«INTRODUÇÃO»:
como ante-ontem dizia, na Assembleia Municipal, há 3 tipos de políticos em Portugal:
1 - Os que tudo fazem para benefício da sua Terra;
2 - Os que tudo fazem para benefício do seu partido;
3 - Os que tudo fazem para seu próprio benefício.
O que se passou, uma vez mais, ontem, traz à evidencia que o nosso pequeno grupo parlamentar não pertence à terceira categoria.
E é infinitamente mais activo, trabalhador, eficaz e profícuo que o da maioria.
De 11 deputados que éramos, 7 usaram da palavra para denunciar assuntos da maior importância.
Dois deles tiveram mais que três intervenções.
Sobre todos os assuntos discutidos, a nossa bancada prova ter opinião própria, estar informada, sensibilizada e unida em torno do principal e mais nobre objectivo: lutar pelo progresso e desenvolvimento do nosso Concelho.
Na bancada da maioria apenas um único e desgarrado deputado está incumbido de sair ao beija-mão, defendendo a CMS em tudo quanto ela faz, e o que não faz, e o que anuncia fazer.
Novas e importantes vozes discordantes se fazem surpreendentemente ouvir, na bancada da maioria, muitas vezes chegando até mais longe, em muitos assuntos, que nós.
É mais um sinal de que temos razão.
Entretanto, a nossa bancada tem provado que existe muito maior Qualidade argumentativa no lado da oposição do que no da maioria, o que tem obrigado a reconhecimentos sucessivos de que temos razão em muitas questões levantadas.
«MAS ONDE É QUE ELE ESTÁ?»
Vem isto a propósito do inesperado silêncio do mais destacado parlamentar que o PS tem, digno desse nome, na sua bancada.
André Figueiredo, inexplicavelmente (ou talvez não) está apagado.
Não fala, não vem a terreiro defender a sua Dama (ou o seu Senhor) de maneira que aquela bancada está transformada numa sombra do que já foi.
Isto não é polítiquice barata: é a pura realidade.
Quem lá está comove-se com a falta de argumentação da maioria.
Com a manifesta falta de quem ali apareça a dizer alguma coisinha que convença quem o ouve.
Hoje em dia, ou se assiste ao inqualificável beija-mão, apenas visto em sociedades esclavagistas e feudais, ou é o velho rol de frases feitas o mais pedantes que imaginar se possa, absolutamente vazias de conteúdo e que metem tanta impressão a quem as ouve como a triste figura que faz quem as profere, à espera de alguma réstea de aceno de cabeça de quem já o pôs fora do campeonato há séculos.
Chega-se ao ponto da própria bancada censurar moções de um seu militante porque provavelmente esta entraria em choque frontal com o que já está decidido superiormente.
André Figueiredo, de longe o melhor parlamentar do PS (há quem diga que é o único, mas eu também não sou assim tão radical), a tudo assiste, tudo vê e a tudo cala.
Porque será?
Talvez porque o tal «afastamento» a que Eduardo Brito aludiu, se aplique melhor ao que se passa com André do que com o João Tilly.
Que não vive de politiquices e apenas quer ver a sua Terra desenvolver-se.
André deixou de intervir, não diz nada e, por isso, a sua bancada hoje mais parece um gigantesco saco de boxe onde os poucos mas cultos e denodados deputados do PSD se treinam com vista aos futuros combates que se avizinham.
«UMA NOVA ATITUDE»
Que são grandes, e é chegada, de facto, a hora de o PSD provar o seu valor, propondo as suas alternativas à política em vigor.
Isso é que é democracia e isso é que é bonito.
O PSD tem que evoluir da simples denúncia do que está mal, para as propostas e projectos que, na nossa opinião, serão de apresentar rapidamente, para bem do nosso Concelho.
Nesse sentido estão a seguir cartas minhas dirigidas aos nossos companheiros de bancada no sentido de os exortar a darmos o passo em frente e sairmos deste patamar de intervenção para um outro muito superior e activo.
Já provamos que somos muito melhores a argumentar e a defender as nossas teses.
Agora há que os ajudar para construirmos TODOS um futuro melhor.
Porque vamos estar mais 3 anos na oposição e não podemos esperar sentados 3 anos. A situação de Seia e do seu Concelho não o permite.
Não podemos continuar a assistir, impávidos e serenos, de braços cruzados, à desertificação do Concelho, só para depois apontarmos as culpas a Eduardo Brito.
Pode ser muito conveniente essa estratégia para alguns, que gostam muito de criticar e nada de construir, mas EU REAFIRMO DAQUI QUE A REJEITO LIMINARMENTE!!!
TEMOS QUE DAR O NOSSO CONTRIBUTO POSITIVO PARA O DESENVOLVIMENTO DO CONCELHO.
QUER OS "LIDERES" partidários queiram, quer não.
Como diz Eduardo Ambrósio, mais 3 anos têm que me gramar. Depois é provavel que não me convidem mais. Mas eu recuso-me a ficar inactivo e ver o meu concelho definhar à espera que depois o próximo candidato me convide para mais 4 anos de mandato na AM.
Para quê?
Quero lá saber disso!
Ajudar o executivo é ajudar o Concelho.
Apresentando propostas nossas, em vez de sistematicamente apenas lhe fazermos frente, contribuiremos para um Concelho melhor e colocaremos a batata quente nas mãos da bancada da maioria:
- se aceitarem as nossas propostas, elas têm autor e te-lo-ão sempre.
- se as não aceitarem, terão que deixar de nos acusar de sermos apenas uns «bota-abaixo».
Este é o desafio que se nos depara.
«UMA NOVA ORGANIZAÇÃO INTERNA»
Para que esta NOVA ATITUDE tenha sucesso, existe a necessidade de nos organizarmos, a partir de agora, por forma a apresentarmos as NOSSAS PROPOSTAS conducentes ao desenvolvimento do nosso Concelho:
No âmbito do Emprego, articulado com o do Turismo, por exemplo, podemos apresentar vários projectos alargados de incentivo a esta nobre e esquecida indústria turística, alguns deles já em fase de implementação, como o Portal de Turismo da Serra da Estrela (www.portalserradaestrela.com) – o maior catálogo interactivo de Turismo em Espaço Rural (TER), que conta já com mais de 100 assinantes e 43 mil visitas.
Actividade esta que será contemplada com muitos milhões de euros, no próximo QCA.
A ele se poderão associar muitas outras iniciativas, que a seu tempo se publicitarão e apresentarão, por forma a dotar o nosso concelho de oportunidades de visibilidade e enriquecimento na área crucial do Turismo, oportunidades essas que, até aqui, têm sido sucessivamente perdidas ao longo dos anos.
Iniciativas destas cavarão uma profunda confusão no seio da bancada adversária, à qual, se quiserem ser honestos, não restará alternativa senão apoiar-nos nestes importantes projectos, connosco trabalhando para que esses projectos sejam optimizados.
Este trabalho de construção, que proponho suceda ao que temos desenvolvido até agora (e que se tem limitado apenas à denuncia de situações menos correctas), não poderá, no entanto, ser implementado com eficácia sem que uma grande coesão e toda a informação em tempo real circule entre nós, deputados do PSD na AM de Seia.
Temos que começar a trabalhar segundo linhas de força concretas, projectos de intervenção discutidos e aprovados por todos; e seguindo linhas de actuação perfeitamente estabelecidas e inatacavelmente coerentes.
«UM PORTA-VOZ HUMILDE E COMPETENTE EM VEZ DE UM «LIDER» ARROGANTE E LEIGO»
Necessitamos de uma articulação e de um agente aglutinador que nos una em torno desses projectos e ideias de fundo a apresentar à CMS e à AM.
Nesse sentido proponho que, até à próxima Assembleia, do final do verão, todos os nossos deputados contribuam para uma remodelação profunda no seio do nosso pequeno mas activo Grupo Parlamentar, se queremos ir mais longe e marcar a História do nosso Concelho.
Essa remodelação começa pela eleição de um novo porta-voz – e nunca um líder! – que sistematicamente nos apresente e discuta connosco projectos nestas e noutras áreas fundamentais para o desenvolvimento do nosso concelho.
Um porta-voz que ausculte a opinião dos deputados e do Partido sobre os assuntos a tratar, depois de debatidos e aprovados, antes de os levar, perfeitamente articulados, à AM.
Mas um porta-voz COM CREDIBILIDADE política.
Alguém que, de cada vez que abra a boca, não seja imediatamente ridicularizado por toda uma Assembleia, nem o venha a ser sucessivamente nos jornais.
Um porta-voz que seja um especialista, em vez de um leigo, em cada matéria que aborde.
Um porta-voz que coordene o trabalho da abordagem dos assuntos mais importantes do concelho, e não se perca com ressabiamentos pessoais por assuntos não resolvidos a contento, no passado.
Porque isso descredibiliza e praticamente anula o impacto do nosso importante trabalho.
No nosso concelho, precisamos de quem trabalhe arduamente em prol do bem-estar das populações.
Não de quem sistematicamente se coloque em bicos de pés, na procura mal disfarçada de protagonismos bacocos e na tentativa permanente da auto-promoção à custa de um Partido ou de uma Instituição.
Disso, já por cá há muito.
Um Partido que não “desça” ao povo todos os dias (é propositado este abuso linguístico), não tem credibilidade para depois, de quatro em quatro anos, lhe pedir o voto.
É por isso que lanço o repto a todos os meus companheiros de bancada para que avaliem esta estratégia.
Se acham que é este o caminho a seguir, exijam a eleição desse porta-voz, no seio da bancada do PSD.
Não há regimento aprovado na nossa bancada, pelo que, como não ganhámos as eleições, ninguém pode ser guindado à categoria de «líder» (veja-se bem este absurdo quando depois se tenta afirmar que «apenas queremos servir»!) apenas por ocupar o 1º lugar na lista que apresentámos a sufrágio.
É assim que acontece na Assembleia da República, em que o porta-voz é escolhido de entre e por todos os elementos da bancada e nunca imposto aos colegas.
Pode até ser proposto pelo Partido, mas nunca imposto aos parlamentares.
Eu considero, por exemplo, que o concelho, a bancada e o partido muito teriam a ganhar se esse porta-voz fosse o companheiro Nuno Almeida.
É ele quem melhor conhece o partido desde a juventude aos seniores.
E há muito tempo.
Conhece bem Seia e o nosso Concelho, tem ideias próprias perfeitamente consubstanciadas num conhecimento profundo da realidade do Concelho, e é um óptimo parlamentar ponderado e assertivo nas afirmações que faz.
Ontem, como viram, em todas as intervenções brilhou muito acima de qualquer deputado socialista.
Estou certo que, se ele aceitar coordenar a nossa bancada, Seia e o PSD muito terão a ganhar relativamente à organização e implementação de projectos que temos para apresentar aos senenses.
Quem concorda com esta estratégia (independentemente do nome do Porta-Voz), deve fazer chegar a sua voz a quem de direito.
Quem não concorda, que o faça também. Em democracia ninguém sai derrotado.
Só é derrotado quem desiste de lutar.
E tenho a certeza de que falo por todos os parlamentares sociais-democratas quando afirmo que nenhum de nós desistirá de lutar pelo Concelho de Seia.