outubro 23, 2006

Eduardo Brito, com um golpe de rins notável, apela a melhores acessibilidades

Ao contrário do secretário de estado, Eduardo Brito fez, no seu discurso, o que sabe fazer melhor: improvisar. E desenrascar.
Sabendo todos nós que nunca foi grande adepto desta estrada, por motivos que não vêm agora ao caso, não há dúvidas que, em política, EB é uma força da natureza.
Conseguiu dar a volta ao texto de tal forma que parecia que toda a vida tinha lutado por aquela obra.
Impagável!
Seja como for, lá fez o que lhe competia e pediu directamente melhores acessibilidades à Serra e ao concelho. Mais para plateia ouvir do que para o secretário de estado, obviamente... mas estas coisas caem sempre bem no seio de uma população cada vez mais ostracizada e esquecida.
Esta obra é uma inversão no processo, não posso deixar de o reconhecer.
E, por unanimidade, se reconheceram ao eng Carlos Leitão os seus bons ofícios junto da antiga JAE para que esta obra viesse a ter luz verde.
O reconhecimento do seu empenhamento ficou registado na placa com o nome da rotunda.
Claro que esta iniciativa tinha que ser aprovada, em primeiro lugar, pela Assembleia Municipal, mas EB não liga muito a esses pequenos pormenores e, neste caso particular, também não vem mal ao mundo por isso.
Sê-lo-á a seguir.

Toca agora a publicitar a nova estrada para o maciço central e o nosso alto-concelho:
S Romão, Valezim, Lapa dos Dinheiros, Sazes, Cabeça, Loriga, Alvôco e Teixeiras.
Que é o que mais interessa neste momento.
Vem aí o inverno...

Publicado por JoaoTilly em outubro 23, 2006 12:37 PM
Comentários

Tarde é o que nunca chega.
Finalmente, depois de 40 anos de incertezas e de uma oposição ferrenha das localidades detentoras do monopólio das acessibilidades, a estrada de S. Bento é uma realidade.
Estão de parabéns todos quantos contribuiram para a sua concretização e bem assim as localidades do lado desconhecido da Serra, nomeadamente, Loriga e Alvoco da Serra, que passam a gozar de um acesso mais fácil aos seus domínios, no maciço central, e que confinam com a Torre. Em contrapartida, os forasteiros que voluntária ou involuntariamente utilizarem essa estrada vão ter oportunidade de conhecer dois vales particularmente belos e, bem assim, as pitorescas aldeias de montanha que neles se aninharam e que são um verdadeiro convite a uns momentos de tranquilidade num ambiente de montanha com ar puro e águas cristalinas.
O tempo recuperado das longas filas de trânsito bem pode ser utilizado na descoberta dessas e outras aldeias que povoam a zona de influência da nova via, que até aqui estavam fora dos trajectos tradicionais e cuja morte lenta, em termos turísticos, tinha os dias contados não foram iniciativas como esta.
Cana já temos, agora é tempo de começar a pescar.
Importa criar condições para acolher o fluxo turístico daí resultante e, não menos importante, combater aquilo que eu designo como anti-turismo: construção desenfreada em altura, descaracterização da arquitectura tradicional, construção junto à estrada, nas linhas de água a obstruir a panorâmica dos vales (lembro-me dum caso flagrante em Loriga), construir os telhados perpendiculares à encosta, atascar as ruas de prédios, sem deixar intervalos para usufruir da paisagem, vender produtos marados como sendo regionais etc, etc.
Ganhámos uma batalha mas não ganhámos a guerra. O atraso a que esta zona foi votada não fica ultrapassado com esta obra. São necessárias mais infra-estruturas de que destaco os meios mecânicos, de alternativa aos meios poluentes, e que constituem, por si só, uma atracção turística capaz de captar novos turistas, nomeadamente, aqueles que acreditam que "há mais serra para além da neve".
Sem pôr de parte outros meios, a partir de outras localidades, o meu pensamento vai para as telecabines ou teleférico, a partir de Alvoco da Serra, cuja contrução está prevista e que espero venha a ser uma realidade, a breve trecho, pois não há tempo a perder: a vaquinha da UE já está cansada e vai ficar sem leite, não tarda.
Para além de se neutralizarem as vozes discordantes que só vêem interesse nos projectos quando lhes tocam de perto, há que unir esforços concertados junto das entidades oficiais e privadas no sentido de dar corpo a esta obra, indispensável numa estância turística de montanha, com ou sem neve, que estou em crer, iria tirar o Vale de Alvoco do anonimato e beneficiar todas as povoações vizinhas. O próprio parque natural e o concelho, no seu conjunto, também sairiam a lucrar pois que um equipamento deste tipo é capaz, repito, de atrair novos e outro tipo de turistas para além dos tradicionais. É errado pensar-se que estes meios podem representar um prejuízo para outras localidades porque, normalmente, funcionam em complementaridade, aumentando o fluxo turístico que tende a diluir-se por toda a região, não se confinando só a um percurso imutável. A Serra dá para todos desde que se ofereçam serviços de qualidade. Atractivos não lhe faltam e ainda há muito por descobrir...
Parabéns às gentes de Loriga, das terras vizinhas, do concelho de Seia e do Parque Natural.
SERRA HÁ SÓ UMA, A DA ESTRELA E MAIS NENHUMA.

Afixado por: Barão dos Formarigos em outubro 24, 2006 01:03 AM

Exmo. Sr. Barão,
Inteiramente de acordo: há mais serra para além da neve. Quem calcorreou a Serra e por lá passou muitos dias nos idos anos setenta sabe do que está a falar.
No entanto, não tenho grandes dúvidas de que esta estrada será mais uma cicatriz na Serra que, tal como é evidente pelas outras, provocará mais lixo acumulado nas valetas, engarrafamentos na altura da neve, poluição, construção desregulada ...etc, etc....
Os “amantes da natureza”, aqueles que a espreitam através dos vidros do automóvel, terão um acesso mais rápido às lojas da Lagoa comprida ou ao centro comercial da Torre para aí comprarem o típico e regional galo de Barcelos ou os tradicionais casacos de pele e enchido de Estremoz? Ou tirarem a fotografia que imortilizará a sua “aventura na montanha”?
As povoações da região provavelmente sofrerão do desenvolvimento negativo associado a este processo.
Parques automóveis a meia-encosta, turismo de qualidade nas povoações limítrofes (com instalações adequadas, promoção da cultura, gastronomia ...), cabines de apoio no maciço central, percursos (pedestres, bicicleta, alguns motorizados) sinalizados, centros de interpretação e apoio didáctico ... Não é isto que estou a prever para o futuro próximo.

Afixado por: Laranjas em outubro 24, 2006 11:45 AM

Correcção: imortalizará

Afixado por: Laranjas em outubro 25, 2006 08:30 PM

Peço desculpa ao João Tilly por continuar este assunto, aparente desligado do post a que estes comentários estão associados. A questão é que cheguei aqui directamente via uma pesquisa no google, sem passar pelo post principal. Mas, agora que aqui estou, queria dar uma achega.
Eu moro na Covilhã. Sou então, suponho, um habitante de uma das localidades que Eduardo Brito considera "com o monopólio das acessibilidades". Pois bem, não concordo. Apesar de nunca ter eu mesmo feito esta travessia, conheço muitas pessoas que subiram de Loriga para a Torre e daí para Manteigas ou outros destinos. Agora que existe a estrada de S. Bento, já não tenho vontade de ir para essas bandas. Os meus amigos também não. Ou seja: Loriga tinha acessos à Torre, mais do que os que Eduardo Brito pode imaginar. Agora tem muito menos atractividade, apesar de já se poder ir de carro. "Ganhou-se uma batalha", sem dúvida: Loriga está já na senda de se transformar num novo Sabugueiro.
Aqueles que acreditam que "há mais serra para além da neve" não precisam para nada de estradas que apenas facilitam o acesso à neve. Se quer os turistas em Loriga, precisa de os convidar a sair dos seus carros em Loriga. Esta estrada faz o contrário, convida-os a seguir viagem a caminho da Torre. E descobrir a Serra não é, nem pode ser, dar voltinhas de carro por ela a fora. Veja-se como se faz no Gerês, onde os turistas passam semanas passeando a pé, de cavalo, em bicicleta, de canoa, fazendo escalada. Não é preciso alcatrão para nada disso, antes pelo contrário: quanto mais alcatrão houver, menos turistas quererão permanecer na Serra.
É tão óbvio o que Laranjas diz no seu comentário, que até espanta que opiniões como as de Eduardo Brito continuem a fazer-se ouvir. Aquilo que defende (estradas, telecabines, estâncias: "turistrelices", em suma) é o contrário do que a Serra precisa.

Afixado por: José Amoreira em novembro 12, 2006 07:21 PM

Ora bolas, não tinha percebido nada quando escrevi o comentário de há pouco. As declarações que critiquei não eram de Eduardo Brito mas sim deste Barão dos Fomarigos que fez o primeiro comentário. E afinal o meu comentário está relacionado com o post. Não sei o que disse Eduardo Brito na inauguração mas, se é verdade que se "colou" aos defensores da estrada, duvido que se tenha afastado muito do discurso do Barão dos Fomarigos.
As minhas desculpas pela confusão.

Afixado por: José Amoreira em novembro 13, 2006 12:54 AM
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?