maio 21, 2007

Carta enviada ao director do Correio da Manhã

Ex.mo Sr Director do Jornal Correio da Manhã:

Venho dar-lhe os parabéns pela qualidade de um jornalista que escreve no seu jornal, de seu nome Edgar Nascimento, porquanto, na edição de hoje, consegue fazer o exercício supremo de comparar as reformas dos professores com as de um soldado raso, de um carteiro e até de um guarda florestal.

Como o seu jornalista não reconhece a diferença entre a complexidade das funções de um trabalhador intelectual e a de um soldado raso, ou a de um carteiro, sugiro-lhe que o retire da redacção e o ponha a limpar o soalho ou as casas de banho do seu jornal, trocando com as senhoras da limpeza nesse serviço, que, pelos vistos, em tudo lhe é similar.

Quanto às senhoras da limpeza, pode sempre colocá-las na redacção a escrever artigos de fundo.
Neste caso - garanto-lhe - o seu jornal não perderá qualidade.

Atentamente


João Tilly

Professor de matemática

Publicado por JoaoTilly em maio 21, 2007 11:20 AM | TrackBack
Comentários

De um jornalista, não se admite ... Há dias, lá no cantinho, um comentador comparava-nos com um empregado de balcão ... Mas esse, pelo menos, não escreve em jornais!

Afixado por: Moriae em maio 21, 2007 09:15 PM

Concordo plenamente com o que escreveu na carta. O que me dói é que somos nós, professores, que deixamos que tipos como este vão sucessivamente passando de ano ... é óbvio que este devia ter ficado retido eternamente.... no básico!

Afixado por: Odiana em maio 21, 2007 10:45 PM

Posso compreender a indignação do autor e dos comentadores. No entanto, alguns comentários parecem-me excessivos já que, normalmente, as "peças" dos jornalistas têm o aval do editor. Não entendo porque não deveria ter passado de ano, já que não encontrei quaisquer erros gramaticais no que escreveu - será que o erro é a sua opinião? Sugerem que os professores se munam de um "lápis azul" e "formatem" os seus alunos? Cuidado pois o que vale não é a intenção do que escrevem, mas o que escrevem.
Por outro lado, existe ainda a velha questão: "a minha profissão é mais importante que a tua!!!"; "a minha é mais desgastante que a tua!"... será?
É pena a comparação não ter sido com a reforma de um assalariado rural ou com a de um mineiro... ou de um Auxiliar de Acção Educativa que para além de "aturar" a falta de educação dos meninos ainda têm que "levar" com a arrogancia dos professores.

Afixado por: pm em maio 22, 2007 12:52 PM

Portanto, segundo o comentador anterior, pode e deve comparar-se a reforma de um professor, ou trabalhador intelectual com a de um soldado raso, ou com a de um guarda florestal. E devemos portanto ficar indignados porque a reforma do professor INEXPLICAVELMENTE é superior à de um carteiro.
Parabéns!
Há cada calino!....

Afixado por: João Tilly em maio 22, 2007 04:05 PM

Ora aqui está o resultado da política educativa do ME: desvalorizar a profissão. Todos se podem comparar a um professor. Melhor ainda, qualquer um está habilitado a fazê-lo, mesmo que não tenha as habilitações para tal. Ser professor e ter o 9º ano ou a antiga 4ª classe é exactamente a mesma coisa. Só pode ser isso o que o(a) senhor(a)PM quis dizer. Quanto à questão da arrogância. Credo em cruz!No meu caso, para além de "aturar" a falta de educação dos meninos, já "levei" com a arrogância de muitos auxiliares. É que,em algumas escolas, são eles os verdadeiros "donos" do sítio. Penso que no grupo de auxiliares e de professores há arrogância por igual e q.b. Por isso, não me parece que a discussão possa seguir esse caminho.
É necessário que se entenda que os professores são licenciados (penso que a maioria não tem uma espécie de licenciatura tipo socretina), são pessoas especializadas numa determinada área e, como tal, devem ser valorizados.

Afixado por: Odiana em maio 22, 2007 11:44 PM

Realmente, centrar a questão no "meu é maior que o teu", convenhamos que não será revelador de uma maturidade esperada, desejada num professor.
Como disse compreendo a V/ indignação, no entanto, não tenho visto os professores a fazer nada para provar o contrário. Onde pára a pró-actividade?! Até hoje só tenho visto os professores e os seus sindicatos a agirem reactivamente!!! Ou voltamos à velha questão da Universidade não vos ter preparado para lidarem com a mudança, de preferência antecipando-a?
Pois é, a verdade é que hoje, a única constante nas organizações é a MUDANÇA!!!
Por isso, insisto na minha máxima "ensinem-nos a aprender".
Esta minha frase provoca um arrepio na espinha do Sr. João Tilly,pois acha que isso deve ficar na escola primária, perdão, 1º ciclo. Pois bem, para mim, e felizmente para muitas pessoas, o fim da Universidade não significou o fim mas apenas mais uma etapa na minha longa aprendizagem...
Bem hajam
Paulo Moreira

Afixado por: pm em maio 23, 2007 08:17 AM

Colega Ondina, concordo totalmente consigo e magoa-me o facto de termos deixado que tudo o refere tenha acontecido e ainda aconteça. Nossa culpa... nossa culpa... Deus nos ajude.

Afixado por: maria em junho 6, 2007 08:05 PM
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