O Ministério Público está a investigar as circunstâncias em que uma mulher de 68 anos morreu, após ter sido assistida nas Urgências do Hospital de Tomar, onde entrou com vómitos e dores abdominais. A família suspeita de negligência médica e o hospital já abriu um processo de averiguações.
Maria Emília Ferreira Sousa deu entrada nas Urgências pelas 16h00 do dia 27 de Abril, queixando-se de vómitos e de dores abdominais. Uma hora depois, o médico de serviço informou as duas filhas de que iria ser feita uma “bateria de exames de diagnóstico” – análises ao sangue e à urina – para uma melhor avaliação da situação.
“O médico disse que desconfiava que fosse uma crise biliar, uma vez que a substância vomitada era verde e viscosa, mas não achava necessário fazer uma intervenção cirúrgica”, disse ontem Rita Ferreira, filha de Emília Sousa, que acompanhou a mãe ao hospital.
Pelas 19h00, o mesmo médico voltou a chamar as filhas de Emília Sousa e comunicou-lhes que “o quadro clínico [da mãe] não era tão mau quanto se julgava de início” e confirmou o diagnóstico de “crise biliar”, situação que seria curada “em quatro dias” se a doente seguisse uma “dieta rigorosa sem gorduras e medicação adequada”.
Por não se justificar o internamento – já que “o diagnóstico não era preocupante “ –, Emília Sousa teve alta hospitalar, vindo a sair do hospital pelas 21h00.
“A minha mãe saiu numa cadeira de rodas, acompanhada de uma auxiliar de acção médica, ficando no átrio alguns minutos, enquanto eu fui buscar o carro ao estacionamento para a levar para casa”, contou Rita Ferreira, adiantando que a mãe parecia estar “mais calma”.
Só que, assim que entrou no carro da filha, a mulher voltou a vomitar e, a determinada altura, revirou os olhos e emitiu um som estranho, ficando inanimada. Foi assistida de imediato, já que ainda se encontrava no átrio do hospital, mas veio a falecer pouco depois, devido a uma paragem cardíaca.
Às filhas de Emília Sousa não foi dada qualquer “razão ou explicação” para a morte da mãe e na certidão de óbito refere-se apenas “causas desconhecidas”. Inconformadas, apresentaram uma reclamação no hospital e uma queixa-crime por negligência no Ministério Público, tendo ainda requerido a realização de uma autópsia.
“Acabei de perder a minha mãe da forma mais insólita que se possa imaginar e gostaria que as pessoas tivessem conhecimento, na expectativa de as alertar para situações idênticas”, disse Rita Ferreira, que, tal como a irmã, Rosa Sousa, ainda está a recuperar da dramática situação em que se viu envolvida.
RECLAMAÇÃO
As duas filhas de Emília Sousa apresentaram uma reclamação por escrito no Livro de Reclamações do Centro Hospitalar Médio Tejo – Hospital Nossa Senhora da Graça, em Tomar.
QUEIXA-CRIME
A queixa-crime por negligência foi apresentada no Ministério Público de Alcanena (por ser o que estava de serviço nesse fim-de-semana), onde as duas filhas de Emília Sousa foram prestar depoimento.
AVERIGUAÇÃO
A administração do Hospital revelou ontem que foi aberto um processo de averiguações, pelo que, até à sua conclusão, não serão prestadas informações.
PUNIÇÕES
Os médicos podem sofrer penas de advertência, censura e suspensão, até cinco anos, da Ordem. Às infracções puníveis com prisão superior a três anos, pode aplicar-se a expulsão.
in CM
Achei excelente o seu blog. Não podemos continuar a deixar acontecer essas coisas que relata. No meu blog pode encontrar muita informação sobre situações de saúde. a ultima é sobre as mortes no Alentejo por falha do inem e fecho dos sap. Quanto ao resto mando-lhe um abraço. Sei bem o que se sofreu com o seu pai. Eu tenho uma história igual à sua também nesse Hospital mas não consigo falar dela. Um abraço fraternal para si.
http://sol.sapo.pt/blogs/contramestre/
Afixado por: contramestre em maio 23, 2007 12:24 AM