
A que ocorreu ontem.
Apesar do bloqueio sistemático da maioria, lá fui conseguindo fazer ouvir a minha voz.
Serve de pouco, mas é o que se pode arranjar.
Pela primeira vez - penso eu - conseguiu discutir-se um documento com alguma profundidade - as contas da gerência da CMS.
É claro que os do costume lá vão em carreira, quais Assurancetourix, o bardo (com discursos desta vez menos patéticos, é certo), tecer loas à governação.
Não leem os documentos, não os estudam, não perdem tempo com coisa nenhuma e portanto não podem discutir seja o que for.
Resta-lhes, por isso, o beija-mão.
E lá se encaminha, ordeiramente para o palanque, aquele rancho de ilustres deputados, em procissão, cumprir o penoso dever de se afirmar incondicionalmente concordante e solidário com aquilo que nunca se leu.
É a Assembleia Municipal que temos.
Mas está melhor!
Já se começam a discutir ideias, envolvem-se os interlocutores em debates não estéreis, e começa claramente a desenhar-se quem tem unhas e quem, nunca as tendo tido, tenta continuar a recorrer à "palheta" para tocar uma guitarra repetitiva, choca e desafinada.
Eduardo Ambrósio e António Tilly assumem-se como duas vozes notáveis na bancada do PS. Porque não falam sem saber o que dizem.
Estão no princípio, o estilo não é o mais eficaz, mas estão a melhorar.
André Figueiredo parece limitar-se agora a fazer o seu papel; agora que já não é presidente do PS. Mais reservado, não sai tanta vez em defesa da sua dama. O que fragiliza nitidamente o somatório do argumentário socialista.
Desta vez, Carlos Filipe Camelo e Eduardo Brito seguraram o barco.
Tratava-se de contas e do seu suporte político.
Também não foram muito atacados. Estiveram perfeitamente à altura do embate.
Nós, apesar de tudo, conseguimos mostrar claramente, com os seus números, que as contas estão longe de estar estabilizadas.
Vamos ver o que acontecerá quando os temas forem mais generalistas.
Não me parece que a argumentação isolada e sempre repetida do «caminho que se faz caminhando» continue em estado de graça por muito mais tempo.
Sem André e sem outro parlamentar à sua altura - nem de perto nem de longe! - as coisas podem complicar-se para o PS.
Nuno Almeida, embora muito atacado por André Figueiredo, continua firme e hirto na defesa dos seus ideais, na bancada do PSD.
Xico Melo continua a dar lições de lucidez e inteligência a uma Assembleia cada vez menos surda ao que se vai dizendo, quando se tem razão.
João Viveiro antigamente dava uma no cravo e duas na ferradura. Agora tem sido sempre na ferradura. Sem a convicção suficiente, porém, para causar grande efeito.
Mário Teixeira (da CDU) é eficaz, inteligente, e incomodativo para a bancada da maioria, que, por isso, mal o suporta.
Agora: a Orquídea Lopes é que a não deixam respirar.
Umas vezes com alguma razão, mas a maioria sem ela. Não se percebe o ataque generalizado que a bancada faz à senhora. É certo que a argumentação da Orquídea nem sempre tem sido a mais feliz e consistente, mas isso acontece-me a mim e a todos nós. E os deslizes, a surgirem, deviam ser motivo de gáudio e não de repúdio generalizado, como está a acontecer.
Eu só consigo perceber este fenómeno à luz da seguinte explicação:
Na AM, o PSD tem um pequeno grupo parlamentar que já mostrou que incomoda bastante a bancada da maioria.
Temos argumentadores sólidos e muitíssimo educados como Avelino, Pedro Nuno, Vera Cruz.
Temos um filósofo e um poeta que as mete todas na mouche - Xico Melo
Temos dois combatentes aguerridos pelos ideiais da social-democracia aplicados à nossa Terra - Nuno Almeida e Orquídea Lopes.
Temos um homem com uma experiência de vida e uma sabedoria e lucidez ímpares - João Luis de Brito
Temos um denodado jornalista denunciador de situações pouco claras o mais politicamente incorrecto possível - Arlindo Marques
E um aprendiz que aprende rápido, que sou eu.
Por isso, podem vir de lá à força toda!
Quantos são??
Quantos são??