maio 10, 2008

A revista do fim de semana

Começo com este caso paradigmático de nítido desajustamento entre uma pessoa e o cargo ocupado.
Não! Não se precipitem. Não vou dizer o que estão a pensar: que um director não pode mentir, que mentiu em directo, que é uma vergonha para o país... nada disso!
Já se sabe que quem manda na ASAE - como em tudo, neste momento neste país - é o governo e os seus testas de ferro.
Mas este nem testa de ferro é. É isso que eu vou dizer.
Porque colocar um espantalho, a fazer de conta que é testa de ferro, e que manda alguma coisa em alguma coisa, pela segunda vez seguida, é mau demais.
Vejamos dois exemplos de testas de ferro: Alípio Ribeiro e a ministra da Educação.
Num e noutro caso eles não fazem a mínima ideia do que é o seu serviço, por isso têm gente por trás que os avisa do que está a acontecer e não os deixa meter os pés pelas mãos. No caso da ministra, está o verdadeiro ministro Valter Lemos. No caso de Alípio, depois da tirada dos arguidos... ninguém.
Esta gente não percebe, portanto, rigorosamente nada do que é Portugal e limita-se a seguir as directrizes do governo. Já se sabe.
Agora: uns dão-se bem - a ministra segurou-se no lugar, ao comprar os sindicatos (que não podem ser considerados ingénuos) apesar da maior manifestação da História de uma classe profissional nas ruas. 100 mil. Mais do que a CGTP e a UGT conseguiram no 1 de Maio, reunindo TODAS as profissões + desempregados + estudantes.
Outros dão-se mal - Alípio falou demais. Não devia ter aberto a boca sobre os McCann e sobre a vergonha internacional que é a PJ tuga. Já toda a gente sabia, não havia necessidade... Devia era receber o seu ordenadinho e ficar calado, que a sua função era apenas essa.
Não percebeu.
Este Nunes é o máximo: completamente xoné, faz um esforço sobre-humano para parecer que sabe do que está a falar e que até é competente. Uma risada...
Mas, como já toda a gente tinha percebido logo no primeiro episódio do charuto no casino, o homem não percebe peva do seu metier.
Neste caso dos objectivos ele garantiu peremptoriamente nas TVS que os não havia.
Claro que havia e continua a haver. Mas eu até acredito que ele não soubesse.
Ele está ali, tal como Alípio ali estava, a ganhar o seu e a preencher um cargo que alguém dirige, à distância.
Alguém, menos ele.
Agora perguntam-se os media: ir-se-á aguentar no tacho?
Mas o que é que isso interessa?
Se for corrido vai para lá outro espantalho igual, apenas mais hábil, porque menos palavroso.
Mas quem manda são, obviamente, os mesmos.
É preciso termos noção de que o objectivo REAL da ASAE, tal como o da BT da GNR, não é acautelar seja o que for. Na teoria e no papel até pode lá estar isso tudo muito bem escritinho, que é a capa legal para eles depois tratarem do seu serviço.
E o seu serviço é trazer dinheiro para os cofres do estado. E o mais possível. Não têm outro. É por esse dinheiro que eles arrecadam para o estado que os inspectores e os agentes serão avaliados, irão receber ou não bónus e progredir ou não nas respectivas carreiras. Não é por exercerem uma óptima acção informativa ou preventiva que serão promovidos, descansem!
O resto é, obviamente, treta.


A nossa justiça é o nosso segundo maior cancro. Não é o ensino, não, sr primeiro Pinóquio.
Claro que o primeiro e maior cancro de todos é a classe política corrupta e analfabeta que temos.
Mas o segundo é, seguramente, a justiça. O terceiro é a Saúde. O quarto, todo o funciomalismo público.
O ensino virá, quando muito, em quinto lugar. Mas é o mais frágil porque os professores - que são tratados como verdadeira escumalha pelo Ministério e pela sociedade - não se preocupam com isso.
A Justiça é o nosso segundo cancro e vai ser esse o responsável por muita coisa que se irá passar no futuro próximo e para a qual eu tenho vindo a alertar há anos.
A panela de pressão está ao máximo e não há válvula de segurança. As tensões sociais terão que se reflectir forçosamente nalgum lado. Irão explodir naquilo que de mais errado há em Portugal.
E a Justiça é algo que está totalmente subvertido neste país. Os prazos, os recursos, as sentenças apressadas, a audição de testemunhas à Lagardére, tudo está errado.
As sentenças são um totoloto, os recursos sistematicamente contrariam as sentenças anteriores, os processos não andam e as pessoas desesperam.
E notem que nem todos os portugueses são mansos...
Claro que 99% são. Mas 1% de 10 milhões ainda são 100 mil.
E não há exército que segure 100 mil "doidos".
Pense nisso o Pinóquio aldrabão nos intervalos das mentiras que vai contando ao povo.
É que isto está a tal ponto que eu não sei se dentro em pouco não sobrará para si próprio...
Já vi tumultos generalizados - até aqui em Portugal há menos de 35 anos - por muito menos do que se está a passar agora. Adivinha-se um terramoto de proporções inimagináveis de que estes são apenas os primeiros avisos.

Ora aqui está um assunto que eu adoro e é absolutamente tabu neste país, 34 anos após Abril: a religião (neste caso a católica, mas isto aplica-se a qualquer outra, evidentemente) e a maravilhosa alienação que ela injecta no povão embrutecido e estupidificado.
Estes espertalhuços que sugam aos pobres dos alienados religiosos o pouco que estes conseguiram poupar, a passar necessidades todo o ano, para conseguirem ir a Fátima a pé, têm toda a minha simpatia.
Os que morrem pelo caminho, debaixo dos camiões, são mártires, evidentemente. Os que foram atropelados mas conseguem sobreviver, atirados para o resto da vida para uma cadeira de rodas, agradecerão eternamente o Milagre ou a Graça - decididamente, prefiro a Graça! - recebida.
O obscurantismo não devia ter lugar num país dito desenvolvido, no sec 21, depois de Cristo. Que nunca foi a Fátima a pé. Nem de bicicleta.
E isto é que é um facto histórico comprovado.
Tenha ou não existido, Jota C nunca vestiu colete reflector, não foi a Fátima nem a Lourdes, nem a pé nem de moto 4. Nem sequer ao Arrozinho a Correr a Pombal.

Ora, se a igreja arrecada 6,5 milhões de contos de lucros por ano no "Santuário" e ninguém se importa com isso - nem o fisco! - que mal tem um milhãozito a mais ou a menos?

Bem Hajam, Fiéis, pelo V precioso contributo para a Economia Paralela Nacional.

Publicado por JoaoTilly em maio 10, 2008 08:13 AM
Comentários

João também escrevi no meu blogue sobre as trapalhadas do director da ASAE. São mesmo pinóquios como o chefe. E nós parece que estamos condenados a viver e a ser mandados por gente desta. Deixo-lhe aqui o meu texto «Os avaliadores» Com um abraço.

Os Avaliadores

As chefias da Administração Pública foram nos últimos anos colonizados por uma avalanche de comissários políticos de uma forma sem igual nos mais de trinta anos que já leva o regime dito democrático. Em comum, estas pessoas têm pelo menos, duas coisas: a obediência cega ao governo e a mania da avaliação.

Embora a maioria deles não faça a mínima ideia do que seja gestão e de matemática pouco mais saibam que as operações aritméticas básicas, as regras de três simples e o cálculo de percentagens todos se converteram de imediato à sacrossanta ideologia das grelhas de avaliação.

Como todos os noviços, mal tomaram ordens, apressaram-se a assumir as suas funções de avaliadores. Do pessoal claro e do seu desempenho. O resto não se avalia ou porque o patrão não gosta ou porque pode dar uma má imagem do país. Vai dai toca a elaborar grelhas e mais grelhas a definir metas e objectivos. E na feitura dessas grelhas de avaliação de funcionários se aplicam nas intermináveis reuniões com que preenchem o seu dia de trabalho. O único fim das grelhas e do pseudo-planeamento que fazem é obviamente o de coagir os funcionários.

Raras vezes mostram os documentos que elaboram. E não é só por receio que a sua ignorância em gestão se descubra. Eles sabem que é mais eficaz fazer circular nos serviços que os directores andam a definir objectivos para avaliar os funcionários. Mas às vezes a coisa sai cá para fora e chega até à comunicação social e ai estoira a bronca. Dou só dois exemplos para não maçar o leitor.

O director da ASAE meteu os pés pelas mãos ao tentar negar que tinham sido definidos objectivos para os seus inspectores que passavam pelo número de autos levantados e de detenções a efectuar anualmente. Nem com a circular interna escarrapachada à frente dos seus olhos na Televisão conseguiu confessar.

Hoje, menos de duas semanas transcorridas, e confrontado com novos dados assistimos ao ridículo de vê-lo desmentir-se a si mesmo em directo no Jornal da Tarde da SIC. Enfim, mais um mentiroso compulsivo que se diz e desdiz sem noção do ridículo em que se vai atolando. Quem sai aos seus não degenera, diz o povo.

Porque será que em vez de avaliar os seus inspectores não faz o senhor director da ASAE uma contagem simples dos negócios tradicionais que arruinou nos últimos tempos? Olhe que basta saber contar doutor. Não precisa de fazer médias nem ir aprender à pressa estatísticas complicadas.

O segundo exemplo, bem menos mediático mas igualmente caricato, vem da área da Saúde. A Dr.ª Manuela Peleteiro, a novel gestora do Agrupamento de Centros de Saúde de Sete-Rios, Alvalade, Benfica e Lumiar na ânsia de criar uma grelha de avaliação dos médicos, ao gosto dos chefes que a nomearam, resolveu entrar na contabilidade também com os dias de greve dos clínicos.

Mal foi denunciado o caso toca de atabalhoadamente desmentir. Negou que essa avaliação fosse uma avaliação. Então era o quê doutora? Uma brincadeira? Um divertimento com números?

Dr.ª Manuela Peleteiro porque não se dedica antes a procurar no seu agrupamento os arquivos de papelão onde crescem bolores ou as unidades de saúde dentro do seu Agrupamento que não cumprem a lei em matéria de resíduos e controle de infecção?

Ou mais importante até. Porque não manda os seus serviços denunciar junto das entidades competentes as tristes situações de insalubridade que se verificam nos Bairros Sociais onde intervêm os técnicos do seu Agrupamento de Centros de Saúde? É só perguntar e depois ter a coragem de mandar uns faxes ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Olhe que não custa nada.

Mas construir grelhas sobre o desempenho dos funcionários é mais fácil não é? Deviam os dois ter vergonha.

Afixado por: contramestre em maio 11, 2008 12:05 AM
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?