outubro 27, 2006

Se houvesse cotas na classe política Sócras não passava do período probatório

Esta é a principal razão - respondendo aos que odeiam os professores e aos que os invejam por não terem tido hipóteses ou oportunidade de o vir a ser (é preciso tirar uma licenciatura e isso não é para todos, que o diga o primeiro ministro) - porque defendo os professores.
Porque relativamente aos políticos (esses, sim! ANALFAS e carreiristas) que os espezinham:

1) Um professor não o é só por ter sido eleito para isso. Teve que estudar.
2) Teve que ter formação geral universitária (licenciatura) e específica para esse fim (formação em exercício ou estágio profissional), ambas acreditadas pelo Estado português e em ambas teve que ter sucesso.
3) Teve também que se submeter a testes médicos e psicológicos para poder iniciar a sua carreira. Porque mesmo cientificamente habilitado, poderia o candidato não apresentar a robustez física ou psíquica para ser sujeito a tão desgastante missão.
4) Só depois de passar todos estes obstáculos o Professor pôde ser aprovado pela tutela, para vir a desempenhar a sua profissão.
5) No decurso da sua profissão o professor tem que, diariamente, deslocar-se 50 a 200 kms por dia, ou arranjar morada nas proximidades da escola onde foi colocado, muitas vezes ficando sem ver a família durante a semana inteira e, apesar disso, tem que fazer uso de todos os seus recursos para conseguir prender a atenção dos 20 a 25 alunos que tem encerrados numa sala, a olhar para si e a pensar em tudo menos na matéria que o desgraçado do professor se esfalfa para lhes ensinar, a cada hora e meia que passa.
6) Tem que o fazer todos os dias e continuar a fazer, ano após ano, e até aqui era avaliado, em média, cada triénio, se quisesse subir de escalão. Ou seja, progredir na carreira.
7) Nessa avaliação, levada a efeito por uma comissão nomeada pela escola de entre os professores mais habilitados, o professor tinha que elaborar um relatório circunstanciado contendo uma reflexão crítica do trabalho desse triénio. Essa reflexão, avaliada pela dita comissão, teria que conseguir a classificação de «Satisfaz» para que o professor pudesse progredir na sua carreira.
8) Mas tal não era suficiente. O professor tinha também que frequentar cursos de formação na sua área do ensino, até conseguir o número de créditos necessários à progressão. Portanto, e na prática, o professor que quisesse progredir tinha que frequentar, anualmente, pelo menos um curso de formação acreditado e avalizado pelo ministério da educação.
9) Desde há 2 anos a possibilidade de progressão foi retirada aos professores. Sem que nenhuma outra forma tivesse sido proposta. Em 2 anos.
10) Os professores - todos os professores e não só os eventuais «maus professores» têm estado a ser roubados por um Estado que não exige, entretanto, da classe política que o dirige, nenhuma espécie de habilitações.
Já tivemos ministros da Saúde que eram electricistas de profissão, advogados e economistas, e temos agora um primeiro-ministro que, para não cometer perjúrio, só pode apresentar, como habilitações literárias, um mero bacharelato em engenharia tirado no Instituto (nem sequer numa faculdade!) em Coimbra.


Que moral e que habilitações técnico-científicas tem José Sócrates, por exemplo, para governar uma nação inteira?
Que estudos tem ele na área que lhe proporciona o ganha-pão?
Doutoramento em Ciências Sociais ou Políticas?
Ao menos Licenciatura em alguma área que tenha a haver com macro-gestão?


Como raio um desqualificado profissional pode chegar a primeiro-ministro?
Então não é verdade que um simples canalizador, electricista, estucador, tem que possuir uma formação e uma carteira profissional para poder exercer a sua profissão?
Como pode exigir que os trabalhadores intelectuais não progridam legitimamente nas suas carreiras, quem não tem habilitações RIGOROSAMENTE nenhumas, nem sequer para ser professor?
Muito menos para ter chegado onde chegou...
Que responda quem souber.


A mim, é isto que me faz lutar

Publicado por JoaoTilly em outubro 27, 2006 08:30 PM
Comentários

Eu sei que o pivot da RTP está constantemente a cometer esse erro, mas, se me permite, nós temos de evitá-lo. "Tenha a ver com macro-gestão" e não "Tenha a haver com macro-gestão", como escreveu.
Saudações

Afixado por: eu em outubro 28, 2006 01:01 AM

Já agora, se o amigo do 1º "comentário" me permite, nem sequer: "Tenha a ver com..." mas sim "tenha que ver com..."
Abraço para o João.
jcosta, Viseu - Esen.
Também no " Ai Jesus" em http://aijesus.blogspot.com/

Afixado por: jcosta em outubro 28, 2006 04:10 PM

Num país a sério, este primeiro-ministro já tinha sido alvo de reiterados Impeachments e há muito teria sido destituído por perjúrio – que todos os dias comente – enquanto 1º funcionário do governo. Não é por acaso que o lugar do pinóquio, figura tradicional do nosso imaginário, se encontra em disputa. O novo mentiroso será pinócrates?
jcosta

Afixado por: jcosta em outubro 28, 2006 04:26 PM

Sem querer entrar em polémicas em matérias em que não sou especialista, e pedindo as desculpas dos correctores supra (e não as minhas desculpas - outra expressão que esteve no âmago de um mal entendido prontamente aproveitado por gente menos bem intencionada, aqui mesmo neste blog), não me parece que esteja errada a minha construção, na medida em que falo de coisas que implicam ou estão relacionadas com outras.
Com "têm a haver", eu quero dizer: têm coisas (relações) a haver com".
Sinceramente não entendo os sentidos das expressões "Têm a ver" ou "têm que ver"... .
O que tem o verbo VER (- visão) a haver com argumentos ou relações entre coisas que são naturalmente cegas?
Aguardo mais fundada explicação

Afixado por: João Tilly em outubro 28, 2006 08:54 PM

Na lógica (da batata) do Sr. Tilly um indivíduo só pode ser bom pianista se tiver uma licenciatura em piano. Não admite que possa existir um génio nato, capaz de interpretar, de ouvido, obras-primas dos grandes compositores, sem conhecer um nota de música.
Nada mais errado.
Um dos grandes males do nosso país foi pensar que tudo se resolvia com doutores. Se isso fosse verdade, já há muito que o país tinha saído da crise.
O que se pede a um governante é que governe e, preferencialmente, sem se governar.
Não será fácil, mas não é impossível.

Afixado por: Barão dos Formarigos em outubro 28, 2006 11:39 PM

Oh Sr. Barão, diga-me lá onde é que há "um génio capaz capaz de interpretar, de ouvido, obras-primas dos grandes compositores, sem conhecer um nota de música", pode ser? Já que acredita nessas coisas, leia "Introdução à Blinologia" de João Vasco em http://www.ateismo.net/diario/2006/10/introduo-blinologia.php (sempre é mais divertida!)

Afixado por: abaixoasinistraeaignorância em outubro 29, 2006 12:20 AM

Há coisas que não entendo mesmo. A única safa que o bacharel tem afinal é tomar o pulso à questão e assim enveredar pela clara prepotência à sombra duma maioria que teve e sabe-se muito bem porque razões! Escudado naquilo que já não tem - perdeu o estado de graça que aliás nunca teve! Uma maioria absoluta na qual estrategicamente os votantes elegeram um Governo que NÃO CONHECIAM! - é obra!

Mais, a maioria que lhe deu esta postura de poder não está já claramente com ele. Não serão as sondagens, pois essas são o que são e valem sobretudo aquilo que uma agenda de manipulação consegue fazer num dado momento.

Não me venham cá com histórias de que o que se está a passar é para o bem comum! O bem comum consegue-se com a maioria das pessoas... democraticamente... não com uma maioria de votantes. Não com a indignação que está a provocar. Acreditar nestes marmanjos que afinal tiveram 3 décadas para mostrarem o que valem e afinal meteram o país nesta m****? É o que temos! Que panorama miserável - mas atenção que ao contrário do que se afirma o Estado tem agora mais dinheiro do que o que tinha... pelo que se esperam novas acções de "manipulação de massas" pelo lado que afinal acaba por interessar e enrolar TODOS ou nem por isso - dinheirinho.

Tiveram maioria absoluta? É a regra do jogo democrático? Pois é mas pelos vistos está errado neste momento, bem como na maior parte das votações pós 25 de Abril, ou não será verdade?

O ping-pong bipolar entre PS e PSD é que nos levou a este túnel. As reformas, tão necessárias sim senhor, não são certamente estas, caso contrário não andaria tanta gente na rua a dizer BASTA!

Que negociações houve entre algumas classes, por exemplo: jornalistas... médicos... juízes?...

É uma vergonha!

Isto paga-se politicamente e os senhores doutores ou não, estão a fazer o joguinho "global" - empurrar os povos para uma nova escravatura dizendo-nos que a economia é global e vai mal... pelos vistos para eles e é apenas por isso que se aprestam a imprimir o aniquilamento dos mais básicos direitos. Até quando?

Afixado por: o outro em outubro 29, 2006 01:18 AM

Esse barão é impagável!
Interpretar obras dos grandes clássicos sem saber uma nota de música!
E porque não construir grandes edifícios sem saber o que é um tijolo? E dar aulas de português sem saber ler?
Mais exemplos?
Para o baronete todos os professores têm que ser avaliados, mas um primeiro ministro pode ser um analfabruto qualquer...
Boa, barão!
Continue a escrever.
Já não me ria com esta vontade há muito tempo.
Este blog afinal é humoristico...

Afixado por: Baronete Dominete em outubro 29, 2006 02:00 AM

O Sr. Barão...!?
Há que tempos eu não escrevia para alguém da nobreza! Vou rodear-me de alguns cuidados populares dizendo-lhe, desde já, que a batata existe (e ainda bem!) e, assim sendo, tem muita lógica, além de mais, a premissa é verdadeira. O que o João contesta (e milhares de muitos outros, como eu) não é o facto de termos um primeiro-ministro bem ou mal licenciado, não! O que se contesta é que um indivíduo desqualificado – até profissionalmente – não faça outra coisa que não seja desqualificar os portugueses, principalmente os da administração pública e dentro desses, os professores, achincalhando-os e humilhando-os diariamente – como se todos fossem maus e todos fossem culpados pelo estado a que isto chegou, recorrendo ao perjúrio alarve e à propaganda torpe. Governasse ele bem e não mentisse cada vez pior, mesmo não sendo doutor ou engenheiro, teria o nosso empenho. Mas pelo que se vê, até somos culpados pelo aumento da energia…
Saudações republicanas.
Zé doa anzóis, pescador de águas turvas.

Afixado por: zé dos anzóis em outubro 29, 2006 08:27 AM

Já agora escreve-se QUOTAS (como partes de uma divisão) e não COTAS (como cotas topográficas)

Afixado por: José Manuel em outubro 29, 2006 09:47 AM

Desculpe lá mas sobre essa palavra eu fui informar-me antes de escrever.
Quota significa:
porção determinada;
quinhão de cada um;
parcela;
prestação;
cota.
-------------------
Portanto quota = cota.
Mas mais.
-------------------
Cota, para além de ser qualquer medida atribuída a um desenho técnico (e não só em altitude, como as curvas de nível) também pode significar:
quinhão;
prestação;
determinada porção;
quantia com que cada indivíduo de um grupo concorre para um fim determinado;
quota;
------------------
Como se vê ambas as palavras significam o mesmo.
Quota é um latinismo.
É certo que a palavra vem do latim mas, mesmo assim, eu prefiro a equivalente portuguesa.

Afixado por: João Tilly em outubro 29, 2006 10:07 AM

Com tantos processos disciplinares a membros do PS, como é que este Sr Sócrates, no Congresso teve 97% de apoio?
É que quem discorda tem logo um processo, eles andam muito cautelosos com o conflito interno.
Os lobbys lá dentro são piores que as maiores corrupções do nosso País.
O Sócrates também já foi ao beija mão da Bilderberg com o Santana Lopes, nos tempos em que qualquer dos 2 poderia ser 1º Ministro. A Maçonaria europeia não brinca em serviço.
E nós por aqui "marionetes" a pensar que somos alguém.
Mas vou até ao fim para os desmacarar por todo lado.
Vão ao Google e escrevam Bildelberg, e vejam as surpresas portuguesas.
Boa pesquisa.
É vergonhoso!

Afixado por: Maria em outubro 29, 2006 09:23 PM
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