As reacções do "feudo de condes, viscondes e marqueses" à entrevista de Pinto Monteiro não se fez esperar. Entre os magistrados do Ministério Público pede-se a demissão do procurador-geral da República, posição partilhada também por vários inspectores da Polícia Judiciária e juízes.
Em causa, a entrevista de Pinto Monteiro ao Sol, em que admite poder ter o seu telemóvel sob escuta e onde acusa o MP de ser um "feudo de condes, viscondes e marqueses", acrescentando não garantir que a PJ não ande em "roda livre".
"Sobre quem o PGR quis lançar suspeitas? Pergunta um magistrado anónimo ao DN: Sobre os juízes, sobre os magistrados do MP, sobre o órgão de polícia criminal ou sobre uma qualquer entidade dependente do poder político?
E eu respondo: SOBRE TODOS!
Para o PGR, o MP, na prática, não cumpre a lei porque não respeita a estrutura hierárquica que o define.
"O MP é um poder feudal de condes, viscondes, marqueses e duques", disse Pinto Monteiro.
Sobre as intercepções, afirmou: "Eu próprio tenho muitas dúvidas de que não tenha telefones sob escuta. Às vezes faz uns barulhos esquisitos."
Interpelado sobre se consegue assegurar, como titular da acção penal, que as polícias não andam em roda livre, disse:
"Não, não consigo garantir. Não tenho controlo sobre elas." Juízes, magistrados do MP e polícias serão os que ainda permanecem fora do controlo do PGR, ou seja: toda a gente!
Classificando "a falsa modéstia a pior das vaidades", afirmou, referindo-se à sua nomeação: "Considero que fizeram uma boa escolha, pois sempre fui um bom juiz e um homem que nunca teve medo de ninguém."
Vamos ver quanto tempo mais Sócras o deixa continuar assim.
«Desde que tomei posse está tudo a mexer. Os grandes bancos estão a ser investigados. Não há distinção entre ricos e pobres. Ninguém dorme com o sentimento de que é impune», afirmava o Procurador-Geral da República no mensário sabugalense «Cinco Quinas» em Maio deste ano
Ao jornal, Fernando Pinto Monteiro, Procurador-Geral da República, concedeu uma entrevista em Maio deste ano em Badamalos, freguesia sabugalense onde tem casa e onde vem três vezes por ano retemperar forças.
«Aqui em Badamalos trato do meu jardim. As pessoas conhecem-me e eu conheço-as a todas. Há uma ligação muito forte. Nunca na minha vida distingui entre pessoas ricas ou pobres. Penso que até tenha sido isso que mais pesou para que me convidassem para Procurador», disse o Juiz Conselheiro, acrescentando «orgulho-me de estar tudo a mexer e as pessoas sabem que nem o Procurador-Geral nem os serviços da Procuradoria fazem a distinção entre poderosos e fracos, tudo é investigado e isso é bom porque não há ninguém impune em Portugal».
Fernando Pinto Monteiro, natural de Porto de Ovelha, concelho de Almeida, gosta da Beira e das suas gentes, sentindo-se bem entre a população que conhece. Falou do tempo da sua infância dividida entre a terra natal e o Sabugal, vila raiana onde os pais se instalaram quando tinha quatro anos de idade.
Questionado sobre a desertificação da Beira Interior e em especial do Sabugal, Pinto Monteiro disse não ter a mania das receitas mágicas mas sempre foi dizendo que a solução pode passar por pequenas indústrias familiares que produzam os bons queijos e os excelentes enchidos da região sabugalense. «E o turismo rural? As pessoas estão a ficar cansadas da praia e começam a procurar o turismo de habitação rural. Tem que se promover este silêncio, esta paz, este ar puro» sugeriu este beirão que apesar de ocupar um dos mais altos cargos do País continua fiel às suas origens.
Meu Caro, Se o procurador actual fosse portador do nome Souto Moura, gostaria muito de assistir às reacções da inteligência - jornalistas, classe política em geral, PS em particular e blogers...O que agora são gestos de coragem e de alguèm "com eles no sítio e sem medo de ninguém", rapidamente seriam interpretados como vindos de alguém desabrido, que não resistia a um microfone, fraco, sem a reserva que o lugar exige,sem capacidade de comunicação...enfim, seria apresentado como um verdadeiro xoné...Pois é, mudam-se os tempos....Volta Souto, começas a estar perdoado!
Sempre a considerá-lo, Paulo
Caro João Tilly,
O Senhor Conselheiro Pinto Moteiro é uma jóia de pessoa. Franco, amigo de seu amigo, inteligentissímo, profundamente humilde, culto e apreciador de uma boa morcela da nossa terra. Para além disso, foi um dos melhores mestres e é uns dos meus melhores amigos. Não conheço ninguém que tenha tantos admiradores e amigos como o Senhor Conselheiro. Marca qualquer pessoa que o conheça e em 10 minutos, nunca mais se esquece o nosso nome e de qualquer aspecto da conversa ou assunto com ele debatido.
...No entanto, não lhe invejo o cargo, a herança e as companhias políticas, mesmo sabendo que é uma pessoa competente e independente a 100%.
Com estima e admiração,
João Carreira
Afixado por: João Carreira em outubro 23, 2007 06:29 PM