dezembro 05, 2006

De um engenheiro, marido de uma professora

A propósito das avaliações e do processo continuado de desacreditação dos Professores que a Ministra quer impor à opinião pública, gostaria que os Professores pensassem no seguinte:
Em vez de fazerem greves inócuas, que ainda por cima cheiram a férias desapropriadas entre feriados, os professores deviam pensar seriamente em cumprir *integralmente* nas suas escolas o seu horário de trabalho.
Passo a explicar:
Pela manhã, *TODOS* os professores se apresentavam nas suas escolas para iniciarem o seu dia de trabalho. Agora vai ser necessário um pouco de aritmética, mas da mais básica.
Se um professor tem 3 horas de aulas num dia, cumpre mais quatro horas de permanência na escola. Nessas quatro horas é suposto corrigir testes, preparar aulas, elaborar enunciados das provas,etc., etc. tudo o que se relacione com a sua profissão e que normalmente está habituado (mal) a fazer em casa. É também suposto utilizar as secretárias, as cadeiras, os computadores e as impressoras da escola para o seu trabalho.
É que também é suposto que, antes de exigir resultados, a escola lhe forneça condições de trabalho.
*No final das sete horas de trabalho diário (7 x 5 = 35) saíam da escola para casa, deixando na escola o trabalho que ficou por fazer *.
Facilmente os Conselhos Executivos chegarão à conclusão que a escola não oferece condições aos professores para que estes trabalhem, e terão que o comunicar ao Ministério, ou não há seriedade. Ou tentarão os Conselhos Executivos agir de forma a convencerem os professores de que como estes se acotovelam na escola o melhor será irem para casa?
*Mas poderão os professores ser penalizados por quererem exercer o seu trabalho no local de trabalho que lhes está por natureza determinado? *
Deixem de ser um bando e passem a actuar como um grupo.

TODOS para as escolas desde manhã a cumprir o horário de trabalho na escola, o local de trabalho natural.
*Ataquem completamente as escolas com a vossa presença e deixem que a ausência de condições de trabalho faça o resto. *
Deixem-se de greves inócuas e atrapalhem verdadeiramente o sistema de forma legal.
Provem de uma vez por todas que querem trabalhar e que este patrão não vos
dá condições de trabalho apesar de vos exigir resultados, e ainda por cima
enxovalhando-vos continuamente.
Substituam os sindicalistas que vos representam tão mal e que já não sabem o
que é dar uma aula há mais de 20 anos por Professores que saibam discutir os
assuntos de forma séria.
Sejam de uma vez por todos PROFESSORES UNIDOS.
Se assim não for, rendam-se às evidências e façam o trabalho dos auxiliares educativos, que ajudam o ministério a poupar uns cobres.
E NÃO SE QUEIXEM.
Para quem não sabe, não sou professor. Sou um reles engenheiro que às vezes
pensa nestas coisas, muitas delas quando às quatro ou cinco da manhã grito
para a minha mulher que está no escritório a corrigir testes e pergunto se não se vem deitar.
Agora façam a vossa parte. Façam forward deste mail para todos os vossos amigos, especialmente os professores. Comecem a divulgar esta ideia e pode ser que tenham um futuro melhor.

Publicado por JoaoTilly em dezembro 5, 2006 10:27 PM
Comentários

Apoiado... até que enfim vejo aqui um texto com uma atitude pro-activa.

Afixado por: PPP em dezembro 6, 2006 01:53 PM

Olá
Parabéns pelo post (e pelo blog em geral, cujos conteúdos, após leitura aleatória, me parecem muito bons).

Esclareço que não sou prof mas sempre me surpreendeu como a classe docente se deixasse representar pelos sindicatos, estruturas não eleitas e de duvidosa legitimidade para representar os professores.

Face à campanha de desacreditação da classe docente, pela criação de ódios e revolta na opinião pública, também eu tenho incentivado aos meus amigos professores a optar pelo cumprimento integral do "horário função pública" no próprio local de trabalho. Mas acabam sempre por trazer os testes para corrigir em casa e as aulas para preparar no seu computador pessoal, sem se aperceberem que a sua boa vontade para manter o sistema a funcionar não tem correspondência por parte da entidade patronal.

Afixado por: Raposa Velha em dezembro 6, 2006 08:17 PM

Não sou professor mas gosto de reflectir sobre como as coisas acontecem na prática em qualquer assunto. Então imagino os professores a fazerem o que aqui foi dito, ou seja, a atrasarem-se ou a não cumprirem plenamente a preparação das aulas, correcção de testes, elaboração de enunciados, etc... por causa da falta de condições para realizar tais tarefas, ou seja para que as escolas se apercebam que não existem condições. O que acontece é que o outro elemento que não foi considerado nesta equação, os alunos, é que pagam e que certamente os professores bem intencionados não irão querer que os alunos saiam prejudicados no meio disto e portanto agem como agem. Acho que antes de tirarmos qualquer ilação a respeito deste assunto ou qualquer outro devemos colocarmo-nos na pele das pessoas e reflectir sobre o que acontece na prática, tendo em consideração todos os intervenientes é claro.

Afixado por: Jorge Cardoso em dezembro 6, 2006 10:52 PM

pois, é verdade, não podemos esquecer-nos que com os nossos actos, os alunos saem prejudicados... Assim sendo estamos de pés,mãos e vida atados...já que qualquer atitude prejudica. Gostava de saber o que sugere o Sr Jorge Cardoso. Tem razão, claro, infelizmente nas lutas, para que alguém ouça parece que outro alguém tem q sair prejudicado, não é? as greves de transportes, as dos médicos...são prova disso. Só assim resulta. Triste mesmo é percebermos que os muitas pessoas não reconhecem o valor dos professores, afinal pelas nossas mãos passa a vida de um país. As crianças passam muitas horas nas escolas, muitas horas de "convívio" com professores, professores que, na ausência dos pais/familia assumem mts papéis na vida dos miúdos. Eles também são a nossa vida. Nós não estamos do lado oposto ao dos pais, pelo contrário.Nem que fosse só por isso, deviam respeitar-nos mais. É importante exigir, mas respeitar também.

obgda

Afixado por: Cristina em dezembro 9, 2006 01:49 AM

Um destes dias indignei-me perante a resposta de um colega (julgo que é professor) neste mesmo blog. O que ele referiu foi o que o Tilly apresenta aqui. Pois, espero que me desculpe o colega a quem me dirigi na altura ... Na verdade, sem melhores hipóteses, julgo que urge tomar essa atitude. Digo isto - com pesar - apesar de saber que alunos vão ser prejudicados.

Afixado por: abaixoasinistra em dezembro 10, 2006 10:13 PM
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