maio 15, 2006

Packard de 54 de Salazar em exposição em Seia

O célebre Packard em que Salazar votou, pela última vez na sua vida em 1969 (levaram-lhe a urna ao carro pois estava já impossibilitado de se deslocar pelo seu próprio pé) - estará em Seia em exposição a partir desta semana e pelo prazo de um mês, no Museu do Brinquedo.
Descobri-o numa aldeia do concelho vizinho de Oliveira do Hospital e não descansei enquanto não arranjei forma de o trazer para Seia, para a concentração que teve lugar este sábado, 13 de Maio.
Depois disso, o dinamismo da Organização conseguiu fazer com que o seu proprietário actual o dispensasse para poder ser devidamente apreciado pelos admiradores deste tipo de coleccionismo.

O Packard, de 7000 cms cúbicos e 8 cilindros em linha, está absolutamente irrepreensível.
Junta-se uma foto do então Presidente do Conselho de Ministros provavelmente na última fotografia que se lhe conhece, justamente dentro do Packard.
Admirem!




Não confundir com os dois Mercedes Benz 770 Grooser, de 1938, que foram adquiridos pela PIDE para protecção de Salazar e Carmona depois do atentado de que o primeiro foi vítima em 1937.

Esse automóvel tem sido conotado como tratando-se de um presente de Hitler, o que não é verdade.
Mas, por isso mesmo, para que não fosse confundido com o ditador Nazi, Salazar recusar-se-ia sempre a usar esse carro.
Com uma única excepção.






Salazar usou também, até cair da cadeira em 68, o seu mais conhecido automóvel: um Caddilac 75.
Leia a história desses carros que se encontram ainda hoje no Museu do Caramulo, aqui abaixo.






Do tipo W 07, o maior e mais caro Mercedes-Benz, foram produzidas, de 1930 a 1938, 117 unidades, em Untertürkheim, com várias carrosseries, das quais 42 blindadas, na forma limousine pullmann.
O Imperador do Japão, Hiroito, adquiriu três e para o Estado Português vieram dois em 1938.

No Domingo, 4 de Julho de 1937, na Av. Barbosa do Bocage, em Lisboa, a porta da moradia de Josué Trocado, onde habitualmente o Prof. Oliveira Salazar ia à missa, teve lugar um atentado bombista reivindicado pelo Partido Comunista.

Os Serviços de Segurança do Estado decidem então encomendar dois veículos blindados Mercedes Benz (27 de Outubro de 1937) através do agente da marca, em Lisboa, Sociedade Comercial Mattos Tavares, Lda. Pelos arquivos da fábrica verifica se que a construção dos chassis datam de 18 de Janeiro de 1938 e das carrosseries Pullmansteel de 9 de Março.
Os dois carros foram expedidos para Lisboa em 12 de Abril.

Ambos foram matriculados em Junho de 1938 em nome da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado - Rua António Maria Cardoso, Lisboa - e são postos à disposição dos Presidentes da República e do Conselho de Ministros, General Óscar Carmona (AL-10-71 chassis 182.067) e Prof. Oliveira Salazar (DA-10-72 chassis 182.066).

Salazar, que não fora consultado sobre a aquisição destes automóveis, logo manifestou o seu descontentamento, traduzido pela não utilização deste carro, pois receava que se pudesse pensar ser um presente de Hitler, situação que de facto tinha acontecido com Josef Stalin e Benito Mussolini.
O Buick, que já tinha aquando do atentado de 1937, continuou a ser o seu carro único e preferido.
Mas dúvida ficou, criando o mito do “presente de Hitler”.

Com o intuito de esclarecer o “mito”, a direcção do Museu do Caramulo decidiu investigar junto da Daimler-Benz, dirigindo-se aos seus arquivos centrais na Alemanha.
Dessa busca resultou a obtenção da ordem de encomenda dos dois Mercedes-Benz por parte do Estado Português, desfazendo assim a versão em que estes haviam sido oferecido por Adolf Hitler.

O Mercedes foi utilizado apenas uma vez, por ocasião da visita oficial do Generalíssimo Franco, em 1949.
Normalmente era aproveitado pelo motorista Raul para transportar as visitas ao Palacete de S. Bento. Dai só acusar 6.000 km quando dezassete anos depois é mandado vender, em hasta pública, pela direcção-geral da Fazenda. Arrematado por seis mil escudos pelo sucateiro Alfredo Nunes - Rua do Alvito, 109, Lisboa que o regista, em 9 de Fevereiro de 1955 em seu nome, é pouco tempo depois vendido aos Bombeiros Voluntários do Beato e Olivais com o fim de ser aproveitado para uma ambulância.
Porque o custo de transformação se revelou elevado decidem vendê-lo, em 16 de Junho de 1956, a João de Lacerda para figurar no Museu do Caramulo.

Actualmente acusa apenas 12.949 quilómetros, por ter circulado desde 1956 com alguma frequência para conservação da mecânica.
Nunca houve necessidade de o restaurar por estar, desde a pintura aos cromados e estofos, impecável. Até os pneus são de origem, sendo mantidos a 40 libras de pressão, não acusando “gretas” nos flancos, talvez por terem sido fabricados com borracha sintética “tipo Buna”.
É, pois, considerado o mais perfeito e bem conservado Mercedes-Benz Grosser do mundo.




O Cadillac 75 de 1947


No pós-guerra eram os automóveis de mais prestigio da indústria dos Estados Unidos da América. No ano de 1947 a Cadillac produziu 59.436 carros; todos com o “velho” motor V-8, de válvulas laterais, lançado em 1938.

Em 1947 o Estado Português mandou comprar dois automóveis Cadillac iguais: um para o Presidente da República e outro para o Presidente do Conselho de Ministros. Até essa altura as viaturas oficiais estavam normalizadas nas marcas e modelos. Todos os Ministros dispunham de automóveis Packard Clipper, de oito cilindros, de sete lugares e os Secretários e Subsecretários de automóveis da mesma marca mas de cinco lugares.

Desde então e até à sua morte, o Prof. Oliveira Salazar usou sempre o Cadillac que lhe estava destinado, tendo recusado um Mercedes-Benz 600 adquirido pelo Ministério das Finanças em 1968 (carro que hoje está na Presidência da República), por entender que o Cadillac continuava em bom estado e servia muito bem, para o seu serviço oficial.

Em Abril de 1971, menos de um ano após a morte do Prof. Oliveira Salazar (27 de Julho de 1970), este automóvel foi vendido em hasta pública, sendo então adquirido, por João de Lacerda, para ser exposto no Museu do Caramulo. De registar que o seu interior está impecável, como se tivesse saído da fábrica, pois o Prof. Oliveira Salazar tivera o cuidado de o mandar forrar com capas.

ESPECIFICAÇÕES
150 HP; V-8 (88,9 x 114,3); 5675 cc; 3 veloc.; chassis 3 420 872 ; motor 21-501 ; peso 2350 Kg. ; veloc. 130 km/h.

Publicado por JoaoTilly em maio 15, 2006 12:28 PM