Numa semana escrevi apenas duas coisas.
É um record minimo absoluto e deve-se a dois factores:
Primeiro porque ando muito ocupado (fora a vida escolar, claro) com o projecto da publicidade institucional nos cinemas.
Todas as câmaras municipais contactadas deram luz verde ao projecto que consideraram muito interessante e útil para o esclarecimento das populações, no que à publicidade institucional diz respeito, e agora há que instalar os equipamentos e produzir os filmes comerciais. Estou nessa fase experimental.
E depois porque deixou de haver factos novos. Ou, pelo menos, notícias verdadeiramente novas.
O que há é o que já havia, repetido no dia a dia.
Vou, ainda assim, debruçar-me sobre 4 pontos que trouxeram alguma vitalidade a este país definitivamente desmaiado, amorfo e resignado ao que parece ser o seu destino fatal: o de se reduzir ao condado inicial a breve trecho.
1º - A Greve Geral da Função Pública do próximo dia 30.
A última foi um fracasso. Esta será melhor, mas não muito melhor.
Os professores simplesmente amocham a tudo e não fazem greve. Logo aí a coisa esvazia-se pela base. Quem mais razão tem para a fazer é quem a não fará. Se, na minha escola, fizermos 4, já haverá um aumento significativo de 33% relativamente à ultima...
Escolas haverá que não abrem, não por alguma generalizada adesão à greve por parte dos professores, mas sim dos funcionários.
A verdade tem que ser dita: 5 funcionários fecham uma escola. 30 professores não conseguem.
No resto, fecharão repartições de finanças, algumas (poucas) câmaras municipais, não haverá recolha de lixo nem transportes em Lisboa e por aí ficaremos.
Deus queira que me engane, mas já não reconheço a este povo a capacidade de raciocinar e de pesar as consequências dos seus actos.
Os professores vão valorizar os 30 ou 40 euros que perdem se fizerem greve e esse elemento será determinante para uma decisão que deveria ser estritamente baseada na consciência cívica de cada um.
30 euros valem mais, portanto, que a consciência cívica dos professores!
Veja-se bem se a ministra não acaba por ter razão quando nos trata como bichos!...
Por outro lado, com o nível inexplicável de endividamento das famílias, quem é que poderá - mesmo já esquecendo os desgraçados e pobres professores - dar-se ao luxo de perder 1 dia ou 2, no caso de um casal?
Poucos.
Tudo continuará, portanto, na mesma.
Infelizmente.
O sinal não será dado ao governo que nos continuará a espezinhar cada vez com mais força até conseguir que a maioria se despeça ou entre em depressões por problemas psiquiátricos, o que levará ao novo estatuto da mobilidade especial e ao consequente despedimento ao fim de 3 anos.
Está, de facto, tudo pensado...
Os professores que não tenham uma fonte de rendimento externa ou que não saibam fazer mais nada na vida estão tramados porque nem sequer conseguem ver a gigantesca guilhotina onde lhes estão a enfiar a cabeça.
Um claro problema de visão e de informação, porque esta continua a ser, paradoxalmente, a classe profissional mais mal informada e a que mais se recusa a informar-se.
As reuniões sindicais do sindicato mais representativo consegue, na minha escola, a atenção de 6 a 7 professores!
Metade deles não sindicalizados.
E depois, quando se informam, não acreditam....
2º - O Inspector Geral da Administração Pública, Clemente Lima, arrasa a PSP e a GNR.
Afirma textualmente que os agentes se comportam como os cow-boys dos filmes americanos, conota-os como atrasadinhos e acusa-os de serem absolutamente incompetentes.
Não há reacção na sociedade civil...
Por ter dito um décimo disso - apenas por ter demonstrado a incompetência do comando da GNR de Seia na ocasião de uma rusga local previamente anunciada, os elementos da GNR local - motivados por um advogado que queria lucrar com o "negócio" - levantaram-me 32 processos que acabaram por ser arquivados ainda em fase de inquérito.
Então e não haverá ninguém que se proponha fazer o mesmo a Clemente Lima?
Recolhia as assinaturas de 60 mil agentes e propunha ao comando da GNR e da PSP o mesmo negócio: um x por cada indemnização que Clemente Lima seria condenado a pagar a cada um dos agentes pelo crime de difamação...
Porque é que não passa pela cabeça de nenhum advogadozeco alucinado fazer a Clemente Lima o mesmo que me tentaram fazer a mim?
Porque ele - enquanto "lá estiver" - é muito poderoso... e virava-se o bico ao prego, não era?
Mas então, se ninguém na GNR e na PSP o processar, isso significa que todos os agentes concordam e aceitam que são incompetentes e que são todos um arremedo de cow-boys retardados (com 200 anos de atraso relativamente aos reais) de meia tigela!
Juro que me farto de rir com tanta estupidez junta!....
3º - Federação Portuguesa de Esqui vai para a Covilhã.
Não há escândalo nisso. A Covilhã tem tudo, 6 hotéis, todos os serviços, todas as condições para a prática do esqui, excepto dois pequenos pormenores: a neve e as pistas de esqui.
Tirando essa insignificância, a Covilhã tem tudo para ser a capital da neve que nós tentámos ser há anos (a avaliar pelas placas colocadas nas estradas nos anos 90) e não conseguimos.
Eles, sem neve e sem pistas, conseguiram tudo aquilo que nós (com neve e pistas) não conseguimos.
Somos, em Seia, tão competentes como a GNR e a PSP para Clemente Lima, e como a Judiciária para a polícia e parlamento ingleses.
Mas independentemente disso, a neve está e continua no nosso concelho de SEIA, que mais uma vez perde para a Covilhã.
Mas é que nem Seia é tida ou achada para nenhum assunto, nem nela se fala em nenhuma reportagem sobre este (ou outro) assunto relacionado com a Serra da Estrela.
ostracismo completo.
Seia já não existe na Serra. Tem o que de melhor a Serra pode oferecer, mas não existe!
Foi apagada da memória dos Homens e das Instituições Portuguesas no sec 21!
E - dizia eu - se hoje é perfeitamente natural aceitar-se isso, aqui há 6 anos, quando comecei a escrever sobre este assunto da atribuição mediática de tudo quanto se refere à Serra das Estrela à cidade da Covilhã, talvez fosse possível desviar este fluxo de um só sentido...
Hoje já ninguém questiona o protagonismo quase monopolizante da Covilhã em tudo o que se refere à Serra da Estrela.
Covilhã cresceu, engordou, adquiriu um peso esmagador e atingiu um nível de reconhecimento e de referência nacional e até internacional que são, hoje, incontornáveis.
A culpa do nosso esquecimento não pode apenas ser atribuída à inépcia da nosso executivo camarário. Se bem que podia ter feito muito mais e melhor, a verdade é que a sociedade civil também não quer saber da serra nem do turismo para nada.
Essa é que é essa.
E os que querem fazer alguma coisa e têm ideias exequíveis são apontados como doidinhos, lunáticos, etc.
Há quem afirme que é por isso que "as pessoas válidas se vão embora e deixam isto entregue aos bichos".
Há um familiar meu que não pára de me dizer que aqui só ficou o refugo. Mas eu não me considero refugo e pergunto: Será mesmo que só aqui ficaram os grunhos? Será que as pessoas válidas foram TODAS para as cidades ganhar a vida?
Não acredito.
Há-de haver aqui alguém que não pense só em desenrascar-se na vida o mais depressa possível e que queira trabalhar em prol da melhoria das condições de vida deste concelho que tem TUDO - REPITO! - ABSOLUTAMENTE TUDO para vir novamente a ser um Concelho florescente, como o foi nos anos 60 e 70, e está cada vez mais triste, pobre e desertificado.
Para os lados da Covilhã, que também empobreceu rapidamente com o fecho em catadupa das indústrias de lanifícios, a reconstrução deu-se fruto de muito e bom trabalho. Foram muitos anos a trabalhar com a comunicação social enquanto nós estivemos os mesmos anos a "trabalhar" parados.
Ganhou-se o turismo que se roubou, em grande parte, a Seia, porque há 15 anos não havia A23. O turismo, antes, passava todo por Seia e a Covilhã era o "outro lado" da Serra.
Hoje somos nós "o outro lado" que nem sequer existe.
Já nem dele se fala em lado nenhum...
Na Covilhã, a estratégia foi bem conseguida: primeiro roubou-se o turismo ao lado de cá da serra. Começou a aparecer gente nova. Atrás dela, apareceu investimento. Apareceram os Hotéis. O Comércio. Os Serviços.
Depois de haver movimento apareceu a Universidade e a Faculdade de Medicina. A Vida foi reaparecendo e, hoje, a Covilhã constitui-se como a única potência da Serra, embora os seus acessos ao maciço central sejam bem piores que os nossos, sobretudo para autocarros, que é uma grande componente turística nomeadamente no que se refere ao turismo sénior nacional e internacional.
A vida foi, assim, devolvida a uma cidade que se anunciava como morta nos meados dos anos 80.
Eu, por exemplo, todos os dias recebo emails a pedirem-me indicações sobre alojamentos na Serra e todos se referem à Covilhã.
As pessoas já vêm pré-direccionadas, pelo peso do mediatismo continuado, para a Covilhã. Eu lá tento desviar-lhes a trajectória trazendo-as para aqui e, em alguns casos, até consigo.
Mas depois também não temos resposta para dar em termos de qualidade de alojamentos e de programas turísticos ou de lazer. E se temos tanta coisa para ver, por aqui!.....
Não há, hoje, a pouco mais de um mês do fim de ano, um único programa de animação em Seia inteira para o Reveillon!
Quem quiser vir passar o ano a Seia fica fechado no apartamento?
É que se quiserem saber o que vai haver na Covilhã é só ir à net...
Seia encontra-se já no mesmo estado pré-mórbido que Gouveia.
Só a escala é que é maior. Aqui ainda vivem 8 mil pessoas enquanto que em Gouveia vive menos de metade.
Mas, dentro em breve, com a fuga de todos os jovens para as cidades, Seia ficará exactamente como Gouveia se nada continuar a ser feito em termos de promoção turística, quer pelo executivo, quer pela sociedade civil.
Eu tenho 2 projectos para informação e animação turistica do concelho, mas não posso fazer tudo sozinho.
As pessoas válidas que conheço têm todas uma vida muito ocupada que não lhes permite meterem-se em mais nada.
Por isso.... colaboradores e investidores, precisam-se!...
Porque ideias tenho-as eu!
4 -Cavaco, o Escandalizado: «Porque é que não nascem mais crianças em Gouveia?»
A desertificação que ontem tanto chocou Cavaco em Gouveia - na inauguração de mais um museu local - está patente em todo o lado e há anos.
Mas os políticos profissionais que temos só se dão conta do que se passa no interior quando andam em campanha... e, muitos deles, nem aí.
Cavaco, agora escandalizado ao perceber aquilo que todos nós sabemos há anos, não nos deve perguntar a nós porque é que não nascem mais crianças no interior...
O agora escandalizado deve perguntar é a Sócrates porque é que ele promove e subsidia cegamente o aborto proporcionando-o gratuitamente em todo o lado, enquanto dificulta o que de mais maravilhoso existe neste planeta: o Evento da Vida.
Foi Cavaco, agora escandalizado, quem promulgou a lei dos Matadouros Pré-Natais há poucos meses.
E tem agora a lata de vir perguntar ao povo «porque é que não nascem mais crianças no interior?»
Cavaco está a brincar com quem?
Mas como podem nascer mais crianças num país destes? Com que meios?
Em que condições?
Cavaco, o Escandalizado, tem a noção, ao menos, de que a esmagadora maioria das crianças que nasceram em Portugal (provavelmente ele incluído!) nunca foram planeadas mas resultaram naturalmente de "acasos" que as pessoas acabaram por aceitar naturalmente?
Só os pais que as não queriam ter é que tinham que enfrentar uma saga horrível pela frente. E muitos desistiam no percurso, acabando por aceitar tê-las.
Foi assim que quase todos nós nascemos.
Sabia isso Cavaco, o Escandalizado com os seus próprios actos?
Não deve saber.
Deve pensar que os agricultores, pais da maioria da classe política que temos, planearam cuidadosamente pelo método de Ogino-Knauss o nascimento de tais cavalgaduras que nos representam...
Bem. E agora?
Agora não é preciso andar às escondidas nem pagar balúrdios a uma parteira de vão de escada para se fazer um aborto, graças, acima de tudo, a Cavaco, o subitamente escandalizado.
Graças essencialmente a si, porque o referendo não foi vinculativo, agora toda a gente pode assassinar crianças à borla!
Mas para as ter tem que pagar! E muito! E toda a vida!
Ficou escandalizado, Cavaco, tal como "largos sectores da sociedade civil mais informada", mas eu aviso já que ando a passar-me com tanto hipócrita que faz as coisas conscientemente e depois vem para a comunicação social muito escandalizado com as consequências do que ele próprio fez.
Como se não fosse nada com eles...
Corja!
Fechar maternidades complicando a vida a quem quer dar Vida ao mundo enquanto se disponibilizam salas de chuto para os sidosos poderem continuar a propagar a sua doença por muita gente e por muitos anos;
e abrirem-se matadouros pré-natais de luxo pagos com os nossos impostos é capaz de não ser a melhor forma de se conseguir a perpetuação deste povo, digo eu...
Mas olhem: se querem a minha opinião sincera, atendendo ao estado da Nação, ao nível cultural e de desenvolvimento civilizacional dos adultos do interior e à categoria dos encarregados de educação com quem se lida... se calhar vale mais mesmo parar por aqui e esperar mais uma geração ou duas.
Pode ser que lá para 2050 as coisas estejam melhores e os poucos pais que nessa altura existam tenham sido bafejados com uns gramas de inteligência para os poderem replicar nos filhos.
Porque estes de agora, meus caros, só podem replicar é toneladas e toneladas de estupidez genuína.
Sócras, lá no fundo, é capaz de ter as suas razões.
Caro colega:
Excelente retrato da nação você fez neste artigo:
Oxalá que Belém e São Bento leiam o seu blog e se o fizerem, que tenham vergonha na cara.
Concordo plenamente com o ponto 4.
Afixado por: João Vasco em novembro 25, 2007 04:14 PMEstou de acôrdo com o Senhor sobre a SERRA da ESTRÊLA, e eu digo mais, como é que, uma cidade da BEIRA BAIXA, se apodéra da SERRA DA ESTÊLA,que afinal tôda éla é BEIRA ALTA. GOUVEIA,MANTEIGAS e SEIA já nada têm a vêr com a B EIRA ALTA, e já agora ponham a CAPITAL na COVILHÃ e retirem-na a CIDADE DE VISEU. Pelos vistos este govêrno tem poderes para isso, um dia isso vai acontecer.
Afixado por: Serrano em novembro 27, 2007 11:55 AM