agosto 08, 2006

Falando de padres... e de jornalistas comprados

Voltei de uma semana de férias.
E no domingo passado, acordando - por lapso - sintonizado na TVI, deparo com um padre que fazia uma homilia incrível.

Dizia ele que «é uma vergonha o jornalismo que se faz, hoje, em Portugal.
Os senhores jornalistas estão praticamente todos silenciados, como que comprados, como que forçosamente calados perante um país em que impera cada vez mais a corrupção e o compadrio.
Aqueles jornalistas que, em governos anteriores, denunciavam febrilmente todas as situações de gritante irregularidade e injustiça, estão hoje vergonhosamente mudos, submetidos ao poder financeiro que tudo compra (comunicação social incluída), tudo avassala e tudo corrompe.»

Parabéns senhor padre!
O sr desloca-me aos belos tempos de Timor, em que a Igreja católica era a única instituição que denunciava as gritantes injustiças que se perpetravam contra o povo mawbere.
Hoje, são os eleitos por esse mesmo povo que o oprime - em vez da Indonésia - como sempre acontece em todas as democracias implantadas à força em sociedades medievas que, como Angola, Moçambique, Guiné, e quase todos os países africanos, Portugal, Vietnames, Coreias, América Latina, não conseguem interiorizar o conceito democrático básico. Fruto da opressão a que várias gerações foram submetidas, é claro.
A "educação" da corrupção, do compadrio e do medo passa de pais para filhos e para netos. É preciso mais 3 gerações, pelo menos, para que um portuga ganhe a coragem de fazer valer os seus direitos na rua. E consiga reclamar, numa repartição, quando a senhora não o atende porque está a tratar das unhas e a conversar com as colegas.
E para que perceba que aqueles que elege não passam a ser automaticamente seus donos. Nem donos das instituições para as quais foram eleitos.
A democracia não acaba na eleição. Começa nela.
Mas como fazer entender esta simples verdade a um povo que vê, no dia seguinte ao de qualquer eleiçao, o recém-eleito tratar de apoderrar-se de tudo, estendendo os tentáculos a todos os orgãos de influência, compadriando, distribuindo estrategicamente benesses de modo a perpetuar-se no poder e evitar que alguém mais possa ter a veleidade de tentar atingir aquele lugar?
O eleito trabalha para o eleitor.
O poder é do povo.
Até Fidel o diz, claramente.
Portugal está silenciado sob o poder da alta finança e dos interesses económicos.
É verdade.
Venho-o denunciando desde que o inefável e espertalhão Sócras se apoderou - com a ajuda da mesma alta finança e de toda a sua comunicação social - das consciências imbecis do povo mais estúpido da Europa: o portufutebolês.
Estamos, pois, perfeitamente de acordo.

Publicado por JoaoTilly em agosto 8, 2006 09:10 PM
Comentários

Com o seu comportamento até parece que o seu blogue, agora transformado num insípido monólogo, também não é totalmente livre mas, antes, influenciado e/ou subordinado a um qualquer grupo económico ou quadrante político.
Felizmente, hoje o contra-poder reside mais na Internet do que nos pasquins tradicionais, mais interessados em competir com os jornais, ditos desportivos, do que em formar e informar o Tuga cada vez mais iletrado graças ao tempo perdido, por eles, com o futebol e com a chuva miudinha das telenovelas, por elas.
Da maneira como põe o problema da liberdade de imprensa, ou falta dela, até parece que o fenómeno é específico deste governo e ao não permitir um comentário directo, como acontece em alguns jornais visados nas suas versões on line, está a ter um comportamento tão ou mais condenável que o deles.
É caso para dizer que "bem prega Frei Tomás..."
Seja como for, com ou sem lei da rolha, vai continuar a contar comigo entre os seus inúmeros visitantes quanto mais não seja porque, por vezes, aborda com grande mestria e frontalidade temas relacionados com o nosso concelho e a nossa querida Serra.
Melhores cumprimentos
Victor Santos

Afixado por: Victor Santos em agosto 10, 2006 09:36 AM

Como vê, apesar de ter opinião contrária à minha e até acusando-me de estar, também eu, comprometido com quadrantes políticos (o que é falso: comprometido estou, mas apenas com a minha consciência...) aqui está a prova da democraticidade deste blog.
A verdade é que este sistema não permite - ao copntrário de outros - que os comentários sejam monitorizados antes da sua publicação. E como já tive que responder em dois processos por aqui serem colocadas afirmações a que sou perfeitamente alheio, opto por não facilitar mais.
Não há civismo, não há respeito, e há, ao contrário, gente que aproveita estas janelas de democracia para destilar toneladas de ódio e frustração sobre os outros (muitas vezes até sobre terceiros, completamente alheios a este blog).
Isso não pode ser.
Enquanto o povo não interiorizar o conceito democrático, temos que fazer como se faz em toda a parte onde a democracia não funciona: filtrar comportamentos.
Mas basta fazer como você fez: enviar os comentários para o meu email acima que, por muito que discorde deles, serão SEMPRE publicados.
Aqui está a prova, como disse.
Um abraço.

Afixado por: João Tilly em agosto 10, 2006 09:44 AM