O DN de hoje traz mais uma espectacular notícia para as escolas, para os alunos e os professores.
A Ministra da Educação ameaça estender o conceito de 'escola a tempo inteiro' aos 5º e 6º anos de escolaridade.
O senhor Albino, Presidente da Confap, rejubila com a medida.
Com esta medida, ficamos mais perto do sonho da Confap:
transformar os professores em empregados domésticos dos pais.
Os alunos do 2º ciclo do ensino básico passam actualmente 39 horas por semana na escola.
A dona Lurdes e o senhor Albino acham pouco.
E vai daí, juntam esforços e o sonho concretiza-se: os alunos vão estar, brevemente, enfiados na escola durante 55 horas semanais, ou seja, mais 16 horas do que actualmente.
O plano é assim: depois das 17 horas, as escolas do 2º ciclo passam a oferecer mais duas horas de Actividades de Enriquecimento Curricular, onde a Ministra vai enfiar a martelo a área de projecto, a formação cívica e o estudo acompanhado.
Para o senhor Albino, esta é uma boa medida. Assim, os pais podem trabalhar descansados, ir ao cinema, namorar e enfiar-se nos centros comerciais, enquanto os filhos ficam enclausurados entre quatro paredes, desafiando a paciência e a autoridade dos professores.
Ninguém contesta um modelo de sociedade e de economia que impede os pais de estar com os filhos antes das 20 horas.
A anomia e a anestesia deste Povo são tão grandes que poucos contestam uma sociedade que obriga as crianças a estarem 11 horas por dia na escola! Estou em crer que se quer fazer com as crianças aquilo que a economia já fez com muitos dos pais delas: embrutecê-las!
É provável que a Ministra ainda tenha tempo para anunciar a suprema das medidas, a mãe de todas as reformas da Educação: as escolas públicas irão passar a funcionar em regime de internato, oferecendo uma verdadeira 'escola a tempo inteiro': 24 horas por dia de actividades lectivas, de enriquecimento curricular e de repouso. O senhor Albino ficará feliz e o Povo rejubilará.
Os pais vão finalmente ver-se livres dos filhos: para sempre!
E os professores verão aprovado um novo e derradeiro estatuto:
o estatuto de empregados domésticos dos pais!
Bem mas este novo estatuto sempre tem uma vantagem: se desaparecer alguma criança de alguma escola, só passados 3 meses os pais darão conta....
Concordo em absoluto com a sua visão desta questão. O que mais me chocou não foi a Ministra apresentá-la, porque dela já esperamos qualquer enormidade, foi os Pais ( também não sei precisamente que "pais" ) concordarem que os filhos deviam ser guardados na escola 11 horas ...
Claro que sabemos que a sociedade está estruturada no mundo laboral para penalizar gravemente quem trabalhe e tenha filhos, mas ainda assim, achava eu em tola ingenuidade que essa condição de ser pai ou mãe falaria mais alto num momento destes ...
Enfim...
Saudações
Maria