maio 06, 2006

A triste miséria de um governo de «armar aos cucos»


O último desarrincanço da ministra que não faz a mínima ideia da realidade do ensino, e que se destina apenas a tentar lançar areia para os olhos do povo que eles garantem já totalmente embrutecido pela morangada com açucar, é a seguinte:
«Os professores que sabem com antecedência que vão faltar num determinado dia (1% das faltas dadas, na melhor das hipóteses!) têm que deixar a aula preparada para que alguém (quem?) possa dá-la por eles.

Confesso que nunca vi semelhante assalto à pretensa estupidez do povo a quem se dirige esta propaganda, na minha vida de 19 anos de professor!

Porque toda a gente percebe que esta medida não serve para nada.

Vejamos:
1º - Praticamente ninguém sabe que vai faltar no dia anterior à falta.
As faltas são dadas por motivo de força maior.
Uma dor de barriga, uma avaria no carro que se recusa a pegar de manhã, um filho que adoeceu durante a noite, uma circunstância imponderável, são as causas de 99% das faltas dos professores.
2º - Mas mesmo que os professores saibam que vão faltar, apenas será necessário que o não publicitem. E pronto. Passa automaticamernte a constituir um facto imponderável. Cai tudo por terra.
3º - Nos residuais casos em que as faltas são previamente declaradas (e só podem ser dadas para a frequência de acções de formação, ao abrigo da Lei), a aula deixa-se então ficar preparada.
Muito bem.
E para quê? Alguém a vai dar?
É claro que não!
Porque nunca coincide que um professor de matemática do 9º ano, por exemplo, esteja disponível em horário de substituição quando o seu colega falta. Ou está a dar aulas, ou estará em horário extra - por exemplo a dar aulas de apoio pedagógico - ou em cargos, ou não estará na escola.

A probabilidade de estas coincidências poderem ocorrer, simultaneamente na mesma escola, seria ínfima. Porque mesmo que assim calhasse, em 45 minutos dos 90 que compõem a aula, este professor de substituição teria que ser do mesmo grau de ensino.
Ou seja: do mesmo ciclo. Não pode ser um professor do 6º ano ou do secundário, por exemplo.
Estão a ver? A probabilidade de tudo isto acontecer simultaneamente é quase a mesma de nos sair o totoloto.

Vejamos um exemplo prático: no meu horário de 28 tempos (quando deviam ser só 18 lectivos, segundo a lei) eu tenho 3 blocos de 45 minutos de substituição.
Na minha escola eu só posso substituir um colega, que é o único do meu ciclo, para além de mim.
Se ele faltar em qualquer um dos dias de aulas, bem pode preparar as aulas que quiser, que nunca ninguém as dará.
Porque essa falta nunca calhará em cima de nenhum dos meus 3 blocos de substituição. Calhará sempre em cima das minhas aulas ou quando eu não estou na escola. E vice versa, pelo mesmo motivo.

4º - Mesmo que todas estas incríveis coincidências se verificassem, por milagre, o professor que fosse substituir o colega não tem noção nenhuma da turma (porque ele não é professor dessa turma. O professor é o colega que está a faltar) ou seja: não tem noção do estado em que a turma se encontra no processo ensino-aprendizagem, nem conhece as dificuldades de cada aluno.

Conclusão:
Só uma louca ou uma pessoa que não possui a mínima noção do que a palavra «pedagogia» significa, poderia sequer pensar numa aberração destas.

Mas lá está: o objectivo também não é o de que algo melhore.
O objectivo desta propaganda miserável é o de que este povo continue adormecido e se continue a iludir com o pretenso «trabalho» do governo.
Vamos a ver se o consegue.

Publicado por JoaoTilly em maio 6, 2006 11:16 AM
Comentários

Se o amigo democrata insiste em publicar estas notas biográficas de Santana Lopes não tarda a que o Sr. Tilly decrete novamente a lei da rolha como aconteceu recentemente.
Sectário como é, está sempre atento ao argueiro nos olhos do partido do poder mas raramente se dá conta das enormes traves existentes nos olhos do seu próprio partido.
Quando toca a governarem-se ou a baldarem-se a responsabilidades, salvo raríssimas e honrosas excepções, são todos iguais pelo que: venha o diabo e escolha.

Afixado por: Barão dos Formarigos em maio 7, 2006 11:07 PM

Pelo contrário, amigo.
Estou atento aos 2 lados.
Sei perfeitamente que há virtudes e defeitos nos dois.
Pesei-os bem. Peso-os bem todos os dias. Por isso optei por um.
Mas, ao contrário de Sócras, aceito as opiniões de todos.
Aqui está a prova

Afixado por: João tilly em maio 7, 2006 11:16 PM
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