Portugal está nos últimos lugares de várias tabelas relacionadas com a educação, como mostra o estudo da OCDE que analisa a ajuda aos estudantes, as despesas nos vários ciclos e o período de frequência na escola.
Em Portugal, apenas 2,6% do orçamento do ensino superior é utilizado para aliviar os custos das famílias com filhos a frequentar o ensino superior, revelou um relatório da OCDE, denominado «Panorama da Educação 2006», divulgado na semana passada.
Estas ajudas incluem bolsas de estudo, os créditos bonificados concedidos aos estudantes para financiarem os seus estudos e os subsídios concedidos directamente a instituições privadas.
Portugal gasta anualmente 4.422 € em despesas de educação por aluno, desde o ensino básico até ao superior, ficando no 23.º lugar entre os países analisados pela OCDE.
O nosso país está, assim, abaixo da média de investimento anual dos países da OCDE na Educação, fixada em 5.381 € por aluno.
Dados de 2003 mostram que Portugal despendeu 3.549 € nos gastos com o primeiro e segundo ciclos do ensino básico, enquanto no terceiro ciclo do básico e ensino secundário foram gastos por ano e por estudante 4.803 €.
No ensino superior, o investimento do Estado português em cada estudante é de 5.674 €, quando a média da OCDE se situa nos 8.868 €.
A Suíça está à frente da listagem, com o Estado a investir anualmente 6.409 € por aluno no primeiro e segundo ciclos do ensino básico, 9.624 € no terceiro ciclo do básico e no ensino secundário e mais de 20.400 € no ensino superior.
Poucos anos de escola
O documento revela que Portugal é o país da OCDE onde a população adulta (entre os 25 e os 64 anos) passou menos tempo no sistema de ensino, com uma média de oito anos e meio.
Em primeiro lugar surge a Noruega (quase 14 anos no sistema educativo), a Alemanha e a Dinamarca.
No fundo da tabela mas à frente de Portugal, aparece a Turquia (9,6 anos) e o México (8,8 anos).
A média dos países da OCDE é de 11,9 anos.
O número de pessoas entre os 25 e os 34 anos que concluíram o ensino secundário tem vindo a aumentar na OCDE, com uma média de 77%. Portugal apresenta o quarto valor mais baixo (40 por cento).
Pior só o México (25 por cento), a Turquia (33 por cento) e o Brasil (38 por cento).
Em 23 dos 30 países da OCDE analisados, 67% das pessoas entre os 25 e os 64 anos terminaram pelo menos o 12.º ano.
Neste parâmetro, Portugal surge em penúltimo lugar, com 25 %, apenas à frente do México, com 23 %.
Quanto ao ensino superior, 20 % dos portugueses entre os 25 e os 34 anos possuem um diploma universitário, valor que desce para 10 % na faixa etária entre os 45 e os 54 anos.