
Hoje só tinha um bloco de 2 aulas.
Às quartas só há aulas de manhã, como se sabe.
E às 8:45h cá estava eu, como de costume.
Tomei um cafezinho no bar.
Deu o toque para a entrada.
Deu o segundo toque.
E cá fiquei eu na sala de professores, a fazer greve.
Acabou de dar o toque de saída.
Vou-me embora.
Gastei mais 70 euros a lutar por mim e por aqueles que estavam ao meu lado, a ganhá-los, e a chamarem-me, porventura, de burro.
Dever cumprido.
Eu não sou Professor, não sou Professor ...
... nunca fui um grande sofredor!
Parafraseando Carlos Paião - que não era poeta -, eu não sou Professor (a letra grande não é por acaso!) mas podia muito bem tê-lo sido! Sempre gostei da escola e de tudo o que rodeia o ensino. Um dia na faculdade o Professor de Sociologia mandou-me mudar de estilo de roupa e falar com ele ao fim de dois anos – nunca o fiz, nem uma coisa nem outra, e não sei se fiz bem ou mal. A verdade é que acabei por seguir também um caminho ligado à comunicação mas não aquela comunicação que se faz nas escolas!
Mas tenho muitos amigos, vizinhos e antigos colegas que são Professores, principalmente do ensino secundário. Por isso, e por outros motivos, estou solidário com os actuais problemas dos Professores e a incerteza do futuro de muitos deles.
Compreendo que é difícil ser Professor num país onde a reforma do ensino tem sido sempre uma promessa adiada, onde muitas escolas funcionam em pré-fabricados, onde o espaço nas salas de Professores não chega para todos terem uma cadeira quanto mais o seu espaço para trabalharem, onde os alunos sabem tudo sobre os Morangos e não sabem – nem querem saber – nada sobre a história do seu próprio país …
No ensino em Portugal está quase tudo por fazer – apesar de Portugal ser um país com quase 9 séculos de existência – mas nada de bom poderá ser feito sem os Professores. Com estes Professores que estão nas nossas escolas. Precisamente aqueles que o Ministério está a hostilizar e a conseguir desmotivar. Estou com eles! Estou convosco!
Afixado por: Alexandre Abralas em outubro 18, 2006 04:31 PMAinda sou professor!
Ainda que a ministra e a corja de pistoleiros me queiram abater, nos queiram abater, a todo o momento... mas sobreviverei lutando!Sobreviveremos lutando!
Ainda me lembro dos muitos anos de casa às costas e escola em escola, pelo país fora, em busca de uma vida melhor... e das "meias doses" na refeição porque o soldo não dava para mais...
Ainda recordo os tempos de estudante na velha Coimbra onde aprendi a ser estudante e a ser homem, a nunca vergar sem ter que partir.
Ainda assim fui roubado pela corja! Estou a ser roubado pela corja de pistoleiros, que me apontam, incessantemente a pistola à nuca...
Ainda assim fiz greve! Dois dias! E até podia ser uma semana! Faço greve nem que tenha que pedir esmola...
E apesar de tudo, AINDA QUERO SER PROFESSOR!
A todos os professores que fizeram grve como eu, um grande bem haja.
A luta continua.
Comentário de teste.
Acontece que o Main Index avariou-se completamente.
Todo o histórico à direita desapareceu e já nem consigo colocar textos.
Deve ser a secreta de Sócras a trabalhar.
já pedi ajuda ao Weblog.
Vamos ver se consigo recuperar este blog...
Li o seu post sobre a ida à Escola para fazer greve!
Se não houvesse greve às tantas não tinha lá ido! Enviava uma justificaçãozita a dizer: INDISPOSIÇÂO FISICA! Ou um atestado medico!
Gandaprofessor Tilly: sabe por que é que os que dizem mal, logo de manhã, estão a entregar os filhos a esses professores? Porque não arranjam outros melhores. E se arranjam, mudam-se! Acredite.
Atestado médico? Justificação? Perder um dia INTEIRO por 2 tempos?
Bem! Você, das duas, uma: ou não percebe nada do que está a dizer ou então é maldoso e está a tentar enganar outros incautos.
Fico-me pela primeira hipótese, para não irmos mais longe.
Mas quero-lhe dizer que os professores do ensino público também não podem escolher os alunos que lhes caem em sorte.
Se pudessem escolhê-los, como faz o ensino privado, outro galo cantaria...
Mas não. temos que ficar com aqueles que o Privado rejeita e com aqueles que não podem pagar a propina - qualquer coisa na ordem dos 500 a 600 euros por mês, se tomarmos o Rainha Santa, em Coimbra, como exemplo.
Agora vejamos bem este GRANDE paradoxo:
Para o Ensino Particular vão os alunos mais beneficiados em termos de condições materiais, mas vão logo apanhar com os professores menos beneficiados nos mesmos termos.
Porque são os mais baratos de entre os que não arranjam emprego no público.
E mal arranjam... é vê-los a entrar que seja para um quadro de zona, mandando logo às urtigas o privado e a grande carreira que tinham pela frente!
Alguns até vão a Fátima agradecer a Benção...
Porque será que isto acontece, se o privado é tão bom e tem, alegadamente, tão bons professores?
Claro que há colégios topo de gama que tem um corpo docente 5 estrelas, como o exemplo que dei acima. Não se põe em causa isso. E parabéns a esses!
Mas e a esmagadora maioria???
Então se mais de 75% dos colégios que têm 12º ano se encontra permanentemente ABAIXO da mediana no ranking das escolas...
É só consultar.
Estamos a brincar com coisas sérias?
E porquê?
São os que contêm, nos seus qudros, professores absolutamente desmotivados por receberem, pelo mesmo serviço, 60 a 75% da tabela, a trabalhar 10 horas por dia, e é se querem!
Então temos, por esses colégios fora, os alunos mais ricos entregues aos professores mais carenciados e explorados?
Deve funcionar maravilhosamente!!!
Era bom que os leitores se informassem do que se passa neste país antes de mandar palpites.
Era melhor para todos.
Não?
Não sr Tilly, não era perder um dia inteiro por dois tempos...era o contrário! A faltazita dava-lhe um dia inteiro, que não interrompia por 2 tempos! O contrário do que entendeu.
Alem disso um enigma! O seu post do dia de greve(4ªfeira): (cito)
"Hoje só tinha um bloco de duas aulas...às 8.45h cá estava eu...um cafezito...segundo toque de entrada...segundo toque...cá fiquei a fazer greve...acabou de dar o toque de saída...vou-me embora" O post é colocado às 9.27h !!!!Toque de entrada...toque de saída...2 aulas e só passaram 42 minutos até ao post já publicado? Problema matemático ou metafísico?(e foram 2 aulas e 1 que fosse!) Mesmo com o portatil na escola o toque de saída é tão rápido?! Mais que o Pepe...
Bem: como você não entende ou faz que não entende, eu vou explicar para os que por acaso possam não estar a par:
1 - Eu fiz greve enquanto estive SEMPRE na escola.
2 - Se não quisesse fazer greve ia dar os 2 tempos de 45 minutos (1 hora e meia) e vinha-me embora. Tinha o dia ganho. Não custava nada.
3 - Por outro lado, se um professor tentar meter uma justificação por 2 tempos, neste caso ela não pode ser aceite. Tem que ser por um dia inteiro porque eu não tinha mais aulas nesse dia.
Era, por isso mesmo, uma estupidez meter um dia inteiro quando só tinha 2 tempos de aulas. Percebeu agora? Ou ainda não???
4 - Podia ter ficado em casa, é certo.
Mas quis estar presente para que não se pensasse que eu estava a meter, justamente, algum artigo 102 (mesmo perdendo um dia nas férias, não haveria lugar aos 70 euros de prejuizo) como alguns, infelizmente fazem.
À pergunta: o sr professor está a fazer greve, respondi SIM, à frente de todos os meus colegas que ali estavam ao lado a não fazer greve.
5 - Claro que o texto foi escrito e guardado em rascunhos. Aquilo demora 1 minuto a fazer.3 linhas não demoram uma hora e meia. Mas só o publiquei depois de dar o toque de saída. Para que não me criticassem.
Até esse cuidado tive!
E mesmo assim ainda tentam apanhar-me em falso!
É espectacular!
Olhe: eu posso não ser um óptimo professor, mas tento.
Mas você, mesmo sem tentar, é um óptimo PIDE!
Vem é com 32 anos de atraso...
Devem ser poucos assim
Afixado por: sofia em outubro 26, 2006 11:06 AM