julho 22, 2006

Resposta ao Pedro Fraga

Caro amigo:
Só lamento não ter o tempo devido para responder, ponto por ponto, às tuas afirmações, que bem o mereciam. Mas enquanto o meu Macintosh está a renderizar um filme e vai demorar 14 minutos, segundo indica, aí vai o que se pode arranjar nesse tempo.

1 - Os professores têm que ser avaliados. Nunca defendi o contrário.
A questão é que eles já são avaliados hoje em dia., embora de forma incipiente, reconheço.
Basta-lhes frequentar uns cursos por ano com o sucesso mínimo – mas têm que os frequentar – para arranjar os créditos necessários e ainda não “provocarem” grandes conflitos com os alunos, para subirem de escalão.
O método em vigor não é respeitável. Porque os cursos valem zero e nada se aprende de facto com eles.
Simplesmente, neste momento, NINGUÉM SOBE DE ESCALÃO: nem os bons nem os maus professores. E que culpa temos nós que o ministério não seja capaz de modificar o método de avaliação por outro mais eficaz? Enquanto não se aprova um novo, o velho devia vigorar. Em qualquer estado de direito assim é. Milhares de professores não se importam – e que remédio têm… – de se submeter ao novo método. Mas não há novo método nem o velho método está em vigor, agora. Com este truque, do congelamento dos métodos todos, o governo mete ao bolso uns milhares ILEGALMENTE. Os professores cumprem a Lei, o Ministério também tem que a cumprir.
Não te considero um vulgar tuga – senão nem perdia tempo a responder-te – por isso verifica lá se eu tenho, ou não, razão.
O ministério acaba com o velho método sem implementar um novo?
Com que justificação?
Não a tem.
É para poupar. Provavelmente para pagar os 10 estádios de futebol que GuGu mandou construir. Ou a Expo 98 onde GuGu perdeu 5 milhões de contos NOSSOS (fora o escândalo dos paquetes de luxo e do Mar da Palha), e sobre os quais ninguém pergunta nada a Mega Ferreira, que por isso mesmo, deles não dá fé.
2 - A avaliação não pode passar pelos pais. Isso é que é fascismo e salazarismo. Dispenso-me de te explicar porquê. Toda a gente percebe a subversão ao ensino que isso traria. Há milhares de textos e caricaturas na net sobre esse desarrincanço da ministra.
3 – Há professores muito maus. Mas em Portugal a esmagadora maioria dos profissionais são muito maus. Por isso é que somos um país muito mau. Sempre, e cada vez mais, na cauda da Europa. Não é só por culpa dos professores, descansa… Não se faça deles o bode expiatório de todo um país que é um verdadeiro portfolio de mediocridades, onde a incompetência, a inveja e a corrupção imperam a todos os níveis.
A classe política, à qual pertence a ministra, é também a pior da Europa, pois é justamente ela quem nos governa e nos atira para a cauda do 1º e até do 2º mundo, neste momento.
4 – A vergonha do exame do 9º ano a matemática é disso prova gritante. Esse “exame” de matemática foi cuidadosamente antecedido de um filtro que impossibilitava, na prática e à partida, que 50% dos alunos conseguisse nele ter êxito. Aqui ou na China.
Tratou-se de um exame destinado, em primeiro lugar, à interpretação de textos introdutórios aos problemas e, só depois, a questões de matemática pura.
Pelo segundo ano consecutivo, qualquer aluno sem jeito para Português não tem hipótese alguma de tirar positiva a matemática. A maior perversão que vi no ensino em toda a minha vida.
Qual o objectivo? Nitidamente achincalhar os profs de matemática, no sentido de os denegrir, aos olhos da opinião pública, a tal ponto que não lhes deixe moral suficiente para reivindicarem os seus direitos e os direitos dos seus alunos.
O mesmo acontecerá aos de Português – já começou este ano com o dobro das negativas do ano passado – por aplicação de uns critérios de correcção que passaram da balducha absoluta para o rigor absoluto, de um ano para o seguinte.
É, isto, sério?
Não é.
É, como escrevo, uma nítida arma política a fim de dividir os professores, a classe mais desprotegida da Função Pública.
Nada mais.
Nenhuma preocupação com os alunos revela o ministério. Apenas com a poupança de meios e com a intoxicação da opinião pública, o que dá muitos votos.
Mas depois há o reverso da medalha.
Nem tudo corre bem a quem o mal porfia…
Já nem falo dos erros crassos no exame de Física e Química do 12º ano.
Mas todos esses exames foram feitos pelas equipas que a tua BOA ministra arranjou.
E então eu pergunto: como se vão avaliar os professores topo-de-gama que elaboraram esses exames cheios de erros? É que parece que são do melhor que há em Portugal!...
A Nata dos profs!.
Será mesmo essa a nata? Não posso crer. Qualquer um de nós, meros professoreszitos normais de província, a uma primeira leitura, detectamos os erros.
Em que é que eles são melhores que nós?
Nós não cometeríamos aqueles erros, posso assegurar-to.
Cometeríamos outros? – perguntarás.
Talvez. Mas aqueles, não.
E aqueles que eventualmente pudéssemos cometer, não os cometemos. Por isso, temos que nos cingir à matéria factual: os erros dos Grandes Professores, Lentes, Doutorados e Jubilados e o mais que queiras.
Sem falar nos erros ortográficos que vêm nos textos dos critérios de correcção justamente dos exames a Língua Portuguesa!!!
Ninguém acredita!
Uma correctora de exames mostrou-mos e eu vi com os meus olhos. Senão, também não acreditava.
Sem comentários.
Não há um documento vindo do ministério que não traga erros. Pelo menos de pontuação.
Nas Escolas é o mesmo.
Cada documento exposto no placard, cada calinada.

Como queres tu avaliar estes grandes e os outros pequenos professores?

Acabou-se o tempo. Tenho que voltar ao trabalho.
Um abraço
João Tilly

Publicado por JoaoTilly em julho 22, 2006 06:49 PM