julho 18, 2007

Porque é que os Finlandeses Educam Melhor?

Os dados publicados pelo PISA (Project for Internacional Student Assessment), relativamente a estudos comparativos internacionais sobre a educação indicam que os alunos finlandeses são os alunos melhor preparados em todo o mundo.
Porque será que assim acontece? O que leva este País a apresentar tão bons resultados, quando os seus alunos entram um ano mais tarde que na maioria dos outros países (7 anos), e têm menos 23% de horas de aulas?
Que características especiais reúne?

O PISA foi lançado em 1997 pela OCDE no sentido de monitorizar, de forma regular e numa perspectiva comparativa a nível internacional, os resultados dos sistemas educativos em termos de desempenho dos alunos. Procura medir a capacidade dos jovens de 15 anos ( i.e. na idade normal para o final da escolaridade obrigatória) na literacia em Leitura, Matemática e Ciências.
O objectivo deste estudo é o de medir as competências que possuem nos desafios quotidianos e não o de medir o domínio das matérias curriculares específicas.
No Relatório PISA, no qual participaram 275.000 alunos com 15 anos, oriundos de 41 países, os estudantes finlandeses ocuparam nas edições de 2000 e 2003, o primeiro lugar em habilidade para a leitura, compreensão da escrita e cultura matemática.
Mas, o que tem a Finlândia que não tenham os outros países?
Apesar de investir cerca de 6,51% do PIB na Educação (acima da média europeia), não é o país que mais investe na Educação.
Além disso, o gasto por aluno neste nível de ensino está abaixo de muitos outros países como Luxemburgo, Estados Unidos ou Itália. Portanto, a resposta-chave não é unicamente monetária.
De uma maneira geral, os países que contam com maior autonomia nas suas escolas e grande equidade entre os seus colégios, como a Finlândia, obtêm melhores resultados.

Além disso, a Finlândia possui também um grau elevado de formação de professores a nível da educação básica e secundária, sem esquecer que os sistemas educativos são uma soma de três factores que se interrelacionam: o familiar, o socio-cultural e o escolar.
No caso finlandês, estes factores coordenam-se e potenciam-se uns aos outros. Ainda a este nível, a Finlândia é um país que detém uma sólida igualdade e equidade social, com prestações económicas e ajudas consideráveis à família. Relativamente ao apoio familiar, 55% das famílias finlandesas consideram-se os primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos e participam activamente nela, graças a uma série de medidas facilitadores da conciliação laboral e familiar. A nível de apoio cultural, a Finlândia dispõe de mais de 1.900 bibliotecas públicas, a televisão não traduz nenhum programa em língua estrangeira e as crianças desde muito cedo se familiarizam com outros idiomas.
O índice de leitura ronda os 87% da população.

Princípios da Educação Finlandesa
As oportunidades de aprendizagem são praticamente as mesmas em todo o país, existe uma grande homogeneidade entre os centros educativos.
Gratuitidade absoluta no ensino obrigatório (incluindo livros, manuais, material, refeições).
Apenas 5% da população frequenta escola privadas.
Os alunos não são separados por níveis de aprendizagem, a diferença entre os alunos com maior ou menor rendimento é mínima.
Um aluno com dificuldades tem a oportunidade de estudar uma ou duas vezes por semana em pequenos grupos ou com um professor individualmente, para que os professores tenham a certeza que nenhum aluno fica para trás.
Os governos locais, os municípios e colégios têm um peso considerável na gestão educativa.
Os professores têm grande autonomia, mas também grande responsabilidade e estão em permanente formação.
Podem escolher os seus manuais ou prescindir, ensinar dentro ou fora da sala de aula, reunir os alunos em grupos grandes ou pequenos.

O papel da formação do professor
A profissão docente é uma das mais prestigiosas no país e goza de uma grande consideração por parte dos cidadãos. O processo de selecção é minucioso, envolvendo várias provas (entrevista pessoal, exposição observada de um tema a uma turma, uma prova de matemática, uma prova de tecnologia).
O que é mais valorizado é a capacidade educativa e a sensibilidade social.


Com este sistema Portugal nunca lá ia.
Porque depois os alunos são levados a fazer exames muito ERRADOS e pior CORRIGIDOS, quase nada direccionados para o Saber e muito mais voltados para o DECORAR mecanicamente.

Portugal é um país que privilegia o marranço e a estupidez inquestionante em detrimento da Inteligência perscrutante.

Por isso é que os professores e alunos INTELIGENTES têm muito mais dificuldade em perceber o que deles se exige (coisa que ninguém ao certo sabe, neste preciso momento) do que os seus homólogos mais broncos ou acomodados (que também os há).

Publicado por JoaoTilly em julho 18, 2007 12:53 PM | TrackBack
Comentários

A Sra. Ministra deve saber disto, não?...
Eu a meio do meu terceiro ano a lecccionar matemática já lá tinha chegado.
Já que aqui estou aproveito para questionar: é impressão minha ou o programa de matemática que se propõe para o terceiro ciclo é ainda maior que o actual? Será que o Rossio já cabe na Betesga? Ás tantas cabe. Basta zipalo. O que não faz o choque tecnológico...

Afixado por: Mirtoc em julho 18, 2007 03:17 PM

aprecio os seus comentár´rios

Afixado por: Chico Chingalho em julho 18, 2007 08:07 PM

Uma pergunta: alguma vez foram à Finlândia?
Sabiam que os métodos de ensino são completamente diferentes... utilizam métodos de ensino muito diferentes ao nível do 1º ciclo... uma realidade que os professores portugueses também conhecem mas que não colocam em prática porque "dá muito trabalho"!!! - esta frase não é minha mas de duas professoras durante uma reportagem televisiva (julgo que na SIC) sobre as diferenças entre o método de ensino tradicional e método de ensino moderno, este já praticado em algumas escolas nacionais (a maioria privadas).
Uma destas professoras,a dada altura da reportagem, distribuia umas fotocópias para os alunos e se desculpava pela qualidade das imagens que "apesar de não se ver bem é um patinho" (sic).
Muito trabalho? Apesar de COMPLETAMENTE ERRADO este processo, a sra não poderia sequer se ter dado ao trabalho de guardar o original e, ano após ano, seguia tirando cópia de cópia? Não pode ela ter aquilo no computador e imprimir?
Já sei, o ministério não paga o PC, nem as fotocópias, vão dizer. É certo, mas o meu patrão também não me pagou o MBA no estrageiro que me custou, números redondos, cerca de 5.000 contos (25.000 euros).
Lembro-me agora o que recentemente me disse um espanhol: qd comecei nisto dos computadodres, para ser melhor que os outros no emprego, fui comprar um manual (julgo que da IBM) que me custou cerca de 200.000 pesetas... valores de 20 anos atrás!!!
Os catos falam por si! Julgo não precisar de dizer mais nada...
Continuem pois a ensinar as nossas criancinhas - a maioria já a saber ler quando chegam á escola - o pá, pé, pi... porque o outro método "dá muito trabalho"!

Afixado por: ppp em julho 20, 2007 08:48 AM

Ah, já me esquecia... antes que comecem já a dizer que o Ministerio não cria condições, existem já há mais de uma década, escolas em Portugal que utilizam o método moderno de ensino, com resultados sobejamente conhecidos e reconhecidos... basta ver os resultados dos seus alunos no panorama dos exames nacionais!!! É que, mesmo com provas difíceis, desfasadas do programa, erros dos enunciados... seguem tirando boas notas!
A diferença: estes foram ensinados a pensar, a raciocinar, a ultrapassar obstáculos e não a decorar e a realizar as suas tarefas mecanicamente!!!

Afixado por: ppp em julho 20, 2007 08:54 AM

Amigo ppp, a reportagem a que se refere não me pareceu propriamente realizada numa escola daquelas por onde tenho andado. As meninas e os meninos estavam muito bem vestidos e lavadinhos. Estou-me a fazer entender?
Eu, por acaso, também peço desculpa aos meus alunos pela qualidade das imagens. É que a minha impressora já teve melhores dias, as da escola onde trabalho também e as fotocopiadoras idem.
Gastar do próprio bolso para a profissão é coisa em que os professores são especialistas. O meu escritório é na minha casa. Desde papel, canetas, acetatos, tinteiros, electricidade (porque o escritório dos professores é em casa), computadores, scanners, etc, etc, ...
Diz você que a maioria das crianças quando chega à escola já saber ler. Ai sabe? A maioria das crianças de que escola?
Sabe o que lhe digo, neste país todo o bicho careta acha que sabe de tudo. Anda para aí muito clone do Rebelo de Sousa e do Sousita Tavares.
Se quer saber o se passa numa escola dê aulas por uns tempos. Mas não numa escola de meninos bem vestidos e lavadinhos.
Na escola onde dou aulas o facto de se estar com os alunos dentro de uma sala chega a dar direito a dores de cabeça. Não, não é por causa do baulho que os alunos fazem. É por causa do banho que não tomam. E esta, hem?

Afixado por: Mirtoc em julho 20, 2007 10:04 PM

Mirtoc,
Vc dá aulas numa escola dessas? Pois EU ESTUDEI numa escola dessas!!! Mas isso foi há tanto tempo que hoje é impossível reconhecer nessa escola aquela que frequentei.
E porque digo isto? Porque aquilo de q vc fala felizmente é excepção e não regra...
Quanto à escola de meninos lavadinhos e bem cheirosos, não é excepção! É verdade que se tratava de um colégio particular mas, para sua informação, existem já algumas escolas no sector público com identica actuação. Mais: não se encontram nos grandes centros e nem todos os meninos que ali estudam são assim tão cheirosinhos e lavadinhos, asseguro-lhe!

Afixado por: ppp em julho 23, 2007 07:42 AM

Caro ppp,
algumas das escolas do sector público de que fala dão-se ao luxo de selecionar os alunos com base no seu historial escolar.
Não é dificil reconhecer na escola onde lecciono ,e noutras em que lecionei, a que você frequentou. É impossível. Porque quando a geração a que pertenço era estudante o insucesso era culpa dos alunos, hoje é dos professores.

Afixado por: Mirtoc em julho 24, 2007 01:16 AM

"Nem tanto ao mar, nem tanto à serra".
O que defendo é que se as políticas educativas dos sucessivos têm contribuido para degradar o sitema educativo, os professores devemm eles também assumir a sua quota de responsabilidade. Isto porque enquanto os ventos sopraram a favor durante décadas, nunca os vi queixarem-se, nomeadamente, do facto da classe servir de "abrigo" - tal como o funcionalismo público - a pessoas que apenas procuravam a segurança e o facilitismo da profissão. Quantas vezes ouvi a expressão "estou aqui para dar umas aulas e não para me chatear", ou de "apanhar pela frente" professores que não preparavam as aulas ou se preocupavam minimamente com aprendizagem dos alunos e se limitavam a "dar notas" - positivas, muitas - para não ficarem mal na fotografias.
E outros havia, muito interessados, preocupados e esforçados por ajudarem os alunos a evoiluir, mas esses, igualmente culpados, pois limitavam-se a ver os outros e nada faziam além de um suspiro e um leve encolher de ombros...

Paulo Moreira

Afixado por: ppp em julho 24, 2007 09:53 AM

Infelizmente há maus profissionais em TODAS as profissões.

Afixado por: Mirtoc em julho 27, 2007 10:02 PM
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