As pessoas de quem se diz, em Portugal, terem muito papel - aos milhões - ganho honestamente com o suor do seu rosto, a trabalhar das 9 às 5 numa repartição, ou noutro lado qualquer, acabam subitamente por ser acometidos por uma estranha característica que os leva a conjugar os verbos da Língua Materna de uma forma peculiar.
Veja-se o caso Sousa Cintra e, mais recentemente, este caso Vieira.
Por muito que póssamos pensar que aquilo se deve a uma instrução primária algo aligeirada, completada com um liceu - como direi? - bastante relativizado e um bacharelato brilhante tirado num desses institutos marrecos que ninguém conhece a não ser os seus clientes (à Sócras), seguido de uma licenciatura nunca provada (também à Sócras) e de uma pós-graduação numa Universidade privada que, à data da dita, ainda as não facultava (outra vez à Sócras), essa pretensa falta de instrução mais não é que um magistral truque, apenas ao alcance de uma inteligência maior, de que aqueles intelectuais do futebol lançam mão para se fazerem, mais facilmente, entender pelo povo que os adora.
Assim é que ninguém se deve rir das pretensas calinadas de um Dr. Vieira que, respondendo às perguntas sobre o caso Mantorras, não se cansa de repetir que se orgulha imenso do homem que é (!) e da Família que tem.
E quando um homem declara aos 3 telejornais, a propósito de 5 milhões desaparecidos, que se orgulha imenso de si próprio, não necessita ser submetido a posterior interrogatório.
Mais uma vez, a PJ esteve ao seu melhor nível, garantindo às televisões que «não senhor», que «nada disso», e que «nem se prevê que Vieira venha a ser incomodado».
É essa a principal função da polícia.
Não é a de investigar, ao contrário do que muitos leigos pensavam, até porque para isso era preciso que houvesse gasolina nos carros e papel nos gabinetes e toner nas impressoras. Nada disso, que isso é coisa obsoleta.
A Missão principal e mais Nobre da PJ é - isso sim - informar o povo das pessoas que vão ser, ou não, interrogadas no futuro próximo.
Neste caso, o Dr Vieira, segundo ele próprio e corroborado pela polícia de investigação criminal - agora denominada PIDE: Polícia de Informação e Desmentidos Emediatos - está mais que ilibado à partida, de certeza absoluta.
Hum?
Não é necessária qualquer investigação.
De certeza absoluta.
Um homem que tem muito orgulho em si e na família e até foi obrigado a mudar de casa, não pode nunca ter metido 5 milhões ao bolso.
Hum?