fevereiro 07, 2007

«A vontade de uma pessoa não pode prevalecer sobre a Vida de outra»?
Ai não, que não pode...

Tive que esperar até hoje de manhã para ouvir a única ideia verdadeiramente importante desde o início deste inútil carnaval antecipado que é o referendo.
Em democracia não é o povo quem ordena, como Zeca Afonso ingenuamente sonhava, mas é ele quem vota em quem vai mandar.
O povo português votou no bacharel.
Ao bacharel não lhe passou pela cabeça perguntar ao povo se concordou ou não com:
- A imediata subida do IVA para 21%
- A subida dos restantes impostos, da Electricidade, dos principais produtos e serviços, das coimas, dos combustíveis.
- O fecho das Urgências e das maternidades que obrigam portugueses a irem nascer a Espanha.
- O encerramento de milhares de escolas que obrigam milhares de alunos em tenra idade a percorrerem horas em transportes indignos, por dia.
- Os milhões de milhões que serão distribuídos pelos bolsos dos mesmos na construção do inútil aeroporto da Ota e do mais inútil ainda TGV.
Já Guterres se tinha esquecido de perguntar ao povo se concordava com:
- A EXPO 98 onde Mega Ferreira perdeu 5 milhões de contos (e não euros).
- A construção dos 10 mega-estádios de futebol a 10 milhões de contos em média cada um, hoje completamente às moscas, mas que serão pagos durante os próximos 30 anos por autarquias absolutamente falidas que conseguiram empenhar definitivamente a qualidade de vida das próximas duas gerações dos habitantes locais.
E, no fundo, nem Guterres nem o bacharel nem Cavaco nem Soares se lembraram de perguntar ao povão se ele não se importa de continuar a assumir-se como o mais pobre, doente e analfa da europa; e de continuar a descer convictamente na tabela civilizacional Europeia a cada dia que passa.
Esqueceram-se, prontos.
Paciência.
Mas eu não me esqueço de perguntar ao povão que passa o ano a queixar-se da falta de dinheiro, da doença que é a saúde pública, da injustiça diária que é a justiça portuguesa, da falta de funcionalismo que é o funcionalismo público, etc, etc, etc, o que vai fazer na hora de decidir.
Embora já o saiba bem porque as milhares de patranhas diárias debitadas pela máquina propagandística do bacharel são as únicas coisas eficazes no seu governo.
Por isso, a história repetir-se-á.
O povão vai dar mais uma vitória ao bacharel, a quem competia mudar este estado de coisas e, em vez disso, continua a esmifrá-lo nos seus últimos cêntimos, enquanto continua a aliviar de impostos os financiadores da Ota e do TGV - a alta finança mega-milionária.
Que hoje mesmo se soube que bateu, mais uma vez, todos os recordes em lucros absolutos, acumulando 2.000 milhões de euros praticamente livres de impostos, o que dá, para os diferentes bancos, um acréscimo de 24 a 36% nos lucros relativamente ao ano transacto.
É o fado tuga.
Ninguém se pode queixar.

Publicado por JoaoTilly em fevereiro 7, 2007 07:54 AM | TrackBack
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