serra. Não pode ser.

Perguntam-me os presidentes das juntas: Que faz a Urze? Que fazem as bonitas pick ups reluzentes e amarelas que se vêem para cima e para baixo na serra para além de fazerem peões no Vale do Rossim?

Nao sei responder. Mas gostava de saber.

Os presidentes das juntas tem uma responsabilidade acrescida neste turismo que se quer de qualidade.
A iniciativa privada já esta no terreno sob a forma de turismo rural. Isso há muito.
Mas desacompanhado. É preciso criar actividades de turismo cultural ou pelo menos de contemplação.
Porque temos muitos monumentos megalíticos e nenhum está classificado.

Temos Pontes romanas gigantes, como a de Sandomil, a par de outras minúsculas como a do Carvalhal da Louça.
Temos autênticas obras de arte como a ponte romana da Folgosa, com aquele marco impressionante cujas inscrições já mal se descortinam.
Quem está ali enterrado? Consegue ler-se Antonius. Mas Antonius quê? quem era? Que legiões comandava? Em que ano? O que conquistou ele?
Nada se sabe.
Qualquer dia nada mais se poderá recuperar.
Só de jeep se lá consegue chegar e mal…

Mas temos mais: Temos antas grandiosas como a de Vale de Igreja por estudar e classificar.
Quantos anos tem? 5 mil, 6, 10? Ninguém sabe.

Assim não vamos lá.
O viajante e nós, os senenses que aqui nasceram e os que para cá vieram morar com 6 anos de idade, como eu, queremos conhecer o nosso Património Cultural.
Temos direito a isso.
É uma tarefa maior.
Descobrirmos e Aprendermos o que temos para legarmos às gerações vindouras.
Sermos os Descobridores do nosso concelho e como tal lembrados pelos nossos filhos e netos.

Meus senhores:
E preciso ordenar.
Dotar de regras o nosso Bem maior: O Turismo.
Que será a salvação, mas não só, o progresso e o desenvolvimento de Seia e do seu Concelho.
Não continuemos a desprezar as maravilhas com que a Mãe Natureza nos presenteou.
Não temos mais esse direito.

Srs Presidentes das juntas, sr Presidente da Câmara, srs vereadores: dentro das minhas humildes capacidades eu reitero a minha disponibilidade, se a quiserem aceitar, para ajudar, trabalhando nessa recuperação Patrimonial e no desenvolvimento do Turismo regrado da nossa região.

Sem ordenados nem senhas de presença.

Publicado por JoaoTilly em 07:48 AM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 30, 2006

Intervenção na Assembleia Municipal de ontem

Aqui fica, a traços largos, o conteúdo da minha intervenção no periodo «Antes da Ordem do Dia» na Assembleia Municipal de ontem.
10 pontos distribuídos por 2 grandes grupos:
País e Local


PAÍS

1 – ECONOMIA

Devido ao mau desempenho da sua economia, Portugal caiu mais três lugares no «ranking» dos países competitivos. Ou o primeiro-ministro e o seu amigo governador «vitalício» do Banco de Portugal nos estão descaradamente a mentir ou são os relatórios mundiais elaborados pelos mais acreditados especialistas mundiais que estão errados e não conseguem reconhecer o nosso tão propagandeado «óptimo» desempenho.
O último relatório do fórum económico mundial – de terça feira passada – aponta como os nossos pontos mais fortes a Educação e a Saúde, JUSTAMENTE onde se quer cortar mais.
Ranking 20+
1.º (4) - Suíça; 2.º (2) - Finlândia; 3.º (7) – Suécia; 4.º (4) – Dinamarca; 5.º (5) – Singapura; 6.º (1) – EUA; 7.º (10) – Japão; 8.º (6) – Alemanha; 9.º (11) – Holanda; 10.º (9) – Reino Unido; 11.º (14) – Hong Kong; 12.º (17) – Noruega; 13.º (8) – Taiwan; 14.º (16) – Islândia; 15.º (23) – Israel; 16.º (13) – Canadá; 17.º (15) – Áustria; 18.º (12) – França; 19.º (18) – Austrália; 20.º (20) – Bélgica; 34.º (30) - Portugal

2 – EDUCAÇÃO

Ao contrário do que o governo propagandeia, Portugal é dos países que investe MENOS na educação. Portugal gasta anualmente 4.422€ em despesas de educação por aluno, desde o ensino básico até ao superior, ficando no 23.º lugar entre os países analisados pela OCDE cuja média é de 5.381€ por aluno. Teixeira dos Santos conseguiu reduzir o deficit em 7,8% por poupanças na educação – afirma. No entanto, o seu ministério – aquele que manda apertar o cinto ao povo - esbanjou mais 2.9% em relação a 2005.

3 – FUNÇÃO PÚBLICA
Ao contrário da propaganda do governo, e da Alta Finança «compromisso Portugal», há apenas 2 países que têm uma função pública mais magra que a nossa. Portugal está em 17º em 19 países da Europa em número de funcionários públicos. Os países mais desenvolvidos têm o dobro da nossa FP. Não tem é, cada ministro, 136 pessoas a seu cargo e 56 viaturas por ministério. Isso é que é o quíntuplo do que se passa na Europa desenvolvida.
(Fonte EUROSTAT)
Suécia .. 33,3%; Dinamarca ..30,4%; Bélgica .. 28,8%; Reino Unido ..27,4%; Finlândia ..26,4%; Holanda .. 25,9%; França .. 24,6%; Alemanha .. 24%; Hungria .. 22%; Eslováquia ..21,4%; Áustria .. 20,9%; Grécia .. 20,6% ; Irlanda .. 20,6%; Polónia .. 19,8%; Itália .. 19,2%; República Checa..19,2% ; PORTUGAL .. 17,9%; Espanha .. 17,2%; Luxemburgo .. 16%.


LOCAL


4 - EMPREGO

4 - O fecho da Johnson Controls em Nelas arrasta dezenas de senenses para o desemprego. De Carvalhal da Louça, de Paranhos, Chaveiral e até de Seia.
Aqui em Seia o fenómeno do desemprego nas grandes empresas não existe… porque já só existe uma grande empresa. É preciso captar emprego nomeadamente para a nova ZI que continua às moscas.

5 - AMBIENTE
5 – O que se passa com a ETAR de S. Romão?
Vai ou não servir os seus objectivos? Porque é que os serviços camarários dizem às queijarias não serão contempladas, quando se anunciou que seria exactamente para elas que as ETARs seriam construídas?

6 - EDUCAÇÃO - EST
Porque é que os alunos não vêm para a EST?
2 alunos inscritos no novo curso do ano passado, 3 este ano…
Tal decréscimo não será alheio ao facto de este governo ter autorizado a abertura de dois cursos similares aos que a nossa escola lecciona, no Fundão e na Idanha, por certo...

7 - POLÍTICA E DESENVOLVIMENTO AUTÁRQUICO
Para modernizar 35 juntas de freguesia...
Guarda recebe 484 ME. Sendo Seia (PS) o segundo concelho do distrito da Guarda, porque é que só recebe comparticipação para 2 freguesias enquanto, por exemplo, Almeida (PSD) recebeu para 21 e Gouveia (PSD) para 6?

8 - TURISMO
Agora que a Estrada Loriga – Lagoa está pronta, há que fazer de Loriga um pólo de interesse turístico.
Maurício está atento, felizmente.
É preciso que a CMS apoie iniciativas de carácter cultural e lúdico a levar a efeito em Loriga , Alvôco, Valezim, Cabeça.
É preciso implementar percursos turísticos na Serra e no Alva, organizados, por exemplo da seguinte forma:

A - Seia – Valezim – Cabeça(1) – Casal do Rei – Vide(2) – Teixeira – Alvôco – Loriga(3) – Valezim – S Romão – Seia.
B - Seia - Torrozelo – Sandomil(1) – Corgas – Sazes – Valezim(2) – S Romão - Seia
C - Seia - São Romão - Sra do Desterro(1) – Sabugueiro – Lagoa(2) – Loriga(3) - Seia.
D – Seia – Vila Cova(2) – Sandomil(3) - Torroselo


aproveitando as saídas que já existem por estrada para e vindas da Torre, e abrindo a estrada Vila Cova – Sandomil.
(entre parentesis as paragens programadas).

9 - ACESSOS NA CIDADE
A estreita rua do Funchal que vai do mercado à fonte das 4 bicas, de vez em quando e sem aviso, está fechada.
Mas só se sabe disto quando se lá chega! Não há nenhuma indicação no Grémio. Tem que se subir tudo e dar a volta ao mercado para se voltar a descer quando se dá com o nariz nas placas. E em hora de ponta, cortando o acesso à EST, Abranches Ferrão e Hospital. Para que serve a placa Hospital, nos correios? Para enganar as ambulâncias? Para as fazer perder 15 minutos? Se depois têm que voltar para trás!

10 - CULTURA
O que fará uma Lili Caneças no júri da CineeEco? É para conferir respeitabilidade ao certame?
Será que a organização já acha preferível que o meio artístico e cinéfilo nacional se ria de escárnio da CineEco, do que a ignore completamente, como tem feito até aqui?
Noto, apesar de tudo, o reconhecimento por parte da Organização da CineEco e da CMS pela minhas palavras na AM em que falei da inutilidade prática da CineECO.
Pode ler-se no site da CMS e logo na página de entrada: «Cineco tem 10 espectadores».Até que enfim que me dão publicamente razão!


Publicado por JoaoTilly em 07:28 AM | Comentários (2)

abril 29, 2006

Uma Assembleia Municipal útil


A que ocorreu ontem.
Apesar do bloqueio sistemático da maioria, lá fui conseguindo fazer ouvir a minha voz.
Serve de pouco, mas é o que se pode arranjar.
Pela primeira vez - penso eu - conseguiu discutir-se um documento com alguma profundidade - as contas da gerência da CMS.
É claro que os do costume lá vão em carreira, quais Assurancetourix, o bardo (com discursos desta vez menos patéticos, é certo), tecer loas à governação.
Não leem os documentos, não os estudam, não perdem tempo com coisa nenhuma e portanto não podem discutir seja o que for.
Resta-lhes, por isso, o beija-mão.
E lá se encaminha, ordeiramente para o palanque, aquele rancho de ilustres deputados, em procissão, cumprir o penoso dever de se afirmar incondicionalmente concordante e solidário com aquilo que nunca se leu.
É a Assembleia Municipal que temos.

Mas está melhor!
Já se começam a discutir ideias, envolvem-se os interlocutores em debates não estéreis, e começa claramente a desenhar-se quem tem unhas e quem, nunca as tendo tido, tenta continuar a recorrer à "palheta" para tocar uma guitarra repetitiva, choca e desafinada.

Eduardo Ambrósio e António Tilly assumem-se como duas vozes notáveis na bancada do PS. Porque não falam sem saber o que dizem.
Estão no princípio, o estilo não é o mais eficaz, mas estão a melhorar.
André Figueiredo parece limitar-se agora a fazer o seu papel; agora que já não é presidente do PS. Mais reservado, não sai tanta vez em defesa da sua dama. O que fragiliza nitidamente o somatório do argumentário socialista.

Desta vez, Carlos Filipe Camelo e Eduardo Brito seguraram o barco.
Tratava-se de contas e do seu suporte político.
Também não foram muito atacados. Estiveram perfeitamente à altura do embate.
Nós, apesar de tudo, conseguimos mostrar claramente, com os seus números, que as contas estão longe de estar estabilizadas.
Vamos ver o que acontecerá quando os temas forem mais generalistas.
Não me parece que a argumentação isolada e sempre repetida do «caminho que se faz caminhando» continue em estado de graça por muito mais tempo.
Sem André e sem outro parlamentar à sua altura - nem de perto nem de longe! - as coisas podem complicar-se para o PS.

Nuno Almeida, embora muito atacado por André Figueiredo, continua firme e hirto na defesa dos seus ideais, na bancada do PSD.
Xico Melo continua a dar lições de lucidez e inteligência a uma Assembleia cada vez menos surda ao que se vai dizendo, quando se tem razão.
João Viveiro antigamente dava uma no cravo e duas na ferradura. Agora tem sido sempre na ferradura. Sem a convicção suficiente, porém, para causar grande efeito.
Mário Teixeira (da CDU) é eficaz, inteligente, e incomodativo para a bancada da maioria, que, por isso, mal o suporta.
Agora: a Orquídea Lopes é que a não deixam respirar.
Umas vezes com alguma razão, mas a maioria sem ela. Não se percebe o ataque generalizado que a bancada faz à senhora. É certo que a argumentação da Orquídea nem sempre tem sido a mais feliz e consistente, mas isso acontece-me a mim e a todos nós. E os deslizes, a surgirem, deviam ser motivo de gáudio e não de repúdio generalizado, como está a acontecer.
Eu só consigo perceber este fenómeno à luz da seguinte explicação:

Na AM, o PSD tem um pequeno grupo parlamentar que já mostrou que incomoda bastante a bancada da maioria.
Temos argumentadores sólidos e muitíssimo educados como Avelino, Pedro Nuno, Vera Cruz.
Temos um filósofo e um poeta que as mete todas na mouche - Xico Melo
Temos dois combatentes aguerridos pelos ideiais da social-democracia aplicados à nossa Terra - Nuno Almeida e Orquídea Lopes.
Temos um homem com uma experiência de vida e uma sabedoria e lucidez ímpares - João Luis de Brito
Temos um denodado jornalista denunciador de situações pouco claras o mais politicamente incorrecto possível - Arlindo Marques
E um aprendiz que aprende rápido, que sou eu.

Por isso, podem vir de lá à força toda!
Quantos são??
Quantos são??

Publicado por JoaoTilly em 09:54 AM

abril 26, 2006

Assembleia Municipal inútil

Vimos, ontem, numa Assembleia Municipal absolutamente inútil, para não dizer patética, à qual não compareceram simplesmente os dois elementos a ela imprescindíveis para que aquilo se pudesse revestir do mínimo de representatividade - o Presidente da AM e o Presidente da Câmara, que acumula agora com o cargo de Presidente do PS - muito boa gente (deputados) de cravo ao peito.
Porque cidadãos a assitir, foi simplesmente zero.

Assim fica, uma vez mais, claramente demonstrada a importância que os senenses conferem a este orgão fiscalizador do poder local.

O melhor momento da manhã foi, sem dúvida, um dos discursos, pela sua leitura feita de uma forma indescritível, com as pausas todas ao contrário, feita a despachar, e com a voz a ser projectada "para dentro".
Completamente imperceptível.
Um momento de boa disposição.
Outro foi a falta do senense que nunca o foi - Pina Moura.
Vá lá, vá lá... afinal parece nem tudo corre mal, por aqui.

Publicado por JoaoTilly em 01:53 PM