novembro 15, 2007

Rankings das Escolas

Tive ocasião, ontem, no Conselho Pedagógico da Escola Secundária de Seia, de chamar a atenção para a sistematica desvalorização que o corpo docente daquela escola (ou pelos menos os seus representantes) tem atribuído aos sucessivos rankings anuais que têm sido publicados nos vários órgãos de comunicação social, e nos quais a escola secundária, desde 2002, tem vindo a descer de forma muito acentuada.
Desde uma nota média de 10,72 e uma posição média (276) em 2002, a Escola tem vindo progressivamente a ser ultrapassada por dezenas de outras escolas congéneres, a ponto de, neste momento, apresentar uma nota média nos exames nacionais de 8,58 e ocupar o lugar nr 440. Em 500...
Estamos, perigosamente, a entrar na cauda da tabela de todas as escolas secundárias nacionais.
E este facto - porque de um facto se trata e não de uma sondagem ou conjectura - deve preocupar-nos a todos: comunidade escolar e sociedade civil, porquanto, ao contrário do que alguns ainda afirmam para desvalorizar este ranking, ele não é nada subjectivo. É o mais objectivo que se pode imaginar porque trata dos resultados de exames a todas as disciplinas da Escola.

No Ensino básico, ao contrário, o "ranking" das escolas tem a ver apenas com as disciplinas de Português e Matemática ou mais propriamente "interpretação de textos aplicada à matemática", como eu gosto de identificar os exames que têm sido elaborados a uma disciplina que devia ser científica e que afinal - vai-se a ver - chegam a ter mais caracteres que os de Língua Portuguesa...
No Ensino básico ninguém avalia outras disciplinas para além daquelas 2 a que os alunos fazem exames. O ranking não é, pois, significativo de toda a aprendizagem e da qualidade de cada Escola.
Mas, no ensino secundário, assim não é.

Portanto, se todas as disciplinas são avaliadas, não se imagina método mais seguro do que este para aferir da convergência efectiva de cada escola às orientações pedagógicas do ME, quer delas se discorde muito ou pouco. Ou nada.
Enquanto funcionários do ME, os professores têm que cumprir os programas aprovados e têm que se esforçar ao máximo para que os alunos aprendam o que neles se ensina.
É tão simples como isso.
E não duvido que é isso, na esmagadora maioria dos casos, que acontece.
No entanto, o que se verifica é que os alunos da Escola Secundária de Seia não mostram atingir, em média, o que deles se espera e exige. A sua nota média é negativa nos exames nacionais. E tem vindo quase sempre a decrescer.
Não há que desvalorizar o ranking. Ele é um facto e provavelmente o único indicador da qualidade do trabalho da Escola.

Atenuantes para esta situação negativa há quantas queiramos.
Desde um concelho empobrecido e a desertificar a uma velocidade inimaginável ainda há pouco tempo atrás, até à sua grande extensão - há alunos que fazem dezenas de quilometros para chegar à escola secundária e voltar para suas casas diariamente - até ao facto de muitos deles serem "ajudados" com nota 10 para poderem ir a exame e não "se lhes cortar as pernas", sendo certo que a esmagadora maioria deles chumbarão, enfim...
Uma panóplia de argumentos se pode ir buscar para justificar esta nota e classificação muito negativas no ranking.

A verdade é que a culpa não é - nunca pode ser - de um só factor.
Esta é a única coisa que é certa.
Nem só dos alunos, que se desinteressam do estudo porque não vêm saídas profissionais, nem só da extensão e pobreza do concelho, nem só das "ajudas" dos professores para levar a exame quem não mereceria.
A culpa é, por certo, de tudo isto somado.

E o que fazer?
O primeiro passo é exactamente o que foi dado ontem no CP:
A consciencialização do corpo docente para a evidência de que algo está, de facto, a correr mal.

É o primeiro passo.
A Associação de Pais pede a toda a comunidade escolar que reflita sobre esta situação e não continue, como até aqui, a desvalorizá-la sistematicamente.

O diagnóstico é o primeiro passo para debelar este problema que se mostra crescente no que à nossa escola diz respeito. A seguir tratar-se-á de encontrar estratégias de remediação.

Uma coisa é certa:
Algo tem que ser feito - e urgentemente - sob pena de, para o próximo ano, a nossa secundária incluir a tabela das 10 ou 20 escolas menos cotadas do país.

Estamos - Associação de Pais e eu, pessoalmente - disponiveis e muito empenhados para contribuir para esse debate alargado e urgente, que diz respeito a todos os senenses.

Publicado por JoaoTilly em novembro 15, 2007 07:47 AM
Comentários

A posição vale o que vale. A nota média é que é, certamente, motivo de maior preocupação. E, se essa média se vai acentuando negativamente, aí a preocupação vai tomando contornos cada vez mais assustadores.

Afixado por: Ferr em novembro 18, 2007 01:48 AM

A menos cotada do país (ou das menos cotadas) está a cerca de 105 km de distância, no mesmo distrito? Coincidência?

Afixado por: Filipe Cartaxo em novembro 24, 2007 06:39 PM
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