Afinal nem foi preciso grande afluência às urnas.
O PSD ganhou estas mini-eleições, tal como eu tinha previsto na minha segunda crónica no jornal de Santa Marinha intitulada "Quinze a zero".
Não vi escrito em mais lado nenhum essa possibilidade. As sondagens davam, aliás, sempre a vitória ao PS.
Não espero palmas. Era bastante fácil prever o que ninguém ousava dizer. Difícil era dizê-lo em voz alta. Eu escrevi-o por via das dúvidas.
E mais: na mesma crónica avanço também que, na minha perspectiva, o Engenheiro Sócrates perderá igualmente as próximas eleições.
Antes absurda, essa possibilidade começa agora a ser encarada com alguma credibilidade pelos comentadores do regime.
Já se percebeu que afinal Sócrates não é um todo poderoso e pode perder como os outros.
Mas não me venham com tretas: aqui não há mérito de ninguém. Nem do PSD, nem do CDS, muito menos do BE.
Dos (poucos) portugueses que se deslocaram às urnas e votaram nesses partidos, mais de metade votaram CONTRA Sócrates.
Os professores fizeram a sua parte. Não "valem" uma vitória numa eleição normal, mas nesta pequena eleição fizeram bem a diferença.
Apesar da esmagadora abstenção registada, os professores cumpriram com o prometido: votaram à esquerda e à direita... mas não votaram PS.
Por isso toda a gente ganhou menos Sócrates.
Tenho a certeza de que, a partir de agora, muitas mais vozes não alinhadas, dentro do PS, se começarão a ouvir. Agora, que se percebeu que o ídolo tem pés de barro.
O tuga é tipicamente cobardolas, mas mal alguém comece, é tudo a ajudar.
A auréola extinguiu-se, o homem é uma pessoa normal. Não se trata de um deus, como muitos quiseram fazer crer ao povo durante anos.
A decepção mal disfarçada de Sócrates e a irritabilidade da ministra da educação foram, para mim, o melhor que o dia de ontem nos trouxe.
Aqui em Seia tudo corre, também, como o previsto.
Os socialistas - como se previa - faltaram à chamada, enquanto o PSD acudiu em força.
Nas legislativas passar-se-á o mesmo. Muitos socialistas não conseguirão votar Sócrates nem em tudo o que de negativo para Portugal ele representa.
Por isso, nas legislativas, a derrota de Sócrates em Seia será ainda maior, a menos que os socialistas toquem a rebate e desatem todos a engolir um sapo daquele tamanho.
Mas não acredito nisso.
Naturalmente, a derrota de Sócrates será igualmente clara.
E os social-democratas daqui terão uma vez mais muita dificuldade em perceber porque é que, após duas vitórias seguidas, o PSD não ganha, também, as autárquicas.
Por isso é que continuam a perdê-las.