Viver em meias tintas?
Não, Obrigado!
O regime tendencialmente totalitário em que já vivemos, hoje em dia, fruto de décadas de desresponsabilização e ausência de fiscalização a quem tem detido o poder, está a conduzir os cidadãos a um beco sem saída.
Ou se aceita todas as ilegalidades que nos tentam impôr, no dia a dia, ou não.
Quem aceita tem o problema resolvido.
Pode continuar a dar-se bem com os vizinhos, com o padeiro, com a sua vidinha vegetativa do arroz com feijão, à espera da morte.
Quem não o aceita, como eu, é aplaudido pelos fracos, oprimidos e descomprometidos, abertamente;
e, embora não declaradamente, pelos demais cidadãos honestos que as contingências da vida levaram a estar, hoje, de alguma forma comprometidos com o poder instituído.
E muito odiado pelos "poderosos" que desmascara diariamente.
Entre o povo, no entanto, existe uma grande maioria de gente descuidada, para não dizer auto-demitida dos seus deveres e direitos cívicos, que se limita a vegetar e a não apoiar abertamente quem se revolta, sem hesitações, a seu favor, contra um sistema absolutamente corrupto e subversivo-mediocratizante-ditatorial, como aquele que a brutalizante mediania mediática e politiqueira conseguiu, após 30 anos de árduo labor, instituir finalmente em Portugal.
Para esses, as minhas condolências.
Para aqueles que ainda acreditam que é possível trazer de novo a Democracia e a Liberdade a um país a 50% arrebanhado e ainda mais subjugado à "tutela" do que no tempo de Salazar, uma palavra de esperança!
Eu não desisto, apesar de todas as intimidações e dos processos em estúpida catadupta que o poder ILEGAL e corrupto me instaura.
Vem isto a propósito de mais uma indignidade que se está a verificar nas escolas secundárias onde, à revelia do actual ECD - que é o que ainda está em vigor - começa a haver aulas de substituição.
Se, no ensino básico, elas teoricamente fariam algum sentido, se fossem realmente aulas, já que estamos a falar da escolaridade obrigatória, já a extensão dessa medida ao secundário, ao abrigo de um despacho de Junho de um iluminado qualquer é perfeitamente descabida.
Só lá anda quem quer e o aluno, no secundário, está lá para ter Geografia, por exemplo, não é para ser entretido por um professor de Educação Física na falta do professor titular.
Se não tem Geografia, tem que ter a LIBERDADE de poder escolher o que quer fazer. Ir para a biblioteca ou para casa estudar, por exemplo.
Não tem que ser obrigado a aguentar uma hora ou duas com um professor que não lhe está a ensinar rigorosamente nada, porque não pode, mas apenas a fazer-lhe perder tempo.
As faltas a essas aulas (que nunca o são, na prática) são ilegais também, por maioria de razão. Se não há aulas, não pode haver faltas a elas, a não ser do professor. Nunca do aluno.
Mas é exactamente isso que se está a praticar por essas secundárias fora ao "abrigo" do tal "despacho".
Ora, substituição não é uma disciplina curricular. Portanto...
Mas lá está! Não vejo ninguém reclamar nada...
Não faz mal.
Reclamo eu.
Não é só o Sr. Tilly que reclama. São todos os alunos do ensino secundário.
Afixado por: André Calvário em outubro 21, 2006 06:58 PMSou professor numa escola equipada com uma excelente biblioteca, até este ano bastante frequentada pelos alunos. Este ano está praticamente deserta, já que os alunos são ocupados, na falta de professor, com as tais "aulas" de substituição. Melhorou com isso a qualidade do ensino e das aprendizagens? Claro que não, mas também não é isso que importa, não é? O objectivo é ter os alunos “ocupados”, no interior da escola, tanto tempo quanto possível, de preferência o mesmo tempo que os pais estão no emprego. A função da escola pública será assim, tendencialmente, a de armazém, pensado na lógica das necessidades dos grandes centros. Vivo e trabalho numa pequena cidade do interior, onde o ensino secundário é frequentado em cerca de 30% por alunos que têm de se deslocar em transportes públicos de outras localidades, algumas delas distando mais de 40 km. Faltou um professor ao último tempo da manhã, podem os alunos ir almoçar mais cedo? Faltou um professor ao último tempo da tarde, podem os alunos de fora ir mais cedo para casa? Não, têm de ficar fechados na escola (nem com autorização dos pais, isso já foi tentado, os deixam sair!!).
Afixado por: F. Martins em outubro 24, 2006 12:08 PMÉ de facto uma vergonha.
Mas se é ilegal, como parece, porque é que os sindicatos não poem o caso em Tribunal?