novembro 07, 2007

Estatuto do aluno é (mais) um insulto para quem ensina

Ao "obrigar" dos professores a passarem os alunos que se recusam a aprender já estavamos todos habituados.
Ai do professor que chumbe um cábula: não progride na carreira, passa o verão a produzir relatórios justificativos e o ano seguinte com um inspector à perna.
Mas agora o requinte de malvadez da ministra vai mais longe:
O aluno passa mesmo que não vá às aulas.
Basta que realize uma qualquer prova de recuperação e toca a andar.
Quer dizer: obriga-se o professor a trabalhar mais, porque o aluno decide faltar às aulas!
Se o professor não quiser ter chatices para o resto da vida, tem que lhe fazer uma prova em que se pergunte o nome do cábula e pouco mais.
Mas não se pense que a perfídia e o insulto à inteligência dos professores acaba aqui: nada disso!

Se o aluno se recusar a fazer essa prova (feita para ele passar), ou se por algum motivo - não descortinável por ninguém em seu perfeito juízo - ele chumbar nessa prova, continua a não haver problema.

«o Conselho de Turma ponderará a justificação das faltas, determinando um plano de acompanhamento especial e a realização de uma nova prova»!!!!
À qual o cábula pode continuar a faltar.
Mas que o professor tem que produzir.


Palhaçada maior do que esta é, realmente, impensável.
O objectivo é claro:
Ir progressivamente esvaziando a autonomia para avaliar do professor.
Pretende-se fazer do professor um miseravel manga-de-alpaca que "pega" às 8:30 e "despega" às 5:30.
Não é preciso - nem desejável, pelos vistos - que ensine nada a ninguém.
Mas mesmo que o professor tenha esse mau feitio de querer ensinar alguma coisinha a quem não quer aprender (e ganha agora o apoio do Estado para manter essa atitude), é forçoso que não avalie o que ensinou.

É absolutamente fundamental que todos os alunos passem de ano, mesmo que não saibam ler nem escrever o seu próprio nome, que é para que Portugal «se possa aproximar» dos países mais desenvolvidos da europa, que têm como escolaridade mínima obrigatória o 12º ano, há já muitos anos.

Como a Letónia, a Bulgária, a Ucrânia, a Bielorrússia...

Publicado por JoaoTilly em novembro 7, 2007 08:59 AM
Comentários

Caro João Tilly,

Não poderia estar mais de acordo com esta sua opinião.


Com estima,


João

Afixado por: João Carreira em novembro 7, 2007 06:29 PM

É uma vergonha.. só quem não tem qualquer noção da realidade pode pensar assim...

Não há mais ninguém para Ministro?

Afixado por: Antonio em novembro 8, 2007 01:26 AM

"Não há mais ninguém para Ministro?"

Não é nada pessoal mas, PORQUÊ?
Os anteriores eram melhores?

Afixado por: Bikerdude em novembro 8, 2007 10:04 AM

Não, não é pelo exemplo dos anteriores...é que há especialistas em educação e 9 milhões de portugueses... deverá haver alguém... ou somos todos uns trancos?

Afixado por: Antonio em novembro 8, 2007 09:48 PM

Qualquer um dos dos anteriores, por muito mau que fosse, sempre foi melhor do que esta senhora. Ao menos, nunca nenhum deles afrontou nem desprestigiou a classe docente como tem acontecido com este governo.

Afixado por: Rui em novembro 10, 2007 01:41 AM
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