dezembro 16, 2007

O governo mais à direita de que há memória...


Perfeitamente de acordo.
Alberto João acusou ontem Sócrates de fazer um discurso à esquerda mas a governar mais à direita do que qualquer outro governo conseguiu, em Portugal, desde o 25 de Abril.
Só os multimilionários estão satisfeitos com este governo, afirma.

Não sei se será bem assim.
Já ultrapassamos a fase em que este povo tinha uma mínima noção do que o rodeia.
Neste momento deparamos com uma sociedade arrebanhada, absolutamente desinformada, manipulada pela comunicação social controlada pela alta-finança que também controla o governo.
Uma visão Orwelliana?
Talvez. Mas uma visão real.
Já ninguém discute nada. Ninguém questiona coisa nenhuma a começar pela comunicação social.
Não se passa rigorosamente nada em Portugal.
Só faits-divers.

Um gigantesco manto negro de desinformação e de alienação tombou sobre a sociedade portuguesa, ela própria também a mais inculta da Europa e por isso mesmo habitat ideal para os predadores de consciências se poderem banquetear com este esvaziamento progressivo de lucidez e da réstea de espírito crítico que ainda restava ao povo.

Hoje está estabelecido que o que se diz nas televisões, controladas pelo governo, é a única verdade; e mesmo quando as instâncias internacionais vêm negar a propaganda oficial, logo os locutores de continuidade promovidos a jornalistas desdramatizam com o axioma: Sócrates desdramatiza.

Está o problema resolvido.
Já não somos os mais estúpidos, doentes e pobres da Europa, tal como afirma a OCDE, porque "Sócrates desdramatiza" respondendo que esses números não são os reais.

Pois não!
Mas quais serão os números reais?
Se metade da criminalidade, da pobreza e da miséria vivem encobertas?
Os números internacionais da nossa desgraça e do nosso subdesenvolvimento só não são reais porque deveriam ser o dobro ou o triplo!

Por exemplo, nas escolas básicas: se se cumprisse e se exigisse o que está estabelecido nos programas, em vez de apenas chumbarem 10% reprovavam 85%!
Digo mais: qualquer aluno que faça o 9º ano com média de 3 a Língua Portuguesa é analfabeto funcional.
Sou eu que o afirmo e guardo todas as provas para mais tarde o demonstrar.
Há dias, numa turma do 8º ano, ninguém - repito - nem um único aluno sabia conjugar o presente do indicativo do verbo HAVER - apenas o verbo que mais se usa na nossa Língua, segundo os entendidos na matéria.
E metade deles escreve sem h.

E TODOS VÃO PASSAR NO EXAME DE LÍNGUA PORTUGUESA, mas 85% deles vão chumbar a matemática porque nem sequer conseguem interpretar os textos para poderem perceber os problemas que lhes são colocados, envolvidos que têm sido em textos de 4 e 5 parágrafos com orações intercalares de permeio...

É isto o que tem acontecido e eu não me canso de o denunciar.

Um facilitismo CRIMINOSO nos exames do 9º ano a Língua Portuguesa e um grau de dificuldade interpretativa meticulosamente inserido nos textos dos exames de matemática, a fim de separar, nesta fase, os professores de matemática dos restantes.
A seguir lançarão este labéu da incompetência sobre os professores de Ciências, Fisico-quimica, e demais disciplinas.

Nos de Língua Portuguesa nunca o poderão fazer porque isso seria mostrar ao mundo que os nossos jovens são analfabetos.
E eles são-no, de facto!
Mais analfabetos funcionais do que em qualquer outro momento anterior. E a culpa é do facilitismo do sistema. Não é dos professores de Português que vêem, com grande surpresa, os seus piores alunos passarem sem dificuldade nos exames nacionais.

A culpa é do facilitismo cirúrgico do sistema, repito.
A uns professores nada se exige enquanto a outros - os de matemática, para já - se exige o impossível: que os alunos saibam interpretar textos longuíssimos que escondem intrincadamente, no seu seio, problemas de grau de dificuldade normal, de facto.
E a esmagadora maioria dos alunos SABE resolver aqueles problemas. Só não PERCEBE o que se lhes pergunta, dada a forma retorcida e propositadamente dificultada como as questões são colocadas.

Eu disse isso à ministra, no programa Prós e Prós.
Hoje sou secundado por centenas de colegas que vêm defender aquilo para que eu chamei a atenção: se quiserem saber se os alunos aprenderam matemática, façam-lhes exames de matemática. Só.
Se apenas pretendem baralhar as cabeças dos portugueses continuem assim: façam-lhes exames chamados de matemática que são, de facto, de interpretação de textos a 75%.
E de matemática - após a interpretação - a 25%.
E concluirão... nada.

Mas eles também não são sérios nem querem concluir coisa nenhuma.
Querem é dividir os professores para poderem expulsar metade deles daqui a poucos anos.
Esse é que é o objectivo deste governo.
Não é nenhum outro.

Mas vamos então ver o que o povão dirá em 2009.
Eu tenho para mim que quanto mais se escravizar este povo auto-demitido dos seus direitos mais ele adorará e respeitará quem o escraviza.
Ia fazer um paralelo com os animais domésticos, mas fico-me por aqui.
Quem tem cães, ovelhas ou vacas sabe ao que me refiro...

Publicado por JoaoTilly em dezembro 16, 2007 01:03 PM
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