outubro 18, 2006

2º dia de greve representa 4 dias de perda para um casal de professores

O que pesa imenso no orçamento, já de si estrangulado, da nossa classe.
Não espero a mesma adesão de ontem, porque hoje é quarta-feira, as escolas básicas e secundárias estão fechadas à tarde e há poucas aulas.
E já se fez greve ontem.
O número de 80% de adesão na greve de ontem parece ser, de facto, muito aproximado ao real.
Entretanto, a DREC é a única Direcção do país que se recusa a informar os cidadãos sobre o número de escolas que encerraram ontem.
A tradição ainda é o que era.
Depois dos escândalos dos compadrios no seu seio que deram lugar às exonerações de que todos nos recordamos - começando pela do director - a filosofia de transparência nos procedimentos permanece a mesma.
O obscurantismo ainda prolifera, em Portugal, 32 anos depois de Abril.
E o professor de Santa Comba Dão deixou sementes que encontram, ainda hoje, terreno fértil para a sua frutificação neste pobre país.

Publicado por JoaoTilly em outubro 18, 2006 08:41 AM
Comentários

Mas os operários da Johnson Controls de Portalegre iam parar 4 dias (sim quatro) e muito provavelemnte ganham menos que nós.
Vale a pena ler:

Greve na Johnson Controls de Portalegre regista adesão total

Os operários da Johnson Controls de Portalegre suspenderam a greve de quatro dias iniciada às 6h00 de hoje e retomaram a laboração às 22h00, após a multinacional ter subido a proposta de indemnização para dois meses de salário por ano de trabalho.

A união, em torno de causas justas, deveria trazer a Força.

Bem haja Colega pela sua luta assim como o que nos representou no excepcional Opinião Pública de ontem!

Afixado por: Maria em outubro 18, 2006 09:29 AM

Muito bem, Sr. Tilly.
Cá em casa somos dois e vai doer um bocado. São 4 dias. Na minha opinião, poderíamos ganhar esta guerra com greves em quantidades brutais. Por não quererem perder umas dezenas de euros, arriscam-se a perder, no futuro, milhares. Fora as consequências nefastas para a carreira. É um sacrifício grande, mas que tem que ser feito. Também por cá há casa para pagar, cujo empréstimo acabou de subir, carro, dois filhos para criar, responsabilidades... E custa.
Falta-nos, ao povo português em geral, esse espírito de sacrifício em função de um futuro que se adivinha negro. Falta-nos espírito de luta. Somos uns miserabilistas. Aceitamos o mal como uma inevitabilidade que me constrange. Fico... não sei se doente, se furioso, se condoído. Com pena de uma nação que já foi tão grande. E isto é sincero. Não há aqui lamechices. Somos um País cada vez mais rendido ao aspecto, à futilidade dos eventos ridículos de exibições de pavões nos media, da sua alienação nos falsos pressupostos nacionais veiculados nas notícias (que em choque verifico o povo aceitar), rendidos a uma pequenez estranha que fica logo cheia de tesão quando se fala no mais pequeno acontecimento de projecção internacional, como se de algo extraordinário fosse. Agarramo-nos tanto ao aspecto e ao ter, que o vício do poder transforma a maior parte dos cargos de chefia em veículos de corrupção, adulterando a legitimidade da génese da conquista desses lugares. Esquecemo-nos de onde viemos assim que o poleiro fica mais alto. As nossas autarquias são exemplo disso. Os nossos parlamentares são exemplo disso. Mas nem todos, felizmente, há uma pequena fracção que resiste como gauleses à tentação das orgias romanas.
Somos pequeninos. Temos as prioridades trocadas. Estamos pouco virados para dentro, na medida em que nos pautamos pela magia de países que nós não somos, e, por isso, vamos perdemos a nossa, que poderia ser extraordinária. Este País já passou por tanto, mas que diabo nos aconteceu?
Somos uns conformados. Já se fala do novo ECD como se estivesse em vigor. É preciso lutar, caramba. Ter força. Ter esperança.

Afixado por: esquizo je em outubro 18, 2006 12:21 PM

Bravo, não posso deixar de manifestar a minha completa concordância com este desabafo!

Infelizmente, como também somos dois cá em casa, só aderimos à greve na 3ª Feira.
Mas devo dizer que um está no topo da carreira e o outro no 9º Escalão. Assim, lutámos, porventura, por outros que mais prejudicados serão e que, possivelmente, não aderiram...

Afixado por: art em outubro 19, 2006 08:13 AM
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