Em matéria de converseta José Sócrates não dá hipóteses a ninguém.
Ferreira Leite não teve a mínima hipótese ontem. Foi literalmente esmagada pela conversa sedutora do maior pantomimeiro político da História Portuguesa. Se calhar desde sempre.
Uma ascendência clara e inequívoca de Sócrates estabeleceu-se desde o primeiro minuto.
Confiança, serenidade, Sócrates induz em quem o ouve uma sensação de quem está a falar verdade.
E até está, parcialmente.
Mas no fundamental não está.
A verdade é que a sua estratégia de mostrar serenidade ao mesmo tempo que se mostrou acutilante, nunca gaguejando e sobretudo a expressão facial estudada com aqueles truques e laivos de complacência misturados com outros de reprovação enquanto a interlocutora falava, enervou bastante Ferreira Leite que começou a enganar-se, balbuciava, mostrou dislexia grave, muitas brancas e hesitações, tudo fruto de um nervosismo a que eu não suspeitaria que um político tão experimentado como Manuela pudesse soçobrar.
A verdade é que Sócrates dominou totalmente o debate.
Infelizmente.
E é esse também o sentido das edições do debate da SIC e da TVI. Em todos os resumos Sócrates acaba sempre por cima.
Porque foi de facto isso o que aconteceu.
Claro que os jornais falam de empate, pois não se sabe o dia de amanhã... é melhor acautelar. O costume.
É, de facto, muito difícil debater com José Sócrates que é um especialista nisto.
Em debates.
Aprendeu com Santana nos debates futeboleiros, lembram-se?
Agora, sabe-a toda...
Quem sair por último feche a porta.