O gabinete do primeiro-ministro dispõe de 219 090 euros para despesas em chamadas de telemóvel até ao final deste ano.
Com este montante para gastos em comunicações móveis, como prevê o orçamento do gabinete do chefe do Governo inscrito no Orçamento do Estado para 2006, José Sócrates pode gastar quase cinco vezes mais do que Vieira da Silva e Manuel Pinho, cujos gabinetes ministeriais têm a verba mais alta do Executivo após o do primeiro-ministro.
O orçamento do gabinete do primeiro-ministro para este ano não deixa margem para dúvidas: numa despesa total prevista de 315 090 euros em comunicações, incluindo comunicações fixas de voz e de dados e acesso à internet, as chamadas de telemóvel representam cerca de 70 por cento do custo total. A explicação para tamanha despesa em chamadas móveis é muito simples: “O telemóvel é um instrumento de trabalho fundamental para o primeiro-ministro”, apurou o CM junto de fonte governamental.
Mais: sendo o chefe do Governo, “ele [José Sócrates] está sempre em contacto com o seu gabinete e com os próprios ministros”, precisa a mesma fonte. “Ele, logo que há alguma coisa [dúvidas sobre dossiês, dificuldades de governação], liga directamente para os ministros”, precisa. E isto independentemente de ser “durante a semana ou ao fim-de-semana”, remata, em jeito de conclusão.
Sócrates encara esta forma de trabalho directa com os seus ministros como um método “mais eficiente de decisão”. Um exemplo: durante os cinco dias de visita oficial a Angola, em Abril deste ano, “o primeiro-ministro contactou sempre que entendeu com os ministros das pastas [que estavam em Lisboa]”, frisaram ao CM.
Como são entendidas como um instrumento importante para o exercício da governação, os orçamentos dos gabinetes dos ministros reflectem isso mesmo: ao todo, o primeiro-ministro e os 16 ministros do Governo socialista contam com um total de 1,25 milhões de euros para despesas em telemóvel, telefone fixo de voz e dados, acesso à internet e outros serviços.
A muita distância do orçamentado para o gabinete do primeiro-ministro aparecem todos os orçamentos dos gabinetes dos ministros: as pastas do Trabalho e da Segurança Social, de Vieira da Silva, da Economia e Inovação e de Manuel Pinho ainda dispõem de 48 mil euros cada um, mas os restantes estão muito aquém desse valor. Mário Lino, nas Obras Públicas, Isabel Pires de Lima, na Cultura, Nunes Correia, no Ambiente, Severiano Teixeira, na Defesa, Luís Amado, nos Negócios Estrangeiros, e Correia de Campos, na Saúde, têm verbas entre 32 mil e quase 40 mil euros. Há sete ministros com verbas entre 15 mil e 25 mil euros.
E o gabinete da Ciência e Tecnologia não tem previstas despesas em comunicações.
DESPESA COM TELEMÓVEL EM 2006 (VALORES EM EUROS)
Vieira da Silva, Ministério do Trabalho e da Segurança Social: 48 000
Manuel Pinho, Ministério da Economia e da Inovação: 48 000
Mário Lino, Ministério das Obras Obras e Telecomunicações: 39 904
Isabel Pires de Lima, Ministério da Cultura: 38 000
Nunes Correia, Ministério do Ambiente: 36 000
Severiano Teixeira, Ministério da Administração Interna: 35 046
Luís Amado, Ministério dos Negócios Estrangeiros: 33 250
Correia de Campos, Ministério da Saúde: 32 000
Teixeira dos Santos, Ministério das Finanças: 25 000
Alberto Costa, Ministério da Justiça: 24 493
Jaime Silva, Ministério da Agricultura: 20 000
António Costa, Ministério da Administração Interna: 20 000
Pedro Silva Pereira, Ministério da Presidência da República: 18 360
Augusto Santos Silva, Ministro dos Assuntos Parlamentares: 17 256
Maria de Lurdes Rodrigues, Ministério da Educação: 15 600
Mariano Gago, Ministério da Ciência e da Tecnologia: Não há registoin CM
Caro João Tilly
Cá estou eu mais uma vez a comentar de forma breve alguns textos do teu blog, referindo que os únicos que comento são os teus, pois nas zonas de opinião existem textos com os quais discordo em absoluto, mas que entram no domínio do ataque pessoal e, por vezes, do mero insulto e esse é um peditório para o qual não dou.
Como sabes, sou insuspeito de qualquer apoio a este governo e, realço novamente, tendo votado desde que tal me é possível, nunca ajudei a eleger qualquer dos governos que tem estado no poder nos últimos 25 anos. (In)felizmente, estou sempre do lado dos “derrotados eleitorais”.
Cada vez fico mais surpreendido com a tua estupefacção por alguns gastos do sector público e penso que assumes com uma enorme facilidade que tudo é esbanjamento. Ao contrário de ti, fiquei extremamente surpreendido e até algo estupefacto com a escassez dos gastos de comunicação móvel de alguns gabinetes ministeriais. Existem mesmo alguns casos que são preocupantes, tal a exiguidade da verba. Se pensarmos que há gabinetes ministeriais a gastar pouco mais de 1.000€/mês em telemóvel (é preciso perceber que as verbas que apresentas estão “inflacionadas” em 21% de IVA), fico a pensar o que andam a fazer essas pessoas. Se admitirmos que o gabinete ministerial X tem 50 telemóveis distribuídos, estamos a falar de pouco mais de 20€/mês e telemóvel o que está ao nível de qualquer utilizador particular deste país. Qualquer empresa média (como é o caso da minha, com 80 pessoas e cerca de 50 telemóveis atribuídos) tem um custo anual, nessa rubrica, superior a vários ministérios e, considero esse valor algo absolutamente adequado à dimensão e realidade de uma empresa tecnológica em que além do telemóvel se usa profusamente PDA´s.. Logo, não percebo minimamente a tua estupefacção e ainda considero as verbas mais exíguas se pensarmos que o custo de roaming de alguns dos telemóveis ministeriais será considerável, o que não acontece nos utilizadores particulares.
Sobre a tua frase “é claro que no privado, como se trata de um puro negócio, os patrões acabam por escravizarem os professores, que têm que o aceitar se querem que lhes renovem os contratos”, existem vários comentários. Em primeiro lugar, patrão é algo que felizmente acabou há 32 anos, pois actualmente existem empresários e gestores, pelo menos nos meios em que me movo. Em segundo lugar está subjacente ao teu comentário algo de preocupante : os “patrões” (será que são só os do ensino privado ?) são uma corja de bandidos que exploram os seus colaboradores (pessoalmente recuso em absoluto o termo funcionários) e estes têm que se vergar ao quero, posso e mando. Mesmo que o teu comentário se referisse apenas aos empresários do sector do ensino provado (pessoalmente não conheço um único) é altamente discutível e estás a contribuir para o peditório do grande ensino público versus péssimo ensino privado. Adiante …
Sobre os teus comentários em relação à grelha informativa dos canais existentes, gostaria só de referir o seguinte : apesar de nunca ver os telejornais das 20h (isso é hora de lanche para alguns “patrões malfeitores” como é o meu caso !!!) vi informação detalhada nas notícias das 23h e 24h, sobre a manifestação de professores. De qualquer maneira, os assuntos focados na RTP1, sem dúvida o órgão oficial do governo Sócrates como infelizmente o foi de qualquer governo desde Soares e Cavaco, parecem-me extremamente importante e, desculpar-me-ás, alguns deles parecem-me bem mais importantes que a manifestação de professores em Lisboa, nomeadamente a questão das Encomendas à Indústria, os indicadores da OCDE e a baixa do preço do barril de Brent. Para a economia real, esses assuntos são claramente mais importantes que a manifestação dos professores.
Para terminar, sobre a manifestação dos professores, não me vou pronunciar sobre um tema que domino muito pouco, admitindo sem qualquer problema que uma das razões para algum desinteresse da minha parte em relação a esse assunto é o facto de ter o meu filho no ensino privado desde os 3 anos. Não entro no debate privado versus público e a minha opção de sempre foi saber que quem tem um pai e uma mãe que trabalham no mínimo 12 a 14 horas por dia (6 a 7 dias por semana) e não tem apoio familiar na cidade só pode procurar uma creche e colégios privados que garantam actividades úteis e em plena segurança desde o início da manhã até ao final do dia. E isso, nenhuma escola pública o garante e é pena que alguns comentários malévolos que leio sobre o ensino privado e os seus utentes ignorem esta realidade. Há muitas pessoas que, podendo pagar mensalidades elevadas à custa da sua capacidade de trabalho e do seu empreendedorismo, são obrigadas a optar por instituições privadas para os seus filhos em função do tipo de trabalho que têm. Isto é dito por alguém que não faz parte do “centrão político” deste país, mas que recusa terminantemente o tom jocoso com que por vezes são referidas as famílias que têm filhos no ensino privado.
Refiro apenas o que sempre digo : ouvir um professor, um enfermeiro, um médico, etc, a falar sobre o estatuto da carreira, faz-me arrepios na espinha. O problema dessas corporações não devia ser o seu estatuto de carreira (brrr, já escrevi isto duas vezes), mas sim a qualidade do seu produto final, ou seja, os seus alunos.
Um abraço e prometo continuar a chatear-te, até porque tendo estado sempre do lado dos perdedores políticos deste país, tenho que admitir que simpatizo com a tua arqui-inimiga Lurdes Rodrigues. É que simpatizo sempre com alguém que é enxovalhado por todos e não dobra. É por isso que os ministros deste governo que me merecem mais consideração são a referida ministra e Correia de Campos.
Caro Pedro Fraga:
Acabas de me dar razão na discussão que tenho estado a manter com o meu irmão no post dos «20.00 professores em luta cuidadosamente ignorados pela comunicação social» sobre o público e o privado.
Conheço bem os dois sistemas. Sempre leccionei no público, mas tenho inúmeros colegas que passaram pelos privados antes de conseguirem colocação. Tenho uma colega que esteve 10 anos num colégio e diz que rejuvenesceu outros 10 o ano passado quando foi colocada no público. Não imaginas o que obrigam os professores a fazer daquelas portas adentro. Tu, ou o António, não se aguentavam, do lado de lá, 24 horas. Mas como vocês são apenas "clientes" do negócio chorudo que são os armazenas para quem necessita e pode pagar 500 euros por mês para que os filhos permaneçam guardados nesses armazens floridos quase 12 horas por dia, não sabem o que se lá passa. Tu, ao menos, tens a frontalidade de explicar que não tens alternativa familiar e que tens que pagar o serviço. O meu irmão prefere dar a volta e dizer que «são melhores».
Eu, sinceramente, em vez de colégios chamar-lhe-ia clausuras e esperarei uns anos para saber se os V. filhos, quando adultos, valorizarão assim tanto a infância "cor-de-rosa" em armazéns muito coloridos com actividades programadas e horas preenchidas em tabelas semanais e rotineiras, absolutamente nada criativas no seu dia a dia - é preciso é passar aquele tempo todo com o mínimo de esforço porque senão não há quem aguente - e, no seu funcionamento interno, absolutamente indignos e atentatórios para a honra e dignidade de qualquer profissional que se preze.
Basta pensares niSTO: porque é que uma mãe, passado uma hora de estar com um filho que foi buscar a um colégio, já está a berrar com ele?
E AS OUTRAS 9 HORAS ANTERIORES? ALGUEM BERROU COM ELE? E SERÁ QUE ISSO INTERESSA MESMO??? QUEM ESTEVE COM ELE 9 HORAS SEGUIDAS NÃO PODIA BERRAR. E NÃO BERROU, DECERTO.
COMO CONSEGUIU FAZÊ-LO QUANDO A PRÓPRIA MÃE NÃO O CONSEGUE???
À Custa de muito esforço e contenção e muito sapo engolido diariamente.
Mas depois esse professor ou educador, às 9 da noite, vai para casa e será que AINDA tem a mesma frescura para aturar os proprios filhos da mesma forma contida como atura os dos outros?
Será que ele consegue, após 10 horas de trabalho ensurdecedor, NÃO BERRAR COM OS SEUS PRÓPRIOS FILHOS???
Dá que pensar...
Muito.
Sobre a ministra e o Correia de Campos não é dificil referenciá-los: ambos - e apenas esses dois ministros - não saem das televisões, pelo que, depois de vistas e revistas as intervenções que são "para passar" após a censura do governo - o que fica é, naturalmente, agradável ao ouvido: «vai-se fazer, vai-se construir, vai-se melhorar....» mas isso aprenderam com Guterres, nem sequer é deles!
Agora pergunto: o que é que já se fez? O que é que já se melhorou?
A resposta é: nada!
Mas, sim! Já se fecharam Escolas, Maternidaes e Serviços de Urgência.
FECHAR é melhorar?
Sem uma única alternativa a ABRIR?
Bem... já tudo é possível, neste país...
Um abraço.