Duas mortes estranhas em urgências hospitalares no mesmo dia
A morte de uma mulher, anteontem à noite, no Hospital de Vila Real, na sequência de um acidente no IP4, veio relançar o debate sobre a fiabilidade do Sistema de Triagem de Manchester nas urgências hospitalares. Julieta Gomes não apresentava ferimentos exteriores e “estava consciente e colaborante”, pelo que recebeu a cor amarela - terceira numa escala de gravidade com cinco cores e que implica atendimento em menos de uma hora. Uma hemorragia interna detectada duas horas após o acidente acabaria por lhe custar a vida já no bloco operatório. É o segundo caso noticiado em dois dias.
Enquanto não morrerem umas dúzias de desgraçados por não terem sido atendidos a tempo nas Urgências a rebentar pelas costuras e que agora ainda vão receber os doentes das outras urgências que o governo encerra todos os meses, a coisa não se compõe.
Se morrer um cigano ou um familiar de alguém que não seja um banana e faça mais alguma coisa do que encolher os ombros, a coisa resolve-se logo.
Um cigano será pouco provável, porque eles irrompem em bando pelas urgências dentro, às dezenas, sem esperar a sua vez, ameaçando os médicos e enfermeiros e, por isso, os seus doentes são os primeiros a ser vistos. Podem é morrer outros a quem estes tenham roubado a vez...
Mas, como ninguém reclama, acaba por estar tudo certo.
Vivam as ambulâncias a substituir urgências e, acima de tudo, viva uma única ambulância a "servir" 3 concelhos com 140 mil pessoas, como acontece agora com os concelhos de Anadia e vizinhos.
Quando uma ambulância está ocupada, o candidato ao próximo acidente, ataque cardíaco ou avc vai ter que fazer o favor de esperar 3 a 4 horas para os ter - e se tudo correr bem! - para que a ambulância volte a estar disponível.
A coisa, confessemo-lo, até está bem esgalhada.
Se virmos bem, com este novo sistema já não serão precisas mais ambulâncias nem urgências nem sistemas de suporte de vida para as emergências médicas.
Depois de meia dúzia de horas de espera, para que é que um paciente em estado crítico precisa de uma ambulância?

Ou seja: Correia de Campos descobriu, de facto, a pólvora.
Não serão as ambulâncias nem as Urgências superlotadas num país envelhecido (e atafulhado de reformados pobres, subnutridos, desidratados, desanimados, que passam mal todos os últimos dias das suas tristes vidas) que vão resolver os problemas da Saúde em Portugal.
Quem os vai resolver eficazmente é algo muito mais simples e prosaico: os cemitérios.
É a solução para morrermos mais rápido e assim, sermos menos a chatear a pedir a reforma, antes dos 65. Já não é necessária a "injecção atrás da orelha"....
Afixado por: ALOPES em janeiro 4, 2008 10:39 PMComentários para quê? É um governo de artistas portugueses ... mas de artistas manipuladores (que pensam que nos fazem as papas na cabeça), de artistas que intimidam (veja-se, por exemplo, o número de comentaristas neste blog tão visitado), de artistas em que toda a merda que fazem é sempre feita com o propósito de melhor servir a população (os outros é que estão a ver mal a coisa!).
Grande alternativa sairam estes pseudo-socialistas! Para isto uma qualquer comissão liquidatária servia.
Mas se os cortes são uma inevitabilidade, porque não cortar nas despesas militares, já que não estamos em guerra nem para lá caminhamos ??? Porque não cortar nas despesas ostentatórias das cimeiras, dos automóveis de luxo dos governantes e nas suas mordomias ??? E porquê esbanjar em TJVês e quejandos quando todos andamos aperreados???
Afixado por: JOSÉ ANTÓNIO em janeiro 4, 2008 11:32 PM
Sr Tilly, acho que vou imprimir o seu post e enviar emoldurado para o "carniceiro-mor". Não sei de quem é a obrigação de construir cemitérios, mas tenho a certeza de que o Correia de Campos, terá que ser chamado para verificar do tamanho, e dar o seu aval, pois ele é que tem feito engrossar a lista de "utentes"....Que País miserável em que nos tornamos!!!!!!. Apesar de não desejar a morte a ninguém gostaria que o sr.Correia de Campos sentisse na pele, por expl. ter algum familiar na Província, que depois de necessitar recorrer a uma urgência, tivesse que percorrer uma infinidade de kms, "por estradas sinuosas e impensáveis em pleno seculo XXI" e que sem recursos, tivesse que pagar do seu bolso esse transporte ainda que grande parte já sejam carros ultrapassadíssimos, e quando chegasse a essa urgencia lhe dessem uma pulseira amarela, e fosse desta para melhor.... De certo alteraria a medida tomada.
Afixado por: lurdes em janeiro 6, 2008 06:33 PM