Assim não se vai lá.
É preciso que os professores se interessem pelo que lhes está a acontecer.
Num momento como este - talvez aquele em que mais ameaçado se encontra o ensino e a carreira de quem optou por ser profissional do ofício, nem assim a maioria dos professores se interessa por nenhum destes assuntos?
Vêm os dirigentes sindicais das capitais de distrito, de propósito, para falar com meia dúzia de profs?
Onde está a consciência de classe?
E depois queixam-se?
E os Conselhos Directivos?
Onde estão?
Nem um elemento se faz representar?
Será que nenhum dos elementos dos conselhos directivos se lembra que, em qualquer momento, podem voltar a ser professores?
A ausência absoluta da sua presença nas reuniões de informação sobre o ECD proposto pela ministra mostra bem o grau de envolvimento que aquela gente tem com a comunidade escolar e com as suas próprias carreiras:
Os principais assuntos do momento passam-lhes simplesmente ao lado.
Interiorizaram que herdaram as escolas... e que estas serão propriedade sua para o resto das suas vidas.
Que se há-de fazer?
Tirando algumas excepções (bem poucas) os professores andam a dormir. Massacrados pelos ataques sistemáticos do ME talvez tenham embrutecido.
Nunca pensei vir a pensar deste modo mas, neste momento, depois de ter estado no meio de alguns milhares, percebo que a maioria dos nossos colegas embruteceram ou colocaram para sempre chinelos.
Não costumo fazer propaganda mas neste momento recomendo o meu blog e os posts de hoje.
Ora cá está... cansaram-se das festas e dos jantares, que era o que atraía determinado tipo de profs.
Agora... trabalho, e não remunerado?
Querias tu que lá estivesse quem?
Não vez que só tu e meia-duzia de professores-por-vocação é que se interessam a sério por estes, e muitos outros, assuntos!
Ainda não viste que é tudo mentira?
Então eu, que aprendi isso contigo, vejo-te agora espantado?
E pensas tu que há uma "classe"?
Não há, nem nunca houve.
Cai aí de tudo, e por isso, porque se sente a ausência de uma consciência séria de classe, de um objectivo comum sério e construtivo, é que é preciso alterar o ECD do ensino público. Porvavelmente não como a Ministra quer... mas tem de se alterar alguma coisa...
A Ministra sabe que a maior parte dos professores NÃO É DE FIAR e, por isso, NÃO OS RESPONSABILIZA e trata-os como mentecaptos, como já vários comentadores deram a entender.
É evidente que há muitas excepções, exemplos de profissionalismo e competência.
Mas pergunto: quantos "professores" foram ao recente debate sobre educação organizado em Seia pela Biblioteca Municipal e com a participação de membros do Conselho Nacional de Educação? Uns 30... os do costume, os que estão verdadeiramente interessados em resolver os problemas.
Mas quantas centenas de professores do ensino público temos no Concelho?
Olha que isso é um emprego como qualquer outro, um ordenado ao fim do mês, uma profissão.
Na maior parte dos casos, não é uma vocação.
Apesar de correcto, na generalidade, sugiro duas pequenas modificações ao teu texto:
1. em "mostra bem o grau de envolvimento que aquela gente tem com a comunidade escolar e com as suas próprias carreiras", sugiro que mudes para "mostra bem o grau de envolvimento que aquela gente tem com O ENSINO."
2. e em "Os principais assuntos do momento passam-lhes simplesmente ao lado" ,
sugiro que mudes para:" NÃO SÃO SÓ OS PRINCIPAIS ASSUNTOS DO MOMENTO QUE LHES PASSAM AO LADO, SÃO TAMBÉM AS NOÇÕES BÁSICAS DE PROFISSIONALISMO E DE CIDADANIA".
É isso.
Afixado por: António Tilly em dezembro 1, 2006 11:28 PMÉ gente que já desistiu pois não sabem que para se conseguir é preciso lutar e muito! É gente que há muito que têm o que lhes foi dado de bandeja! É gente mais preocupada em si próprios que nos outros que estão pior...
É gente triste!!!!!!!!