outubro 06, 2006

20 mil professores em luta, cuidadosamente ignorados pela comunicação Social televisiva


















Como se esperava, o manto de obscurantismo que o governo Sócras fez cair sobre este país, desde que tomou posse, continua a filtrar e a censurar todas as ocorrências de relevância que não sejam benéficas para a imagem do regime pró-ditatorial vigente.
Exactamente como acontecia durante Estado Novo, tudo o que não interesse à ditadura da desinformação instalada, simplesmente não passa, ou passa convenientemente desvalorizado.
Analisemos este manto de fascismo cinzento na comunicação social:

A SIC:
A SIC deu ontem um mero apontamento de um minuto, como se se tratasse de um seminário de 150 professores, dando toda a importância do seu telejornal a mais umas balelas de Teixeira dos Santos, das quais já ninguem se lembra hoje.
Hoje, na sua homepage dá realce a Nobre Guedes que, se calhar, se vai candidatar à liderança do CDS-PP.
E a uma exposição sobre carros presidenciais à boa maneira de Américo Thomaz.

A TVI:
A TVI faz uma pequena chamada ao facto de entre 20 a 25 mil professores terem estado ontem em protesto (coisa pouca...) e dá-lhe o título de «Sindicatos da Função Pública Insatisfeitos»(!!!)

A RTP:
A RTP, paga pelos nossos impostos, dá os únicos relevos na sua homepage ao Fernando Ruas, que aconselha Teixeira dos Santos, e ao futebol como é evidente... e à seleccção sub-21.
Ignora todas as demais notícias do dia.
Mesmo na sua sub-secção Nacional nada é referido sobre a marcha de ontem.
Apenas notícias politicamente correctas, como se de imprensa cor-de-rosa se tratasse:
«Encomendas à indústria cresceram 3,7% em Agosto
Indicador OCDE para Portugal melhorou em Agosto
Farmácias garantem vacinas para todos a partir de 15 Outubro
Construção civil portuguesa não está preocupada com concorrência chinesa
Preços continuam a recuar com Brent em 59,68 dólares»


Entretanto, o maior número de professores da História de Portugal reuniu-se ontem e desceu a Av. da Liberdade até ao Rossio na maior manifestação de repúdio pelas intenções da ministra e su muchacho Walter Lemos.
Esperemos hoje as notícias na RTP1 e da TVI, que cobriram durante todo o tempo a mega-manifestação.
À espera de mais um ridículo minutinho em cada um desses canais...

Publicado por JoaoTilly em outubro 6, 2006 10:38 AM
Comentários

Eu (também) estive na grande Marcha da Educação e senti, com emoção e "arrepios na espinha" a manifestação de uma vontade única de mudança e a expressão do mais vivo repúdio à política educativa da milu e sus muchachos.
As televisões não deram o merecido destaque a este acontecimento inédito na história do movimento sindical português. Mas senti que ali se vai fazer história: os professores mostraram, pela sua mobilização em massa,que podem ser agentes de mudança no actual contexto ditatorial do nosso país. Um VIVA caloroso aos professores que estiveram presentes e aos outros que, espero, se lhe juntarão em acções de luta futuras.

Afixado por: Ruy em outubro 6, 2006 11:23 PM

Foi com muita pena que não pude ir à manifestação, porque a esposa estava de serviço no hospital e não tive quem me ficasse com a filha.
No entanto tive o cuidado de verificar qual o tratamento que as estações televisivas davam ao acontecimento:
RTP : só passou a noticia às 20.20hrs., com pouco tempo de antena.
SIC: foi um pouco mais tarde ainda, o que me espantou ainda mais, por motivos óbvios.
TVI : foi a única que abriu o noticiário falando da mega-manifestação.
RTPN:deu uma reportagem em directo às 17 hrs, no qual entrevistou alguns profs. e pouco mais.
No geral concordo plenamente consigo prof. Tilly, a comunicação deu pouca importância ao facto.
Chegeu a enviar um e.mail ao semanário Sol, pois os mesmos tb não faziam referência à manifestação na sua pág. da internet.
Só quero agradecer a todos os colegas que estiveram em Lisboa a lutar pelos meus direitos e restante classe.

Afixado por: Paulo Cardoso em outubro 7, 2006 12:04 PM

Eu estive lá, pois não admito que brinquem com os meus direitos, com os direitos de uma profissão que abraço. Quis dizer que não me reconheço nos comentários da Milu e Companhia. Pena é que só 20 mil estejam descontentes...

Afixado por: Cristina Cardoso em outubro 7, 2006 08:58 PM

Agradeçam, mas é, aos mass media, por não exporem mais o vazio das vossas reenvidicações.
Acreditem que foi melhor assim. Façam lá greves e mais greves para que os portugueses se apercebam da estupidez social em que assenta o dito "ensino público" português. É por isso que o ensino particular tem sido, cada vez mais, a opção de muitos encarregados de educação.

Afixado por: AnToino em outubro 8, 2006 01:16 AM

Muitos, quantos?
0,1%? ou talvez mais 0,05% dos portugueses, não?
Quem é que pode pagar 120 - 175 contos por mês para ter um filho num colégio de média qualidade, onde as notas são equiparadas às médias das escolas públicas?
É vazio reivindicar que não nos roubem o que é nosso por direito e está consignado na Lei de Bases do Sistema Educativo?
Acaso no privado se trabalha - por Lei - mais do que no público? O ECD é o mesmo, porque o dos privados é equiparado.
Mas é claro que no privado, como se trata de um puro negócio, os patrões acabam por escravizarem os professores, que têm que o aceitar se querem que lhes renovem os contratos. E assim se obrigam a estar nas escolas desde as 8 e meia da manhã, às 10 da noite como acontece bem perto de Seia. A trabalharem em quê? - pergunta-se.
Nos carros alegóricos e nas fatiotas de carnaval para os desfiles.
Mas isso, para além de ilegal, é criminoso.
Quanto à pretensa falta de qualidade do público, isso é outra mentira descarada.
Que eu saiba nunca andaste em colégios. Acaso conseguiste a tua licenciatura e o doutoramento nalguma privada?

Afixado por: João Tilly em outubro 8, 2006 04:41 AM

Deculpem a expressão popular, mas essa "dor de corno" que alguns "AnToinos" têm em relação ao ensino público, cheira a mofo.
Claro que nos colégios privados não entram os filhos de um deus menor, ou do "Ti Manel da burra"; É a mesma coisa que comparar o Casino Estoril com a tasca do "Zé dos Tintos" e afirmar que o serviço é melhor no primeiro. Isso não quer dizer que as iscas do segundo até nem sejam mais saborosas, genuínas e sem "temperos duvidosos"...
Grande parte do pessoal que lecciona no privado é, por norma, o que não consegue lugar no público. Foi formado nas mesmas escola, mas por qualquer motivo ficou à porta e lá se safou, sabe deus como...
Esse destilar de ódio sobre os professores (só os do público?), cheira-me a qualquer coisa do género: "estão verdes, não pestam"...

Afixado por: jc em outubro 8, 2006 11:20 AM

Os professores são dos profissionais mais bem pagos do pais e dos que menos trabalham. A grande especialidade é fazer greves.

Afixado por: luis miguel em outubro 8, 2006 12:01 PM

Por vezes, a "dor de corno" em relação ao ensino público prolonga-se, por osmose, até aos professores...
Afrontar com provocações, mentiras e chavões quem os ensinou a ler, à falta de outros argumentos, é a grande especialidade de algumas almas....
Nestes casos é preciso muita paciência, corrigir, ensinar com carinho... (não fossem estas as maiores virtudes exigidas aos professores.

Afixado por: jc em outubro 8, 2006 03:01 PM

Exactamente: usar a comunicação social para escarnecer dos trabalhadores intelectuais e de quem nos mostrou a Luz do Conhecimento, tentando apoucá-los e enterrá-los socialmente abaixo da infra-humanidade, enquanto a mesma comunicação social - detida pela alta-finança - continua a estrupidificar o povo e a endeusar jogadores de futebol; e inuteis(como a Lili Caneças) são promovidas a júris de concursos de cinema, são as mais recentes e refinadas expressões pública da pulhice humana.

Afixado por: João Tilly em outubro 8, 2006 05:25 PM

Porque discordo do "discurso-dor-de-corno" dos professores manifestantes:

1. Porque têm uma concepção "reducionista" e "totalitária-de-estado" do ensino e sofrem de um "anti-elitismo" primário, como se todos tivéssemos sido os piores alunos do nosso tempo para agora podermos ser professores-sem-chefe.

2. Porque acham que os alunos que vão para o ensino particular (como as escolas profissionais) ou são ricos, ou são burros e só acabam o curso porque os pais têm dinheiro e pagam;

3. Porque acham que pagar um serviço de ensino é um crime.

4. Porque não sabem o que é o ensino particular, nem sabem que eles próprios, enquanto cidadãos de pleno direito do estado português, e segundo a Lei de Bases que apregoam, podem criar uma escola privada com autonomia pedagógica.

5. Porque estão contra a criação de escolas, excepto as criadas pelo estado, pois só assim se podem tornar funcionários públicos, com emprego garantido para toda a vida, a trabalhar o mínimo possível, mas detendo regalias que, sussurrando, exibem na conversa com o amigo;

6. Porque não percebem que é exactamente pela má qualidade do ensino público que protagonizam, que o privado "faz negócio";

7. Porque acham que quem trabalha muito por conta de outrem é sempre escravizado;

8. Porque (como o jc) não entendem que há pessoas cuja remuneração anual depende da especificidade dos seus conhecimentos e daquilo que efectivamente produzem;

9. Porque (como o jc) não entendem que há professores que não se sujeitam a ser simples e indiferenciados funcionários públicos, com um número de ordem e com uma carreira programada e automática que depende apenas do factor tempo;

10. Porque são sempre contra a "elite", independentemente do que isso poderá querer dizer.

Erros do totalitarismo.
São os valores que enformam o discurso precedente que estão profundamente errados. Se a, seu modo, reflectem uma total incompreensão do enquadramento das políticas posteriores à revolução de 25 de Abril, por outro, deixam-nos ver quão particular é a perspectiva de grande parte dos professores do ensino publico: uma visão estatal-monopolista, totalitária, única e uniforme da educação, perspectiva constrangedora da diversidade e pluralidade que tolhe a implementação de outros conteúdos programáticos e o desenvolvimento das aptidões individuais. É esta visão que, a par da incapacidade de detecção e potenciação de vocações (mui nobre função do acto de ensinar), constitui um dos maiores problemas e causa fundamental da mau serviço que, diariamente e mesmo sem querer, prestam à comunidade.

É esta a razão porque o chamado "ensino de massas", enquanto "mesmo para todos", tem os resultados conhecidos: grande abandono escolar; ineficácia na diminuição do analfabetismo; negação do ensino experimental; incapacidade na detecção e potenciação de vocações individuais; total ineficácia na orientação profissional agravada por uma orientação massiva para cursos "de prestígio"; profundo desprezo por outros agentes e ofertas de ensino; inadaptação às características do meio profissional circundante; etc, etc.

É esta perspectiva do Sistema de Ensino, onde o ensino público se apresenta com laivos de um totalitarismo endémico, que contribui para "o mau nome" dos seus principais protagonistas, os "professores funcionários públicos". Aliás as afirmações do professorado público reflectem não apenas o desconhecimento da lei de bases como geram acções contrárias aos seus objectivos.

Ensino público e ensino gratuito.
Um destes erros de raciocínio é o que diariamente ouvimos da boca do professor público: a confusão entre o "ensino público" e "ensino gratuito".
Só é gratuito o ensino obrigatório (do 1º ao 9º ano de escolaridade). É gratuito nas escolas públicas e privadas com contratos de financiamento.
É gratuito exactamente porque é obrigatório.
Os ensinos secundário e superior públicos não são, nem nunca foram, gratuitos.

Ensino Particular e Cooperativo
O Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo (Dec. Lei 553/80) a que se refere a lei de bases de educação em vigor, só prevê o financiamento do ME às escolas sediadas em locais sem oferta de ensino público. Nas escolas do 2º e 3º ciclo este financiamento pressupões os designados Contratos de Associação. São as direcções gerais de educação que calculam o valor a transferir para estas escolas, valor este que depende do número de alunos, professores e funcionários, i.e. da dimensão da escola. É este o caso da escola Evaristo Nogueira (S. Romão, Seia), escola particular do 2 e 3º ciclos do ensino básico, em que os alunos não pagam propinas. O ENSINO NESTA ESCOLA É TÃO GRATUITO COMO EM QUALQUER ESCOLA PÚBLICA.

Irão perguntar: onde se aplica melhor o dinheiro? Numa escola pública ou numa escola particular?
Depende, evidentemente, da escola.
Portanto, nem todo o ensino privado pode ser visto como um negócio.

"Negócio"
Os restantes funcionários públicos podem também dizer dos professores do ensino público que ser professor do ensino público é "um bom negócio", ou pior, "um bom emprego".
Mas há casos em que o Ensino Particular se pode transformar num negócio, apesar de desta forma se contrariar o referido estatuto do ensino particular.
Nas maiores cidades do país, há escolas onde os alunos pagam propinas elevadas. Note-se que a maior parte destas escolas, como o Colégio dos Salesianos (Lisboa, Campo de Ourique) não tem qualquer contrato de financiamento com o ME. Porquê? Precisamente porque tem uma escola secundária pública mesmo ao lado. Portanto este "negócio", nas palavras do professorado "de esquerda", não afecta negativamente o orçamento do estado, como as escolas públicas. Antes pelo contrário. Poupa-nos dinheiro a todos. Mas porque optaram os pais pelo ensino particular? Ao contrário do ensino público, a escola existe porque há uma vontade em conceber outro tipo de ensino. No caso referido, um ensino de qualidade que transformou a escola numa das referências do país. Os encarregados de educação que podem, pagam pelo ensino de qualidade, personalizado e diversificado. Isso é bom sinal. Se podem pagar que paguem, pagam os que usufruem e não todos os contribuintes, indiscriminadamente. Se podem pagar e querem, devem poder fazê-lo. É legítimo. É a liberdade na sua essência. Porém, tendo igualmente direito ao ensino público-único, preferem pagar para "fugir" à escola pública.
Isso é um mau sinal.

Pergunta o professor: e quando não se pode optar?
Se não há igualdade, o problema é da escola pública que tem de melhorar.
É isso que todos queremos, ou não?
E, como a Ministra, acho que sem uma reforma profunda da carreira de docente público, nada se pode fazer.

Professores, funcionários públicos.
Mas os "professores públicos" que, como os mass media, num profundo desconhecimento da referida Lei de Bases, ignoram constantemente o ensino privado, ainda têm a coragem de dizer que "não são pagos para tomar conta de crianças" e "carreira há só uma, professor e mais nenhuma!". Os estreantes porque acham que o estado lhe deve um emprego (?!?!?!?!); ou outros porque querem ficar perto da sua terra, ou, pior, querem manter "regalias" que todos sabemos são desiguais mesmo face a outros funcionários públicos.

Porque não vejo os professores do ensino superior público, onde não há só uma carreira automática, a dizer o mesmo?
Porque não acabar com todas as carreiras e todos os concursos em toda a função pública? Seria um grande passo para a sociedade sem classes, no sentido do comunismo pleno! Todos os funcionários públicos a ganhar o mesmo e a progredir automaticamente na carreira! E já agora, em vez de 22 horas, porque não 10, ou 5? Porque não é assim que se melhora a qualidade do ensino.
Porque os sindicatos estão-se "nas tintas" para a qualidade do ensino.
Porque todos nós já percebemos que o que interessa aos professores é ganahar mais e trabalhar menos.

Confundindo os assuntos profissionais da classe com outros de natureza científica e pedagógica (se é que isso ainda existe no ensino público), os muitos sindicatos de professores, demonstram, nas suas atitudes diárias, que as únicas razões que os movem são as alterações ao estatuto da carreira automática. Dizem que têm direitos adquiridos. Pois têm. Por isso são privilegiados... pois são... e isso custa-nos dinheiro a todos. Pior ainda quando o resultado da acção totalitária do estado, via professor público, tem sido o que se conhece.
Sobre os "privilégios de classe", leia-se o que diz Vital Moreira sobre o ADSE (que neste momento tem um défice de 763 milhões de euros) em:
http://aba-da-causa.blogspot.com/2006/09/sobrevivncias-corporativas.html

Quem não quiser continuar a ser professor, pode deixar se o ser. Não é obrigatório ter a mesma profissão ao longo da vida. Podem, os professores, procurar um emprego melhor. Nada os proíbe. Podem até fazer uma nova escola e requerer o respectivo financiamento ao ME. Até aí pode haver liberdade, mobilidade. Nas suas escolas, podem criar empregos novos, para gente nova. Combater o analfabetismo, implementar as suas ideias e contribuir para um país melhor.
A liberdade não se faz exercer pelo sindicalismo corporativista.

Os meus filhos andam no Ensino Público regular e vocacional.
Também eu quero melhorar o ensino público.
É por isso que acho que a Ministra tem razão e estes professores, não.

PS para o J. Tilly:
Não frequentei o ensino particular mais tempo porque acabaram com ele, pois, como deverias saber, fui aluno do ensino particular na 1ª e 2ª classe, i.e. 1974 a 1976. Essa escola, que era do Nunes Pereira (por cima do banco Totta), fechou. Posteriormente fui sempre aluno de escolas públicas. Ora lá está: tenho conhecimento de causa. Na 3ª classe levei a minha primeira "reguada", dada por um aluno que respondeu bem à pergunta que me tinha sido feita.
Leccionei no ensino superior privado e lecciono no ensino superior público. Sou também director pedagógico de uma escola vocacional do ensino privado.
Saberão os professores públicos que tanto combatem e desprezam o ensino particular o que é uma escola doo ensino vocacional?
É só ir à Lei de Bases que tanto referem que está lá escrito.

PS para o jc:
Eu não sou professor do ensino básico e secundário público PORQUE NÃO QUERO. Acredite que não tenho "dor de corno" do ensino público, antes pelo contrário: neste momento tenho pena.

Afixado por: AnToino em outubro 9, 2006 01:25 AM

É pena que a ministra não te conheça. Com o teu palmarés ela é, portanto, descuidada. Se te conhece, não te reconheceu ainda as capacidades retóricas. É, portanto, estúpida.
Sabes mais que o Walter Lemos (mas isso tambem eu sei) mas quem leva os 19 mil euros para casa é ele e mais a reforma ao fim de 8 anos.
Não és tu, nem eu.
Ao dares razão a esta cambada de analfas do ensino, que nunca conseguiram ser professores e por isso optaram pela carreira política, tira-la a ti próprio.
Não deixas de ter razão aqui e ali. Há, de facto, muito incompetente na nossa classe - eu vejo-os todos os dias - mas justamente disso é que a ministra não quer saber.
Ela quer saber é do "papel" que vai poupar connosco, que é para o Teixeira dos Santos poder gastar mais no ministério dele, com os seus 136 assessores e as sua 36 viaturas.
Ela não quer saber se somos bons ou maus profissionais, nem se ensinamos bem ou mal as crianças, e que tipo de crianças... que isso aí ainda era outra discussão interessante.
Saber, por exemplo, porque é que 22% dos alunos da minha escola são dados como retardados pelos serviços de psicologia... disso a ministra não quer saber.
Nem se as crianças se alimentam ou se rapam frio de noite nos casebres em que muitas delas habitam.
Por isso, revê lá o discurso, que tresanda a demagogia.
Há, neste momento, 140 mil professores no activo. Apesar do fecho das escolas. É porque são precisos.
E como estão insatisfeitos pelo assalto de que estão a ser vítimas, vão todos desatar a criar escolas, é?
Bem: nem vale a pena desenvolver.
Mas é curioso notar que o teu percurso é o típico e sintomático da subversão do nosso ensino: mais um professor que preferiu ser um gestor, um burocrata.
Como os dos conselhos directivos do ensino público.
Estás no teu direito, mas deixa lá aqueles que querem E GOSTAM de ser APENAS professores - como eu - continuar a ENSINAR.
Porque se todos os professores passarem a ser mangas de alpaca, como os dos conselhos directivos, como a ministra e como os 10 mil "professores" que ela lá tem ao "serviço" no ministério a polir as esquinas, tudo acomodadinho no topo da carreira, não há quem ensine.
Esses é que são o cancro do sistema. Porque não são bons nem maus: não são. Mas recebem o dobro do que eu recebo, ao fim do mês.
Não têm aulas para dar, miúdos reguilas para aturar, metas a atingir, frustrações por não atingirem objectivos, testes para dar e corrigir, avaliações, estratégias e, acima de tudo, a capacidade de fazer tudo isso e GOSTAR!
Mas progrediram TODOS na carreira até ao topo, sem darem uma única aula e agora cortam as pernas aos novos?
Tu achas que eu, ou algum professor que o seja, em seu perfeito juízo, alguma vez na vida reconheceriamos a ESTA ministra o mínimo de ética que é necessário ter-se para se poder implementar uma qualquer política?
E sobre isso não te ouço a ti nem a ninguém dizer palavra.
E já agora, os profs não têm 22 horas de trabalho. Tem 35 por lei. 29 delas marcadas nos horários semanais e as restantes para as reuniões nas escolas e preparação de aulas e correcção de testes, em casa.

Afixado por: João Tilly em outubro 9, 2006 10:04 AM

Para aqueles que teimam em considerar os professores os demónios do século XXI,


O passado é negro, mas a culpa não é, seguramente, dos professores. Os que resistiram a todos estes erros da responsabilidade do Ministério que tutela são quase heróis. Que mereciam ser estimados e bem pagos para permanecer na profissão.

Sucedem-se os ataques violentíssimos aos professores como únicos responsáveis pelo desaire do ensino público (note-se, público, não privado, como se eles não fossem os mesmos...).

Caso é para perguntar à sra. ministra onde andava e que informação tinha sobre o que se passava, de há trinta anos para cá, no Ministério que agora tutela. Ninguém chega a ministro sem saber o que está para trás. Mas nada se nota. Se não está bem informada do passado, aqui ficam alguns dados que explicam bem como se pode ter chegado aos descalabro que apregoa.

Pergunta-se pois, sra. ministra, onde andava quando o seu Ministério...

1- ...aprovou cursos de professores primários em que se proibiam as cópias e a memorização da tabuada (Institutos Piaget e quejandos...)

2- ...deixou professores primários dar aulas em aldeias remotas em escolas sem água, sem luz e com alojamentos dignos de eremitas? E todos os outros em verdadeiro trabalho missionário por esse país fora?

3- ...deixou que o concurso de professores enviasse, anos e anos a fio,
pessoas com uma qualificação de nível superior (as que devia mais estimar) pelo país inteiro, à custa de suas famílias destroçadas e dos
filhos que não podiam ter ou ter consigo?

4- ...ignorou ostensivamente que eles pagavam os transportes do seu bolso, viajando 100-120 quilómetros até, sempre sem qualquer ajuda de custo, diminuindo dramaticamente os que lhes sobrava no fim do mês? Não seria isto imoral e desumano?

5- ...teve inúmeros ministros que se sucediam a ritmo alucinante, cada um puxando pelos seus galões de docentes universitários, vomitando
reformas continuamente e sempre sem ter em conta a sua adequação, implementação e financiamento?

6- ...deixou que a dotação financeira de uma escola secundária fossse absolutamente ridícula durante décadas, mal dando para pagar a água,
luz, os edifícios escolares se degradassem de tal modo que nenhum professor
se aventurava nas instalações sanitárias dos alunos, e não havia recintos desportivos ou actividades extra-escolares?

7- ...permitiu horários dos alunos que alcançam as 8-9 horas por dia, uma carga insuportável para qualquer pessoa?
8- ...não se preocupou com o tempo de estudo dos alunos. Quantas horas sobram
semanalmente para os alunos estudarem? Na escola, onde se pode estudar se não há salas de estudo organizadas e, em muitas, as bibliotecas, se funcionam, não têm espaço para tal? Será em casa, à noite, com pais que se demitem cada vez mais da sua função de vigilantes e educadores?

9- ...esvaziou o quadro das escolas de funcionários, deixando que sejam poucos, mal preparados e pouco mais do que empregados de limpeza?

10- ...obrigou os professores (especialistas nas suas matérias, não se esqueçam) a passar muitas horas extra-horário, a fazer tarefas administrativas que antes competiam aos
funcionários não-docentes, ou então em reuniões absolutamente improdutivas mas obrigatórias? Não sabia que os professores já passavam muitas noites e fins de semana a preparar aulas e material lectivo?

11- ...permitiu que o Sistema Disciplinar se esvaziasse, em nome da retenção quase obsessiva de alunos dentro de portas e do aumento da população discente nas escolas, minando sistematicamente a autoridade dos professores?
Porque reduziu o Ministério o poder de sanção dos professores?

12- ...só deu atenção ao número de computadores por escola e ao acesso à Internet mas não permitiu aos alunos compreender o poder dos media?
Afinal os alunos passam o resto do escasso tempo diário a ver uma televisão que lhes mostra só publicidade de telemóveis, futebol, escândalos e
anedotas...

Os valores dos jovens hoje são ensinados pelo matraquear de televisões mal regulamentadas.

Porque não age o Ministério sobre elas também? Porque será que abdicou da sua função reguladora deixando que canais abertos dêem pornografia
encapotada, publicidade que ofende os direitos humanos e dos animais, programas impróprios a horas do jantar? Porque nunca interagiu o Ministério da Educação com o da Cultura?

13- ...permitiu que se extinguissem os Exames por puras razões estatísticas? Ninguém no Ministério sabia que era preciso separar os que sabiam dos que não sabiam, e desde o início da escolaridade?

Porque facilitou sempre a passagem dos que tinham níveis negativos?

14- ...deixou que as escolas tivessem apenas um psicólogo (quando o tinham, claro) que além de fazer sozinho a orientação vocacional, não tinha
tempo para lidar com os casos mais graves que surgiam nos alunos? Porque, entre eles, não havia futuros desajustados da sociedade, nem doentes mentais, nem vítimas de abuso sexual, nem de violência doméstica, nem problemas de droga.
Ou havia?

15- ...não se deu conta da crescente feminização das nossas escolas? Por que razão isso aconteceu, é simples - ser professor era (é) das tarefas mais exigentes, mal pagas, de carreira mais difícil e incerta. Portanto, óptima para o lado mais fraco da nossa sociedade. Depois, com algum malabarismo, ainda deixava algum tempo livre para as tarefas domésticas. Os homens, simplesmente não se sujeitavam a isto e partiam para outras profissões, mesmo dentro da função pública como para repartições e organismos de gestão do Ministério da Educação. Esta acomodação a padrões de sociedade retrógrados nunca incomodou o Ministério? (A propósito, os professores-homens estão a voltar ao ensino, não porque sintam vocação, mas porque há falta de empregos...)

Podia continuar estas interrogaçãoes que apontam para coisas que a sra. ministra, estranhamente, prefere não falar. O passado é negro, concordo,
as estatísticas não se podem ignorar, mas a culpa não é, seguramente, dos professores. Porque os que resistiram a todos estes erros da
responsabilidade do Ministério que tutela são quase heróis. Que mereciam ser estimados e bem pagos para permanecer na profissão. Sabe a sra.
ministra porque é que, em Inglaterra, já ninguém quer ser professor e andam à procura deles em Espanha e até em Portugal ?

Beatriz Pacheco Pereira
Público de 5 de Junho de 2006

PS para o Antoino - Eu não sou trabalhador do sector privado PORQUE NÂO QUERO. Mas já fui e posso voltar a ser...
Sem penas!

Afixado por: jc em outubro 9, 2006 04:17 PM

Caro colega, basta ler um bocado este blog para perceber que pensamos de maneira diferente muita coisa...
Mas no que toca à luta em que nos meteram, só há um lado.

www.pedronunesnomundo.blogspot.com

Também lá estive. Como não?
E tenho tentado fazer a minha parte!...

Um abraço e um bom ano.

Afixado por: Pedro Nunes em outubro 10, 2006 12:24 AM

Desculpem lá o bump de três dias.
Antoino, depois de combater a grande custo os efeitos soporíferos do teu comentário, peço-te com algum custo que aprofundes, mas não muito, essa analogia "reivindicações dos professores/ "comunismo pleno"".
É que no meio de tanta tristeza com a conjuntura actual, fazem-me bem umas boas gargalhadas.

PS - A gente esfrega, esfrega aquilo que parece ser uma esponja cheia, mas vai-se a ver e não tem água nenhuma...

Afixado por: Skitso moi em outubro 13, 2006 05:58 PM

É altura de alguém mal informado perceber que o horário semanal do professor não é de 22 horas .

Eu sou professor do ensino público , já tenho bem mais de 20 anos de trabalho , redução de serviço e no meu horário estão marcadas 26 horas .

Não se passa semana nenhuma em que não tenha adicionalmente , pelo menos uma reunião de duas horas : quinzenalmente por ter uma turma com alunos especiais , e depois de Directores de Turma , de Departamento , de Grupo , Reuniões Intercalares .... resumindo : muitas .

Depois aproveito para frequentar mais umas Acções de Formação , claro , fora do horário lectivo .

E podia chegar a casa e ver televisão , como fazem outros funcionários ...

Mas , não , é necessário preparar aulas , preparar fichas , corrigir trabalhos , resumindo , se eu fizesse tudo o que queria fazer , nem 50 horas por semana me chegavam ...

E é este o horário de um professor que pouco trabalha ...

Tenho sorte , porque a minha escola está apenas a 3 km de casa . Há alguns meus colegas mais azarados ( mais novos ... rs) que ainda têm que gastar umas boas horas em transporte para chegar a casa .

Portanto , pensem lá um bocado antes de falar que os professores têm poucas horas de trabalho ...

Neste momento estão a ser joguetes de uma campanha de desinformação , de um governo reaccionário , que tenta dividir os portugueses ... E não se preocupem que os futuros professores dentro de 10 anos ganharão menos que vocês ganham . É isso a revisão do Estatuto da Carreira Docente .... Não tem nada de nada a ver com a qualidade de ensino , pretende apenas criar engarrafamentos para que quase todos os professores nunca ultrapassem a barreira a partir da qual passam a ter um vencimento razoável ( não alto ... mas razoável )

Afixado por: Vitor Leal em outubro 14, 2006 02:27 PM

Sr Tilly e outros comentadores:
1. o seu blog é vedadeiramente democratico e pluralista. Nota-se ao fim de 6 linhas, ou, vá lá, meia dúzia delas!
2. 151 mil visitas? 150 mil devem ser suas! Depois não tem tempo para dar aulas!
3. as TV´s não deram cobertura à manif de 20 mil profs? Claro- Não havia câmara nem monitor onde coubesse tanto educador!
4. a RTP, diz aí um comentador, deu a reportagem apenas às 20h e 20 m, lamentavel!Só que o comentador prof., suponho, não sabe sequer, que essa é a hora de maior audiencia dos telejornais, basta ler um pouco,jornais, livros e não apenas comunicados e panfletos! E deve ter havido "cunha" de algum manifestante. Se calhar foi o Tilly! Só que o comentador não sabia e o que é preciso é dizer mal e protestar! É para isso que os contribuintes vos pagam os salários! E as crianças que se lixem, à porta da escola, sem os pais em casa, sem cantina aberta....Viva a democracia destes senhores doutores!

Afixado por: Tomás Costa em outubro 18, 2006 01:03 PM

Boas,

Vi muitas queixas de Sr.s Prof. a dizerem que trabalham muito e que recebem pouco, mas deixem-me só dizer-lhes isto:
- O meu pai tem 48 anos de carreira contributiva;
- Trabalha 8 horas por dia;
- Recebe um ordenado de miséria;
- Não se pode reformar porque ainda não tem idade;
- È e sempre foi funcionário do sector particular.
Posto isto, expliquem-me lá em que é que os senhores estão mal? No horário? Na avaliação? Na remuneração? No sub-sistema de sáude que os protege?
A meu ver, a maior parte dos senhores que aqui reclama, apenas precisava de viver e trabalhar como o meu pai durante 3 meses e de certeza que se lhes acabariam todas as queixas!!!
Um grande viva à MERDA de páis em que vivemos, em que enquanto as prioridades deveriam ser o aumento dos combustiveis, do pão, do arroz, do leite, etc, há uma meia duzia de senhores preocupados com uma avaliaçãosita de caca! (Eu já sou avaliado à 10 anos na empresa onde trabalho).

Afixado por: AFerreira em junho 18, 2008 04:10 PM
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