A fábrica «Johnson Control», um dos líderes mundiais de fornecimento de sistemas interiores de automóveis, vai encerrar por etapas até final de Julho de 2007. A multinacional anunciou, esta terça-feira, o encerramento definitivo das unidades fabris de Nelas e Portalegre, que vai deixar no desemprego mais de 900 trabalhadores. A unidade de Palmela vai continuar a funcionar, por enquanto.
A empresa justifica o encerramento das fábricas em Portugal com «ajustes da capacidade de produção na Europa».
De acordo com os trabalhadores da unidade de Nelas, a fábrica vai «procurar mão-de-obra mais barata, deslocalizando a empresa para países de Leste».
Há quem afirme, no entanto, o contrário.
Espanha terá sido o país escolhido para acolher as unidades a remover de portugal, por uma questão de estratégia de mercado e proximidade com a europa. O mesmo argumento utilizado pela GM para deslocalizar Palmela para Sevilha.
Os funcionários de Nelas sentem-se «revoltados e traídos» porque esta unidade era considerada «a melhor empresa da Johnson a nível europeu».
Jef Vercammen, vice-presidente da empresa, afirmou que «gostaria de encontrar soluções ideais e socialmente compatíveis para os funcionários afectados pelo encerramento das fábricas». Que só pode passar pela emigração dos funcionários de Nelas e de Portalegre para outros países onde a Johnson tenha ou venha a ter instalações.
De salientar que, neste caso, todos os contratos firmados entre o Estado e a Johnson Controls foram cumpridos. Por isso, ao executivo pouco resta a fazer senão a costumeira propaganda da ordem a garantir ao povo que tudo fará para que o inevitável deixe de o ser...
Sabe-se, no entanto, que a performance do governo neste ponto - a avaliar pelo sucesso das "negociações" com a GM de Palmela - está muito próximo do seu real valor.
Ontem mesmo os representantes da Johnson abandonaram a reunião deixando o secretário de estado a falar sozinho...