fevereiro 11, 2008

Vão responder hoje em tribunal os 5 PJs que espancaram a desgraçada vendedora de Joana

"Meteram-me um saco na cabeça para não ver as pessoas e bateram-me com uma espécie de tubos com rolos de papelão, além de me terem obrigado a ajoelhar sobre cinzeiros".

"Os polícias obrigaram-me a dizer que tinha caído das escadas!"

Porque é que não deram o mesmo tratamento ao casal McCann???

"Só não dissemos a verdade, que tinhamos VENDIDO a Joana, na altura, por medo", confessou a uma irmã, João Cipriano, preso na cadeia de Belas, que culpa Leonor pela venda de Joana."


Começa hoje em Faro o debate instrutório do processo instaurado pelo Ministério Público a cinco inspectores da Polícia Judiciária, que alegadamente agrediram Leonor Cipriano, mãe de Joana, a menina algarvia que desapareceu a 12 de Setembro de 2004
Até Junho, a juíza de instrução criminal do Tribunal de Faro, Ana Lúcia, deverá tomar uma decisão em relação ao processo instaurado pelo Ministério Público contra cinco inspectores da Polícia Judiciária (PJ) arguidos no "caso Joana" por suspeita da prática de crimes de agressões à mãe da criança, Leonor Cipriano, omissão de denúncia e falso testemunho.
O visado neste último caso é o inspector-chefe Gonçalo Amaral, na altura coordenador das investigações sobre o desaparecimento de Joana Cipriano, a 12 de Setembro de 2004, na aldeia da Figueira (Portimão) e dada como assassinada, em casa, pela própria mãe e por um tio (condenados a 16 anos de prisão após recurso no Supremo Tribunal de Justiça, que lhes reduziu a pena), apesar de o corpo nunca ter aparecido.

Hoje, a partir das 14.00 horas, terá lugar o debate instrutório no Tribunal de Faro sobre o processo do Ministério Público contra os inspectores da Judiciária, alguns pertencentes à Direcção Central de Combate ao Banditismo, em Lisboa. Todos os arguidos foram notificados para comparecer na sessão, tal como a queixosa das agressões, Leonor Cipriano, mas não é certo que estejam presentes, podendo ser representados pelos respectivos advogados.

No Estabelecimento Prisional de Odemira, onde está detida desde Setembro de 2004, Leonor Cipriano mantém "calmamente" a convicção, junto de familiares que a visitam, que "Joana está viva", tendo sido "vendida", como o DN já referiu. "Só não dissemos a verdade na altura por medo", terá confessado a uma irmã. João Cipriano, irmão, preso na cadeia de Belas, confirma esta versão, mas culpa Leonor pela venda de Joana.

Quanto às agressões de que se queixa por parte da PJ numa das deslocações à directoria de Faro, Leonor Cipriano contou à família que lhe "meteram um saco na cabeça para não ver as pessoas e bateram-lhe com uma espécie de tubos com rolos de papelão, além de a terem obrigado a ajoelhar-se sobre cinzeiros". Quando há cerca de um ano e meio esteve no Departamento de Investigação e Acção Penal, em Évora, para fazer o reconhecimento dos autores das agressões, não conseguiu identificá-los. "Mas como é que ela poderá dizer quem a agrediu se lhe taparam a cabeça para não ver as pessoas? Nem mesmo consegue agora dizer quem eram os polícias que estavam na sala quando ali entrou, já que passado todo este tempo, qualquer um pode mudar certos aspectos da sua fisionomia, como cabelo, barba. Já podem estar diferentes, pelo que tudo é mais difícil para ela", sublinhou ao DN Lurdes David, sogra de Leonor Cipriano.

Por outro lado, aquela familiar garante que a queixosa nunca lhe referiu qualquer tentativa de suicídio ao cair das escadas na PJ de Faro, como foi avançado por inspectores na altura. "Ela nunca falou em escadas", lembrou Lurdes David. Recorde-se que, em 2004, quando surgiram fotos de Leonor no jornal semanário Expresso com marcas de agressões no rosto e noutras partes do corpo, o seu companheiro, Leandro Silva, assegurou ao DN que ela lhe contara que a polícia a obrigara a dizer que tinha caído das escadas. O mesmo foi referido pela sogra de Leonor num depoimento prestado na altura na PJ. Contudo, o mesmo foi alterado sem o conhecimento dessa testemunha, que acabou por assinar dias depois um novo documento, desta vez no seu local de trabalho (uma sucateira perto de Portimão), sem o ler, como assegurou a própria ao nosso jornal. "Só depois é que percebi a asneira que tinha feito, mas já era tarde. O inspector já se tinha ido embora e eu estava farta de problemas", recordou Lurdes David.|

Publicado por JoaoTilly em fevereiro 11, 2008 08:15 AM
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