Ainda há gente Séria em Portugal!
Infelizmente são poucos.
E cada vez menos.
Pedido de demissão entregue ao Presidente da Assembleia do Agrupamento
Vertical de Escolas de Azeitão
Vai para três anos que, culminando um processo democrático amplamente
participado, tomou posse este Conselho Executivo.
Assumimos, então, o compromisso de 'cumprir com lealdade' as funções que nos eram confiadas, funções que decorriam de um quadro legislativo bem diverso do actual.
Neste exercício, democratizámos as relações inter-pares, gerámos expectativas e esperanças, fomentámos a iniciativa e a criatividade, quisemos aprofundar a
relação pedagógica, libertando os professores de tarefas menores, para
benefício dos alunos.
Respeitando as pessoas e dignificando a Escola.
Porém, as regras mudaram a meio do jogo. É agora bem diferente enquadramento legal que regula a nossa acção.
Uma incontinência legislativa inexplicável minou e desvirtuou os compromissos que assumíramos: não nos propusemos asfixiar os professores em tarefas burocráticas sem sentido, alheias ao objecto da sua missão; não nos propusemos fragilizar o estatuto dos profissionais da educação; não nos propusemos submergir os docentes em relatórios, planos, projectos, registos, sem que daí resultassem vantagens ou benefícios para os alunos; nem nos propusemos liquidar o espaço de participação democrática na escola.
Com a actual publicação do Dec. Lei nº 75/2008 suprime-se tudo o que de
dinâmico, criativo e participado existia na gestão das escolas.
A opção por um órgão unipessoal – o director, a sua selecção num colégio eleitoral restrito, as nomeações dos responsáveis pelos cargos de gestão intermédia pelo director, são medidas que não têm em conta os princípios de uma gestão assente na separação de poderes entre os vários órgãos. Este diploma potencia riscos de autocracia e não reconhece o primado da pedagogia e do científico face ao administrativo. Encerra uma lógica economicista e
empresarial adversa à verdadeira missão da escola.
Não valoriza nem reconhece a diversidade de opiniões e a consequente construção de consensos como motores privilegiados da mudança e da promoção de uma escola de qualidade.
Não permite que a instituição escolar se constitua como um espaço privilegiado de experiências de cidadania.
Em suma, passados 34 anos sobre o 25 de Abril, o modelo democrático de
gestão chegou ao fim.
E aos órgãos democraticamente eleitos, convertidos em comissão liquidatária, é 'encomendada' a tarefa de, negando a sua própria
natureza, abrirem caminho a um ciclo de autoridade não sufragada, de
centralismo, e até de governamentalização da vida das escolas.
Por considerar que o novo modelo de gestão atenta contra valores e
princípios que sempre defendi, e por não querer associar-me à sua
implementação, eu, Maria Leonor Caldeira Duarte, apresento o pedido de
demissão do cargo de Vice-presidente do Conselho Executivo do Agrupamento
Vertical de Escolas de Azeitão.
Com os melhores cumprimentos
Azeitão, 28 de Abril de 2008> Maria Leonor Duarte
Muito bem. Ainda há gente desta.
Vou tentar passar para o meu blogue. Concerteza o João não se zanga.
Um exemplo. Comovente no meio de tanta alarvidade.
Obrigado pela lucidez, pela coragem e pela dignidade. "É preciso acreditar..." que "há sempre alguém que diz não". Um grande abraço de solidariedade aos colegas.
motta
Louvo a atitude destes colegas e é pena que mais CEs não o façam, mas infelizmente o poder corrompe. Quem é professor deveria estar ao lado de todos os colegas, mas quando deixam de dar aulas, esquecem-se do que é ser professor e passam a ser servos da tutela talvez, quem sabe, à espera de um outro "lugar".
Afixado por: ana em maio 6, 2008 11:11 PMSó posso estar solidária com esta posição. parabéns! Sempre revela que ainda há pessoas com carácter e coluna vertebral.
Afixado por: Eduarda em maio 7, 2008 06:17 PMMuito obrigada! É preciso coragem mas é bom ver uma atitude nobre e poder acreditar que nem todos estão agarrados ao poder. Ainda há pessoas!! Ainda há quem nos faça acreditar na verdadeira democracia! Pena que o medo e o terror se tenham de novo instalado. Muitos não têm já coragem de lutar contra o(s) poder(es) instalado(s)...e o "massacre" só se pode evitar com actos semelhantes! Quem tiver coragem, siga estes passos!
Afixado por: Luisa Lopes em maio 8, 2008 01:18 AMJá há pouca gente assim.
Os vendidos são mais que muitos.
Vivam os "verticais"
Um abraço. O meu respeito!
Afixado por: Helena em maio 9, 2008 11:04 PMÉ de gente como esta que o nosso país precisa... urgentemente. Um grande abraço!
Afixado por: Carlos Sousa em maio 16, 2008 07:19 PMGrande Senhora. Afixarei na minha escola para vergonha dos vendidos e dos cobardes.
Afixado por: lucilia em maio 28, 2008 01:53 AM