novembro 22, 2006

Violência e CENSURA à sua denúncia nas escolas

Para além de violência à força toda nas escolas - a que os especialistas chamam "bullying", hoje em dia - está a instituir-se mais uma virtude nas modernas escolas-cárcere, em que os alunos são obrigados a estar, 36 horas por semana sempre a malhar sem ter tempo de ir à casa de banho nem sequer nos intervalos.
É a CENSURA prévia aos artigos que os alunos vão escrevendo nos jornais escolares.
Assim, parece ser preferível abafar casos em que alunos de 12 anos vivem aterrorizados com medo dos matulões de 16 cujo passatempo preferido é sová-los, do que denunciar estes casos.
Assim, os pequenitos, mal toca para a saída, enfiam-se nas casas de banho à espera do toque para a entrada.
Uma pouca vergonha sem limites no Portugal democrático.

Publicado por JoaoTilly em novembro 22, 2006 12:51 PM
Comentários

Visitar o seu blog, torna-se deveras interessante.
Ouvi algures na televisão, penso que dito pelo antagónico Miguel Sousa Tavares, num dos seus comentário na TVI, não obviamente por estas palavras, mas com este sentido, de que tinha morrido a cidadania em Portugal, já não havia urbanidade entre os Portugueses, que tinha morrido a nossa capacidade de revolta.
A esperança está a voltar, devagar mas está. Quando li alguns artigos do seu blog, senti que afinal a capacidade de nos indignarmos não se esfumou nesta sucessiva montanha de maus políticos que nos têm governado a décadas, sejam da pseuda direita ou esquerda.
Valeu a pena os largos minutos que aqui passei.

Pedro Vouga

Afixado por: Pedro Vouga em novembro 22, 2006 04:20 PM

Tilly, é possível que o ECD do ME seja aprovado ainda esta semana. Sei que isto não tem a ver com o teu post (infelizmente, muito real e oportuno) mas ... fiquei assustada e resolvi avisar deste modo.
Apelo a que participem no dia 25 nas capitais de distrito e a que passem a ideia.
Obrigada e desculpa ...

Afixado por: abaixoasinistra em novembro 22, 2006 09:10 PM

Subscrevo o que disse o Pedro Vouga; ainda há corajosos por aí (aqui). Mas Sousa Tavares na mesma frase que o conceito de cidadania é quase um oxímoro.
Paz.

Afixado por: skizofrenic moi em novembro 22, 2006 09:19 PM

Começo a ficar completamente descansado...a EDUCAÇÂO e o ENSINO em Portugal vai melhorar! o ECD esta prestes a ser aprovado segundo um bloguista!
Bem hajam, graças a Deus! As aulas de substituição, as progressões, as avaliações,e outros etcetrões, salvarão a qualidade do nosso ENSINO e a EDUCAÇÃO, motor de todo o nosso desenvolvimento, estará garantida!
Deus é grande! Vivam o chantilly, os ovos moles a palha de Abrantes!

Afixado por: Tomás Costa em novembro 22, 2006 09:42 PM

Em relação ao post sobre o assunto BULLYNG, João Tilly, é seguramente da revolta que sinto por todas estas questões silenciadas anos a fio - coisas que fizeram "escola". Não sei como se faz mas quero crer que situações dessas serão CRIME! Crime contra aqueles que têm de arranjar soluções de fuga quando as conseguem... trata-se de crianças sob a responsabilidade e intra-muros do Ministério da Educação (visto que esses exmplos se passam no seu condomíno) perante o silêncio dos responsáveis da Escola! É inadmissível... mas já ouvi, hoje mesmo, alguns "especialistas" considerando que isso seria normal - NORMAL!

Para onde vai isto tudo?

Quanto à aprovação do novo ECD ainda esta semana, apenas digo: coitados, desculpai-os que eles não sabem o que fazem! E a seguir? Quem vai ser responsabilizado pelas consequências de tal coisa?

Ninguém!

Afixado por: O outro em novembro 22, 2006 09:50 PM

É pá, Jpão Tilly, permite-me a intimidade e o tratamento por TU! Tens toda a razão! Essa de pôr os putos 36 horas por semana, sempre a malhar (só não descobri em quem!) e sem poderem fazer xixi, nem nos intervalos dos malhanços, é bullying do mais terrivel!
Afinal só os pequeninitos é que podem fazer xixi, porque nos intervalos vão para a casa de banho à espera do toque de entrada!
Acho esta uma das mais profundas análises, que deveriam ser registadas na História, sobre as questões do Ensino em Portiugal nos ultimos 9 séculos! O Futuro do País está garantido!

Afixado por: Tomás Costa em novembro 22, 2006 09:51 PM

João Tilly para a Torre do TOMBO e já!
Abencerragens destes não se encontram por aí, num qualquer século, à mão de semear!

Afixado por: Tomás Costa em novembro 22, 2006 09:56 PM

vou já desistir da netcabo ...

Afixado por: abaixoasinistraeosmentecaptos em novembro 23, 2006 01:40 AM

esse tomás não existe mesmo... onde é que foram desenterrar esta múmia?...
Mistério...

Afixado por: Alberto Reis em novembro 23, 2006 10:20 AM

Um dia destes vi na televisão um aluno do ensino secundário a dizer que nas aulas de substituição os professores lhes perguntam que jogos querem jogar. Salvo erro cartas ou dominó terão sido os jogos referidos.
Alguém me consegue explicar que raio de professores são estes? Será que estes professores vão trabalhar contrariados?
Ah sim! A culpa é da ministra e do novo ECD, que distraído que sou…
Hoje também não gostei de uma ordem que me foi dada pelo meu superior, estou a trabalhar contrariado.
Vou mas é jogar às cartas.

Afixado por: Dude em novembro 23, 2006 02:30 PM

Ó Reis:
Este Tomás tanto existe que és tu próprio que depois dizes que onde desenterraram esta múnia!!! Atão em que ficamos, pá? Existe ou não existe?
Pois existe e acredita - não foi colheita da mesma horta de onde foste desenterrado! Felizmente para mim, vê-se logo!

Afixado por: Tomás Costa em novembro 23, 2006 03:08 PM

E por causa do reis li o post a seguir do Dude, que deve estar doido em dizer tais coisas...então os profs pediam aos alunos para esolherem entre o dominó e as cartas? Lá está...falta de qualidade dos profs! E o Xadrez? jogo muito mais completo, reflexivo, de maior exigencia mental?
Bem...mas parece que os alunos estão mais evoluidos que os profs! Nas manifs programadas para ontem, de inciativa e exclusiva responsabilidade dos alunos, em que os profs nada intervieram, mesmo nada, diria mais..."nadinha", parece que os alunos frustraram os srs profs. No Porto umas centenas que não deu para nada. Em Lisboa 1 centena, que nada era! Em Coimbra, nem um, e nada foi! Coitadinhos dos profs. Hoje devem estar de ressaca! Eles que tanto apoiaram os alunos, os convidaram a manifestarem, a não ir às aulas no dia da greve deles...agora pagam-lhes assim? Prof amigo, o Tomás está contigo!

Afixado por: Tomás Costa em novembro 23, 2006 03:53 PM

Ó Tomás: se não tivesses saído a besta quadrada que mostras ser todos os dias, o que é que gostarias de ter sido? Professor?

Afixado por: António Costa em novembro 23, 2006 04:29 PM

Estes professores são mesmo incompetentes! Então não é que o prof de Educação física se recusa a dar uma aula de matemática ao 12º?
E um de biologia porque é que não dá História?
São autênticas excepções em Portugal, onde todos os canalizadores concertam sapatos e todos os médicos projectam pontes e barragens!
É cada grunho!

Afixado por: José Azevedo em novembro 23, 2006 04:34 PM

Caro Sr. José Azevedo isso é pura demagogia.
Será que um qualquer Prof. de uma qualquer área disciplinar não conseguirá ocupar uma turma durante uma 1h com assuntos relevantes? Compreendo que o Prof. não esteja preparado para leccionar uma disciplina que não é a sua. Mas ocupar essa hora a jogar às cartas?
A filosofia por detrás das aulas de substituição visava a substituição de um Prof. por outro da mesma área. Pelos vistos isso nem sempre é possível, mas isso é justificação para não se tentar outra solução?
Custa-me imenso ver um Prof., que sempre julguei pertencer à “classe intelectual” da
Sociedade, afirmar que não consegue motivar uma turma durante uma 1h.
E que tal ocupar o tempo a discutir a actualidade? Cultura geral nunca é demais.
Falar sobre o futuro, saídas profissionais dos cursos onde se encontram, …, …, …,…………

Afixado por: Dude em novembro 23, 2006 05:21 PM

João Tilly, então? Quando aparece esse artigo censurado lá na escola e o caso desse aluno que está a ser vítima?

Quanto aos Tomás e aos Dude, parece-me a mim que essa do xadrez deve ser para baralhar... então íam agora os putos querer jogar ou serem obrigados a jogá-lo? Isso está escrito onde? Sobre as cartas e dóminós é bem mais barato para todos uns baralhos de cartas as etá esritoonde? Mas atenção que os putos, os jogos que gostam não são esses. Esses são os jogos que podemos ver ser jogados por grupos de reformados que outros "jogos" não podem ter nem fazer...

O que está a dar é o jogo do "lambe-botas". E aqui aparecem alguns aprendizes.

Anda tudo a dormir! Olhem os bombeiros em Paris, ontem. Aqueles "animais" no estado em que estão! Quando dermos conta será tarde demais.

O ECD foi aprovado! Agora vai ser bonito implementá-lo. Tamos cá para as voltas. Esperemos que os Tomazes e confins ao menos tenham a humildade de assumirem responsabilidades nas consequências. Mas já se sabe, passa-se a esponja... até quando?

Afixado por: O outro em novembro 23, 2006 08:06 PM

Aconselho vivamente aos professores (e demais profissionais) a leitura do livro "O Princípio de Peter", de Laurence Johnston Peter, professor e pedagogo que sempre recusou importantes noeações, fiel ao prícipio: "In a hierarchy, every employee tends to rise to his level of incompetence”.
Assim pergunto: um diploma é "per si" condição para qualquer um ser professor? Ou melhor: desde quando um excelente aluno se transforma num bom professor?
Mais: quais os critérios de avaliação de um estágio? E ainda, qual a qual a qualidade e competência dos seus avaliadores?
Muitas questões a que julgo deve ser dada uma resposta urgente e, sem as quais, estar a discutir o ensino em Portugal será sempre um mero exercício de retórica do tipo “qual o sexo dos Anjos”, ou então, uma exibição de pavões na sua ânsia de mostrar que “o meu* é maior que o teu!”

Paulo Moreira

*o meu leque

Afixado por: PPP em novembro 24, 2006 08:50 AM

Exmo Senhor Antonio Costa:
Realmente se eu nao fosse a besta quadrada que sou e assumi, a alternativa, pior, mas única, era ser a besta de um professor como o sr Antonio Costa. Não falo claro dos senhores professores que respeito e nao se identificam com o sr Antonio Costa.

Afixado por: Tomás Costa em novembro 24, 2006 02:42 PM

Peço desculpa aos utentes da blogesfera pela descida de nivel de linguagem e estilo em que somos tentados a cair. Mas por vezes só essa linguagem entendem alguns dos srs que por aí escrevem
Por exemplo o SR JOSE AZEVEDO: entao homem, faça lá um esforço! Aulas de substituição existem há anos. Discutem-se há meses e há semanas por aqui nos blogs é todos os dias. E você ainda não percebeu o que é uma "aula de substituição"? Agora a gente percebe porque é que alguns alunos dizem que chegam lá profs e os poem a jogar as cartas e o dominó! Coitados eles nao sabem mesmo mais! Mas vêm para aqui defender o ECD, que não sabem o que é e o que diz...mas querem ser promovidos e chegar ao topo da carreira! Ó Azevedo- você nesse ritmo e estilo não chega ao topo: sai projectado pelo telhado! E ainda dizem mal dos tijolos!

Afixado por: Tomás Costa em novembro 24, 2006 03:17 PM

Vamos lá a subir o nível então, oh camaradas e já agora a propósito das aulas de “substituição”. Ora aí vai um texto de um colega professor, com reserva de identidade, e que poderá servir de base para uma reflexão mais profunda:

« Hoje de manhã baldei-me. Por um incómodo indizível de entrar para a escola para me sentar num sofá. Porque fui (iria) por causa das horas cinzentas. Horas marcadas sem nada de específico no horário. Para esperar que algum professor falte. Para ir para uma sala qualquer. Sem saber quem se vai encontrar. Para ocupar na sala os alunos nesses tempos em que um outro professor tenha faltado. Sabe-se lá porquê.

Fui comprar três capas e um livro para alunos meus. Isso eu sei porquê e a importância que tem para eles. Conhecem-me já. Comunicam comigo com sentido de um futuro próximo onde contam comigo. Vou-os encontrar a seguir. Temos encontro marcado nas esperanças mútuas que alimentamos quando nos encontramos na primeira aula. E nas seguintes.

Os outros, os da prevista aula cinza, como a marcaram indefinida, não têm encontro marcado comigo. É com qualquer um. Como se abríssemos as nossas portas do dia a um qualquer. Sem expressão de uma direcção própria. De desejo. De esperança que nos oriente. A nós. Aos alunos. Qualquer coisa terá de acontecer e nós temos de estar preparados para aceitar o que vier.

Este não é um sentido para a educação. Não é um caminho de vida própria. É uma imprópria forma de viver. E não é por isso educação. A educação não é um conjunto de acasos. É a preparação para o acaso da existência que nos deve fazer pensar valoriza-la com um projecto de a utilizar gratificante. Gratificados por estarmos nela. Sermos pessoas que fazem com sentido. Que a determinam. Que conduzem o seu próprio destino. Não já como objectos de acaso. Mas como fazedores de acasos por onde a nossa imaginação voa. Não por onde as determinações do aleatório nos obrigam como matéria indeterminada, a utilizar de um modo qualquer.»

Afixado por: José Ruas em novembro 25, 2006 06:03 PM
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