dezembro 11, 2006

«Socialismo» à Sócras - Os pobres que paguem a crise:
Banca cada vez mais milionária continua a não pagar impostos


Quanto paga a banca multimilionária em impostos?
Na prática, fruto de uma taxa altamente bonificada relativamente às demais empresas portuguesas e de uma engenharia fiscal cuidada, os bancos continuam a pagar, no final do ano, em IRC, praticamente Zero.
Sócras abriu a boca aqui há umas semanas na tentativa de acalmar o povo e a indignação crescente que se começava a fazer sentir na sociedade com esta autêntica vergonha nacional que é esmifrar os pobres até ao tutano enquanto se poupam os ricos a qualquer esforço... mas é claro que nada fará, à semelhança da sua já habitual estratégia de (não) agir.
Fala, fala, fala... o tuga acalma-se pensando que alguma coisa será feita, mas para além desta intoxicação continuada e indigna, contra os poderosos nada acontece. As coisas continuam tal como estão.
Afinal, quando foi que um caseiro se voltou contra o dono da quinta?


Os bancos a operar em Portugal tiveram um lucro diário de 6,6 milhões de euros nos primeiros 181 dias do ano.
De acordo com os dados revelados pelo Boletim Informativo da Associação Portuguesa de Bancos (APB) referentes ao primeiro semestre de 2006, o resultado líquido da Banca ascendeu aos 1,2 mil milhões de euros.
A maioria dos lucros decorreu de juros e de comissões sobre serviços.
Os dados da associação liderada por João Salgueiro revelam que os lucros da Banca aumentaram 29,6 por cento em relação ao primeiro semestre do ano passado, altura em que o resultado líquido tinha ascendido aos 925 milhões de euros, ou seja, 5,1 milhões diários.
Contas feitas, a Banca ganhou nos primeiros seis meses deste ano mais 1,5 milhões por dia do que no período homólogo de 2005.
Grande fatia destes lucros ficou a dever-se às comissões e aos juros cobrados.
Só em juros, as instituições financeiras ganharam 8,2 mil milhões de euros (45 milhões de euros diários). O Boletim Informativo da APB refere que a evolução ascendente do preço do dinheiro contribuiu fortemente para o aumento do resultado financeiro.
Uma trajectória que deverá prolongar-se no segundo semestre do ano se se tiver em conta os aumentos das taxas de juros decretados pelo Banco Central Europeu (BCE), que se fixam actualmente nos 3,5 por cento.
Resta saber qual o impacto que a limitação dos arredondamentos praticados pelos bancos nas taxas de juros – que têm de passar a ser feitos pelo valor mais baixo – recentemente decretada pelo Governo e que este mês começou a ser aplicada vai ter nas contas das instituições financeiras no primeiro semestre do próximo ano.


PROTAGONISTAS
PAULO TEIXEIRA PINTO
O Millennium BCP é o banco português com mais lucros. No primeiro semestre do ano ganhou 395,8 milhões de euros.
CARLOS SANTOS FERREIRA
Com um resultado líquido de 388,5 milhões de euros, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) é o segundo maior banco de Portugal.
NUNO AMADO
O terceiro lugar do ‘ranking’ pertence ao Banco Santander Totta com lucros de 211,6 milhões de euros.
RICARDO SALGADO
O Banco Espírito Santo (BES) é o quarto maior do País. Registou lucros superiores a 200 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2006.
FERNANDO ULRICH
Alvo de uma OPA pelo BCP, o Banco BPI é o último dos cinco grandes, com resultados líquidos de 148,6 milhões de euros.


No que respeita a comissões, os ganhos atingiram os 946 milhões de euros, perto de 12 por cento mais do que no primeiro semestre do ano passado. Enquanto nos resultados decorrentes de negócios nos mercados cambial, de derivados e de capitais cresceram 26,4 por cento para os 1,04 mil milhões de euros.
Do lado das despesas, os custos com pessoal aumentaram ligeiramente acima dos 17 por cento, para os 1,3 mil milhões de euros. Um crescimento da despesa que a associação justifica com o “acréscimo significativo” no número de empregados.
O sector contratou perto de três mil pessoas, numa manobra decorrente da integração de colaboradores de serviços que antes se encontravam externalizados. Este crescimento traduziu-se por um aumento médio de onze trabalhadores por cada balcão bancário.
A Banca emprega actualmente mais de 50 mil pessoas.
O número de balcões registou, contudo, uma redução de 56 unidades, sendo que o número de balcões no País é correntemente de 4734.
Os lucros bancários têm gerado algumas críticas. Recentemente a ex-eurodeputada Helena Torres Marques interrogou-se sobre como é que uma economia que cresce pouco mais de um por cento tem um sector bancário que apresenta lucros deste calibre.
Economistas e fiscalistas criticam as instituições financeiras por cobrarem comissões muito elevadas.
‘RANKING’ BANCÁRIO
Observando os resultados de cada banco inscrito no Boletim Informativo da Associação Portuguesa de Bancos, o primeiro lugar da lista é ocupado pelo Millennium BCP que nos primeiros 181 dias do ano apresentou um resultado líquido de 395,8 milhões de euros. A instituição de Paulo Teixeira Pinto lidera também a concessão de crédito, com um total de 55,4 mil milhões de euros emprestados.
O segundo lugar da lista pertence à Caixa Geral de Depósitos (CGD), com 388,5 milhões de euros de lucros e 52,9 mil milhões emprestados. Seguem-se o Banco Santander Totta, o BES e o BPI.
No lodo oposto da lista surge o ABN que registou um prejuízo da ordem dos 3,3 milhões de euros no primeiro semestre do ano, antecedido pelo Banco Best – que teve um prejuízo de 1,6 milhões de euros – e pelo Deutsche Bank, com um resultado negativo de 1,1 milhões de euros.
RESULTADOS DO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2006 E EVOLUÇÃO RELATIVAMENTE A 2005 (em milhões de euros)
+ Juros e rendimentos similares: 8275 (Junho 2005) / 7031 (Junho 2006) / 1243 (variação absoluta) / 17,7% (variação relativa)
- Juros e encargos similares: 5954 (Junho 2005) / 4830 (Junho 2006) / 1124 (variação absoluta) / 23,3% (variação relativa)
= RESULTADO FINANCEIRO: 2321 (Junho 2005) / 2201 (Junho 2006) / 119 (variação absoluta) / 5,4% (variação relativa)
+ Resultados serviços e comissões: 946 (Junho 2005) / 848 (Junho 2006) / 98 (variação absoluta) / 11,6% (variação relativa)
+ Outros resultados: 1049 (Junho 2005) / 830 (Junho 2006) / 219 (variação absoluta) / 26,4% (variação relativa)
= PRODUTO BANCÁRIO DE EXPLORAÇÃO: 4316 (Junho 2005) / 3879 (Junho 2006) / 437 (variação absoluta) / 11,3% (variação relativa)
- Custos com pessoal: 1343 (Junho 2005) / 1147 (Junho 2006) / 196 (variação absoluta) / 17,1% (variação relativa)
- Gastos gerais administrativos: 866 (Junho 2005) / 910 (Junho 2006) / -43 (variação absoluta) / -4,8% (variação relativa)
- Depreciações e amortizações: 162 (Junho 2005) / 164 (Junho 2006) / -2 (variação absoluta) / -1,2% (variação relativa)
= RESULTADO BRUTO DE EXPLORAÇÃO: 1944 (Junho 2005) / 1658 (Junho 2006) / 286 (variação absoluta) / 17,2% (variação relativa)
- Provisões e similares: 518 (Junho 2005) / 558 (Junho 2006) / -40 (variação absoluta) / -7,2% (variação relativa)
- Impostos sobre os lucros: 227 (Junho 2005) / 175 (Junho 2006) / 51 (variação absoluta) / 29,3% (variação relativa)
= RESULTADO LÍQUIDO: 1200 (Junho 2005) / 925 (Junho 2006) / 274 (variação absoluta) / 29,6% (variação relativa)
Fonte: Associação Portuguesa de Bancos
PARTICULARES VENCEM EMPRESAS NOS CRÉDITOS
A concessão de crédito aumentou 11,2 por cento no primeiro semestre do ano, para os 201,5 mil milhões de euros, impulsionada pela evolução dos empréstimos a particulares, que atingiu os 11,1 mil milhões de euros – uma subida superior a 15 por cento. Dentro deste segmento, o crédito ao consumo foi o que mais cresceu no primeiro semestre, ultrapassando os 17 por cento, tal como já tinha sido evidenciado no último Boletim Estatístico do Banco de Portugal.
O crédito à habitação cresceu 16,2 por cento e os empréstimos para outros fins 5,2 por cento. Os empréstimos concedidos às empresas não financeiras aumentaram apenas 6,7 por cento. Para o segundo semestre do ano, e a avaliar pelos dados do Banco de Portugal, a concessão de crédito deverá abrandar. A principal autoridade monetária nacional revelou recentemente que os pedidos de crédito têm vindo a estagnar desde Agosto último, por efeito dos aumentos das taxas de juros decretados pelo Banco Central Europeu (BCE).
CRÉDITO A EMPRESAS E PARTICULARES (em milhões de euros)
CRÉDITO A PARTICULARES: 111 123 (Junho 2005) / 96 559 (Junho 2006) / 14 564 (variação absoluta) / 15,1% (variação relativa)
Habitação: 88 814 (Junho 2005) / 76 440 (Junho 2006) / 12 374 (variação absoluta) / 16,2% (variação relativa)
Consumo: 10 780 (Junho 2005) / 9 199 (Junho 2006) / 1 581 (variação absoluta) / 17,2% (variação relativa)
Outros fins: 11 529 (Junho 2005) / 10 920 (Junho 2006) / 609 (variação absoluta) / 5,2% (variação relativa)
CRÉDITO A EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS: 90 413 (Junho 2005) / 84 698 (Junho 2006) / 5 715 (variação absoluta) / 6,7% (variação relativa)
TOTAL: 201 536 (Junho 2005) / 181 257 (Junho 2006) / 20 279 (variação absoluta) / 11,2% (variação relativa)
Fonte: Boletim Estatístico do Banco de Portugal - Outubro/06
PROTAGONISTAS
PAULO TEIXEIRA PINTO
O Millennium BCP é o banco português com mais lucros. No primeiro semestre do ano ganhou 395,8 milhões de euros.
CARLOS SANTOS FERREIRA
Com um resultado líquido de 388,5 milhões de euros, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) é o segundo maior banco de Portugal.
NUNO AMADO
O terceiro lugar do ‘ranking’ pertence ao Banco Santander Totta com lucros de 211,6 milhões de euros.
RICARDO SALGADO
O Banco Espírito Santo (BES) é o quarto maior do País. Registou lucros superiores a 200 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2006.
FERNANDO ULRICH
Alvo de uma OPA pelo BCP, o Banco BPI é o último dos cinco grandes, com resultados líquidos de 148,6 milhões de euros.
CRÉDITO MALPARADO EM QUEDA
A avaliar pela informação contida no Boletim Informativo da Associação Portuguesa de Bancos, o rácio do crédito malparado tem vindo a baixar desde 2002, situando-se em Junho último nos 1,8 por cento.
A organização de João Salgueiro atribui este facto à “dispersão do risco” decorrente do reforço dos empréstimos a particulares.
O crédito malparado atingia, em Agosto passado e de acordo com o Banco de Portugal, 2,17 mil milhões de euros, ou seja, 217 euros por cada português. Um valor relacionado com o sobreendividamento das famílias.
Para evitar chegar a uma situação em que o pagamento das dívidas se torne incomportável, a Associação para a Defesa do Consumidor – Deco – tem aconselhado as pessoas a procurarem a ajuda de especialistas nos gabinetes de apoio ao endividamento e a avaliarem bem a necessidade que têm de contrair mais um empréstimo, assim como a capacidade de o sustentarem a longo prazo.
Outra medida aconselhada pela Deco para baixar os encargos mensais com prestações a curto prazo é a consolidação dos vários créditos num único empréstimo. A associação alerta, porém, que há custos associados a esta operação – como o pagamento das taxas de amortização antecipadas exigidas pela maioria das instituições financeiras – e que a longo prazo se acaba por pagar mais juros.
Antes de se alcançar uma situação incomportável, a Deco sugere que as pessoas procurem negociar novas condições de contrato com os bancos.
RÁCIO DE CRÉDITOS: COBRANÇA DUVIDOSA/EMPRESAS E PARTICULARES
2002: 2,2%
2003: 2,3%
2004: 2,0%
2005: 1,9%
2006: 1,8% (Junho)
APONTAMENTOS
IMPOSTOS
O Governo quer os bancos a pagarem mais impostos já no próximo ano. A intenção do Executivo é aproximar a taxa de IRC paga pela Banca à taxa média efectiva do sector não financeiro (que se situa entre os 18 e os 20%).%0

Publicado por JoaoTilly em dezembro 11, 2006 07:37 AM
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