abril 20, 2006

Holocausto ao cubo


O governo Alemão abriu (veja-se a diferença: nos outros países a notícia acontece quando alguma coisa se faz. Aqui é quando se anuncia que se há-de fazer) os documentos sobre o Holocausto a investigadores e vítimas.

São 50 milhões de documentos que têm estado guardados em caixas e a que, até agora, só a cruz Vermelha teve acesso.

Há aqui uma grande importância histórica: vai poder saber-se ao certo (enfim, aproximadamente) o número de vítimas nos campos de concentração.
saberemos se foram os 300 mil de que fala o presidente Iraniano, se foram os 1,2 milhões de que falam alguns investigadores que já tiveram acesso a muitos documentos, se são os 6 milhões que se propagandeiam nas escolas ou se são os 17 milhões - última versão posta a circular há dias.

Desde já aviso que não posso acreditar nos últimos 2 números.
Simplesmente porque não haveria logística que conseguisse "digerir" 6 ou 17 milhões de corpos em tão pouco tempo e apenas naqueles 5 campos de concentração.

Eu explico:
Os fornos não são mais do que 8 a 12 por pavilhão, no máximo comportariam 2 ou 3 corpos cada um e demoram horas (2 a 3) a convertê-los em pó.
Depois era preciso "abastecer" cada campo com mais de 5.000 pessoas por dia o que não se verificou.


























Nem podia. As distâncias a percorrer obrigavam os comboios a perder 2 a 3 dias para cada lado de modo que o abastecimento de cada campo se fazia a um ritmo de 1 por semana. Nem haveria instalações que os acomodassem mesmo ao molho. Não há relatos de que dormissem na rua.
Portanto nunca poderia existir esse "caudal" durante os 3 anos que a chacina durou. Sendo certo que, em média, os campos funcionaram em pleno apenas 2 anos.
Seguidamente é preciso perceber-se que o mecanismo da morte por envenenamento por Zyklon B era um processo que demorava cerca de 3 horas. Era preciso selar todo o edifício com uma manga plástica gigante a fim de que o gás não extravazasse. Há quem defenda que esse processo era ainda mais activado pelo facto de não haver ar suficiente para centenas de pessoas e gerar-se uma sobre-produção de dióxido de carbono nas câmaras.
Também não acredito, porque o cianeto mata quase instantaneamente. Ninguém teve tempo para morrer sufocado, mas sim envenenado em segundos.

(Quem poderá explicar melhor isto é o meu compincha senense e investigador João Laranjinha, da Faculdade de Farmácia de Coimbra, a quem desde já aqui lanço um repto para que explique à gente porque é que o cianeto mata instantaneamente. Sempre me fez confusão que o simples facto de se mastigar uma pastilha possa provocar quase imediatamente a morte. Porque mesmo que o veneno fosse injectado no sangue, ainda demoraria algum tempo a fazer efeito, não?)

E depois ainda era preciso transportar 6 milhões de corpos das câmaras de gás para os fornos, o que só por si requereria uma mão de obra gigantesca.
E quem os transportou?
Os outros judeus prisioneiros?
Só podia ser, mas isso mostrava-lhes de imediato o que iria acontecer-lhes a seguir e todos os relatos de sobreviventes garantem que eles não sabiam de nada do que se passava nos campos.
E fica claro que não sabiam senão não marchariam ordeiramente para os "duches" mortais.
Pergunta-se portanto:
Quem carregava os corpos?
Como se tiravam os corpos lá de dentro, se o gás Zyklon B fica a actuar eternamente?
Abriam as janelas?

(Já agora: sabiam, os leitores, que este gás (Ciclone B) foi desenvolvido inicialmente nos anos 1920 por Fritz Haber, justamente um judeu alemão que foi obrigado a emigrar em 1934?).

Mas depois o gás saía cá para fora e, mesmo diluído, sendo mais pesado que o ar, e sem o cheiro a amendoa, típico do cianeto (o Zyclon B era um pesticida à base de ácido cianídrico, primeiramente utilizado para matar os piolhos dos presos nos campos de concentração. Mais tarde foi ordenado à empresa produtora Degesch a produção do Zyklon B sem o odor de advertência obrigatório até então pela lei alemã), o gás podia ainda matar muita gente nos campos, incluindo soldados alemães. Bastava que o vento soprasse nessa direcção.
Não há relatos de incidentes desses.

Voltando à primeira aplicação do gás, uma outra dúvida me atormenta:
Fazia algum sentido gastar dinheiro a desparasitar aqueles que se iam matar a seguir?
E sendo conhecido o interior das câmaras de gás, reconhece-se facilmente que as frestas por onde se ministrava o gás foram feitas muito depois dos pavilhões construídos. De facto, de início, as câmaras eram mesmo e apenas usadas para a lavagem e a desparasitação dos presos. Apenas possuíam chuveiros. E não as frestas laterais que foram feitas posteriormente.
Nisto parece que todos os investigadores estão de acordo.
Tudo leva a crer que a chamada «solução final» não terá sido pensada para ser executada desta forma, de início. Mas terá sido adaptada a este processo, se calhar por mero acaso, numa fase posterior. Provavelmente alguns presos mais fracos, ou crianças, acabaram por morrer durante o banho pelo facto de a concentração do gás ser demasiado elevada para o seu estado de fraqueza.
E isso terá dado o "clique" fatal ao general das SS Reinhard Heydrich que, em resposta à solicitação de Hermann Göring lhe submeteu o "plano geral da administração material e de medidas financeiras necessárias para levar por diante a desejada solução final da questão judaica"...


No livro "O III Reich: Hitler e a Solução Final" aparece um claro erro de contas de... 150 mil judeus mortos no único documento apresentado. De 175 mil que apareciam no total, afinal seriam apenas 17.500 se fossem bem feitas as contas. Até o autor reparou e chama, para tal lapso, a atenção do leitor.

E nessa percentagem de erro já começo a acreditar.

Façamos as contas ao contrário:
A esmagadora maioria dos judeus exterminados não saíu directamente das suas casas para entrar nos comboios, ao contrário do que muitos filmes ocidentais parecem querer mostrar. Era, evidentemente, necessário agrupá-los nalgum lado para depois se programar o seu transporte para os campos de extermínio de Sobibor, Belzec, Chelmno, Treblinka, Culm, Gross Rosen e Stutthof, embora os três últimos não tivessem sido significativos em termos do genocídio. Os 5 principais funcionaram entre 1941 e 1943. Apenas.
Auschwitz, Auschwitz-Birkenau (II) (que foram os mais importantes) e Majdanek também possuíam câmaras de extermínio e essas foram mantidas em funcionamento até 1944.

O local de agrupamento enquanto esperavam transporte eram chamados «guetos».
Estas porções fechadas de cidades, de onde não se podia sair, foram construídas primeiramente para isolar os Judeus, os ciganos e outros pequenos grupos étnicos considerados de raça inferior, do resto da população «ariana».
Portanto, só podem ter sido exterminados os judeus que previamente foram agrupados em guetos. Daí, começaram a seguir para os campos de concentração.

Sobre os guetos há a dizer o seguinte:
O primeiro gueto foi estabelecido em Lodz, segunda maior cidade da Polónia, no início de 1940, e abrigou entre 160 mil e 200 mil pessoas numa área de 3,2 quilómetros quadrados. O maior foi o de Varsóvia, formado no mesmo ano, onde foram confinados cerca de 500 mil judeus e ocorreu o mais significativo movimento de resistência judaica, o «Levante do Gueto de Varsóvia».
Nos guetos, a administração de assuntos da comunidade era de responsabilidade dos Jundenräte - conselhos formados por judeus - que respondiam perante a autoridade nazi. Essas organizações sofreram muitas críticas devidas à fraca resistência que ofereceram aos alemães. Integrantes dos Jundenräte acreditavam que, adoptando uma conduta de colaboração com os nazis, poderiam aliviar o sofrimento da população do gueto que vivia sob grave racionamento de alimentos e medicamentos e habitava cubículos sem aquecimento durante o rigoroso inverno Polaco - as condições a que eram submetidas no regime de confinamento eram dramáticas, o que provocou várias epidemias, especialmente a de tifo.
Daí a célebre frase Nazi «Judeu-piolho-tifo» tão em voga, na altura.

Outros guetos importantes foram os de Cracóvia, com aproximadamente 72 mil judeus, Lublin, com cerca de 40 mil, e Vilna, com algo em torno de 60 mil. A partir de 15 de outubro de 1941 uma nova ordem de conduta alemã passou a punir com pena de morte os judeus que deixavam os guetos. Porque até aí, muitos (milhares segundo afirmam os entendidos) tinham conseguido fugir.
Uma simples operação de somar diz-nos que: 180.000 + 500.000 + 72.000 + 40.000 + 60.000 = 852.000 judeus.
Menos de um milhão. E nem vamos descontar os que fugiram.

Sobreviveram aos campos cerca de 500.000 judeus, diz-se para aí.
Também não posso acreditar.
500 mil a dividir por 5 grandes campos daria uma média de 100 mil sobreviventes por campo, o que é uma coisa impensável.
Não havia logística nem capacidade em nenhum campo para albergar mais do que 15 a 20 mil pessoas em cada momento.
Que fossem apenas 50.000 os sobreviventes em Abril de 45.
Nem sequer os vou descontar aos 800.000.

De onde vieram os restantes 5,2 milhões, até chegarmos a 6? Já nem falo em 17 milhões...
Porque ainda hoje não há 17 milhões de judeus.
Só há 6,7 milhões de Israelitas. E, dos 6,7 milhões de habitantes de Israel, 81% são Judeus ou de outra origem étnica, enquanto que 19% são Árabes.

Como é que se chega a um número de 8 a 20 vezes maior?

10% de 6 milhões são 600 mil, o que me parece já um número credível, dada a logística disponível e o tempo que durou a operação «solução final».

Mesmo assim, 600 mil vítimas foram alvo de um crime de proporções épicas só comparável com a chacina de inocentes em Hiroshima e Nagazaki.
Ainda mais quando Hitler já se tinha suicidado e a Alemanha tinha capitulado há mais de 3 meses...
Disto é que ninguém fala.
Porquê?

Porque se pulverizaram 500 mil pessoas, civis, mulheres, velhos e crianças, 3 meses depois da Alemanha se ter rendido e apenas meia dúzia de kamikazes - meras moscas contra couraçados que nem sequer conseguiam atingir (como demonstrou o Missouri) - sem combustível nos aviões, tentavam o impossível?

A esta questão é que eu gostava que alguém me conseguisse responder...

Publicado por JoaoTilly em abril 20, 2006 05:29 PM
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