
Faz hoje 47 anos que a minha Mãe me pôs no mundo.
Na Casa de Saúde da Sofia, que hoje se chama outra coisa qualquer, em plena Rua da Sofia, em Coimbra.
Um marmanjo com 4,250Kgs, nascido de uma senhora com pouco mais de metro e meio de altura, e que andava de mota (em 1960) com o meu Pai numa Norton 1200 com transmissão por cardan.
Por eu ter nascido, o meu Pai comprou um Citroen velho (arrastadeira) ao escritor Aquilino Ribeiro. Que mais tarde trocou por este Austin.
Um grande abraço para Ele, onde quer que esteja.
Dedico este meu aniversário, que bem poderá ser o último, ao meu Pai, que amanhã faria 76 anos.
Tenho feito o possível, com as minhas muitas limitações, por perpetuar a sua Lucidez e não envergonhar a sua Inteligência.
Tenho a certeza absoluta que sou herdeiro da sua Integridade Intelectual.
Não o sou do seu génio musical, é verdade. Esse Dom passou todo para o meu Irmão.
Paciência...
Não se pode herdar tudo o que um Homem Notável como aquele, que deixou Seia sem ter tido o reconhecimento da sociedade contemporânea, legou.
Mas é muito duro perceber que até alguns dos seus mais chegados, hoje, estão absolutamente vendidos à mediocridade, à escumalha intelectual e à estupidez reinante.

Eu não, velhote!
Eu cá continuo a trabalhar para que te possas orgulhar de mim.
Resistirei, como Tu SEMPRE o fizeste, contra todos os indignos, os vendidos, os lambe-botas, os corruptos.
E, pior: contra os estúpidos crassos - uma guerra perdida, por manifesta inferioridade numérica.
Nas inúmeras discussões políticas havidas entre o meu pai (anti-fascista visceral que chegou a transportar Humberto delgado em ombros, em Castro Daire) e o meu Avô (Salazarista convicto e proprietário de 2 cafés, uma pensão e o primeiro taxi daquela pequena vila, à época da 2ª guerra), retive sempre que nenhuma das partes era detentora de toda a Verdade.
Mas numa coisa estavam de acordo.
À direita ou à esquerda, nada desculpa a falta de carácter de um Homem!
Tive a oportunidade de ver o meu Pai chorar de alegria em 25/4/1974.
E tive a oportunidade de o ver totalmente desiludido da classe política que nos abocanhou e que desgraçou este país, pós 74.
- «É tudo uma cambada, João!» dizia-me ele.
E eu, até aos meus 30 e muitos, estava longe de perceber a real magnitude da palavra «cambada».
Hoje entendo-o perfeitamente.
O meu Património é, definitivamente, o nome que me deram: João Tilly.
A maior homenagem do mundo, recebida do meu Pai e passada ao meu filho, que a passará ao meu neto, espero eu...
Quem o conheceu, surprender-se-á com a similitude entre a imagem do nosso célebre antepassado Johann Tserklaes Tilly e a do meu Pai, João Tilly dos Santos...
Tirando o corte de cabelo e o bigode diferente... eram exactamente iguais.
Eu sou o 13º, pelas minhas contas. Nasci exactamente 300 anos depois do "Monge de capacete", do "terror de Magdeburgo", do único general que venceu por 2 vezes Gustavo Adolfo e acabou por sucumbir à terceira.
Johann T Tilly foi o general chefe das tropas da Liga Católica na Guerra dos 30 anos.
Sou português porque bisneto de um seu descendente directo, fugitivo da Alemanha durante a primeira Guerra Mundial.
O meu bisavô fugiu para o Brasil e por lá casou com uma brasileira.
Do casamento nasceu uma filha - Emília Tilly - minha avó.
Que casou com um emigrante português de Castro Daire, que tinha embarcado para o Brasil com apenas 8 anos de idade - José Augusto dos Santos.
Porque fugitivos que nunca voltaram à Floresta Negra, não herdei nenhum dos belíssimos castelos da Baviera que inspiraram Walt Disney e são o ex-libriis dos contos de fadas ...
Mas herdei algum do discernimento do meu velhote.
Que já lá está, há 3 anos, à minha espera.
Se me for embora, hoje, deixo 2500 textos escritos aqui.
A maior parte deles não vale mais do que um ministro deste governo.
Outros, poucos, talvez...
Alguém, que não eu, o decidirá.
Garanto, ainda, que a Greve Geral não foi marcada em minha honra...
Mas não garanto que não terá sido esta mais uma daquelas coincidências cósmicas.

Vou beber, amanhã, a "cervejinha gelada" que já não conseguiste beber, Velhote, naquela nefasta véspera do 24/3/2004.
Se durar mais um ano, mais um ano a medíocridade instalada terá que me suportar.
Se não durar... também não faz mal.
Começo a ficar estupidamente convicto que nos encontraremos, nalgum lado, para a bebermos, um dia.
Até lá,
um abraço do Joãozito.
Tirando aquela parte da música, está tudo certo.
Hoje estive algumas horas numa urgência de um Hospital, não por mim e por nada de grave.
Lembrei-me bem daquele dia e de como me mete nojo a estupidez que nos transforma no País mais "pobre" da Europa.
Lá dizia o velho que a maior parte destes trolhas não faz nada de jeito. Olha, a música é bem exemplo disso.
Grande abraço, irmão.
Afixado por: Antonio em maio 30, 2007 02:43 AMJoão!!!!
Para... lalalaaaaa laaa laaa laaaaaaaaaaa laaaaa laaa! (eu sei tocar piano melhor do que canto, te garanto ... mas que de repente me apeteceu berrar melodicamente, apeteceu!)
Tenho orgulho em te conhecer, meu caro ... e de pertencer à mesma raça (julgo que sim). Estarás cá por muitos anos porque sim!
A tua família presente (TODA ela está contigo) é uma sortuda (e tu também, pelo que parece!) está realmente de parabéns ...
Beijinho amigo, cheio de respeito, admiração e votos de tudo o que for melhor para ti.
E continua a azucrinar estes xpto pois vale a pena continuar!
E desculpa a "qualidade" (humpf!) do texto mas ... foi da emoção!
Excelente dia, ano, década!!!
Muitos parabéns. Que contes muitos mais, sempre com a mesma tenacidade e preserverança. Admiro o teu empenho em desmascarar estes ignóbeis, até porque os tempos não são fáceis e a liberdade já não é o que era.
Admirável a evocação da memória do teu pai que era pessoa de um enorme carácter.
Saúde e um grande abraço.
Andava à procura do teu e-mail para te felicitar mas, pronto, vai aqui pelo blog.
Parabéns do melhor saxofonista que já conheceste. De tangos e valsas a "azuis" e música ró (como dizia o outro) é só pedir.
(até a mim me custa a acreditar que pisei palcos a tocar saxofone)
Um abraço de parabéns João Tilly.
Tenho o seu blog adicionado aos meus favoritos, mas vou colocar um link num dos meus blogs, "terrasdetavares.blogspot.com".
Gosto de vir visitar o seu blog, porque serve para abanar consciências, que é o que o nosso paìs precisa, de mexer, de mudar, de transformar, independentemente das cores partidárias que estão ao comando desta nação valente e imortal.
Um abraço e conte muitos anos.
Um abraço de parabéns pelo dia de hoje e pela pessoa que mostra ser ....
vim aqui parar por acaso ...
quem faz uma homenagem assim ao Pai tem de ser alguém de elevado carácter ... voltarei para o ler...
Que conte muitos mais e continue "blogando" como até aqui. Lê-lo faz-nos falta, pois é uma forma de afastar angústias que nos atormentam todos os dias.
Não o conheço, mas estou plenamente de acordo com o que disse a comentadora anterior.
PARABÉNS. Seja Feliz.
valha-nos ao menos o bom senso!
parabéns!
Joãozito,
Dou-te os parabens atrasados mas sentidos, e um grande abraço pelo que escreveste.
São sentimentos destes que destinguem os homens dos miúdos que infelizmente, hoje, abundam.
Não sejas tão piegas que ainda vais andar por cá muito tempo.
Vou continuar a seguir o teu blogue.
Grande Zequita, pá!
...
e o borracho???
Lembras-te?
Tinhas 22 anos e eu era o puto dessa fotografia acima, com 11.
Viva Castro Daire!!!
Viva!!!
Olá
Afixei um comentário no post errado.
Os Parabéns estão no seguinte.
Um abraço
L.
Claro que me lembro.
Há coisas que não podemos esquecer por muito tempo que passe.
De vez enquando a minha mãe também vê o teu blogue aqui em casa.
Um abraço.
Parabéns João!
Que possas contar muitos e longos anos, onde quer que te encontres!
Quero dizer-te que adoro os teus pais, o teu irmão e a ti!
Tive o privilégio de conviver com todos vós e tenho uma honra enorme!
Tenho saudades do teu pai, pois recordo-me muitas vezes das conversas que tínhamos na loja e dos momentos, muitos, que por lá passei a tocar e a ouvir o teu pai a tocar aquele acordeão. Nas mãos dela havia música, poesia e sentimento como nunca vi! Estou emocionado e a chorar enquanto escrevo estas palavras, porque foi um grande amigo que vi partir. Vou com regularidade à última morada neste mundo e sinto que ele não partiu, está vivo e estará sempre no meu coração!
Um grande abraço para ti!
Luís Bidarra
Obrigado, Luis.
Tu sempre foste considerado como um filho, pelo meu Pai.
Tal como o Nunex (Nuno Sampaio).
És e sempre foste um Amigo Verdadeiro.
Tudo de Bom para ti.
Obrigado João.
Se musicalmente não chego aos calcanhares tanto teus como do teu irmão, é muito bom sentir que somos considerados em tão alta estima por pessoas como o teu Pai. Trabalhei com todos vós numa dada fase da minha vida e acredita que me senti muito feliz, porque cada um de vós, à sua maneira, me ensinou muita coisa. Como alguém escreveu: "Muita gente caminha na minha vida, mas só as pessoas especiais deixam marcas no meu coração" É aí que carinhosamente guardo cada um de vós, sem esquecer a tua Mãe, os teus Meninos, a tua Cunhada e os teus Sobrinhos! Onde quer que eu esteja, sabes que podes contar comigo.Não importa a divergência de pensamentos e atitudes, o importante é estarmos presentes quando alguém precisa de nós. Afinal de contas, o verdadeiro amigo é aquele que está ao nosso lado quando, por sua livre vontade, estaria noutro qualquer lugar!
Desejo para ti e para os teus tudo quanto desejo para mim e para os meus.
Luís Bidarra