maio 05, 2006

A inevitabilidade do nuclear?

A propósito de 2 comentários que a Lena d'Água me enviou respeitantes a um post em que eu previa a inevitabilidade do nuclear, vou aprofundar mais um pouco as razões que me levam a concluir por essa mesma inevitabilidade.
Que são, resumidamente, de duas ordens.

1 - Os preços do petróleo continuam a aumentar e assim continuarão nos próximos 20 anos.
E porquê?
Porque a China entrou na festa do consumo desenfreado de automóveis. A procura de petróleo refinado já excede a oferta e dentro de um ano duplicá-la-á.
Se é certo que o volume de extracção ainda é suficiente, hoje, para a procura que existe, o poder de refinação global existente é substancialmente menor. Pelo que, ou se começam já a construir centenas de refinarias por todo o lado, ou os preços dos combustíveis rapidamente duplicarão, mesmo que o barril não chegue aos 100 dólares, como esperam os especialistas.

2 - Porque, apesar dos países mais desenvolvidos estarem já a trabalhar na progressiva substituição do petróleo pelas energias alternativas denominadas "limpas" na produção de electricidade - e notar que os milhões de baterias de acumuladores e dínamos a que essas instalações limpas obrigam, em todo o mundo, são muito pouco ecológicos - o consumo do petróleo não decrescerá substancialmente, pelas razões apontadas no ponto anterior.
Haverá apenas uma "deslocalização" ou "migração" do uso de grande parte do petróleo: da produção de energia eléctrica para a produção de energia mecânica, nos milhões de automóveis que se estão a vender por ano na China (e até na Índia), cujo consumo de veículos disparou nos últimos 2 anos e ascende, hoje, a um crescimento em flecha de 20% ao ano!
Com 1.3 mil milhões de pessoas avidamente desejosas de comprar carro, não há resposta, em combustíveis, que resista.

Obviamente a procura de petróleo continuará a aumentar e, com ela, o efeito-estufa e as mega-emissões de CO2 extremamente nocivas para a Vida na Terra.

A Europa teria, no futuro, uma atmosfera menos poluída, porque emitirá menos CO2 no futuro, não fora o facto de a poluição vir cá ter na mesma, vinda das Terras do Sol Nascente, por via do disparo incrível do número de automóveis a que se aludiu, e da produção desenfreada de carvão numa base diária, que continua a ser a principal fonte energética doméstica daquele vasto território.

O que fazer?
Proibir a China de fabricar ou importar automóveis? Não se pode.
O protocolo de Quioto foi às urtigas e, por isso, o que os governos terão que fazer é lançar mão do nuclear para continuar a produzir energia eléctrica barata.
Não vejo outro remédio....
Embora não goste nem um bocadinho dos perigos que o processo da cisão do átomo potencialmente encerra.
Nisso estou perfeitamente de acordo consigo, Lena.
Mas... qual é a alternativa, neste contexto?
Quantos anos se passaram desde o «Nuclear não, obrigado!»?
E o que se fez, entretanto, para a instalação das energias limpas em Portugal, por exemplo?
Recuou-se.
Agora, qual é o remédio?

Publicado por JoaoTilly em maio 5, 2006 10:42 PM
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