Perdoem-me os leitores, mas de vez em quando eu tenho que chamar a atenção de quem me lê para a indignidade que foi o caso Joana.
Da incompetência brutal da PJ, às agressões à desgraçada Leonor Cipriano estendidas ao atrasado do irmão e das quais ninguém duvida, até à imensa farsa que foi um inédito julgamento com juri - tipo: "daqui lavo as minhas mãos" - com as mesmas competências de juízes mas sem possuírem a mínima formação jurídica nem uma ideia aproximada do que é uma Lei nem como é que ela se articula nestes casos.
Os verdadeiros juizes, comprometidos por não terem matéria suficiente para condenar, lavaram nitidamente as mãos, escondendo-se atrás de um juri de miúdos a quem previamente se incutiu que aqueles dois desgraçlados eram culpados de uma morte que, até hoje, falta provar que existiu.
Pelo menos aqueles que conhecem exemplos dos métodos da PJ em Portugal sabem do que falo e sabem que aquele julgamento foi tudo menos normal.
Eu não sei se a Joana está viva.
Mas tenho a certeza absoluta que NINGUÉM na PJ, Ministério Público ou dos juízes e juri que os julgou, sabe ao certo se a criança está viva ou morta.
E por isso, aqueles dois desgraçados tinham que ser libertados imediatamente.
Fossem eles ricos e nem uma semana estariam presos, tal como aconteceu com o casal McCann.
Algém disto pode duvidar?
À nossa Joana - portuguesita e pobre - aconteceu o mesmo que à Maddie - inglesa e rica.
Desaparecerem as duas.
Uma foi dada como morta, e os tristes analfabetos dos pais, como criminosos.
Como nada se encontrou, acusaram-nos também de profanação e ocultação de cadáver cujos vestígios, entretanto, também nunca apareceram.
Seria um escândalo nacional perceber-se que a PJ não descobria rigorosamente nada...
À outra não foi possível dar este desfecho.
Os pais eram ricos, estrangeiros e influentes e não se lhes podia dar o tratamento das listas telefónicas, nas caves das esquadras, que tem sido denunciado em todo o mundo pela Amnistia Internacional, ano após ano.
Um tratamento bem português, herdado do fascismo.
João Cipriano, a cumprir pena de 16 anos e oito meses de prisão pelo homicídio, profanação e ocultação de cadáver da sua sobrinha Joana, afirma ter sido “espancado e torturado na PJ”, e só por isso confessou um crime “que não praticou” – nem ele “nem a irmã”, Leonor Cipriano.
Numa carta enviada ao Provedor da Justiça, Procurador-geral da República, Comissão dos Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República, Tribunal Constitucional e Supremo, a que o CM teve acesso, João garante nunca ter feito mal a Joana e pede “perdão” a Leonor (mãe da menina), por “não ter resistido às torturas e incriminações e assim, ter sido obrigado a dizer o que não fizemos”. Evoca as “fotos da cara e do corpo” de Leonor “e o estado em que a deixaram” depois das “sessões de tortura” e garante que também ele entrou “várias vezes na cadeia de Olhão, todo pisado e maltratado, com ferimentos, contusões e dores no corpo todo”. “Nunca tive a sorte de me levarem ao hospital, embora os guardas e o chefe da cadeia saberem e virem isso”, adianta.
“Chegaram-me mesmo a dizer: tu vais confessar tudo o que nós queremos e até o que não queremos. Tu e a tua irmã também, ou saem daqui para o manicómio ou sem conserto possível”, acusa João, que acrescenta ter sido obrigado “a indicar locais à toa” quanto ao paradeiro do corpo da menina: “Eu não sabia nada da Joana, nem fiz nada. Tinha de inventar, para não ser mais sovado e torturado, tal como a minha irmã Leonor também foi”. Além da “porrada”, João diz que chegou a ser obrigado a ajoelhar-se “sobre dois cinzeiros de vidro”.
Na carta, acusa o inspector da PJ Ribeiro Cristóvão – a quem apelida de ‘monstro’– de ser “o chefe dos torturadores” e diz que o livro por ele escrito – ‘A estrela de Joana’ – está “cheio de mentiras”. Congratulando-se pelo facto de o mesmo estar “a ser inquirido, com outros comparsas, pelo MP”, diz só temer “que isto venha a ficar abafado”.
Contactado pelo CM, Pereira Cristóvão disse “não ter nada a pronunciar” sobre as acusações de que é alvo por parte do tio de Joana, as quais, segundo fonte próxima do MP, terão levado já à abertura de um inquérito.
"OU FOI VENDIDA OU FOI RAPTADA"
“Tenho a certeza de que a Joana Guerreiro está viva e: ou foi vendida ou foi raptada!”, afirma na carta o tio de Joana, segundo o qual, “se os McCann fossem portugueses, já estavam presos, torturados, incriminados e condenados à força. Os irmãos (Leonor e João Cipriano) são pessoas pobres, modestas e portuguesas, sovadas e torturadas até ao limite das suas capacidades físicas e mentais, obrigadas a dizer o que não fizeram (para se arranjar culpados)”.
OUTROS DADOS
RESPOSTA
A Presidência da República, que recebeu a carta de João Cipriano a 19 de Novembro passado, respondeu esclarecendo não caber ao Presidente a apreciação do caso. Referiu, contudo, que os factos imputados aos agentes da PJ deverão “ser dados a conhecer ao Ministério Público”.
AGRESSÕES A LEONOR
A mãe de Joana diz também ter sido agredida nas instalações da PJ, em Faro, a 14 de Outubro de 2004, tendo sido coagida pelos inspectores a justificar os hematomas na face e corpo dizendo que caíra das escadas. O MP abriu processo contra cinco inspectores. O debate instrutório está marcado para dia 11 de Fevereiro. in CM.
Só num país fascista se condenam dois desgraçados por assassínio de uma criança sem que nunca nem o mais pequeno vestígio de alguma parte do corpo - incluindo sangue - da Joana tenha sido detectado.
Joana pode muito bem estar viva!
Entretanto, estes desgraçados cumprem penas de 18 anos de prisão por isso mesmo:
Por serem analfabetos e desgraçados.
E não poderem ter advogados à altura. Que são caros. Muito caros...
Portugal, 2008 dC.
João
Somos nós,cidadãos comuns,que devemos evitar que o caso fique esquecido e como está...pessoalmente sinto que há solidariedade quando textos como o seu são publicados, que vou divulgar no blogue dedicado à Joana, acho que não se importará
cupmts