setembro 26, 2007

O PSD em processo de auto-flagelação

Este inacreditável espectáculo que está a desenrolar-se no seio do PSD vai ter consequências nefastas para Portugal.
A mensagem que está a passar para a opinião pública é a de que se recorre a tudo, incluindo a manobras anti-democráticas da maior gravidade, para se vencerem as eleições internas na secretaria.
Nada pode ser pior do que isto.
Depois do debate fratricida na Sic Notícias que apenas serviu (e também com esse objectivo foi promovido, não sejamos ingénuos...) para lavar roupa suja - e que terá feito Sócrates esfregar as mãos de contente - agora este episódio macabro das acusações de falta de democracia interna é absolutamente terminal para o partido.
Não me parece que os portugueses, durante os próximos anos (a memória política é curta, mas também não será tão curta assim...), venham a acreditar num partido que faz isto a si próprio: que destrói, em horas apenas, toda a credibilidade democrática que demorou 33 anos a construir.

«Quem faz isto a si próprio, o que fará a Portugal?
Quem tem este sentido de Democracia interna, como poderá pretender convencer os democratas para a bondade do seu projecto?»
Serão estas as ideias-força que os socialistas brandirão a partir de agora.

E de quem é a culpa?
Terá Luis Filipe Menezes razão nas suas denúncias?

Mesmo que a tenha, Menezes contribuiu decisivamente para o desmembramento fatal do partido.
Porque tinha que ter em atenção o seguinte:
O que é, aqui, o mais importante? Vencer umas eleições para presidente do PSD, ou a subsistência do PSD ele próprio enquanto alternativa democrática e credível ao poder socialista instituído?

Parece-me nitidamente um erro estratégico da maior gravidade.
Não consigo antecipar as consequências destes actos.
Mesmo que fossem totalmente verdadeiras todas as suas acusações, Menezes nunca deveria ter feito explodir esta verdadeira bomba atómica que são as suas denúncias públicas e as ameaças de recurso a Tribunal, dentro do seu partido.
Devia optar por desistir da corrida, se via que as condições não eram as ideais, e esperar pela sua oportunidade.
Entretanto, inteligentemente, podia aproveitar para trabalhar internamente no sentido de clarificar e desarmadilhar o futuro processo eleitoral.


Um Partido necessita de credibilidade social quanto à clareza dos seus procedimentos e quanto à transparência da sua vida democrática.
O PSD - temo bem - ao fazer detonar a granada à sua própria cintura, acaba de as comprometer irremediavelmente para os próximos anos.

Publicado por JoaoTilly em setembro 26, 2007 11:17 AM
Comentários

Sou social democrata desde 74 aprendi com Sá Carneiro que "a política sem ética é uma vergonha" desloquei-me hoje 300km para votar em branco porque me apetecia votar contra esta vergonha que se tornou o vale tudo para chegar ou manter o poder.Que pena tive de não ver mais votos de protesto.Finalmente teremos um governo e uma oposição que se regem pelos mesmos principios (ou pela falta deles...)!!!!!!

Afixado por: F. Júlio em setembro 29, 2007 01:40 AM
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