
Se para alguma coisa serve, o ranking das escolas, é para se poder comparar DENTRO DE UMA MESMA REGIÃO - a diferença entre a qualidade do ensino que é dado ou VENDIDO aos cidadãos.
E porque o tema foi levantado neste blog, nomeadamente com um defensor acérrimo do ensino privado e vários opositores, aqui vão as conclusões que se podem extrair do ranking das escolas, que se pode obter em milhares de sítos na net.
Eu fui buscá-lo à SIC. O formato é pdf e consta de 13 páginas.
Qualquer um as pode imprimir.
Era bom que o fizesse para poder confirmar as conclusões que aqui se tiram:
COIMBRA:
Colégio Rainha Santa - PRIVADO - propina mensal da ordem dos 600 euros por mês, lista de espera interminável, entrevista rigorosa a todos os candidatos.
Só recebe, portanto, os alunos mais ricos e melhores de Coimbra.
Propõe 258 alunos aos exames do 12º ano.
Média dos exames: 12.52 valores. Posição no Ranking nacional: 15
Escola Secundária José Falcão – Pública - sem propina mensal. É obrigada a aceitar toda a gente. Recebe, portanto, todos os alunos mais pobres de Coimbra e aqueles que são rejeitados pelo colégio Rainha Santa.
Propõe 450 alunos aos exames. Mais 192 alunos que o super Colégio Rainha Santa. Ou seja, mais 74% do que aquele colégio.
Média dos exames: 12.38 valores
Posição no ranking: 19
Conclusão - menos 1 DÉCIMA que o colégio Rainha Santa
LISBOA:
Colégio do Sagrado Coração de Maria - PRIVADO
Dispenso as considerações anteriores.
Leva a exames 273 alunos. Média nos exames: 13.57 valores
Posição: 3
Escola Secundária do Restelo – Pública
Dispenso as considerações anteriores.
Leva a exame 485 alunos, mais 77% que o colégio anterior.
Média nos exames: 13.42 valores
Posição: 4
Diferença entre eles: 1,5 DÉCIMAS!
PORTO:
Colégio Luso Francês PRIVADO
Leva 224 alunos a exame. Média: 13.25 valores.
Posição no ranking: 7
Escola Secundária Aurélia de Sousa
Leva 683 alunos a exame. 304% (mais do triplo) do colégio anterior. Média: 13.03 valores.
Posição no ranking: 9
Conclusão: menos 2 DÉCIMAS que o colégio anterior.
Só para falar no topo da tabela, portanto relativamente aos MELHORES COLÉGIOS DO PAÍS!!!
Porque do meio para baixo e o fundo da tabela estão pejados de colégios .
O segundo pior estabelecimento de ensino do país, por exemplo, é um colégio de Manteigas. Mas não se pense que é por estarmos no interior.
Apenas uma dúzia de lugares acima (499 em 513) está um colégio de Leiria!
O que eu acho mais incrível é que um colégio leva a exame de metade a um terço dos examinandos de uma escola pública e, mesmo assim, os resultados globais não são, de modo nenhum, melhores.
Aqui está a prova.
Se os colégios apanhassem com o triplo dos alunos, sem possibilidade de escolhas, como as secundárias, situar-se-iam - fica provado! - bem abaixo de quase todas elas.
Espero agora, à luz desta evidência, os comentários dos fanáticos defensores do negócio - perdão - do ensino PRIVADO.
Curiosidades:
O pior classificado estabelecimento de ensino de Lisboa é o Instituto Militar dos Pupilos do Exército - não é aberto à população. Tem rigorosa escolha prévia dos candidatos.
O pior classificado estabelecimento de ensino do Porto é o Externato D. Dinis (Privado) - 439
O pior classificado estabelecimento de ensino de Coimbra é o Colégio da Imaculada Conceição (Privado) - 376
O pior classificado estabelecimento de ensino da Covilhã é o Externato Nossa Senhora dos Remédios (Privado) - 425.
O pior classificado estabelecimento de ensino da Madeira é a Escola da APEL (Privado) - 433.
O pior classificado estabelecimento de ensino de Braga é o Externato S. Miguel de Refojos (Privado) - 472.
Há, apenas, 67 colégios que não representam, sequer, 5% dos alunos admitidos a exame, enquanto há 446 Escolas públicas cujos alunos correspondem a mais de 95% da população que se submeteu a exame.
Os colégios representam, por isso, uma elite muito restrita da população escolar, da qual apenas cerca de 1% (20% da sua própria população) pode ser considerada boa ou muito boa, enquanto os restantes 4% (80% da sua própria população) estão perfeitamente enquadrados no nível da mediania do ensino público.
Senão mesmo abaixo.
A Escola secundária da minha terra (Seia) encontra-se numa classificação terrível, no último quinto da tabela - 401. Média exames: 9.40 valores.
A Escola secundária da cidade mais próxima e vizinha (Gouveia) encontra-se significativamente acima - 309. Média exames: 9.92 valores.
Estas é que são más notícias.
Já agora: por onde andam os posts que me censurou na passada semana?
O grande Educador deve dar o exemplo da liberdade de expressão e democracia! (não a do antigamente, a do Leste! Não: a verdadeira! A da liberdade de de opinião!)
E essa de bloquear a minha entrada no blog? Foi ainda mais requintada!..
Continuarei aqui e onde quer que seja a lutar por uma melhor Educação! E melhores Educadores. Apesar dos sesu bloqueios e censuras!
A escola de seia está num lugar terrível? Olha a novidade! "Pela aragem se vai quem vai na carruagem!..."
Afixado por: Tomás Costa em outubro 25, 2006 10:11 PMCorrigenda: " Pela aragem se vê quem vai na carruagem!...."
Com pedido de desculpa pelo erro datilografico!
Mas você anda bem? Aqui alguém bloqueia(??!) ou censura (?!) alguma coisa?
Até hoje, e desde sempre, só apaguei insultos, como é natural.
Nunca argumentos.
A prova está aí, homem.
Desde que não insulte as pessoas, escreva para aí!
LOL Muito bem como sempre Tilly!
A propósito do Rainha Santa (saltou-me logo à vista! É um magnífico edifício!!!), saí de lá com o 7ºano e fui para o José Falcão (era altura de crise... sugeri ao meu Pai a mudança). De aluna de 5 (média) passei para aluna de 3 (oitavo ano). Só bem mais tarde recuperei as notas. E porquê? Cheguei ao liceu e de nº1 passei para nº 28 (coisas das transferências). "Meteram-me” numa turma de repetentes, como se dizia na época, numa turma de electrotecnia. Nada contra … mas, eu queria era tocar piano!!!
Enfim, serviu este comentário para relembrar fases difíceis mas muito educativas . Continuando (desculpe! Mas apetece-me mesmo falar), no 9º ano, escolhi eu a opção música, eu e os repetentes voltámos a encontrarmo-nos. Foi uma alegria durante todo o ano! Fui sempre defendida já que fazia os testes com e por eles! Mais uma: desse tempo da música no José Falcão: em plena década de 80, meados, o prof. de música revelava a grande novidade rock que eram os Pink Floyd! LOL! Há realmente cromos na educação. Por falar nesses, analisei hoje um documento de uma Coordenadora do Ensino Especial (de um Agrupamento), que defendia Apoio de Rectaguarda. Referir-se-ia a quê? Bom fim-de-semana!
Ops!!!! Fazes nada!!! Fases ;) Eu a criticar a outra, olha q'esta!
Afixado por: abaixoasinistra em outubro 25, 2006 10:57 PMOs erros do teu raciocínio são tantos e tão grandes que não é possível corrigi-los com bloguices.
A presunção de que um maior número de alunos implica uma maior número de "maus alunos", é indescritível.
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comentário:
Não é por isso, é porque as turmas, em vez de terem 16 alunos, tem 28 e só há um professor por turma....
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Um professor que não entende que um mercado de ensino é benéfico para a eficácia e valorização do seu trabalho, é um professor que não entende porque é que a sua própria escola funciona mal.
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comentário:
Aqui ninguem está contra o privado. Está-se a explicar porque é que os melhores colégios aparecem à frente no ranking, nada mais.
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Tens de tentar resolver os problemas de diagnosticas. Começas pela tua escola. Quando vires, que apesar do teu esforço (ignorado e mesmo combatido por "colegas"), vais mudar pouco ou nada, falamos.
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comentário:
Também não é verdade. Do ano passado para este ano, por exemplo, por causa da nossa luta que chegou aos tribunais, o primeiro elemento do CD a aparecer na escola já não o faz às 10 e meia para vir tomar o pequeno almoço. Está lá às 8:45h, como todos nós... eh eh eh!
Ainda é só um, é certo. Dos outros, ninguém sabe. Mas a coisa vai lá.
Quando forem intimados ou inspeccionados sem o saberem começam a aparecer todos!
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Porque não ser tudo do estado: educação, saúde, transportes, energia... tudo do estado, pá. Isso é que era, não era?
E eu era vizinho do companheiro Vasco.... (infelizmente já falecido).
PS: o mais caricato é que o professor de matemática dos alunos que tiveram das melhores notas nos exames, do Colégio Valsassina, é o Miguel Carvalho, de Seia.
A SIC foi lá entrevistá-lo.
É "tão mau"professor que teve de ir para um "colégio"....
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Comentário:
Parabéns para ele. O Colégio Valsassina está cotado no lugar 10 do ranking, com média de 13.00 valores, abaixo da Escola Secundária do Restelo, que é pública, está na posição 4 e teve média de 13.42 valores. 4 décimas acima.
Mas parabéns ao colégio e ao meu colega e conterrâneo na mesma.
Já agora, não sei se sabes que na minha escola 75% dos alunos obtêm aprovação a matemática. E na secundária não desmerecem...
O "Externato S. Miguel de Refojos (Privado)" é a única Escola Secundária do concelho, não seleccionando e recebendo todos os alunos de Cabeceiras de Basto.
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comentário:
Lá está!
Os rankings não explicam tudo...
Está notada apenas como PRIVADA, na lista.
Obrigado pelo esclarecimento.
Aqui fica.
Já agora: não será por isso mesmo que a sua classificação no Ranking é tão baixa???
João Tilly
Afixado por: Serra em outubro 25, 2006 11:35 PMAo contrário do que muitos afirmam a principal motivação pela qual muitas familias da classe média alta se dispõem a pagar propinas de 400 euros ou mais não tem nada a ver com a suposta "qualidade de ensino". Principalmente no ensino básico. Na realidade o que não querem é que os filhos estejam em turmas onde se misturem com os alunos dos bairros pobres.
No Porto e nos outros locais do país esses colégios funcionam como uma espécie de ghettos para ricos.
Afixado por: José Manuel em outubro 26, 2006 12:54 AMO ranking das escolas não considera as mais diversas situações de raíz, confundindo-se assim méritos de alunos/escola, com vantagens de partida, indiferentes ao desempenho de cada um.
Está muito bem feita a análise do colega João, que daqui saúdo, e a extrapolação relativa à quantidade de alunos faz todo o sentido. Ainda não percebi de que matéria é feita a massa encefálica de certos comentadores ...
Será que a paixão pelo neoliberalismo e a febre contra a escola pública lhes retirou capacidades mentais?
Abraço João, e continue em frente.
Capacidades mentais... é possível...
Paixão pelo neoliberalismo? Não é neo... que rídiculo cliché...
Não admira que o ensino esteja mau.
Os profs são quse todos analfas... É como os profs das "Tecnologias": conhecem as aplicações reles do Bill Gates, que adoram... eu agradeço, claro. Desgraçados...
Que país mediocre. Os comentários dizem tudo sobre o que sabem e fazem. Não admira que destestem os americanos, desgraçados (excepto o Bill), o que comprem os discos dos dias da Madredeus... Dúvidas quanto às causas da pobreza deste país? Deixem de as ter... leiam o que escrevem e mostrem aos tipos do MIT.
Caríssimos: o triste ensino público é o que menos interessa.
Os resultados estão à vista.
Se nada mais sabe que o que lhe ensinaram na escola, é pobre, concerteza.
Não o conheço mas não o considero atrasado mental: é evidente que o que diagnostico na sua posição é simples falta de conhecimento e não de "estudos" esm escolas públicas.
Está certo... é como o CineEco. Faltam os ovos, pá.
Este Blog tem mesmo de ser divulgado.
É um espécie de Jornal do Folclore não federado.
Não consigo evitar outro comentário de hilariantes que são os comentários dos PRECS, assim:
O carro, a casa, a roupa, a comida, a namorada, eu posso escolher...
Agora O ENSINO??? NUNCA!
Afixado por: AnTóino em outubro 26, 2006 01:23 AMVamos ver até quando ... As borbulhas ainda o incomodam? Vá, tenha calma ... e vá falando. Estamos cá para o ajudar ;)
Afixado por: abaixoasinistra em outubro 26, 2006 01:27 AMAfinal além de um Tomás também se pode ler um "António" com um sugestivo endereço de correio electrónico: anttilly@hotmail.com ... mas já agora, caro António (por mera coincidência também me chamo António), não me diga que ainda está naquela de dizer que a culpa do estado deste país se deve ao PREC?! Essa serviu durante muito tempo para tapar o sol com a peneira ao ponto de terem decorrido 3 décadas após o 25 de Abril e a culpa deste estado em que estamos pertencer inteiramente aos sectores políticos que o têm (des)governado. Não me parece que seja justa essa sua nervoseira e ela só poderá ser compreendida à sombra da "queda", não a do Camus... Aquela história do "tendencialmente" gratuito que está na Constituição... não lhe faz impressão? Não será uma grave violação? Neste país nada é grave.
Força João Tilly, de facto é cada vez mais hora de não calar nem alinhar na destruição do bem comum em prol de um neoliberalismo que está a rebentar com tudo. E cego, como sempre...
É aqui que divergimos: o ensino público não é um bem comum.
Este Ensino público é um MAL COMUM.
É caricato dizer isto no Blog do João, que é um dos que personifica o exemplo contrário. Pessoas como ele são totalmente desperdiçados nestas escolas que, mesmo contrariados, ajudam a manter. Acho que está na hora de separar o trigo do joio.
Toda a gente sabe que esta "luta" dos professores nada tem a ver com a defesa do ensino público, mas, apenas, com o estatuto da carreira docente; melhor: com o fim da progressão automática na carreira.
Toda a gente o sabe razão pela qual os protestos dos professores não têm qualquer apoio.
Não venham cá fazer de conta que estão a defender "o ensino público", que esse, não está, nem nunca esteve, em causa.
Estes professores estão apenas a tentar segurar meia dúzia de regaliazecas que, apesar de não terem qualquer interesse, são demonstrativas da desigualdade na função pública - querem lá saber dos direitos dos outros funcionários! - e contribuem significativamente para o "buraco" das finanças do estado.
Quem não está contente com a profissão de professor que tem, pode sempre propor uma nova escola, ou mudar de profissão, que o tempo de serviço conta na mesma. Mas parece que isto, são incapazes de fazer. Fazem umas manifs... apenas.
Interessa-lhes é o dinheirito, um horário semanal a reduzir e o tempo de férias a aumentar. Passam a vida a contar, em voz alta, o tempo que falta para a reforma; a queixar-se que não têm de "dar o estudo acompanhado". E os miúdos a precisar tanto de quem lhes ensine algo que tenha valor, que lhes sirva para a vida. É uma vergonha.
Instintiva e primária, esta reacção dos professores, é apenas o resultado mais que esperado da acção dos inúmeros sindicatos que tudo aproveitam para justificar a sua existência, mantendo desta forma os "tachos" completamente desnecessários de centenas de professores que não ensinam.
Por isso é que NÃO ENTENDO porque é que o João Tilly está do lado destes professores e dos eus interesses corporativos, pois todos os dias denuncia as hipocrisias que tolhem o funcionamento e a melhoria do ensino na sua escola.
Entristece-me também ver que a sua posição tem o apoio do professor-parasita que ele diariamente combate.
Caríssimo:
Esta na hora de propôr, ao Ministério, a autonomia pedagógica e financeira dessas escolas de ensino-em-série.
É preciso acabar com essa indústria do estado do ensino-da-treta.
É evidente que uma autonomização eficaz implica o financiamento do Ministério e uma gestão própria. Reduziam-se logo os custos e aumentava-se a produtividade, visto que os "parasitas do ensino" fugiam a sete pés para a "escola pública" mais próxima. Nem era preciso pô-los no olho da rua.
É que isto não pode ficar-se por "umas manifs e uma palavras-de-ordem-gritadas-ao-megafone-até-se-acabarem-as-pilhas": se os políticos são todos uns "bachareis", está na hora de lhes fazer frente, o que não será dificil para tanto doutor defensor da economia-de-estado tanto do agrado de quem gosta e quer viver às custas do trabalho alheio.
Força.
Afixado por: AnTónio em outubro 26, 2006 01:28 PM