Os pais das outras crianças PORTUGUESAS, que também desapareceram no passado recente, estão verdadeiramente escandalizados com a desproporcionalidade dos meios empregues na procura da Maddie.
300 agentes são os que estão empenhados, dia e noite, à procura desta criança. Com helicópteros, aviões, Jeeps. Tudo quanto há.
Mas nos seus casos, nos casos dos desaparecimentos dos seus filhos, foram destacados 2 ou 3. Sem meios.
Recordam, para horror de todos nós, que nos seus próprios casos, nem GNR nem PJ se empenharam coisa que se visse na descoberta dos seus filhos.
A mãe do Zé Pedro acusa directamente, na SIC, a PJ de ter deixado fugir o seu filho no carro dado como suspeito. Há 9 anos.
A mãe de Rui Pereira queixa-se do mesmo, há 8 anos. Quem acabou por o procurar por todo o lado foi a comissão de moradores do bairro. Mais ninguém. Nem sequer as fotografias dos filhos desaparecidos foram publicadas.
Bem, mas nesse aspecto não se podem queixar. O procedimento, ou melhor: a ausência de qualquer procedimento, é uma constante que se arrastou até aos dias de hoje.
Não se tivesse passado esta tragédia no ex-ALLgarve (agora morto antes mesmo de nascer) com uma família inglesa - os principais clientes da maior região turística de Portugal - e estava-se na boa...
Fosse a criança portuguesa e os telejornais nem nisso falavam.
Aparecia o caso no «Crime» e no «Correio da Manhã», nas páginas interiores, a preto e branco, e pronto.
Isto foi um grande azar... para todos.
Para os pais, para a criança e para a imagem nacional e internacional da PJ; e não forçosamente por esta ordem.
A partir de agora toda a gente vai saber como é que por cá se "trabalha": com conversa. Muita conversa, mesmo. Enrolada. Estafada. Imobilizante.
Mais nada.
Levantar os traseiros acomodados das cadeiras roçadas é muito difícil, em Portugal.
Deixou-se fugir toda a gente, nas calmas, e agora procuram desesperadamente neve... no Alentejo...
Agora, meus amigos, não vale a pena continuarem a insultar-nos a inteligência a todos, porque todos já percebemos que os srs não fazem a mínima ideia do que aconteceu à criança. Mas nem a esta, nem às outras todas que desapareceram antes.
A única diferença entre este caso e os anteriores é a seguinte:
Quando se trata de crianças portuguesas a ordem é ABAFAR o caso e desviar a atenção para outras coisas.
É claro que, neste caso, não houve a possibilidade de abafar coisa nenhuma. Nem a desculpa esfarrapada do segredo de justiça "pegou" em lado nenhum.
Por isso, houve que tapar os olhos ao povo com um exército de gente e uma panóplia de meios, a fazer de conta que estão atarefadíssimos (e até podem estar, mas agora já não vai a tempo), para poderem justificar ao fim que «fizemos tudo o que era humanamente possível»!
Mas é mentira.
O que TINHAM que fazer de imediato era fechar as fronteiras, vigiar os aeródromos, os cais, as marinas, e logo que se deu o alarme. E não passados 12 horas que, na prática, foram mais de 48!
O mal foi feito quando NÃO ACTUARAM DE IMEDIATO.
Agora, até podem arregimentar um milhão de agentes a procurá-la pelas chernecas de Lagos, porque ela - como ontem dizia o carpinteiro da urbanização - já está a milhares de quilómetros daí.
Muita tinta correrá quando os Pais da criança voltarem para a sua terra com as mãos a abanar.
Aí se saberá ao que foram sujeitos. Aí se saberá o quanto se trabalha e quem o faz. E com que inteligência o faz.
Aí o mundo saberá, sem espinhas, tudo o que até aqui se tem tentado desesperadamente esconder: como e quem investiga (ou com esse pretexto ganha a vida) em Portugal.
Depois, para pôr a cereja no bolo do nosso brutal subdesenvolvimento auto-alimentado, as medíocres televisões generalistas que temos que não falam de outra coisa...
Como se esta fosse a única criança desaparecida em Portugal no último milénio!
Como se não houvesse mais nenhum assunto a tratar neste país.
Mais nenhuma notícia. Nenhum problema.
Todos os carros de exteriores das televisões estão no Algarve.
«Valeu a pena!» - dirão alguns.
O povo andou entretido com isto uma semana inteira... e o mais que se verá.
Ora aí está uma análise feita com pés e cabeça.
Mas, para mim, o pior são as televisoes. É o que me mete mais nojo!
Nem mais. está tudo dito. um abraço do CG
Afixado por: CG em maio 10, 2007 06:42 PMNão resisto a comentar este post. Sabes, João na minha humilde opiniao a culpa nem é da Judiciária e penso que tu queres dizer o mesmo. A culpa é de quem lhes retirou completamente os meios para poderem actuar. Numa delegação aqui do centro do país ainda não há muito tempo anunciavam as televisoes que nem tinteiros havia nas impressoras para poderem imprimir documentos. Nem canetas nem sequer papel higienico muitas vezes.
Claro que neste caso tão mediatico os meios tiveram que aparecer. mas a maior parte das vezes eles não fazem mais porque não podem. Pelo menos eu quero acreditar nisso.
Ohhhhhh! Que bom poder comentar directamente!
Grande abraço Tilly!!!!
E sim, assertivo como sempre!