julho 02, 2006

A propaganda do governo - Função Pública excedentária? Onde???

Contrariamente àquilo que reiterada e enganosamente afirmam os nossos governantes, os nossos Belmiros, os nossos Medinas Carreira e a «nata» (não se leia nota, por favor) do nosso emergente jornalismo circense protagonizado pelas Fátimas Campos Ferreiras que por aí pululam;
contrariamente ao que os nossos iluminados analistas político/económicos com que diariamente temos de levar na televisão e nos jornais e que adulteram e manipulam com a maior ligeireza os indicadores a seu belo prazer e que, subitamente, tudo parece terem aprendido sobre "Função Pública";
a verdade é que não temos mais funcionários públicos que os demais países europeus com os quais tanto gostamos de nos comparar.

Contrariamente ao que esta gente é paga para debitar ao povo incauto e cada vez mais intoxicado pela tuguice futeboleira, a percentagem de Funcionários Públicos na Europa é bem diferente da mentira que nos vendem todos os dias.
Ora vejamos:
Assunto: PESO DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS NA POPULAÇÃO ACTIVA:
(Fonte EUROSTAT, publicado no Correio da Manhã)


> Suécia .. 33,3%
> Dinamarca ..30,4%
> Bélgica .. 28,8%
> Reino Unido ..27,4%
> Finlândia ..26,4%
> Holanda .. 25,9%
> França .. 24,6%
> Alemanha .. 24%
> Hungria .. 22%
> Eslováquia ..21,4%
> Áustria .. 20,9%
> Grécia .. 20,6%
> Irlanda .. 20,6%
> Polónia .. 19,8%
> Itália .. 19,2%
> República Checa..19,2%
> PORTUGAL .. 17,9%
> Espanha .. 17,2%
> Luxemburgo .. 16%


Não há, ao que se vê, funcionários públicos a mais relativamente ao resto da Europa civilizada.
Há, isso sim, uma distribuição incorrecta que faz com que existam sectores em déficit de funcionários enquanto noutros os há em excesso.

Por exemplo, a reforma da administração pública deverá começar por mudar a triste realidade TUGA em que cada ministro (deste e dos anteriores governos) tem, ao seu serviço pessoal e sob as suas ordens directas, uma média de 136 pessoas (entre secretários e subsecretários de estado, chefes de gabinete, funcionários do gabinete, assessores, secretárias e motoristas) e 56 viaturas: estamos a falar de CINCO vezes mais do que o que se verifica na Europa.
Só o Ministério da Agricultura tem mais funcionários do que agricultores há em Portugal.
O Ministério da Educação - outro exemplo - tem 10 mil professores nos seus quadros.
Para quê?

Ora é evidente que muitos dos "respeitados" analistas - todos eles ligados ao mundo empresarial - defendem a diminuição a todo o custo dos funcionários públicos para que as empresas privadas em que, directa ou indirectamente têm interesses, possam ser contratadas para depois fazer os serviços costumeiros de "Outsourcing"!

Se serviu para alguma coisa o «Prós e Contras» da RTP de 22 de Maio passado, foi para que se visse claramente que quando as comadres se zangam, começam a saber-se as verdades. E a que saiu desse programa foi que temos uma comunicação social corrupta e ao serviço de quem tem muito dinheiro.
Que grande novidade!
Mas para a maioria do povão bem intencionado, o boca-aberta de cachecol e bandeira às costas, até é!
Neste programa, a ideia que mais uma vez a comunicação social vendeu à opinião pública (a qual foi repetidamente bombardeada pela Fátima Campos Ferreira e seus usuais convidados) foi a da necessidade imperiosa de 200 mil despedimentos na função pública.

No entanto, como acima está demonstrado pelas estatísticas europeias, resulta claro que somos o 3º país da U.E. com menor percentagem de funcionários públicos na população activa.

Assim se informa e se faz política em Portugal.

Publicado por JoaoTilly em julho 2, 2006 11:10 AM