
Está a dar o «reumático» à administração do Hospital
Mais uma vez se vê Seia nas TVs.
E, como sempre, pelos piores motivos.
Desta feita, porque foi dispensado o único reumatologista de que o Hospital dispunha.
Diz a TVI que são 300 os utentes severamente prejudicados. A SIC afirma que são 400.
E que estes doentes terão que se deslocar a Coimbra, a partir de agora, a uma hora e meia de viagem - mais outra hora e meia de volta - sem contar com os habitantes da TEIXEIRA ou da VIDE, que terão que despender entre 30 a 60 minutos a mais para cada lado.
Portanto um doente conterrâneo de Almeida Santos ou de Pina Moura terá que fazer, agora, 4 horas em duas viagens para se ir tratar a Coimbra.
Mais o almoço ou o jantar.
Depois de esperar um ano, na lista que neste momento existe nos HUC, claro está.
De quem foi a decisão?
Da Administração do Hospital de Seia. Cujo Presidente é um vereador da Câmara de Seia!
E por razões estritamente economicistas. Porque - está visto - doentes não faltavam.
Ora, isto é absolutamente inacreditável.
Como pode esta gente reivindicar um Hospital novo para Seia quando são eles próprios que vão desmantelando o pouco que no velho ainda existe?
Como irão justificar este “tiro no pé” à tutela?
E quanto a esse futuro "novo" Hospital?
Nem uma palavra é dita ou escrita.
Pelo projecto antigo, e a acreditar no ministro de então, o Hospital remodelado teria sido já inaugurado em Julho deste ano.
Acontece que estamos em Setembro.
Não há nem previsões para o início da obra.
Nem temos um remodelado nem se prevê que se inicie o novo.
Como diz o povo: «Mudámos de moleiro... apenas».
Mas pior: do pouco que ainda tínhamos, tudo vai embora.
Não há praticamente médicos no Centro de Saúde.
As bichas para se tomar vez começam, novamente, às 4 da manhã. Como aqui há uns anos denunciamos neste jornal.
Por outro lado, há centenas de pessoas sem médico de família.
Isto, porque não se substituem os médicos ausentes, incapacitados ou desistentes, por outros.
Razões? Não há dinheiro para os contratar.
Não vale a pena inventar mais nada. Está tudo claro como a água.
Então, nesta conjuntura, alguém em seu perfeito juízo pode acreditar que este governo, que prefere proteger os toxicodependentes do que as grávidas, que fecha Maternidades e Serviços de Atendimento Nocturno por todo o país, alguma vez venha de facto a construir, em Seia, um Hospital novo?
Que diria o resto do País onde só se fala em saúde associada ao verbo encerrar?
Mas mesmo que assim seja, este Hospital ficará com menos médicos do que os que já possui, e sem as valências que o distinguiram.
Qual seria a estratégia?
Substituir as valências existentes por outras tantas "salas de chuto"?
Pode ser isso que interesse a este governo, já nada me espanta.
E até pode ser isso que interesse à Administração deste Hospital, por razões de reumatismo financeiro.
Mas não é isso que interessa a Seia