Quem bem está a começar este dia! - dizia eu.
E se o bacharel, hoje, não aumentasse nenhum imposto, nem inventasse nenhuma portagem, nem taxas moderadoras para acesso ao oxigénio e se, por ser dia 19, não retirasse a última "côdea" da boca dos pobres, como dizia o grande e saudoso Professor Ferreira?
«- Um Homem fala alto e mija direito!»
«- Um Homem refila sempre quando tem razão!»
e, à sexta feira à tarde:
«- Vamos embora, por esses campos fora!»
Era um Grande Professor.
E comunista, em 1966.
E delegado Escolar.
Cortava resmas de folhas de 35 linhas da delegação escolar e fazia cadernos, com agulha e linha, para os colegas mais pobres, que os não podiam comprar.
Arranjava canetas (de aparo, de carregar nos tinteiros embutidos à frente nas carteiras), para todos.
Não admitia que os filhinhos de papás trouxessem borrachas cheirosas, cadernos coloridos ou lápis cheios de bonecos, porque isso constituía um insulto para com os colegas pobres.
Ali, naquela sala, éramos todos iguais.
Tudo saltava por cima das carteiras e alinhava em ordem ao canto da parede, para ser o primeiro a mostrar-lhe o problema resolvido.
Naquela Escola Primária vivíamos, todos os dias, em Democracia e em Liberdade, 8 anos antes de elas aparecerem em Portugal.
Bem hajas, professor!
Nunca te chegarei aos calcanhares, mas tento imitar-te todos os dias.
E agora, vamos lá para a Escolinha!
Hoje já não há greve.
Há aulas para dar e crianças àvidas de aprender (há sim senhor! 5 ou 6, mas ainda há!...) às quais tem que se revelar mais um pouco da Luz do Conhecimento.
E pais ansiosos por descarregarem os filhos nas escolas pejadinhas de "péssimos" professores...
É só rir, este País.
Quando reivindicamos Justiça e lutamos para que não nos roubem descaradamente, somos apelidados de "péssimos profissionais", como dizia ontem na miserabilenta tvi aquela parelha de pivots imbecis e o comenteiro noveleiro Sousa Tavares.
Logo a seguir, de manhã, os mesmos que não conseguem dizer pior dos professores, correm às Escolas para entregarem a esses péssimos profissionais o que de mais precioso têm: os filhos!
Está aqui a escapar-me alguma coisa, não?
Não!
É grunhice colectiva, mesmo!
É um bypass intelectual generalizado que provoca a ligação directa do intestino grosso ao cérebro.
Até logo.
Vou ensinar os filhos dos que me insultam.
Bravo! Quem escreve assim não é gago. Até me vieram as lágrimas aos olhos. Continua e não te deixes desanimar por uma opinião publica desinformada. Um abraço. Voltarei. Zé Ferreira
Afixado por: José Ferreira em outubro 19, 2006 10:41 AMforça João, vou pegar nas tuas palavras e vou mandá-las para toda a minha lista de endereços e tentar trazer mais gente para a leitura do teu blog no qual me revejo sempre que por aqui passo.
Afixado por: toc-toc em outubro 19, 2006 01:05 PMO enunciado sobre a razão formulava-o (o Professor Ferreira) também de outra maneira. Está indelével na minha memória:
"Um Homem quando tem razão não se cala nem em frente ao Papa, nem ao Bispo, nem ao Rei".
Estávamos em 1966-1969 !
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Não seria:
«Nem ao Rei, nem ao Bispo e nem ao Papa??
Um abraço, pá!
Um dia temos que tratar da Memória deste Grande Homem, porque o povo tem memória curta e a autarquia mais curta ainda.
Porta-te
João Tilly
Convém ler com atenção a última proposta do ME, a plataforma sindical está reunidada hoje na sede do SPGL, para resolver como a vão "comprar", pois chantagem como esta nunca se tinha visto.
SE OS SINDICATOS ESTIVEREM QUIETINHOS E SERENOS, O TEMPO DE SERVIÇO DOS DIRIGENTES CONTA COM TRABALHO DOCENTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A proposta está na Página de vários sindicatos, como por exemplo aqui:
http://www.spgl.pt/
Continua João.
Afixado por: Maria em outubro 19, 2006 05:14 PMJá passei o endereço do teu blog a toda a minha lista de contactos... por td o que escreves, pela tua luta que é de todos nós.
Bem Hajas João :)
Esta não é para ti, João, é para os pais.
Queridos pais,
Agora que a vossa avaliação não será ponderada na progressão da carreira docente, apraz-me dizer-vos algumas palavrinhas. Sabem que mais? Nunca fez parte das intenções desde Governo tornar efectiva esta medida. O Governo propôs um conjunto de alterações, qual delas pior do que a outra, para ter margem de manobra e poder recuar nalgumas delas. Sabendo de antemão que esta medida descabida causaria enorme celeuma, nesta última negociação, prescindiu dela, "como se estivesse a fazer uma grande coisa" e, efectivamente, a ceder.
Estão contentes? Ainda não perceberam como foram usados? Não compreendem que, com o Governo a dividir para reinar,nenhum de nós fica a ganhar? Acham mesmo que o que nós desejamos é diferente daquilo que vocês desejam para os vossos filhos?
Pensem bem.
Por mim, nos próximos dias, vou dizer a todas as minhas turmas o quanto gosto dos meus alunos, o quando os progressos deles me fazem feliz e o quanto eles significam para mim. Não há Governo que me tire isso, nem medidas, nem redução de salários! Tirar-me-ão outras coisas, mas o amor pelos meus alunos, não! Dilo-ei mais uma vez, de coração aberto e com toda a sinceridade, pois este ano ainda não o tinha feito, com receio de ser mal-interpretada e de querer "comprar" as vossas avaliações.
Pais e professores não jogam em equipas contrárias!
Afixado por: Carla em outubro 20, 2006 12:19 PMEsse senhor e sua mulher eram dois sádicos. Lembro-me bem dele. Estava na altura reformado mas a mulher dele leccionava a uma turma um ano à frente da minha na outra sala de aulas da escola. Lembro-me bem do terror dos alunos da mulher dele quando ele aparecia na escola. A especialidade dos dois senhores era malhar nos alunos com a régua. Ele ainda tentou por várias vezes vir malhar para a nossa aula mas a minha professora devia saber bem demais dos meios de espancar alunos do senhor e nunca o deixou aproximar de nós, era o filho dela que ficava connosco quando ela tinha de se ausentar por alguns minutos da escola.
Posso estar errado, posso ter feito um juízo errado, afinal tinha altura de 6 a 10 anos. Mas ensinar para mim não é colocar os alunos em linha e começar a dar reguadas a todos a pretexto de no recreio terem feito x ou y. Muito menos são insultos e terror psicológico constante.
Esse senhor e a mulher ficam na minha memória como responsáveis prováveis de terem afastado muitas crianças do ensino e terem deixado marcas psicológica para a vida em muitas crianças.
A minha professora não podia ser mais diferente. Nunca proibiu ninguém de trazer material escolar diferente para escola. Sempre tratou todos os alunos como iguais, sem preferidos ou protegido. Os filhos da burguesia eram tão bem tratados como os filhos dos agrários. Nunca deixou um aluno para trás, bem pelo contrário. Nunca deixou uma pergunta por responder. Nunca desistiu de acreditar em nós. Nunca se limitou a leccionar um programa escolar. Foi dura connosco quando achava que o tinha de ser. Sempre nos ouviu com toda a atenção. Hoje já não lhe posso dizer isso, mas não ficou por dizer. Só tenho pena de a ter ido visitar tão poucas vezes nos anos seguintes a ter saído da escola.
Não sou o único com a mesma opinião. Mas até podia ser. Costumo ser. Esse senhor Ferreira representa para mim o atraso do nosso país, o não ensinar, o embrutecer, o nunca questionar as ordens superiores. No fundo o conceito Judaico-cristão de mau.
São as minhas memórias. Não estou em nenhuma cruzada pessoal contra o senhor Ferreira é apenas o que me lembro dele. Podem ser falsas memórias? Talvez. Uma coisa sei que dos meus professores apenas me lembro dos que considerei bons e dos que considerei muito maus. O senhor Ferreira e a sua mulher embora não tenham sido meus professores encabeçam a cabeça dos que considero maus.
João se não chegas aos calcanhares do senhor Ferreira sai do ensino. Pessoas como o senhor Ferreira nunca deveriam ter dado uma aula na vida.
Ainda hoje quando vejo um carro igual ao dele me arrepio.
Há aí uma frase muito importante no meio: nunca foi aluno dele. Portanto essa visão é formada exclusivamente sobre a imagem que outros tinham dele, na altura e o que dele diziam.
Nada mais português.
Pois bem:
Eu fui aluno dele quase 3 anos e nunca assisti a esses episódios de espancamento colectivo.
Dava umas réguadas aos "cábulas" - como todos davam na altura - porque era esse o método, nunca questiobnado até então - de "obrigar" os alunos a trabalhar.
Ninguém concorda com isso, hoje em dia, evidentemente.
Mas por aí não era diferente dos demais.
Até havia quem, aqui em Seia, "chegasse" bem mais aos alunos, na época.
Lamento que tenha essa ideia tão negativa - por ouvir dizer - daquele que, para mim, foi indubitavelmente o melhor e mais democrático professor que já tive.
Nunca questionar as ordens superiores??? ELE???
Mas se era o único que nunca nos obrigou a cantar o hino, nem a rezar antes das aulas nem a levantarmo-nos quando entrava na sala.
Há de facto aí qualquer coisa que não bate certo, Jorge...
Ele teve processos e problemas disciplinares por essas e outras coisas na Delegação escolar.
Subserviência verdadeira é o que há hoje em muito conselhos directivos lacaios da ministra. Ainda fazrm mais do que ela manda, para ficarem bem vistos!
Isso é que é são resquícios, cada vez mais vigorosos, do pior que o Salazarismo nos deixou.
Os meus comentários são baseados na minha memória e apenas nela. Aqui a única coisa que posso relacionar com o "mais português" é o meu bilhete de identidade que é emitido pela República Portuguesa.
Até os piores biltes têm os seus acérrimos defensores. Não vale a pena ir por aí. O que ficou na minha memória do cidadão Ferreira foi o mau método. Também ficou na minha memória como uma pessoa que era bastante simpática que nos visitava com alguma frequência. Sempre com um sorriso nos lábios fazia-nos perguntas interessava-se pelas actividades que estava-mos a realizar. Aqui nada a apontar.
Não és o primeiro ex-aluno dele que oiço a dar-lhe crédito e mérito. Não me coloco numa posição de que eu estou certo e tu estás errado. Já falei várias vezes com ex-colegas meus da primária sobre a nossa professora e as opiniões sobre ela divergem bastante, existindo colegas meus que a classificam como má professora inclusive. Eu por outro lado achei-a extraordinária.
Preocupa-me de facto que o teu modelo de professor seja o cidadão Ferreira. Cada um tem os seus modelos. Para uns é Mao Tse-tung, para os outros é o Dalai Lama, outros ainda é o Tom Cruise. Até eu tenho os meus.
Eu que já arrumei as botas queria também dar o meu testemunho da escola. Tive uma professora nos 4 anos, pessoa muito exigente e que também usava os castigos corporais. O aluno tinha que aprender e aprendia mesmo! Hoje, à distância não há ninguém naquela terra lá para os lados de Cinfães que não reconheça o empenho da professora Mendonça apesar da sua dureza!
C/as minhas saudaçõs, antonio
Afixado por: antonioduvidas em outubro 21, 2006 06:43 PMAinda sobre o professor em questão respeito as opiniões a favor e contra àcerca da conduta desse senhor que não conheci.
Quero dizer, no entanto, que os professores primários (agora do 1º ciclo) dessa época são ainda hoje recordados com admiração pelo empenhamento em relação aos alunos.
Ainda há dias, ao ler um jornal de Cinfães lá vinha o testemunho de admiração de uma pessoa bem na vida, como costuma dizer-se, a falar do seu professor numa aldeia do Portugal profundo na serra do Montemuro.
Belmiro de Azevedo não se cansa de referir pela positiva o seu professor lá do Marco de Canavezes.
O meu reconhecimento está expresso no comentário anterior.
antonio