O que é incrível é que, dos 6 fugitivos, 5 estavam presos preventivamente. Nem sequer foram julgados ainda nem fazem, por isso, ideia da pena (incluindo a absolvição) que poderiam vir a ter.
Isso é que é preocupante.
Quer dizer que se trata de indivíduos desesperados que, à semelhança do criminoso mais perigoso de Portugal (não sei se o mais procurado, mas seguramente o mais perigoso) - o Lobo - estão à solta.
A este propósito lembro que se fez a maior propaganda na captura do El Solitário espanhol mas não se diz uma única palavra sobre a perseguição ao nosso maior criminoso de todos os tempos acusado de vários homicídios e tráfico de droga às toneladas, que continua calmamente a monte.
Mas este nem sequer fugiu da prisão.
Ao Lobo portugês, a nossa Justiça mandou-o embora em Outubro de 2004, no final do prazo da prisão preventiva, sem o conseguir levar a julgamento.
Aqui deixo, abaixo, o texto que escrevi na altura a esse propósito.
"Lobo" está livre desde quinta feira.
O maior criminoso da história recente, condenado a um cúmulo jurídico de 35 anos, tinha já fugido da prisa e agora, mesmo depois de recapturado, devido a sucessivos erros processuais do tribunal de Sesimbra foi solto ante-ontem na sequência de um simples pedido de habeas-corpus do advogado.
A Justiça Portuguesa assume foros de verdadeira Entidade Criminosa, ao colocar a sociedade em contacto com o maior criminoso que há em Portugal e continua a dar cartas em todo o mundo pela miserável negligência de que dá gritantes provas no dia a dia.
Por mim, cá continuarei a denunciar esta desgraçada magistratura até que me levem, também a mim, preso.
Nessa altura tenho a certeza que ficarei mais tempo lá dentro, por delito de opinião, do que um assassino ou um pedófilo.
É que enquanto o primeiro juiz não for preso por negligência crassa os outros não aprendem a lição.
Alguém tem que vir, urgentemente, incomodar fortemente meia duzia de juízes e procuradores para dar um sinal positivo de que no mais vergonhoso pântano da nação - a Justiça - se começa a descortinar uma luz ao fundo do túnel.
Porque, até agora, a justiça portuguesa continua mergulhada nas mais profundas trevas medievais.