Nas últimas 2 semanas, o mais desatento teve a oportunidade de contactar directamente com a evidência do fosso que cada vez mais se cava entre este pequeno país e o que se passa na Europa, ao contrário do que alguns ministros nos vendem na comunicação social.
E assim verificamos que o Pingo Doce paga fortunas em anúncios televisivos desculpando-se por ter que aumentar o preço do leite, porque ele subiu no produtor.
Mas vai subir mais. O leite vai ter que subir mais 10% por imperativos comunitários, segundo as Associações de produtores. Mas acontece que, em Portugal, há excedente de leite. Os Açores todos os anos pagam multas pesadas por produzirem leite a mais do que a quota que lhe foi atribuída pela classe política que negociou, há anos, essa mesma quota.
Portanto, encontramo-nos no paradoxo número 1: Perante a escassez de leite na Europa, o seu preço tem que subir. Mas, aqui em Portugal, nós temo-lo de sobra, temos que o destruir e pagamos por isso.
E agora pagamos também a subida global do produto.
O segundo desvio é o que se refere às taxas de juro.
Não fosse o crash das bolsas provocado pela recessão do mercado imobiliário americano e o BCE já estava preparado para subir, em Setembro, a Euribor com a argumentação de que a Europa vive momentos de expansão económica e todos os indicadores apontam para uma época de desenvolvimento acentuado.
Mas, em Portugal, acontece invariavelmente o contrário. A retoma não se deixa ver nem obedece às balelas dos governantes e a vida está cada vez mais cara para os portugueses, que o sentem na pele diariamente.
Quem pagava 430 euros por um empréstimo à habitação, em 2005, paga hoje mais de 530 pelo mesmo empréstimo. A prestação subiu mais de 100 euros em pouco mais de 2 anos! E está aí para continuar a subir mais, porque a Europa vive momentos de desenvolvimento e expansão económica!
Paradoxo número 2 - embora continuemos em recessão, temos que pagar juros mais elevados porque a Europa está em expansão económica.
Pagamos, com a nossa pobreza, pela riqueza dos outros.
É fazerem pouco dos pobres portugueses...